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Capítulo 5: Popular

Auteur: Helenmaria
last update Date de publication: 2026-08-27 06:32:08

Fui matriculada numa escola prestigiada e exclusiva, uma daquelas com que nunca ousei sequer sonhar, pois a nossa vida era marcada por dificuldades financeiras. Fiquei radiante quando a mãe me disse que ia mudar para aquela instituição notável. A educação é tudo para mim e sempre fui uma aluna de excelência, por isso a oportunidade de estudar numa escola deste calibre era imensamente importante.

 

O campus era amplo e extenso e parecia que quase todos os alunos vinham de famílias ricas. As instalações eram excecionais e o corpo docente era sem dúvida altamente qualificado. Podia ter sido perfeitamente feliz e tudo podia ter corrido bem se não tivesse descoberto que o meu insuportável meio-irmão também ali estudava.

 

Entrei no segundo semestre como aluna do décimo ano, enquanto ele já estava no último ano. Dá para acreditar? Com a sua altura e porte físico, pensei que andava na universidade, mas não. Fiquei imensamente grata por ter um motorista só para mim, assim nunca precisava de ir para a escola com ele. Ainda bem que o Tio Greg contratou um motorista para me levar e buscar e fiquei muito grata por isso.

 

O que mais me surpreendeu, para além da sua arrogância irritante, foi o facto de ele ser extremamente popular na escola. Parecia que todas as raparigas do nosso ano tinham uma queda por ele e até algumas de anos anteriores e seguintes.

 

Fiquei a saber isto numa tarde, quando vi que quase todas as raparigas da minha turma tinham saído dos seus lugares e se amontoavam junto à janela da sala. Estavam todas juntas, debruçadas com curiosidade, a rir baixinho e a sussurrar com tanta excitação que as suas vozes pareciam um enxame de abelhas.

 

Fiquei curiosa e fui ver o que se passava. Empurrei a cadeira para trás, atravessei a sala e espreitei entre duas raparigas pela janela. E ali estava ele, sem surpresa. Theo, a rir enquanto passava pelo corredor em frente à nossa sala, acompanhado de outros dois rapazes, todos com a mesma altura e idade aproximada.

 

Vi as raparigas à minha volta a suspirar e a olhar completamente rendidas. Revirei os olhos, embora uma parte pequena e teimosa de mim não pudesse negar que percebia o motivo de tanta atenção.

 

— Ele é tão bonito, não é? Chama-se Theo Almendarez e o pai dele é dono do Grupo de Empresas AMC. São incrivelmente ricos — ouvi a Cassy dizer.

 

Os meus olhos abriram-se de espanto quando ouvi o nome dele sair da boca da Cassy. Não fazia ideia de que ela conhecia Theo e o meu padrasto, nem de quão ricos eles eram. Afinal, parece que não é segredo para ninguém na escola.

 

E não eram apenas as raparigas da nossa sala a suspirar por ele. Reparei em outras a debruçarem-se nas varandas e lá fora também olhavam e sussurravam entre si enquanto o viam passar.

 

— Ele namorou com a minha irmã e ela disse que ele beija muito bem e que é incrível na cama — disse a Sapphire num tom baixo e risonho.

 

As outras raparigas riram alto e com alegria, algumas batendo as palmas e dando empurrões umas às outras. Pareciam entusiasmadas e começaram a falar todas ao mesmo tempo, pedindo mais detalhes e a especular sobre o resto que a irmã dela podia ter dito. Era evidente que aquele segredo interessante tinha alegrado o dia delas.

 

Olhei para as minhas colegas incrédula. Não sou ingénua para estas coisas e mesmo quando trabalhava no café ouvia coisas muito piores e palavras mais grosseiras das minhas colegas mais velhas. Mas ouvir coisas assim de pessoas da minha idade como se fossem palavras vulgares chocou-me.

 

Falavam como se todas conhecessem cada detalhe íntimo sobre o sexo e algumas davam a entender que já tinham experimentado também.

 

A sério? Serei a única rapariga de dezasseis anos em toda a escola que ainda é virgem? De repente, senti-me deslocada, como se fosse a única que não tinha cruzado a linha que todos os outros já tinham deixado para trás.

 

— Gosto dele desde o primeiro ano. Meu Deus, dava tudo por um beijo dele — disse a Cassy com entusiasmo exagerado, o que me fez revirar os olhos.

 

— É pena que esteja no último ano e vá acabar o curso. Não o vamos ver aqui para o ano — suspirou a Melody, minha colega.

 

— Ele é tão bonito, não é? — perguntou-me de repente a Cassy, apanhando-me de surpresa.

 

Não esperava que me incluíssem na conversa. Estava apenas a ouvir calada ao lado.

 

Franzi a testa, a ponderar a resposta. Para ser sincera, sim, ele é bonito, mas nunca o admitiria a ninguém. Na verdade, nem a mim mesma o admito. Nunca irei achar bonito um homem com uma personalidade tão má.

 

— Não sei. Não é bem o meu tipo — respondi, com a voz propositadamente casual, virando-me de costas para elas e desejando mudar de assunto antes que as minhas bochechas me traíssem.

 

Depois voltei depressa para o meu lugar, com o coração a bater um pouco mais rápido do que o normal.

 

— O quê? Não o achas atraente? Ele é tão bonito! — protestou a Melody, com uma voz tão alta que me fez estremecer.

 

— Já disse que não é o meu tipo — repeti, olhando para a secretária e fingindo concentrar-me no caderno, embora os meus olhos não conseguissem ler uma única palavra que ali estava escrita.

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