LOGINEle me carregou até uma sala de espera e me colocou cuidadosamente sobre um sofá macio, cada movimento seu gentil, gentil demais. Eu não entendia o motivo. Homens como ele não faziam nada sem uma razão.Ele se sentou à minha frente, os cotovelos apoiados nos joelhos, os olhos percorrendo meu rosto como se estivesse memorizando cada centímetro. Eu podia sentir o peso do seu olhar, mas nem me dei ao trabalho de esconder meu tédio. Eu estava prestes a falar quando ele se adiantou.— Sei que você está confusa sobre quem eu sou, Bella. — Começou, o tom plano, indecifrável. — Então vou lhe contar.Ele fez uma pausa e, então, um sorriso lento e presunçoso se espalhou por seus lábios.— Seu companheiro e eu somos rivais nos negócios há anos. Descobri que ele também tinha você.Sua voz carregava uma diversão estranha.— Mas o que eu não esperava era que ele a desperdiçasse. Que a tratasse como lixo quando deveria venerar o chão por onde você passava.Aquilo me fez erguer a cabeça, os olh
BellaFaz uma semana desde que fui trazida para cá e, até agora, todos têm me tratado decentemente. Decentemente até demais, talvez. Mas o homem chamado Pascal não mostrou o rosto nenhuma vez depois daquele dia, e é isso que continua me incomodando.Quero saber por que ele fez aquilo, por que diabos me comprou daquela criada inútil. Só preciso saber se esse homem será um problema para mim ou uma solução.Talvez ele seja a resposta para tudo que deu errado na minha vida. Ou talvez seja apenas outro Dylan, fingindo demonstrar cuidado, bancando o homem que não se importa, mas me tranca, até arrancar tudo de mim e me jogar naquele buraco infernal. Só de lembrar daquele lugar, um arrepio percorreu meu corpo.A porta se abriu e dois enfermeiros entraram, um homem e uma mulher.— A senhora receberá alta hoje, madame. Os guardas estão esperando lá fora. — A mulher disse educadamente.Apenas assenti. Eu não estava prestes a dizer algo que pudesse ser usado contra mim. Não quando tudo ao m
DylanJá faz um mês desde que enviei Bella para aquele lugar miserável, uma punição mais do que merecida por todo o mal que ela fez. Fiz questão de que fosse tratada como a imundície em que se tornou, algo menor do que um ser vivo, porque é exatamente isso que ela é.Mantive-me afastado durante todo esse tempo, não porque não pensasse nela. Eu pensava, com frequência demais. Mas porque não confiava em mim mesmo. Não queria que meu lobo viesse à tona e sentisse pena daquela estrutura frágil, não quando ela não merecia nada disso.Os relatórios que recebi foram suficientes para me manter calmo: ela não estava se alimentando direito, o que a deixou magra, fraca e, pior de tudo, suja e descuidada. Mal parecia viva. E, ainda assim, ouvir aquilo despertou algo perigoso dentro de mim. Não compaixão, não. Mas o desejo de ver aquilo com meus próprios olhos. De vê— la completamente quebrada. Talvez então, quando ela não fosse nada além de uma casca trêmula, eu a deixasse sair... E ela finalme
AinaEla se endireitou e encontrou meu olhar. Ofereci— lhe um pequeno sorriso tranquilizador.— Por favor, sente-se. — Falei, indicando a cadeira à minha frente.Ela se moveu com graça, mas havia um peso em seus passos, algo triste na forma como seus ombros caíam.Quando se sentou, limpou a garganta suavemente, sua voz falhando ao falar.— Sei que provavelmente está se perguntando por que vim aqui hoje. — Disse, os olhos brilhando como se tivesse chorado por horas.— Não se preocupe. — Respondi com gentileza, tentando deixar meu tom o mais calmo e compreensivo possível.Ela assentiu de leve, pressionando os lábios como se tentasse impedi—los de tremer.— Já que o Alfa não está por perto. — Começou novamente, as mãos se apertando com força em seu colo. — Vim até você. Gostaria de pedir o divórcio.A tensão em sua voz era inconfundível, cada palavra soando como se lhe custasse forças para ser dita.Eu sabia que não era exatamente meu lugar perguntar o motivo, mas, olhando para
AinaDesde que minha mãe voltou da casa de Clara, algo nela mudou completamente. Ela está mais radiante agora, mais viva de alguma forma. Há uma luz em seus olhos que eu não via há anos, e ela está sempre sorrindo, como se aquilo que a vinha sobrecarregando finalmente tivesse desaparecido.Eu realmente gosto dessa nova versão da minha mãe. Ela está mais leve, mais feliz, quase brilhando. Não sei o que aconteceu na casa de Clara, mas, seja lá o que for, foi para melhor.Mas, por mais feliz que eu esteja por ela, tenho meu próprio problema: Osborne. Meu marido é um completo viciado em trabalho. Eu quero meu homem de volta, não o Alfa que está sempre enterrado em reuniões, papéis e deveres intermináveis da alcateia. Ele está sempre viajando e, toda vez que reclamo, apenas diz: “Sinto muito, prometo compensar você.”Eu sei que ele está ocupado, sei mesmo. Ser Alfa não é fácil. Mas, ainda assim, será que mataria ele me dar um pouco do seu tempo?Faz duas semanas desde a última vez que
BellaQuando acordei, tudo ao meu redor estava escuro e apertado. O espaço era estreito, pressionando meus ombros, e não demorou muito para eu perceber que estava em movimento. Meu corpo sacudia a cada solavanco da estrada e, quando tentei erguer a mão, ela bateu contra algo duro.Comecei a bater naquilo, desesperada por uma resposta, mas ninguém respondeu. O pânico subiu pelo meu peito, rápido, afiado, sufocante. Eu estava em um carro em movimento, presa no que parecia ser o porta-malas. Não sabia para onde estavam me levando, mas cada instinto gritava que, fosse onde fosse, seria muito pior do que o lugar onde Dylan havia me mantido.Minha garganta queimava enquanto eu chorava, chamando por minha loba, mas ela não respondia. Não respondia havia muito tempo. Era como se tivesse desaparecido, quebrada, assim como eu.O carro parou bruscamente, jogando-me levemente para a frente. Levei a mão trêmula à boca para sufocar um soluço, lágrimas riscando meu rosto imundo.Então veio o som
OsborneEu estava organizando a pilha de papéis na minha mesa quando Alex entrou. Ele parecia inquieto, os olhos desviando por um instante antes de encontrar os meus.— O Alfa voltou. — Disse, em voz baixa. — Ele pediu pela sua presença.Ergui uma sobrancelha e assenti. — E quanto ao que te pedi?
Alfa HamiltonTudo finalmente desmoronou. Hoje, uma carta oficial chegou à minha mesa, assinada pelo próprio Owen, informando que ele viria até aqui para discutir por que tentei matar seu filho. Não foi uma ligação. Nenhuma conversa privada entre supostos aliados. Uma carta. Formal e fria. A mensag
OwenNo começo, eu não consegui acreditar. Mas quando ele realmente disse aquelas palavras, quando Hamilton perguntou se meu filho estava morto, o choque foi além da incredulidade e atingiu algo mais profundo. Por que Hamilton desejaria mal ao meu filho? Ele não fez nada para merecer isso. Nada.N
AinaEnxuguei minhas lágrimas, ainda inquieta. Eu não deveria ter sido a pessoa a ver o Alfa daquele jeito tão quebrado, tão despido de força. Além disso, o pedido de desculpas nem era meu para aceitar. Aquilo pertencia à minha mãe.— Eu não guardo rancor de você. — Falei por fim. — Mas você deve