Home / Máfia / A Perdição Do Traficante / Capítulo 5 - Minha Salvação

Share

Capítulo 5 - Minha Salvação

Author: LIDIANE
last update publish date: 2026-03-28 08:27:46

Ísis

— Eu não consigo mais manter relação com Caio. Não consigo transar com ele, sempre que estamos quase lá eu desisto. Não consigo pensar em alguém que não seja Sete. — Suspirei forte, tentando encontrar um jeito de montar esse quebra-cabeça.

— Caio é um insuportável do caramba, acho que você já deveria ter terminado faz tempo. Ontem vi que ele olha pra você com um jeito especial, parecia tá enfeitiçado. — O comentário dela me fez rir, seria que eu estava mesmo enfeitiçando ele?

— Nós dois conversamos, ele disse que vem aqui hoje, quero fazer isso pessoalmente. — Me afastei dos seus braços, olhando que sua maquiagem estava borrada. Limpei com o dedo o borrado abaixo dos seus olhos, olhei pra ela que estava com o olhar completamente perdida. — Vamos sair, aproveitar a noite. A gente mal comeu hoje, precisamos nos alimentar. Liga para o meu irmão e avisa a ele que faça a transferência agora, dê o número da sua conta, por favor.

Antes que ela dissesse que não aceitaria, meu celular tocou e eu atendi rápido, ao ver que se tratava de Caio. Ele estava lá embaixo, abrir a porta e Freya foi tomar outro banho enquanto a gente conversava. Ele foi para o banheiro de fora e entrou, trocando alguns olhares de ódio com ela.

— Achei que iria vir mais tarde. — Me arrependi quando percebi que ele estava completamente fora de si, bêbado e muito drogado.

— Qual é a sua, em vadia? Tá achando que vai ficar me enganando até quando? Me disseram que namora um marginal. Tá dando a buceta pra bandido agora?

— Olha, eu não faço ideia do que você esteja falando. Eu nunca… — A mão que veio em minha direção me fez pensar rápido e me abaixar, mas não foi o suficiente pra ele parar por ali.

Estava nítido que ele estava com ódio em seu ser e, sem dúvidas, eu iria ser a vítima se não agisse rápido.

Freya

Ouvi o grito de Ísis assim que ela fechou a porta, a voz alterada do idiota soava alto de lá de dentro. Todos da pensão tinham ido a um evento promovido pela dona do estabelecimento — Meu Deus, me dê uma luz! — supliquei em voz baixa, após tentar abrir a porta e perceber que estava trancada por dentro. Tinha em mãos o número do seu irmão, isso vai dar merda, mas é a única opção de salvar ela.

“Se for cobrança tá ligando errado.”

“O namorado da sua irmã tá aqui e se você não vir logo ele vai matar ela.” — Fui direta, enquanto permanecia do lado de fora.

“Que merda.” — Essas formas suas últimas antes da ligação cair.

Desesperadamente, eu bati na porta, gritando por Ísis, até que lembrei que a fechadura era também aberta por algum metal fino. Retirei o grampo que prende os fios do meu cabelo atrás, encaixei com calma na fechadura e plim… abriu.

A cena era de puro caos, mas o que me moveu naquele momento foi o ódio. Vi Ísis jogada no chão, com o rosto ensanguentado enquanto mantinha o braço em seu rosto. Sem pensar em mais nada além de salvar sua vida, peguei o jarro de flor, cheio de terra e arremessei na cabeça do idiota, tendo um folpe certeiro que o fez cair no chão. Não lembro em que momento me tornei tão rápida, mas já estava com uma faca na mão, parada na frente dele enquanto o desgraçado abria os olhos.

— Você escolhe como vai querer morrer, com uma facada no pescoço ou no coração? — Perguntei friamente, vendo seu olhar de medo enquanto me viu rir sem controle.

— Vem, Freya. Não vai valer a pena você ir presa por causa dessa merda aí. Vamos… — Mas para onde Ísis iria, já que nós morávamos aqui?

— Eu não vou sair daqui até ouvir um grito de desespero desse verme. Além disso, ele quem tem que ir embora. — Cravei o metal em sua coxa e seu grito me fez feliz, me senti bem por ele está sentindo dor.

Ísis me olhava horrorizada com a cena, com a mão na boca sem acreditar no que seus olhos viam.

— Tá vendo como é fácil se aproveitar de uma mulher quando ela está indefesa? Podemos não ter a mesma força, mas eu garanto que se a gente souber se proteger, gente como você não passa muito tempo vivo. Não olha com essa cara, eu não tenho pena de você. — Apoiei bem o pé em sua cabeça e pisei com força, estava quase me deixando levar pelo calor do momento, mas Ísis tinha razão.

Mas, como nem tudo são flores, ele me puxou pelo pé, me derrubou no chão e conseguiu acertar meu rosto com um soco. Senti o sangue na boca e levantei rápido, pisando em sua cabeça depois de ter ferido sua mão com outro golpe, não era o meu fim, estava mais provável ser o dele.

Jamerson

Sete que ouviu a conversa, subiu na garupa da moto e, como duas balas indo em direção ao alvo, assim era não dois na pista escorregadia. Caio já passou da hora de viver a sete palmos, mas somente por Ísis pedir que deixasse o canalha em paz, eu a obedecia.

Sete nem mesmo falava, seus pensamentos não eram diferentes dos meus. Não quero imaginar o tamanho da merda que isso vai ser.

O silêncio me fez ter medo ao entrar ali, esperava que alguém tivesse pelo menos falando ou que tivesse alguém por ali, mas a pensão estava vazia, como cemitério em dia de chuva.

— Que porra foi essa? — Perguntei olhando a desgraça que ali estava, enquanto Sete entrou furioso e procurando pelo canalha.

Freya estava ensanguentada, com o pé na cabeça do desgraçado e uma faca em punhos.

— Faz uns dez minutos que ela tá segurando ele, faz alguma coisa. — Ísis segurava meu corpo, mas ela se recusava a sair daquela posição.

Segurei seu corpo e tirei ela de cima dele, vendo Sete querendo colocar seu ódio pra fora, soltei ela pra tentar intervir aquilo.

— Senta aí. — Soltei ela na cama, percebendo que ela estava em estado de transe. — Ei mina, reagi aí porra. — Pedi, deixando ela ali e voltando a atenção ao verdadeiro problema.

Ísis contou com detalhes o que havia acontecido. Não imaginei que a ruivinha gostosa fosse inteligente a esse ponto. Não esperava que ela estivesse disposta a dar a vida para salvar minha irmã, mas confesso que isso me deixou surpreso.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • A Perdição Do Traficante    Capítulo 39 - Possivelmente Grávida

    Freya O amanhecer veio rápido. Adormeci ao lado de Jamerson — que ainda dormia quando eu levantei. Pensei em acordá-lo, mas o mal estar veio antes que eu pudesse fazer qualquer coisa. Corri até o banheiro e me ajoelhei diante do sanitário. Talvez tenha sido a bebida. Talvez eu deva ter exagerado, mas algo dentro de mim se quebrou naquele momento. Lavava o rosto quando vi a silhueta de relance. Ele apenas observando a situação, sem dizer nada. — Tá tudo bem? — Tá sim. Eu só acho que exagerei um pouco demais na bebida ontem. Mentira. Eu me sinto assim faz alguns dias. Indispostas, com um sono excessivo há dias e mesmo assim ignoro cada detalhe, porque eu não posso… — Eu vou até a padaria, que alguma coisa em específico? — Interessante, até ontem ele estava pouco se importando comigo, então por que hoje estava tão preocupado comigo? Estranho! — Eu vou querer duas fatias de bolo indiano e um hambúrguer. Ah, trás paçoca também. — Bolo indiano é uma das melhores coisas da minha vida,

  • A Perdição Do Traficante    Capítulo 38 - Sentimentos

    Jamerson Ver Freya saindo com Júlio me despertou ódio, mas não pude fazer nada a respeito. Leonor tenta fazer contato com seu tio, que já não responde há algumas horas. — Corolla não responde, acha que ele está ocupado? — Não precisei responder, minha cara entregava tudo que eu precisava falar. — Aquela é a garota de quem você falou? A amiga da sua irmã? — É! — Disfarçar sentimentos sempre foi o meu forte, mas com Freya era diferente. Eu me sinto um canalha, pela primeira vez na vida eu me sinto um canalha por tê-la magoado de tal forma que ela não merecia. Ela não é igual a minha ex e está muito longe disso. Não deveria ter me apaixonado por ela, porque não fazia ideia de que as coisas acabariam desse jeito; confusas e sem saída. — Parece que ela é mais que amiga da sua irmã. — Ela respirou fundo, desligou o celular e me olhou sério. — Se quer conquistá-la, não vai ser desse jeito. Se eu fosse ela, não iria mais querer saber de você. Você age feito um imbecil e sabe o que pessoa

  • A Perdição Do Traficante    Capítulo 37 - Maldita Traição

    Jamerson Desenrolei com Leonor o que eu pude fazer. Já havíamos conversado sobre onde ela ficaria durante os.procimos dias, até às coisas se amenizarem para que ela volte a Colômbia. Vi Freya sentada em uma mesa distante com Júlio, ambos rindo e conversando, até o momento em que ela me viu. — Por que você não pode voltar? — Perguntei a Leonor, na esperança de descontrair meus pensamentos intrusos. — Polícia rodoviária e demais problemas… — Assim como Corolla, ela tem uma facilidade de lábia que me impressiona. — Meu tio falou sobre sua amiga, ela vai ficar sob minha responsabilidade quando chegar lá. — E como eu posso confiar em você? — A desconfiança é minha parceira de vida, não olho para o lado sem que ela esteja presente. — Eu confio no seu tio, mas não conheço você. — Meu tio manda em mim, então será a mesma coisa! Será como se esyivesse fazendo negócio com ele, mas… pelo seu tom de voz, parece haver algo mais que amizade em suas falas. — A garota é amiga da minha irmã e a

  • A Perdição Do Traficante    Capítulo 36 - Conexão Colômbia

    Freya É meu dia de folga. Ísis chegou por volta das 12:00 horas e ainda está dormindo. Quem a trouxe foi o Sete, mas desta vez, vieram sozinhos.Estava lavando a louça quando meu celular começou a tocar, estiquei a mão e o peguei de cima da mesa. “Oi, Freya. Como está?” Júlio é cuidadoso e isso não é ruim. Ele não faz as coisas com segundas intenções, mas, na intenção de realmente ajudar. “Oi, Júlio. Estou bem e você?” Puts! Eu não sei o que falar com ele. “Estou ótimo, obrigada! Então, eu queria saber se o jantar se mantém de pé?” Bom… é sempre bom ir com calma, mas jantar? Nem conversamos sobre isso ainda e eu nem quero fazer as coisas por impulso. Antes de responder, Ísis surgiu na cozinha, esfregando os olhos e sentando na copa, me encarando como se quisesse me dizer alguma coisa. “Eu te ligo depois, agora estou um pouco ocupada.” Desliguei a chamada e olhei fixo para Ísis. — Então, como foi a festa ontem? — perguntei sem intenção de saber se alguma coisa, porém, seu irmão

  • A Perdição Do Traficante    Capítulo 35 - Palavras que Magoam

    Jamerson Minha mãe sempre me disse que a gente tinha que lutar pelo que amamos. Eu lutei por ela, lutei por Ísis e por Sete e agora posso finalmente descansar um pouco e ir atrás do que eu quero. Freya desligou quando ouviu a minha voz, então eu fui até lá pessoalmente. — Freya? Abre isso aqui logo ou você quer que eu suba aí? — Gritei alto em frente a sua janela, que ficava de frente para a rua. Passaram alguns minutos e ela não veio, não respondeu e muito menos abriu. Fechei o punho e quando iria bater mais algumas vezes, a porta foi aberta. Sutilmente, ela cruzou os braços e me olhou séria. — Eu vim te buscar. — Disse, já entrando e fechando a porta. Ela não estava acreditando que eu estava ali. Coloquei a chave do carro em cima da mesa e quando olhei pra ela novamente, percebi que estava usando um pijama muito curto, com a blusa mostrando sua barriga e o short a poupa da bunda. — Eu não vou, já estava deitada e deveria saber disso quando eu não atendi. — Ela estava com os c

  • A Perdição Do Traficante    Capítulo 34 - Confusão Mental

    Jamerson “Boca, vem me buscar aqui na praça. Eu tô ligando pra Freya, mas ela não atende. Acho que a bateria do celular dela acabou.”A voz desanimada de Ísis me deixa de certa forma triste também. “Não manda o Sete, vem você.” Larguei o que estava fazendo, avisei ao Sete onde estava indo e que ele deveria manter a barra limpa e sem sujeira por aqui até eu voltar. Avistei Ísis de longe, sentada na praça, com a mochila em suas pernas, enquanto ela tomava um sorvete. — Você conseguiu falar com ela? — Não liguei, Ísis. Sua amiga deve tá cansada, só isso. Você chamou ela pra vim com você? O que ela disse? — Chamei e ela disse que não iria vim, porque a última vez ela foi barrada e você ainda humilhou ela. Freya quer ficar de boa, deixa ela quieta. Não vale a pena se envolver com alguém que vige sabe que não vai dar certo. — Essa era a verdadeira Ísis. Ela destila seu ódio quando alguma coisa dá errado em sua vida, ela sempre foi desse jeito. E agora porque não deu certo com o Sete, e

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status