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Capítulo 3

Penulis: Liora
— Sei que não está se casando comigo de livre vontade, Senhorita Quentin, mas prometo dividir tudo o que tenho com você. Não precisa se preocupar com seu sustento. — A voz dele era firme, e gentil.

Foi nesse momento que despertei dos meus pensamentos. Voltei o olhar para ele, parado ali ao meu lado. Um perfume suave pairava sobre sua pele — fresco, quase gelado — e, de maneira estranha, fazia com que eu me sentisse segura.

Levantei os olhos e sorri.

— Liam Thorn, não existe nada de forçado na minha escolha. Escolher você foi a melhor decisão que já tomei. Pode me chamar de Sadie.

Um brilho atravessou seus olhos por um instante. Ele assentiu em silêncio.

...

No dia do casamento.

A cerimônia dos Lobos foi muito mais suntuosa do que aquela da minha vida passada.

Silas decorou todo o salão com tons de vermelho, só para agradar Lucia. O palácio estava coberto de luzes e serpentinas coloridas. Até os Elfos — que viviam isolados — marcaram presença, assim como os Anões, os Centauros e as poderosas feiticeiras. Quase todos os humanos de sangue nobre compareceram.

No nosso casamento, apenas as famílias principais dos Dragões Negros estiveram presentes.

Antes de entrar na carruagem, Lucia fez questão de exibir as marcas de mordida no pescoço e nos ombros, visíveis sob o tecido fino do vestido.

— Eu não imaginava que um Rei Lobo tivesse tanta disposição, Sadie. Parece que logo terei um herdeiro nos braços. — Disse ela, sorrindo de orelha a orelha.

Dei um sorriso de volta, tão calmo quanto afiado.

— Espero que seu desejo se realize.

Ela devia estar sonhando.

Os genes de Humanos, Lobos e Dragões eram totalmente incompatíveis. Mesmo com Bênçãos, era necessário pelo menos três anos para gerar uma gravidez natural. Na vida passada, precisei usar todos os truques, pactos e recursos possíveis para conseguir conceber.

Lucia sabia que eu engravidei após seis meses. Por isso, anunciou aos Lobos que também teria um filho nesse mesmo prazo. Silas acreditava. Os outros lobos também.

Ignorei.

Ela lançou um olhar de desprezo.

— Não precisa bancar a orgulhosa. Está indo morar num território miserável. Ouvi dizer que os Dragões Negros nem água quente têm no inverno.

Se virou para subir na carruagem.

Mas a segurei pelo braço.

— Peça desculpas, Lucia.

Ela me empurrou, furiosa.

— Está maluca?!

Todos os convidados se viraram para ver a cena.

Meu pai veio correndo. Quando entendeu o que tinha acontecido, fez com que Lucia se desculpasse. Em público.

Não importava o quanto os Dragões Negros estivessem enfraquecidos. Ser humilhada em público era inaceitável.

Antes de partir, Lucia rangeu os dentes e se aproximou de mim. Murmurou no meu ouvido:

— Sadie Quentin, quem vai se tornar Rainha dos Três Clãs sou eu.

...

Na noite do casamento.

Fiquei hipnotizada no instante em que Liam tirou a roupa.

Seus ombros largos e cintura estreita moldavam um corpo coberto de músculos bem definidos. Marcas de dragão em dourado escuro percorriam seu torso. Escamas reluziam discretamente sobre a cintura.

As coxas firmes, desenhadas pela força, completavam o corpo de um guerreiro...

Magnífico.

Fiquei parada por um momento, hesitante. Liam pareceu confuso. Começou a vestir as roupas de novo e se virou para sair.

Foi quando agarrei sua manga.

— Vai aonde?

Ele puxou a camisa.

— Não quero forçar você, se estiver se sentindo obrigada. — A resposta saiu baixa. O brilho em seus olhos se apagava, carregando um traço de mágoa.

Arranquei as roupas que ele acabara de vestir e o puxei para debaixo das cobertas.

A presença selvagem dele me envolveu por completo.

— Vai garantir que eu aproveite a noite, não vai?

Fechei os olhos.

Ele parou por um segundo. E então seu beijo desceu sobre mim — faminto, intenso, quente. Seus lábios tocaram cada parte do meu corpo com reverência e desejo.

A noite foi longa. Ele só me libertou quando o sol já começava a nascer.

...

Três meses depois, recebi notícias vindas dos Lobos.

Lucia estava grávida.

Fiquei paralisada por um minuto inteiro.

A Aliança dos Três Clãs existia havia dois mil anos e nenhum casal entre humanos e bestas tinha conseguido conceber um filho em apenas três meses.

Mas eu vi. Com meus próprios olhos.

A barriga dela já começava a despontar.

Os Lobos organizaram uma grande celebração. Figuras poderosas de todos os clãs compareceram para oferecer seus parabéns.

Silas, sentado no trono de honra, sorria como um homem coroado.

À medida que os convidados chegavam, choviam elogios — todos de olho em uma fatia futura daquele poder crescente.

Para eles, Silas já era o governante legítimo dos Três Clãs.

Liam e eu deveríamos ter sido colocados em um canto distante. Mas Lucia fez questão de solicitar que eu me sentasse ao lado dela.

Estava radiante. Empinava a barriga com orgulho, como um troféu.

— Não adianta ser a filha legítima, Sadie. Você não consegue engravidar nem mesmo com Bênçãos.

Lancei um olhar calmo na direção dela e ergui minha taça.

— A gravidez mestiça mais rápida da história levou quarenta meses. Mas você conseguiu em apenas três. Sabe muito bem de onde esse bebê veio.

A expressão de Lucia se desfez. Ela se virou num rompante.

— Que absurdo é esse que está dizendo?!

Nem me dei ao trabalho de responder. Me levantei da cadeira e me afastei.

— Espero, de coração, que tenha um parto tranquilo.

...

Gravidezes entre linhagens mistas levavam apenas quatro meses. A criança crescia sem parar nesse curto período.

Lucia havia acabado de engravidar e já exibia um corpo muito mais pesado. O parto seria um suplício.

...

Três meses depois, chegaram novas notícias dos Lobos.

Lucia enfrentava complicações no parto. Foram cinco dias. Cinco dias de dor para trazer ao mundo aquela criança.

Mas meio mês se passou e nada de comemoração. Os Lobos do Norte permaneceram em silêncio. Nenhuma visita permitida. Ninguém podia ver o bebê. Nem a mãe.

Tinha algo errado com a criança.

...

Outro meio mês se passou.

E, de repente, meu pai me convocou de volta para casa. Liam voltou comigo.

Assim que atravessamos a porta da sala, escutamos o choro desesperado de Lucia.

Ela estava ajoelhada no chão, apertando contra o peito... um filhote de lobo cinzento.
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