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A Segunda Chance do CEO
A Segunda Chance do CEO
Autor: Pry Vitty

Capítulo 1 - A Queda do CEO

Autor: Pry Vitty
last update Fecha de publicación: 2026-08-06 08:49:02

Gabriel

“Gabriel Albuquerque, o CEO falido.”

As letras em negrito na capa do jornal impresso pareciam queimar meus olhos. A manchete era um golpe seco, direto no estômago, daqueles que tiram o ar e fazem a visão escurecer por alguns segundos.

Tomado por uma mistura corrosiva de raiva e humilhação, amassei o papel com força entre os dedos e o arremessei longe. O jornal voou sem firmeza pelo ar até cair miseravelmente no canto da sala, exatamente em cima de uma das várias caixas de papelão empilhadas para a mudança.

O som do papel atingindo o papelão ecoou pelo apartamento quase vazio, um lembrete doloroso de quão silencioso e solitário aquele lugar se tornara.

Passei a mão pelo rosto, sentindo a barba por fazer e a exaustão impregnada na pele. Em seguida, joguei um olhar pesado para a mesa de centro.

Lá estavam eles, dezenas de envelopes de cartas com timbres bancários e tarjas vermelhas. Cartas de cobrança, notificações extras judiciais, avisos de despejo. Cada um daqueles papéis era uma prova irrefutável de que a reportagem sensacionalista não era Fake News.

Eu realmente estava falido.

Perdi tudo o que conquistei ao longo de anos de trabalho árduo, noites em claro, reuniões exaustivas e viagens de negócios. Em questão de meses, o império que ajudei a erguer com o meu próprio suor desmoronou como um castelo de cartas ao vento, levando consigo a minha reputação, o meu prestígio e, acima de tudo, o meu orgulho.

Fechei meus olhos com força e balancei a cabeça devagar, em uma tentativa inútil de afastar a enxurrada de pensamentos negativos que ameaçava me sufocar, mas não adiantava.

Eles vinham aos montes, violentos e desordenados, como uma tempestade sem fim que não me dava um minuto sequer de sossego. Minha mente repassava cada decisão, cada erro, cada minuto de confiança cega que me trouxe até esta ruína.

Soltei um suspiro pesado, que pareceu rasgar meu peito, e me forcei a sair do lugar. Caminhei até o centro do quarto, onde algumas caixas de papelão ainda vazias aguardavam no chão.

Sem o menor cuidado ou paciência, comecei a pegar minhas roupas do armário, peças de alfaiataria impecáveis que um dia vestiram o grande executivo do ano, e as joguei de qualquer jeito no fundo das caixas. Não havia mais espaço para capricho ou vaidade.

A cada movimento, meus olhos inevitavelmente voltavam a bater naquele maldito jornal amassado no canto da sala. A manchete continuava ali, me encarando como uma zombaria.

A cada relance, a raiva dentro de mim borbulhava com mais força, fazendo o sangue pulsar quente nas minhas têmporas.

Era simplesmente impossível não me lembrar do meu passado tão recente. Um passado onde eu não era um homem despejado e falido, mas sim alguém respeitado, temido e no topo do mundo dos negócios.

Há aproximadamente oito meses, a realidade era completamente diferente. Eu era considerado um dos homens mais poderosos e influentes do setor varejista do Brasil.

Minha rotina consistia em decisões milionárias, reuniões de alto nível e o comando direto de uma estrutura gigantesca com mais de 40 mil funcionários. Eu tinha o mercado na palma da mão.

Contudo, existia um detalhe crucial por trás de todo aquele glamour, eu apenas administrava. A empresa não era minha. O império pertencia ao meu sogro e à minha noiva.

Hoje, olhando para o vazio deste apartamento, sei que esse foi o maior e mais ingênuo erro da minha vida. Dediquei meus melhores anos, minha saúde e toda a minha energia intelectual para construir e multiplicar um patrimônio que, no papel, não me pertencia em nada.

Eu me empenhei de alma inteira por algo que nunca foi meu. Mas, até alguns meses atrás, cego pelo sucesso e pelas promessas, eu jamais poderia imaginar que perderia tudo, o cargo, o teto, o prestígio e a honra, de um dia para o outro.

Minha queda começou, na verdade, no dia em que conheci Solange, há cerca de cinco anos. Ela era uma mulher estonteante, elegante, com um charme avassalador que me fascinou desde o primeiro segundo.

Em pouco tempo, já estávamos namorando firme. O relacionamento ia de vento em polpa quando ela finalmente decidiu me apresentar ao seu pai.

No momento em que entrei naquela sala e apertei a mão de Arthur Gonsalves, eu o reconheci imediatamente. O sobrenome Gonsalves tinha peso, mas os bastidores daquele homem guardavam segredos que eu só descobriria quando já era tarde demais.

Na época em que conheci Solange, eu estava trabalhando no corpo executivo de uma empresa concorrente à dele. Por estar no mesmo setor, eu acompanhava os bastidores do mercado e sabia perfeitamente que a Gonsalves Imóveis enfrentava uma crise sem precedentes.

Nos corredores corporativos, os rumores eram altos, a empresa estava no limite do abismo e, se nada mudasse, decretaria falência em poucos meses.

Conforme meu namoro com Solange progredia e o sentimento se aprofundava, minha proximidade com Arthur Gonsalves seguiu o mesmo caminho. Ele enxergou em mim a saída para o seu desastre financeiro.

Por isso, quando Arthur me fez o convite oficial para assumir a gestão e tentar resgatar a empresa do buraco, não pensei duas vezes. Aceitei o desafio movido pelo amor que sentia pela filha dele e pelo desejo de provar meu valor.

Não foi uma tarefa fácil. Foram mais de dois anos de noites em claro, reestruturações severas, demissões dolorosas e estratégias agressivas até que a Gonsalves Imóveis finalmente saísse do vermelho e voltasse a registrar lucros milionários.

Eu renovei a marca, resgatei a confiança dos investidores e coloquei a empresa no topo.

Naquela mesma época, no auge do meu sucesso e do entusiasmo de ter salvo o patrimônio da família, dei o passo que selaria meu destino, pedi Solange em casamento.

Apaixonado e cego, eu realmente não conseguia visualizar meu futuro com outra mulher que não fosse ela.

Eu só não sabia que a minha maior vitória corporativa seria, na verdade, o início da armadilha perfeita que me destruiria.

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