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Gabriel
“Gabriel Albuquerque, o CEO falido.”
As letras em negrito na capa do jornal impresso pareciam queimar meus olhos. A manchete era um golpe seco, direto no estômago, daqueles que tiram o ar e fazem a visão escurecer por alguns segundos.
Tomado por uma mistura corrosiva de raiva e humilhação, amassei o papel com força entre os dedos e o arremessei longe. O jornal voou sem firmeza pelo ar até cair miseravelmente no canto da sala, exatamente em cima de uma das várias caixas de papelão empilhadas para a mudança.
O som do papel atingindo o papelão ecoou pelo apartamento quase vazio, um lembrete doloroso de quão silencioso e solitário aquele lugar se tornara.
Passei a mão pelo rosto, sentindo a barba por fazer e a exaustão impregnada na pele. Em seguida, joguei um olhar pesado para a mesa de centro.
Lá estavam eles, dezenas de envelopes de cartas com timbres bancários e tarjas vermelhas. Cartas de cobrança, notificações extras judiciais, avisos de despejo. Cada um daqueles papéis era uma prova irrefutável de que a reportagem sensacionalista não era Fake News.
Eu realmente estava falido.
Perdi tudo o que conquistei ao longo de anos de trabalho árduo, noites em claro, reuniões exaustivas e viagens de negócios. Em questão de meses, o império que ajudei a erguer com o meu próprio suor desmoronou como um castelo de cartas ao vento, levando consigo a minha reputação, o meu prestígio e, acima de tudo, o meu orgulho.
Fechei meus olhos com força e balancei a cabeça devagar, em uma tentativa inútil de afastar a enxurrada de pensamentos negativos que ameaçava me sufocar, mas não adiantava.
Eles vinham aos montes, violentos e desordenados, como uma tempestade sem fim que não me dava um minuto sequer de sossego. Minha mente repassava cada decisão, cada erro, cada minuto de confiança cega que me trouxe até esta ruína.
Soltei um suspiro pesado, que pareceu rasgar meu peito, e me forcei a sair do lugar. Caminhei até o centro do quarto, onde algumas caixas de papelão ainda vazias aguardavam no chão.
Sem o menor cuidado ou paciência, comecei a pegar minhas roupas do armário, peças de alfaiataria impecáveis que um dia vestiram o grande executivo do ano, e as joguei de qualquer jeito no fundo das caixas. Não havia mais espaço para capricho ou vaidade.
A cada movimento, meus olhos inevitavelmente voltavam a bater naquele maldito jornal amassado no canto da sala. A manchete continuava ali, me encarando como uma zombaria.
A cada relance, a raiva dentro de mim borbulhava com mais força, fazendo o sangue pulsar quente nas minhas têmporas.
Era simplesmente impossível não me lembrar do meu passado tão recente. Um passado onde eu não era um homem despejado e falido, mas sim alguém respeitado, temido e no topo do mundo dos negócios.
Há aproximadamente oito meses, a realidade era completamente diferente. Eu era considerado um dos homens mais poderosos e influentes do setor varejista do Brasil.
Minha rotina consistia em decisões milionárias, reuniões de alto nível e o comando direto de uma estrutura gigantesca com mais de 40 mil funcionários. Eu tinha o mercado na palma da mão.
Contudo, existia um detalhe crucial por trás de todo aquele glamour, eu apenas administrava. A empresa não era minha. O império pertencia ao meu sogro e à minha noiva.
Hoje, olhando para o vazio deste apartamento, sei que esse foi o maior e mais ingênuo erro da minha vida. Dediquei meus melhores anos, minha saúde e toda a minha energia intelectual para construir e multiplicar um patrimônio que, no papel, não me pertencia em nada.
Eu me empenhei de alma inteira por algo que nunca foi meu. Mas, até alguns meses atrás, cego pelo sucesso e pelas promessas, eu jamais poderia imaginar que perderia tudo, o cargo, o teto, o prestígio e a honra, de um dia para o outro.
Minha queda começou, na verdade, no dia em que conheci Solange, há cerca de cinco anos. Ela era uma mulher estonteante, elegante, com um charme avassalador que me fascinou desde o primeiro segundo.
Em pouco tempo, já estávamos namorando firme. O relacionamento ia de vento em polpa quando ela finalmente decidiu me apresentar ao seu pai.
No momento em que entrei naquela sala e apertei a mão de Arthur Gonsalves, eu o reconheci imediatamente. O sobrenome Gonsalves tinha peso, mas os bastidores daquele homem guardavam segredos que eu só descobriria quando já era tarde demais.
Na época em que conheci Solange, eu estava trabalhando no corpo executivo de uma empresa concorrente à dele. Por estar no mesmo setor, eu acompanhava os bastidores do mercado e sabia perfeitamente que a Gonsalves Imóveis enfrentava uma crise sem precedentes.
Nos corredores corporativos, os rumores eram altos, a empresa estava no limite do abismo e, se nada mudasse, decretaria falência em poucos meses.
Conforme meu namoro com Solange progredia e o sentimento se aprofundava, minha proximidade com Arthur Gonsalves seguiu o mesmo caminho. Ele enxergou em mim a saída para o seu desastre financeiro.
Por isso, quando Arthur me fez o convite oficial para assumir a gestão e tentar resgatar a empresa do buraco, não pensei duas vezes. Aceitei o desafio movido pelo amor que sentia pela filha dele e pelo desejo de provar meu valor.
Não foi uma tarefa fácil. Foram mais de dois anos de noites em claro, reestruturações severas, demissões dolorosas e estratégias agressivas até que a Gonsalves Imóveis finalmente saísse do vermelho e voltasse a registrar lucros milionários.
Eu renovei a marca, resgatei a confiança dos investidores e coloquei a empresa no topo.
Naquela mesma época, no auge do meu sucesso e do entusiasmo de ter salvo o patrimônio da família, dei o passo que selaria meu destino, pedi Solange em casamento.
Apaixonado e cego, eu realmente não conseguia visualizar meu futuro com outra mulher que não fosse ela.
Eu só não sabia que a minha maior vitória corporativa seria, na verdade, o início da armadilha perfeita que me destruiria.
GabrielFizemos amor mantendo os olhos cravados um no outro durante quase todo o tempo, em uma conexão tão profunda e crua que parecia desnudar nossas almas.A cada impulso firme do meu corpo contra o dela, a cada roçar de peles suadas e quentes, não havia espaço para máscaras, segredos ou estratégias corporativas. Nossos lábios se buscavam em beijos desesperados e famintos, desacelerando apenas para trocar a respiração arfante que preenchia o quarto.Acho que ambos sabíamos, mesmo sem ousar colocar em palavras no meio daquela tempestade sensorial, que algo extremamente especial, transformador e definitivo estava nascendo em nossos corações naquele exato momento.Uma força que ameaçava ruir todas as barreiras de autoproteção que levamos anos para construir.Quando o ápice finalmente me alcançou, arrebatador e incontrolável, senti as estruturas do meu corpo fraquejarem. A sensação de plenitude transbordou, e eu murmurei o nome dela, Cristal, como uma prece rouca e entrecortada diretame
GabrielO calor do corpo dela contra o meu devora o restinho de razão que eu tentava manter. Sem conseguir conter o impulso que me domina por completo, desloco minha mão esquerda da curva firme do seu quadril, deslizando os dedos devagar pela parte interna da sua coxa macia até alcançar sua intimidade.O choque elétrico da minha palma contra a sua pele nua me faz prender a respiração. A acaricio com a ponta dos dedos, descrevendo movimentos lentos e circulares que arrancam um arquejo rasgado dos lábios dela.Quase enlouqueço quando sinto a umidade quente que nos envolve, a prova perfeita e viscosa de que o corpo dela está reagindo com a mesma fome avassaladora que a minha.Ela está encharcada, pronta, entregue ao meu toque de um jeito que faz meu sangue pulsar com uma violência ensurdecedora nas minhas têmporas.Envolvo seus ombros com
GabrielO toque inicial é cauteloso, um mover hesitante de lábios que revela o quanto Cristal ainda tenta manter os próprios pés no chão.Ela me beija devagar, testando os meus limites, mapeando a pressão do meu toque como quem explora um terreno completamente desconhecido e perigoso.Sentir a sua hesitação inicial se transformar em desejo é uma tortura calculada. Quando ela inclina ligeiramente a cabeça e prende meu lábio inferior entre os dentes, o chupando com uma delicadeza provocante, meu autocontrole se estilhaça.Um gemido grave e rouco escapa direto da minha garganta, ecoando no silêncio pesado do apartamento.Não há mais espaço para negociações de negócios ou termos contratuais. O ar entre nós está carregado de uma eletricidade quase insuportável.Desço minhas mãos da sua nuca para a curva firme das suas coxas, a segurando com firmeza antes de erguê-la do chão em um único movimento fluido.Cristal solta um pequeno arfar de surpresa, cruzando as pernas ao redor da minha cintura
GabrielMe aproximo devagar e paro atrás dela. Fico bem perto, a ponto de sentir a quentura que se desprende da sua pele e o ritmo acelerado de sua respiração, mas não a toco. Mantenho minhas mãos junto ao corpo, deixando que apenas a minha presença a encurrale contra o vidro da janela.— Concordo com você, é uma verdadeira loucura — digo, a voz grave ressoando baixa, quase colada à curva do seu pescoço. — Mas desde que te fiz essa proposta, não sai da minha cabeça a certeza de que isso pode dar muito certo.— E você por acaso saiu de casa hoje pensando em me propor casamento? — ela zomba, tentando usar o sarcasmo como um escudo para disfarçar o próprio nervosismo.— Não — respondo sem piscar, aprofundando o tom de voz e deixando qualquer filtro de lado. — Eu saí de casa com a intenção de sentir o gosto da sua buceta e te fazer gozar na minha boca a noite inteira.A linguagem crua atinge o ar como uma descarga elétrica, Cristal solta um ofego preso na garganta, e eu não perco o leve t
CristalCom poucas palavras, indico o trajeto até o meu prédio. O caminho é curto, mas o silêncio entre nós dentro do carro é pesado, denso de expectativas não ditas.Assim que destravo a porta e entramos no meu apartamento, a mudança de ambiente é imediata. A luz suave do hall revela o espaço amplo, mas parcialmente desprovido de vida.Observo Cristal caminhar alguns passos à frente, mantendo a postura ereta enquanto os olhos castanhos percorrem cada canto do ambiente, analisando tudo sem fazer o menor esforço para disfarçar a curiosidade.— Você está se mudando? — ela pergunta, indicando com um leve movimento de cabeça as várias caixas de papelão empilhadas perto da parede da sala.— Sim. Vou vender este apartamento e também o meu carro para investir em um novo negócio que eu pretendia abrir — dou de ombros, encarando a cena com a praticidade fria de quem está habituado a grandes manobras financeiras. Faço um gesto em direção ao sofá de couro. — Por favor, sente-se. Quer beber algum
GabrielEu a vejo ofegar devagar, morder o lábio inferior até que fique quase pálido na tentativa desesperada de conter a própria vulnerabilidade, e depois soltar um suspiro pesado, entrecortado.— Eu não posso fazer isso... — ela murmura.Nesse mesmo instante, seus olhos castanhos se enchem de lágrimas acumuladas, brilhando sob a iluminação baixa do estacionamento. Ver essa dor exposta faz algo estalar dolorosamente no fundo do meu peito; a postura dominante que mantenho com o mundo desmorona, dando lugar a uma urgência visceral de acolhê-la.Não quero ver a minha Cristal triste. O brilho defensivo dela eu sei encarar, mas a sua fragilidade me desarma por completo.— Vem comigo — peço em um tom baixo, estendendo a mão para envolver os seus dedos delicados com cuidado, quase temendo assustá-la.— Para onde? — ela pergunta, piscando rápido para evitar que as lágrimas escorram, a voz vacilante de pura confusão.— Para o meu apartamento. Vamos conversar com mais calma, com a privacidade







