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A Traição Era um Segredo de Família

A Traição Era um Segredo de Família

By:  Pisco do JardimKumpleto
Language: Portuguese
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Depois que Vinícius Cardoso pôs fim ao caso extraconjugal e voltou para casa, minha família inteira passou a vigiar cada passo dele. Quando ele saía para jogar o lixo, meu pai o seguia e gravava um vídeo para me mostrar: — Ele está se comportando direitinho. Nem sequer olhou para o celular. Quando ele ia ao escritório de advocacia para uma reunião, minha mãe se disfarçava de faxineira e entrava sem despertar suspeitas: — Nenhuma mulher chegou perto dele. Quando ele voltou ao país depois de concluir um processo, minha melhor amiga passou um aparelho detector por todo o corpo dele. — Nenhum fio de cabelo de outra mulher, nenhuma marca de batom. Está tudo normal. Todos me garantiam que Vinícius havia voltado a me amar. Ele próprio se ajoelhava ao lado da minha cama todas as noites e jurava que, dali em diante, só amaria a mim e à nossa filha. Até que, no sétimo mês de gravidez, Vinícius viajou a trabalho e eu fui sozinha a uma consulta de pré-natal. Ao passar pela ala da maternidade, porém, dei de cara com ele segurando um bebê nos braços e beijando, emocionado, a mulher deitada na cama. Meus pais e minha melhor amiga também estavam ao redor dela, todos com os olhos marejados. Reconheci a mulher na mesma hora. Era Carolina Martins, a mulher com quem ele havia me traído. Assim que perceberam minha presença, todos ficaram tensos e, instintivamente, se colocaram entre mim e o bebê, como se precisassem protegê-lo de mim. Eu, porém, apenas me aproximei tranquilamente e ajeitei a gola da camisa de Vinícius: — O bebê é uma gracinha. Parece com você. Não vou atrapalhar vocês. Ainda preciso voltar para casa e lavar a roupa.

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Kabanata 1

Capítulo 1

Vinícius ficou paralisado, e o pânico tomou conta de seu rosto por um instante.

— Priscila, me escuta...

— Essas roupas são para lavar? — Eu o interrompi e apontei para as roupas empilhadas no sofá.

O rosto dele ficou lívido. Vinícius se apressou em segurar minha mão.

— Priscila, não fica assim. Me deixa explicar.

— Assim como? Não é melhor eu deixar vocês em paz?

Olhei para ele com um leve sorriso nos lábios. Vinícius balançou a cabeça e perguntou, tentando avaliar minha reação:

— Você não está com raiva?

Eu sabia por que ele estava tão surpreso.

Seis meses antes, quando descobri que ele me traía com Carolina, perdi completamente o controle. Imprimi mais de mil fotos dos dois na cama e espalhei todas pela entrada da empresa. Depois, quando ele pediu o divórcio, dei três facadas nele e subi até o terraço do prédio.

Naquele dia, meus pais e minha melhor amiga, Alessandra Nascimento, levaram Vinícius, coberto de sangue, até mim. Eles o obrigaram a se ajoelhar diante de mim, segurando os resultados dos meus exames.

— Priscila, você está grávida! Pelo bem do bebê, perdoa ele desta vez!

Naquela época, todos achavam que eu tinha enlouquecido. Agora, porém, permaneci em silêncio e soltei, um a um, os dedos dele que seguravam minha mão.

— Não vale mais a pena ficar com raiva.

Mal terminei de falar, o bebê nos braços dele começou a se agitar. O choro estridente me deixou com os nervos à flor da pele.

Ainda no dia anterior, minha melhor amiga tinha encostado o rosto na minha barriga, feito carinho e dito que queria ser madrinha da minha filha. Agora, porém, veio correndo e me empurrou para longe.

— Se tem alguma coisa para dizer, fala lá fora! Para de agir como uma louca e assustar o bebê! Carolina nem teve coragem de ficar em um quarto VIP porque estava com medo de magoar você. Você faz ideia do quanto ela está sofrendo?

Meus pais, que já tinham envelhecido de tanto se preocupar comigo, também se colocaram diante de Carolina para protegê-la.

— Priscila, Carolina é uma boa menina. Ela não tem nenhum parente aqui. Agora que teve uma filha, é claro que precisamos ficar ao lado dela.

Mesmo vendo o tamanho da minha barriga, as pessoas mais próximas de mim me obrigaram a recuar até minhas costas baterem no batente da porta. A dor me fez suar frio.

Só depois de alguns segundos consegui responder:

— Isso é problema de vocês. Eu não me importo.

Apoiei uma das mãos na lombar e me preparei para ir embora, mas Carolina, de repente, saiu da cama cambaleando e, com os olhos vermelhos, se ajoelhou diante de mim.

— Priscila, não fica com raiva deles. A culpa é toda minha! Meu pai queria me obrigar a voltar para minha cidade natal, no interior, e me casar com alguém escolhido por ele. Todo mundo só queria me ajudar. Por isso, sugeriram que eu tivesse o bebê e dissesse ao meu pai que já estava casada... Foi você quem me tirou de lá e pagou meus estudos naquela época. Eu nunca me esqueci de tudo o que você fez por mim. Eu jamais tentaria roubar seu marido!

Ela chorava, mas não conseguiu esconder um brilho de satisfação no olhar.

De repente, senti uma onda de náusea. Por instinto, me afastei dela e me apoiei na parede, tomada por ânsias de vômito.

— Carolina!

Alessandra a amparou, preocupada, e gritou comigo:

— Priscila, como você tem coragem de empurrá-la? Carolina acabou de dar à luz!

Os olhos dela ficaram vermelhos de raiva, e ela me deu um tapa no rosto. A dor se espalhou imediatamente, deixando minha bochecha dormente.

Com dificuldade, protegi a barriga com os braços e tentei me defender, mas meus pais me empurraram para fora do quarto.

— Vai para casa primeiro. Para de fazer escândalo aqui!

A porta bateu com força na minha cara. Lá dentro, todos falavam em voz baixa, tentando consolar Carolina.

Fiquei do lado de fora, completamente isolada. Um trovão ribombou, e o vento gelado que atravessava o corredor me fez estremecer.

Vinícius veio atrás de mim com um guarda-chuva na mão.

— Priscila, está chovendo lá fora. Eu levo você.

Não recusei, e ele soltou um suspiro de alívio.

— O médico disse que Carolina tem um problema de saúde. Se ela interrompesse a gravidez, talvez nunca mais conseguisse engravidar. Eu realmente não tive coragem de deixar isso acontecer. Mas juro que você é a única pessoa que eu amo. Assim que ela receber alta, vou mandar Carolina e o bebê para Santa Vitória. Eles nunca mais vão aparecer na sua frente.

— Eu não me importo. — Tirei a aliança do dedo anelar e a joguei aos pés dele. — Pode dar a aliança para ela. Quando minha filha nascer, nós vamos nos divorciar.

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