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Capítulo 4

Author: Pisco do Jardim
Levantei a cabeça, atordoada, e vi Vinícius desviar o olhar, incapaz de me encarar.

Alessandra se colocou à frente de Carolina para protegê-la e me lançou um olhar furioso.

— Priscila, entenda de uma vez por todas! Você é a amante que se meteu no relacionamento de Vinícius e Carolina!

Minha mãe exibiu um laudo psiquiátrico e se dirigiu aos jornalistas para pedir desculpas:

— Peço desculpas. Minha filha tem problemas psiquiátricos. Ela vive perseguindo Vinícius. Ela chegou a drogá-lo para levá-lo para a cama e fez Carolina sofrer muito. Estou aqui para pedir desculpas em nome dela.

Olhei para minha mãe, sem conseguir acreditar no que acabara de ouvir. As lágrimas brotaram dos meus olhos na mesma hora.

— Mãe? Você enlouqueceu? Foi ela quem fez tudo isso...

Antes que eu pudesse terminar, Vinícius apareceu acompanhado de um grupo de profissionais de jaleco branco. Eles pegaram o laudo psiquiátrico das mãos da minha mãe e, sem sequer me dar a chance de me defender, aplicaram uma injeção de sedativo.

A última cena que vi antes de perder a consciência foi a de Vinícius e Carolina abraçados, com os dedos entrelaçados. Nenhum dos dois sequer olhou para mim.

Confiscaram meu celular e me mantiveram trancada por um mês inteiro em um quarto de menos de dez metros quadrados. Lutei, resisti e quase quebrei uma perna tentando escapar, mas nada adiantou.

Foi só quando eu já estava no oitavo mês de gravidez que Vinícius finalmente apareceu. Trouxe meus doces favoritos e colocou delicadamente uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.

— Sei que você sofreu muito nesse tempo, mas só tínhamos medo de que fugisse e fizesse algum mal à Carolina. Aquela certidão de casamento foi só para tranquilizar Carolina. Assim que você der à luz, vou me divorciar dela. Só precisa admitir que é você a amante e pedir perdão à Carolina de joelhos, batendo a testa no chão. Depois disso, deixaremos você sair.

Fiquei de joelhos e, com a barriga enorme dificultando meus movimentos, bati a testa no chão três vezes.

— Me desculpe. Eu sou a amante. Nunca mais vou incomodar vocês. Assim está bom?

O rosto de Vinícius se fechou. Ele entreabriu os lábios, como se quisesse dizer alguma coisa, e cerrou os punhos. No fim, soltou um suspiro e me levou de volta para casa.

Arrumei minhas malas o mais rápido que pude, decidida a ir embora. Assim que saí do quarto, porém, um grupo de pessoas invadiu a casa.

Carolina apareceu aos prantos, com lágrimas escorrendo pelo rosto. Ela se ajoelhou diante de mim:

— Eu imploro, Priscila, devolva a minha filha! Há pouco, eu estava preparando a festa de batizado da Giovanna, e ela desapareceu assim que você apareceu! Se você tem alguma coisa contra mim, desconte tudo em mim, mas não faça nada com a minha filha!

Vinícius veio logo atrás e me agarrou pelo pescoço com força:

— Giovanna acabou de completar um mês de vida! Você enlouqueceu? Nem uma criança você é capaz de poupar?

O aperto me deixou sem ar. Mesmo sufocando, consegui responder com dificuldade:

— Eu não fiz nada... Também sou mãe. Como eu seria capaz de machucar uma criança...?

— Vinícius, se acontecer alguma coisa com a Giovanna, eu também não quero mais viver!

Carolina fingiu que ia bater a cabeça contra a parede, mas meus pais correram para impedi-la.

— Para que perder tempo conversando com ela? Façam alguma coisa de uma vez!

Alessandra entrou logo depois. Abriu a gaveta do criado-mudo, tirou de lá um estojo de costura e posicionou a ponta de uma agulha sob uma das minhas unhas.

— Eu juro que não fiz nada!

Sacudi a cabeça, apavorada, e olhei para Vinícius. Ele, porém, apenas virou o rosto, como se não suportasse assistir à cena, e fez sinal para Alessandra continuar.

Eles sabiam o quanto minhas mãos eram importantes para mim, pois era com elas que eu realizava cirurgias. Sabiam exatamente como me pressionar para arrancar de mim uma confissão.

"Mas como eu poderia confessar uma coisa que não fiz?"

— Priscila, você me obrigou a fazer isso!

A agulha penetrou de uma só vez na carne sob a minha unha.

Uma dor lancinante percorreu meu corpo, fazendo os músculos do meu rosto se contraírem. Tentei gritar, mas a dor era tão intensa que não consegui emitir um único som. As lágrimas escorreram pelo meu rosto sem que eu pudesse contê-las.

Quando estavam prestes a enfiar uma segunda agulha, a polícia telefonou:

— Olá, encontramos a criança. Pedimos que os familiares venham o mais rápido possível.

O rosto de Vinícius se iluminou de uma alegria incontida. Ele me soltou bruscamente, e todos saíram às pressas, esbarrando uns nos outros.

Caí pesadamente no chão. Uma poça de sangue começou a se formar sob meu corpo.

— Meu bebê...

Me arrastei até a porta, mas descobri que estava trancada.

Uma cólica violenta tomou conta do meu ventre. Fiquei olhando, atônita, para a poça de sangue que se espalhava lentamente sob meu corpo, enquanto as lágrimas escorriam pelo meu rosto. Por fim, estendi a mão até a faca de cortar frutas que estava ao lado da cama e pressionei a lâmina com força contra meu pulso. Foi então que a porta se abriu de repente, arrombada por alguém.

A silhueta de um homem alto se recortou contra a luz. Ele entrou correndo e me tomou nos braços, desesperado. Sua voz tremia tanto que mal consegui reconhecê-la:

— Priscila, me perdoe por ter demorado tanto...

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