Mag-log inPRESTON — O PEDIDO DE PERDÃOCaminhei ao lado dela até que ficamos longe o bastante dos cavalos, longe o bastante dos olhos atentos de Ethan, longe o bastante para que a minha vergonha não tivesse plateia. — Madison parou alguns passos à frente, respirou fundo, apoiou as mãos nos quadris, como se estivesse tentando segurar o próprio mundo para que ele não desabasse.—A barriga enorme, redonda, revelava a vida que crescia ali… e cada vez que eu encarava aquela imagem, meu peito parecia se partir de arrependimento.Ela me olhou como nunca tinha me olhado, antes, sem a doçura de sempre, não há timidez, de antes, e aquele brilho que eu aprendi a amar, não existe.— O que você está fazendo aqui, Preston? Você deixou claro o que queria de mim.A voz dela carregava firmeza e uma mágoa que eu mesmo havia plantado, engoli seco, sentindo a garganta fechada, e respondi com a única verdade que restou depois do desastre que eu provoquei: — Vim consertar o meu erro.Ela riu com incredulidade, ma
Respiro profundamente antes de me endireitar, apoiando uma das mãos na lombar e a outra, instintivamente, na barriga onde carrego o fruto da nossa história. — Meu movimento foi lento, pesado e cuidadoso devido à gestação avançada, mas, antes que eu conseguisse me colocar completamente de pé, Preston avançou em um reflexo desesperado, como se seu corpo tivesse agido muito antes de sua própria consciência, estendendo as mãos no ar prontas para me amparar com o pavor mais genuíno estampado em seu olhar. — Eu recuei instintivamente um passo longo para trás, esquivando-me do seu toque, ergui meu queixo com altivez e fechei a expressão de forma firme, fria e orgulhosa, como se aquele gesto de repulsa fosse mais do que suficiente para lembrá-lo de cada ferida aberta, de cada lágrima derramada e de toda a dor que ele havia deixado em meu peito no dia em que me mandou embora.— O que você está fazendo aqui, até onde me lembro você mandou eu sair de sua vida não foi? — Minha voz saiu baixa,
DOIS CORAÇÕES A MAISMADISONMeu coração ainda está descompassado enquanto termino de me virar, tentando compreender se aquela voz que ecoa pelo galpão é realmente verdadeira ou apenas fruto da saudade que guardo no peito durante todos esses meses.— O cheiro de feno, a poeira levantada pelos passos apressados, o relincho de Príncipe e a voz alegre de Ethan parecem acontecer ao mesmo tempo, como se meu mundo tivesse sido arrancado do eixo por alguns segundos. —Então, quando finalmente fico de frente para a entrada, vejo os olhos do menino percorrerem meu corpo até pararem na minha barriga. — Ethan congela a poucos passos de mim, arregala os olhos de uma maneira quase cômica e leva as duas mãos à boca.Tia Madison, fala baixinho, tomado pelo mais puro espanto. — Você está com um bebê na barriga?— Não consigo evitar, o riso se mistura às lágrimas que escorrem quentes pelo meu rosto. — O susto de Ethan é tão bonito e sincero que me desarma completamente. — Depois de tudo o que acont
O SOM DO DESTINOMADISONEstou de costas para a entrada principal do celeiro, inteiramente concentrada no procedimento técnico de inseminação de três éguas do rancho, vestindo as luvas compridas de procedimento que cobrem meus braços quase até a altura dos cotovelos.— Meu cabelo ruivo está preso em um coque alto e improvisado com um grampo, deixando apenas algumas mechas soltas caírem naturalmente sobre a nuca, enquanto o aroma gostoso e acolhedor de feno seco e terra úmida pelo orvalho da manhã impregna todo o ar do ambiente.—: O grande galpão de madeira está iluminado pela luz dourada e suave do sol do Texas que atravessa as frestas das tábuas desgastadas pelo tempo, projetando sombras compridas sobre o chão de terra batida e acompanhando o movimento calmo e paciente das receptoras.Estou completamente absorvida na precisão do meu trabalho veterinário, prestando uma atenção minuciosa a cada pequena reação dos animais, e todo o mundo exterior parece infinitamente distante, silenci
Preston soltou uma risada fraca, com os olhos marejados de lágrimas e o peito transbordando de uma emoção tão forte que quase o fez chorar ali mesmo na frente dos funcionários.— Você é o meu pequeno sábio, você sabia disso, meu amor?— Ethan deu de ombros com total naturalidade, mantendo o ar sério: — Eu sou o filho da tia Madison no coração, papai, então eu sei das coisas importantes.— Preston assentiu em silêncio, sentindo uma mistura avassaladora de orgulho por aquele garoto e de uma culpa cortante por suas próprias falhas do passado. — Afinal de contas, se ele tivesse sido metade do homem honrado e maduro que o seu filho pequeno acreditava que ele era, Madison jamais teria chorado uma única lágrima por sua causa naquele Aras.Com todas as bagagens devidamente acomodadas no porta-malas, a figura de Nathan surgiu na porta principal da mansão.— Ele parecia visivelmente cansado após ter passado a noite organizando os relatórios do manejo que ficariam sob sua responsabilidade dura
A ESTRADA PARA SILVER CREEKO amanhecer mal havia desenhado sua primeira e tímida claridade no horizonte quando o som encorpado do motor da caminhonete rompeu em definitivo o silêncio sereno e ancestral do Aras Lawson. — O ar da manhã no Kentucky ainda carregava uma névoa suave e gelada que flutuava baixinho sobre os campos, enquanto cada folha da relva brilhava sob a iluminação do orvalho fresco. — Preston observou absolutamente tudo da varanda com o coração disparado contra as costelas, tomado por um nervosismo quase juvenil. — Era incrivelmente estranho e avassalador sentir-se novamente tão jovem, tão vulnerável, tão despido de suas armaduras executivas e tão exposto ao destino, exatamente como se estivesse indo declarar seu amor pela primeira vez na vida a uma mulher. — Ele simplesmente não havia dormido uma única hora daquela madrugada. — O pequeno Ethan também não conseguira descansar de verdade. — O menino dormitou por apenas duas horas inquietas e acordou nada menos que







