LOGINEu fui linchada na internet pelas minhas próprias funcionárias que eram mães. Elas começaram a espalhar que a creche gratuita da empresa, feita especialmente para os filhos delas, era na verdade uma "prisão de crianças", um truque cruel para forçar horas extras. O que elas não sabiam era que aquela creche foi o meu projeto mais caro e mais amado: eu importei equipamentos de ponta, contratei professores de fora do país, montei uma estrutura em que cada criança custava, em média, oito mil reais por mês. Ainda assim, a internet inteira caiu matando em cima de mim, me chamando de palhaça, de hipócrita, de capitalista nojenta. Foi aí que eu perdi a paciência e soltei um comunicado interno para todos os funcionários: [Para atender ao desejo de autonomia das famílias na criação dos filhos, a empresa decidiu encerrar o serviço de creche gratuita. A partir de hoje, será substituído por um auxílio‑creche: funcionários que se encaixarem nos critérios receberão 200 reais por mês.] Bastou o aviso ser enviado para o caos começar. As mesmas mães que me xingavam estão agora em massa na porta da minha sala, implorando para eu não fechar a creche.
View MoreNo dia seguinte, o mural de avisos da empresa exibiu dois comunicados novos.O primeiro era a notificação oficial de rescisão do contrato de trabalho de Esther.O segundo era a certidão de distribuição do processo em que a empresa, por meio da Justiça, cobrava dela uma indenização de doze milhões e quinhentos mil reais.Camila, apesar de ter sido a "primeira delatora de Esther", também não teve uma vida fácil depois disso.Ninguém queria mais trabalhar com ela. Todos passaram a evitá-la como se ela carregasse uma doença contagiosa.Ela tinha conseguido manter o emprego, mas tinha perdido algo bem maior: o respeito mínimo e a confiança que uma pessoa precisava para existir em um time.Uma semana depois, Rui veio pessoalmente ao meu escritório.Ele não comentou nada sobre a crise recente. Ele apenas colocou em cima da minha mesa um novo contrato de parceria, com o valor de investimento dobrado.— Sra. Clara, parabéns. — Ele me encarou, com um brilho de aprovação nos olhos. — Você provou
Eu voltei para a minha sala, preparei um café e fiquei esperando em silêncio.Não tinha passado nem dez minutos quando alguém bateu na porta.A primeira pessoa a entrar foi justamente Camila. Ela segurava um pen drive com tanta força que os dedos dela estavam esbranquiçados.— Sra. Clara! — Assim que ela cruzou a porta, ela caiu de joelhos na minha frente. — Eu errei! Eu juro que eu errei! Eu deixei o diabo soprar no meu ouvido!Camila chorava sem parar. Ela batia a testa no chão enquanto erguia o pen drive acima da cabeça, como se estivesse oferecendo uma prova sagrada:— Aqui dentro estão todas as conversas em que a Esther planejou, desde o começo, como aumentar essa confusão passo a passo para forçar a senhora a ceder! Ela também falou com uma agência de comunicação lá fora! Ela queria destruir a sua reputação, e depois abrir a própria creche, para roubar todas as funcionárias que são mães aqui da empresa!Camila continuou, entre soluços:— Foi ela que puxou tudo! A gente só foi usa
Eu sorri.— Liberdade de expressão? — Eu encarei Esther e falei devagar, enfatizando cada palavra. — Liberdade de expressão não significa que você pode inventar o que quiser, caluniar a empresa e a minha pessoa sem consequência. A liberdade termina onde começa a lei. Quando vocês bateram no teclado para atacar, com mentiras, a empresa que dá emprego e paga o salário de vocês, vocês já deveriam ter pensado no preço que iam pagar.O meu olhar deslizou até o rosto lívido de Camila:— Quando vocês, de um lado, aproveitavam a boa vontade e a ajuda da empresa e, de outro, traíam essa confiança pelas minhas costas, vocês abriram mão do direito de serem perdoadas.O corpo de Camila estremeceu de repente. Ela quase escorregou da cadeira.— E sobre abuso de poder? — Eu voltei a olhar para Esther, com uma ponta de ironia na voz. — Não. O que eu estou fazendo é usar a lei para defender os meus próprios direitos. Do mesmo jeito que vocês usaram a opinião pública para tentar defender os "direitos" d
Na manhã seguinte, às oito e cinquenta, o auditório já estava lotado, um mar compacto de gente vestida de escuro.Esther e Camila tinham chegado à frente de um grupo de mais de vinte funcionárias que eram mães, todas de preto, ocupando as primeiras fileiras como se estivessem em uma manifestação organizada. Os outros funcionários tinham preferido se espalhar nas fileiras do fundo, cochichando, com aquela postura de quem tinha ido apenas assistir ao espetáculo.Esther ainda fazia o discurso final para o "exército de preto" dela:— Lembrem do combinado. Quando a Clara entrar, ninguém fala nada, ninguém abre a boca. A gente só encara. Ela que fale primeiro. Se ela não aceitar todas as nossas condições, a gente levanta junto e sai na hora. A gente vai direto para a imprensa! Hoje ou ela cede, ou ela cai.Camila concordava com força ao lado dela:— Isso mesmo! Ela precisa entender que a gente não é marionete na mão de ninguém!Os minutos foram passando, um a um.Às oito e cinquenta e nove.






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