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A Vingança Contra as Mães Ingratas

A Vingança Contra as Mães Ingratas

By:  Gata GordaCompleted
Language: Portuguese
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Eu fui linchada na internet pelas minhas próprias funcionárias que eram mães. Elas começaram a espalhar que a creche gratuita da empresa, feita especialmente para os filhos delas, era na verdade uma "prisão de crianças", um truque cruel para forçar horas extras. O que elas não sabiam era que aquela creche foi o meu projeto mais caro e mais amado: eu importei equipamentos de ponta, contratei professores de fora do país, montei uma estrutura em que cada criança custava, em média, oito mil reais por mês. Ainda assim, a internet inteira caiu matando em cima de mim, me chamando de palhaça, de hipócrita, de capitalista nojenta. Foi aí que eu perdi a paciência e soltei um comunicado interno para todos os funcionários: [Para atender ao desejo de autonomia das famílias na criação dos filhos, a empresa decidiu encerrar o serviço de creche gratuita. A partir de hoje, será substituído por um auxílio‑creche: funcionários que se encaixarem nos critérios receberão 200 reais por mês.] Bastou o aviso ser enviado para o caos começar. As mesmas mães que me xingavam estão agora em massa na porta da minha sala, implorando para eu não fechar a creche.

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Chapter 1

Capítulo 1

— Clara, olha só, esses são os trabalhos de colagem da natureza que as crianças fizeram hoje.

A gerente administrativa me mandou algumas fotos pelo celular.

Nas imagens, várias crianças cercavam a professora de idiomas, usando folhas e pétalas de flores para montar figuras de animais. Cada uma delas sorria de orelha a orelha.

Enquanto eu via as fotos, senti meu rosto se abrir num sorriso involuntário. Quando eu fundei esta empresa, a minha ideia era justamente criar um ambiente de trabalho onde mulheres casadas e com filhos pudessem trabalhar sem aquele peso constante na cabeça.

Por isso eu não economizei. No meio de um prédio comercial onde cada metro quadrado valia ouro, eu resolvi montar uma creche interna.

Na creche, tudo era de primeira linha: materiais ecológicos de alta qualidade, equipe pedagógica especializada em educação infantil, cardápio preparado por nutricionista. O custo mensal por criança passava fácil dos oito mil reais. Para as minhas funcionárias, porém, era tudo gratuito.

Quase todas as funcionárias que eram mães tinham matriculado os filhos ali. Elas economizavam o tempo de deslocamento até outras escolas e ainda se livravam de uma despesa pesada de cuidadora e escola em tempo integral.

Depois de três meses de funcionamento, a creche estava sendo elogiada por todo lado. Eu realmente acreditava que todo mundo ia valorizar essa boa vontade.

Até que o meu celular apitou com uma notificação. O título dizia:

[Minha chefe montou uma creche "gratuita". Eu só quero fugir dessa prisão dourada.]

Eu abri na mesma hora. A autora do post era uma funcionária do departamento de Operações: Esther Fonseca.

No texto, ela dizia:

[Todo mundo inveja a creche gratuita que a empresa oferece pros filhos dos funcionários. Muita gente fala que só uma chefe mulher consegue entender as necessidades das mulheres. Mas o que elas não enxergam é que isso é a armadilha mais sofisticada do capital. Ela usa as crianças para amarrar a gente, para que a gente não tenha desculpa nenhuma para recusar hora extra. Quer dizer que eu quero falar que não tenho com quem deixar meu filho em casa? Que pena, a empresa já "resolveu" isso pra mim. Resultado: a gente é obrigada a se matar igual aos jovens sem família, fazendo hora extra como se fosse normal, queimando a própria vida. Isso não é benefício, é exploração maquiada, usando o amor de mãe como isca!]

No final do post, havia uma foto de Esther de costas, supostamente trabalhando virada da noite na empresa. A legenda era:

[Eu não quero ser amarrada. Eu só quero ser uma mãe normal, sair do trabalho na hora e ir pra casa cozinhar uma refeição quentinha pro meu filho.]

O lugar em que a foto tinha sido tirada claramente não era o nosso escritório. Eu quase ri de tanta raiva.

A minha empresa nunca tinha obrigado ninguém a fazer hora extra. Pelo contrário: justamente para cuidar melhor das funcionárias que eram mães, nós tínhamos uma regra clara de não marcar nenhuma reunião depois das cinco da tarde. A tal "jornada exaustiva" dela era uma invenção descarada.

E essa história de "querer voltar pra casa pra cozinhar pro filho" era ainda mais irônica.

O filho dela passava o dia inteiro na creche, comendo refeições muito mais equilibradas e variadas do que a maioria das crianças recebe em casa.

Nos comentários, como era de se esperar, começaram a me atacar.

[Meu Deus, que chefe manipuladora! Essa é daquelas que sorri por fora e apunhala por dentro.]

[Eu sempre disse: não existe patrão bonzinho.]

[Todo benefício vem com o preço embutido, só não vê quem não quer.]

[Expõe o nome dela! A gente te ajuda a acabar com essa empresa!]

Eu segurava o celular com tanta força que os nós dos meus dedos ficaram brancos.

Eu chamei minha assistente, Maia, e pedi para ela mandar buscar a Esther imediatamente. Um minuto depois, bateram na porta do meu escritório. Era a própria Esther. Atrás dela, vieram mais algumas funcionárias que também eram mães, entre elas uma chamada Camila Mello.

No mês passado, a família de Camila passou por um problema sério, e fui eu quem autorizou, em caráter especial, quinze dias de licença remunerada para ela, além de adiantar três meses de salário. Mesmo assim, naquele momento, ela estava de cabeça baixa, escondida atrás de Esther.

— Sra. Clara, podemos conversar?

Esther ergueu o queixo e se jogou no sofá à minha frente, como se estivesse na própria casa.

— Imagino que a senhora já tenha lido o meu texto. Eu só falei o que todo mundo aqui tem vontade de dizer. — Continuou Esther.

Eu encarei Esther e respondi com a voz gelada:

— Esther, em que momento os benefícios que a empresa te oferece viraram uma armadilha na sua boca? Eu garanto uma educação no padrão de oito mil reais por mês para o seu filho, e você chama isso de exploração?

Esther soltou uma risada debochada:

— Oito mil? Sra. Clara, não vem tentar mudar o assunto. Esse dinheiro não entra na minha conta. Eu não preciso desses seus conceitos de educação cheios de firula. Nós, mães, somos bem mais objetivas do que isso.

Esther se inclinou para frente, os olhos brilhando de ganância enquanto me encarava:

— Transforma esse dinheiro da creche em dinheiro vivo para a gente. Converte tudo em auxílio em espécie e deposita na nossa conta. Aí, se vamos cuidar dos nossos filhos em casa ou contratar uma babá, é problema nosso. Isso, sim, é benefício de verdade para o funcionário, entende?

Ela não estava atrás de liberdade nenhuma. O que Esther queria era transformar um benefício coletivo da empresa em renda direta para o próprio bolso.

Eu deixei meu olhar passar pelas funcionárias atrás dela. Nenhuma teve coragem de me encarar. Todas desviaram os olhos.

Só Camila levantou o rosto por um instante. Os lábios dela tremeram, como se ela quisesse dizer alguma coisa. Mas Esther virou na mesma hora e lançou um olhar fulminante para ela, e Camila abaixou a cabeça de novo.

Eu respirei fundo, tentando controlar a irritação:

— A política de benefícios da empresa foi aprovada pelo conselho. Não vai ser modificada por causa de uma exigência absurda de uma única funcionária.

— Exigência absurda? — Esther reagiu como se tivesse ouvido uma piada excelente. — Sra. Clara, a senhora ainda não percebeu a situação em que está, né?

Esther balançou o celular. Na tela, estava aberto o post que ela tinha feito, com o contador de curtidas e comentários subindo em tempo real.

— Agora, isso aqui não é mais um pedido meu. É a voz de todas as mães trabalhadoras oprimidas. — Disse Esther.

Eu segurei a raiva e respondi, quase gritando:

— O benefício está aí. Se você não quiser usar, não use. Eu não tenho obrigação nenhuma de adaptar tudo ao seu capricho.

Esther saiu batendo a porta, contrariada, mas ainda encontrou espaço para deixar uma ameaça:

— Se a senhora não atender ao que os funcionários estão pedindo, eu não respondo pelo tamanho do estrago amanhã.
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