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Capítulo 3.

Autor: Kester
last update Data de publicação: 2026-09-22 09:41:03

A princípio, Angelina recusou-se veementemente a assinar aquele acordo cujos termos a esmagavam por completo. No entanto, sua dignidade ferida não permitiria que Moreen saísse vitoriosa daquela disputa.

Assim, ela optou por resistir e permanecer no seio da família Almero. Pela integridade de seu matrimônio com Axton, aceitou submeter-se à amargura indizível de ver o próprio marido desposar outra mulher.

Sua permanência, contudo, não se sustentava apenas pelo amor que nutria por ele. Sendo realista, os Almero ostentavam uma fortuna incalculável, e, durante os anos em que ostentou o título de nora daquela dinastia, Angelina jamais conheceu a escassez.

Não houve fausto nem celebração suntuosa para selar a união entre Axton e Moreen. O enlace limitou-se a uma sóbria troca de alianças, testemunhada apenas pelo núcleo familiar mais íntimo.

Recolhida em seus aposentos particulares, Angelina cedeu à melancolia, sentando-se solitária enquanto as próprias mãos apertavam o tecido do vestido contra o peito arfante. Seu coração sangrava. Afinal, quem em sã consciência escolheria a esterilidade? Seu maior anseio sempre fora cobrir a linhagem dos Almero de glória, presenteando-os com uma vasta descendência.

Na concepção de Angelina, toda mulher trazia em si a perfeição divina, independentemente da capacidade de gerar frutos, visto que tal condição jamais decorria de uma escolha pessoal.

Por quase três horas ela pranteou seu destino infausto, até que, por volta das onze da noite, reuniu forças para se levantar do sofá.

O ruído da porta se abrindo, porém, sobressaltou-a. Para sua surpresa e consternação, Axton e Moreen cruzaram o limiar sem o menor pudor, caminhando cúmplices, exalando a perfeita harmonia de um casal apaixonado.

— Axton, o que significa isso? Por que trouxe essa mulher para o nosso quarto? — questionou Angelina, com as sobrancelhas levemente franzidas.

— Não comece com suas reclamações, Angelina! Estou exausto de discussões. Moreen e eu passaremos a noite aqui! — decretou Axton, sem sequer dignar-se a fitá-la.

— Sente-se, meu amor. Fique à vontade, esta casa e este quarto agora são seus — completou ele, enquanto acariciava com ternura os longos fios loiros de Moreen.

Moreen ostentou um sorriso triunfante e acomodou-se no sofá do aposento. O peito de Angelina ardeu em chamas diante daquele ciúme avassalador, testemunhando a doçura com que o marido tratava a rival.

— Está bem, eu procurarei outro quarto para dormir — consentiu Angelina, a voz embargada.

Suas energias pareciam ter se esgotado diante da obstinação férrea de Axton. Decidiu ceder; afinal, sua própria sanidade mental dependia daquele recuo. Assistir ao idílio romântico dos dois seria um suplício insuportável.

— E quem lhe deu permissão para se retirar? Você fica! E dormirá ali no chão! — ordenou Axton com crueza, apontando para o tapete ao lado da cama matrimonial.

Angelina estremeceu, chocada. Partilhar o mesmo aposento em tais condições? A exigência de Axton roçava a demência!

— Isso é inaceitável, Axton! Eu me recuso terminantemente a passar a noite sob o mesmo teto que vocês dois! — protestou ela, enquanto suas mãos se cerravam em punhos ocultos atrás das costas.

Moreen, por sua vez, esboçou um sorriso cínico. "Continue furioso, meu querido Axton, faça com que essa infeliz sofra ainda mais", tripudiou em pensamento, deleitando-se com o embate. A discórdia entre o casal era o bálsamo que alimentava suas ambições de reinar absoluta no coração do magnata.

— Por acaso esqueceu as cláusulas do acordo que assinou? Sua vida agora está sob o meu completo domínio! — rosnou Axton, determinado a fazê-la pagar por cada segredo omitido.

— Ora, pare com isso, Angelina. Meu marido precisa de repouso. Deixe de provocar a ira dele a todo instante. Não me espanta que o Axton tenha buscado consolo em meus braços; você é uma esposa intoleravelmente rebelde — alfinetou Moreen, fazendo questão de inflar a própria superioridade.

— Cale a boca! Ninguém solicitou a sua opinião aqui! — rebateu Angelina, desferindo um olhar que fulminava a rival.

— Modere o tom de voz, Angelina! A Moreen tem toda razão. Você se tornou uma insubordinada! Deixe de drama, deite-se logo no chão e não ouse causar mais nenhum alvoroço!

Dito isso, sem qualquer resquício de constrangimento diante da primeira esposa, Axton subiu à cama, conduzindo sua nova parceira.

Moreen relanceou o olhar em direção a Angelina por uma fração de segundo, permitindo que um sorriso malévolo e desdenhoso zombasse da desgraça daquela mulher.

Angelina deitou-se de lado, de costas para o leito dos recém-casados. Seu corpo esguio desapareceu sob o pesado edredom branco, que ela puxou até cobrir a própria cabeça.

Não tardou para que os ruídos abafados de beijos sôfregos ecoassem pelo colchão luxuoso. Os gemidos manhosos de Moreen pareciam calculados para acender ainda mais o ímpeto e a paixão de Axton. O novo casal entregava-se, impiedosamente, à sua primeira noite de núpcias.

— Eu jamais provei de lábios tão doces, Moreen... Suas curvas magníficas atiçam meus instintos mais ousados, tornando impossível resistir ao desejo de possuí-la. Você é simplesmente extraordinária, meu amor.

As lágrimas de Angelina rolaram copiosas e silenciosas pelo travesseiro. Sob o manto espesso do edredom, ela sufocava o próprio pranto. Como Axton podia ser tão cruel a ponto de tecer tais loas à amante, ignorando por completo a agonia de quem compartilhava o mesmo chão?

Era o pior dos pesadelos materializado. De forma indireta, Angelina via-se compelida a testemunhar o homem de sua vida consumar o amor com outra. E o faziam sobre o mesmo leito que guardava as memórias mais doces de seu próprio casamento; um altar que por três anos testemunhara a harmonia de suas vidas, agora profanado por uma intrusa desavergonhada que lhe roubara tudo.

Na manhã seguinte, Axton exigiu que Angelina preparasse o desjejum para ele e para Moreen. O ímpeto inicial de Angelina foi recusar o capricho, mas a exaustão espiritual falou mais alto, e ela preferiu a submissão ao desgaste de uma nova contenda.

Com movimentos mecânicos, dispôs sobre os pratos as fatias de pão untadas com manteiga e pasta de amendoim. Em seguida, serviu duas taças de leite com baixo teor de açúcar.

O som de passos sincronizados aproximando-se pelas suas costas anunciou a chegada dos comensais à sala de jantar. Angelina girou o corpo lentamente, alternando o olhar entre Axton e Moreen. A lembrança da noite de tortura psicológica ainda ardia em suas entranhas; a julgar pelo torpor dos dois, a entrega mútua se estendera até a aurora. E, no entanto, Axton não esboçava a menor sombra de remorso.

Moreen ostentava uma estampa impecável. Os cabelos ainda úmidos caíam-lhe pelos ombros emoldurando uma maquiagem irretocável, realçada por um vestido minimalista em tom magenta. Emanava dela um aroma sofisticado de perfumes caros.

Angelina, inevitavelmente, baixou os olhos para os próprios trajes, medindo a distância abissal que a separava daquela mulher. Sua simplicidade habitual parecia, de fato, destoar da imponência que se esperava da consorte de um CEO do calibre de Axton.

"Será que negligenciei minha própria imagem a ponto de me tornar invisível aos olhos dele?", questionou-se Angelina em um sussurro íntimo.

— Não fique aí estática feito uma estátua! Sirva logo a nova nora dos Almero! — desferiu Evelyn, irrompendo no recinto. A matriarca tomou assento à mesa, acomodando-se ao lado de Moreen.

— Bom dia, sogra... Já de pé a esta hora? — cumprimentou Moreen, destilando doçura em seu sorriso.

— Eu é que deveria indagar isso a vocês. Como recém-casados, deveriam estar aproveitando cada segundo da intimidade do matrimônio — ponderou Evelyn, cuja ansiedade para ver Moreen grávida do primeiro herdeiro da dinastia transparecia em cada palavra.

— Os compromissos na corporação estão acumulados, mãe — justificou Axton.

— Ora, meu filho, deixe os negócios de lado por um instante e encontre uma brecha na agenda para uma lua de mel digna com a minha nora predileta.

— Vou providenciar isso, mãe — garantiu Axton, esboçando um sorriso entre uma garfada e outra.

— E lembre-se, Axton: não demore a providenciar um neto para esta casa. Quero a Moreen grávida o quanto antes.

Ouvir a diretriz da sogra fez com que a saliva travasse na garganta de Angelina, despertando um incômodo profundo.

— Fique tranquila, senhora. Eu tenho cuidado minuciosamente da minha saúde reprodutiva — alardeou Moreen, lançando um olhar de puro desdém na direção de Angelina. — Não há motivos para inquietação, em breve conceberei um filho para que o Axton me vote ainda mais adoração — acrescentou, soberba.

— Não apenas o Axton, minha querida, mas toda a linhagem Almero cobrirá você de honrarias — endossou Evelyn.

— Ah, mal posso esperar pelo momento em que ostentarei a minha gravidez! — Moreen já se via cercada pelas joias e mimos com que a aristocracia da família a presentearia.

Permanecer ali de pé, feito um fantasma ignorado à beira da mesa, tornara-se um fardo hercúleo para Angelina. Seu anseio mais íntimo era bater em retirada, fugir daquela efusão de afeto dissimulado. Contudo, seu orgulho a proibia de expor suas chagas; precisava demonstrar que aquela afronta não seria suficiente para aniquilá-la.

Com determinação, Angelina puxou a cadeira que por direito lhe pertencia. Mas a expressão de profundo desagrado que cruzou a face de Evelyn a fez hesitar por um breve segundo.

— E quem lhe deu permissão para sentar-se à mesa conosco? — interpelou Evelyn, ríspida.

— Eu permaneço sendo a esposa legítima de Axton, senhora. Meu lugar de direito é aqui! — rebateu Angelina, acomodando-se na cadeira imediatamente ao lado do marido.

— Deixe estar, sogra. Permita que a Angelina nos faça companhia — interveio Moreen, destilando uma falsa benevolência.

— Você possui um coração de ouro, Moreen. Definitivamente, desta vez meu filho soube escolher a mulher ideal — elogiou Evelyn, cada vez mais cativada pela recém-chegada.

"Nenhuma mulher de caráter idôneo destrói o lar de outra, senhora!", rebateu Angelina em seu íntimo, guardando o silêncio para não romper a aparente calmaria.

Que a sogra desfrutasse de seu idílio temporário com Moreen. O tempo seria o senhor da razão, e Angelina guardaria cada afronta, aguardando o momento exato de cobrar a dívida daquela oportunista que ousara usurpar a sua felicidade.

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