LOGIN— Silver, eu sei que te magoei. — Não. Sabes que me traíste. Sabes que terminámos o noivado. Sabes que estou zangada contigo. Mas não sabes o que é olhar para trás e perceber que os momentos que julgavas felizes talvez nunca tenham significado a mesma coisa para a outra pessoa. Não sabes o que é questionar cada promessa, cada gesto de carinho e cada palavra de amor, porque já não consegues distinguir o que era verdadeiro daquilo que te diziam para te manter por perto. A voz dela manteve-se controlada, mas os dedos apertaram ligeiramente a borda da secretária. — Eu confiava em ti, Adrien. Não confiava apenas no homem com quem pretendia casar. Confiava na pessoa a quem entreguei os meus medos, os meus planos e uma parte enorme da minha vida. Tu sabias disso e, ainda assim, escolheste fazer-me de idiota. Baixei os olhos. — Lamento. — O teu arrependimento não me devolve nada. — Eu sei. — E não muda o que sinto por ti agora. Ergui lentamente o rosto. — O que sentes por
O olhar dela percorreu-me o rosto, procurando algum sinal de que estivesse a exagerar, de que aquelas palavras fossem apenas uma ameaça dita por um homem dominado pela raiva. Mas não sorri, nem desviei os olhos. Estava decidido. — Estás a falar a sério? — perguntou ela. — Nunca falei tão a sério sobre nada. — E achas que matá-la vai resolver o quê? — Vai impedir que volte a fazer mal a alguém. — Ou vai destruir a tua vida de uma maneira que ainda não consegues compreender. Soltei uma breve expiração, sem humor. — A minha vida já está destruída. — Não. A tua vida está cheia das consequências das tuas próprias escolhas. Isso é diferente. Senti a frase como uma bofetada, mas não a contestei. Silver recostou-se na cadeira. — A Elsa cometeu crimes, deixe que ela seja investigada e responsabilizada. Se te traiu, acaba qualquer relação que ainda tenhas com ela. Afasta-te. Deixa de a proteger. Mas não me venhas dizer que vais matá-la para impedir que faça mal a alguém, c
Mas Silver fora a única pessoa que me dissera a verdade quando eu ainda estava determinado a defender Elsa, e precisava de encarar a mulher que magoara para compreender a dimensão daquilo que fizera. Atravessei a entrada do hotel com o rosto fechado. Alguns funcionários reconheceram-me. Outros olharam para mim com curiosidade, provavelmente porque as notícias sobre o fim do meu noivado com Silver continuavam a circular. A exposição pública da minha vida privada tornara impossível esconder o que acontecera, e eu sabia que muitas pessoas já tinham formado uma opinião sobre mim. Não me importava. Naquele momento, a única opinião que me interessava era a de Silver, embora não tivesse qualquer ilusão de que conseguiria mudar a maneira como ela me via. Depois de me identificar na receção, fui informado de que Silver estava no gabinete e que poderia ter de esperar alguns minutos. Aceitei. Enquanto aguardava, observei o corredor e tentei imaginar o que Silver pensaria se soubesse o
Li a notícia pela terceira vez, embora já tivesse compreendido cada palavra desde o primeiro instante. O artigo estava aberto no ecrã do meu computador, acompanhado por fotografias de Elsa, captadas em diferentes ocasiões. Numa delas, ela aparecia a sair e um restaurante, impecavelmente vestida, com o sorriso elegante que tantas vezes me fizera acreditar que conhecia a mulher por quem me apaixonara. Noutra, estava à entrada da Fundação Walton, com uma expressão serena e o queixo ligeiramente erguido, como se o mundo não tivesse o poder de a atingir. Agora, porém, aquele mesmo mundo parecia decidido a devorá-la. “Amante de Adrien Smith e suspeita de desvio de fundos da Fundação Walton: os segredos de Elsa vêm à tona.” Apertei a mandíbula. A matéria não se limitava a mencionar o fim do meu relacionamento com Silver. Expunha também a relação extraconjugal de Elsa com o diretor financeiro da fundação, um homem casado, e levantava suspeitas sobre a participação dela em transações f
Quando chegou a hora de sair, arrumei os meus pertences numa caixa pequena. Era humilhante perceber que quatro anos de trabalho naquela instituição cabiam em tão pouco espaço. Quatro anos a cumprir horários, a participar em reuniões, a organizar eventos e a sorrir para pessoas que, naquele momento, provavelmente estavam a celebrar a minha saída. Deixei a caixa sobre a secretária e olhei uma última vez para o gabinete. Não sentia saudades daquele lugar. Sentia raiva por estar a ser obrigada a sair daquela maneira. Raiva do Landon, que me usara e depois me abandonara. Raiva de Adrien, que me prometera uma vida ao seu lado e agora nem sequer tinha coragem de me telefonar. Raiva de mim mesma por ter acreditado que conseguiria controlar tudo. E, acima de todos eles, raiva de Silver. Peguei na mala e saí do gabinete. O corredor parecia mais comprido do que de manhã. Algumas pessoas desviaram o olhar quando passei, enquanto outras nem sequer tentaram disfarçar a curiosidade. Continuei a
Naquele momento, não me interessava. Atirei o papel para o caixote do lixo, sentei-me à secretária e tentei concentrar-me nos documentos. Mas, antes que conseguisse abrir a primeira pasta, ouvi vozes exaltadas no corredor. Uma mulher falava tão alto que consegui distinguir algumas palavras. — Quero saber onde ela está! Ergui a cabeça. Reconheci a voz masculina da receção a tentar acalmá-la. — Minha senhora, precisa de aguardar. Não pode entrar assim. — Não me diga o que posso ou não posso fazer! O meu coração começou a bater mais depressa. Levantei-me lentamente, sentindo um mau pressentimento instalar-se no meu estômago. A porta do gabinete abriu-se de repente. A esposa do Landon entrou sem pedir licença. Era elegante, tinha o cabelo castanho cuidadosamente penteado e vestia um conjunto de calças e casaco que provavelmente custava mais do que o salário de vários funcionários da fundação. No entanto, o que mais me chamou a atenção foi a expressão do seu rosto. Ela estava fur







