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Capítulo 2°— Movida Pelo İmpulso

Autor: Ieda Lemos
last update Data de publicação: 2026-07-14 01:21:17

— Não quis dizer isso, senhor! Me desculpe, mas imagino que muitas mulheres da cidade se sentiriam honradas com a sua proposta, mas a minha Cris, não é nem dotada de beleza, como já deve ter percebido.

Um longo suspiro e ele se acalmou.

— De fato, sua filha é muito diferente das mulheres que me atraem. Gosto de mulher elegante, cheirosa, que sabe falar e…

Eu fui chegando e ouvi tudo. Fiquei indignada!

— Eu vou com o senhor!— disse me sacudindo para livrar-me das mãos dos seguranças que me aprisionavam.

— Tem certeza?— Não era uma pergunta, era um deboche.

— Eu aceito ser sua mulher e babá do seu filho!— me mantive firme, queixo erguido, olhar desafiador.

Santoro me olhou com um sorriso no canto dos lábios. Cinismo era o seu forte.

— Antes tome um banho e lave essa sua cara suja!

Eu ruborizei instantaneamente.

Minha mãe tentou me impedir de seguir para a casa grande.

— Não, Cris, não tem que fazer isso! Podemos pedir abrigo na casa da sua madrinha!

Me livrei das mãos dela e segui em passos largos.

— A moça é decidida, hein? Gostei!— Santoro disse sarcástico.

Deixei eles me olhando confusos, perplexos, e segui quase correndo para arrumar as minhas coisas. Era como se eu, tomada pelo orgulho ferido, não conseguisse ter noção do que estava fazendo com a minha vida. Uma insanidade total.

Fazia anos que não ia à cidade. Meu padrasto comprava até minhas roupas!

Cheguei em casa ofegante, desabafando minha indignação.

— Quem ele pensa que é? Me chamou de feia, suja! Vou ser sua mulher, vai ter que me engolir!

Eu falava enquanto tirava minhas roupas dos armários.

— Aposto que vai falar mal dos meus trajes também! Droga! O que faço? Se ele fez um acordo com o infeliz do meu padrasto, vai ter que cumprir! Vou ser sua esposa de qualquer jeito!

Enquanto isso, minha mãe argumentava com o meu futuro marido.

— O meu marido nunca me disse que minha menina seria sua esposa. Me Lembro de ouvi-lo dizer que iria cuidar do seu filhoi, mas ser sua mulher, me parece bem estranho!

Santoro apenas olhou em volta da passagem que ficava ao lado do caixão, onde o meu padrasto descansava tranquilamente, depois de fazer a palhaçada que fez.

— Acha que meus problemas se resumem apenas a não conseguir uma babá que aguente o meu herdeiro?

Dona Elisa ficou boquiaberta e o pavor tomou conta dela.

— Meu Deus! Então não é só o menino que é insuportável!

— Cale-se! Eu devia desistir desse acordo e deixá-la na sarjeta! Bocuda e linguaruda bem que merecia!

— Pois o faça, porque não estou disposta a entregar minha filha para um ditador, um tirano como o senhor! Meu marido devia estar com suas faculdades mentais comprometidas quando aceitou um absurdo desse!

A mão do senhor Santoro rasgou o ar e suas palavras pareciam lâmina.

— Vá lá, mulher insolente, e diga para a sua filha que não precisa mais me acompanhar!

— Não, eu vou!— falei esbaforida, chegando apressada.

Santoro olhou meus cabelos molhados, escorridos, a expressão de cansaço em volta dos olhos verdes, e soltou o ar pela boca.

— Tudo nessa vida deve ter um jeito de ficar melhor, e você não deve ser diferente— ele falou impaciente.

Eu só procurei com os olhos o carro que me levaria dali, enquanto era minuciosamente examinada. Meu vestido floral, longo e largo, não valorizavam minhas curvas.

— Onde estão suas malas?— ele quis saber.

— Não vou levar nenhuma. Não disse que não me pareço com as mulheres que lhe agrada? Me compre roupas do seu agrado então!

Até minha mãe se chocou.

— Cris! Não desça a esse nível! Já disse, vamos para a casa de sua madrinha, ela com certeza nos acolherá muito bem!

Era minha vez de ser irônica.

— Mãe, minha madrinha nunca se importou comigo. Ela nem veio ao velório! Não vê que está nos evitando, sabendo que precisamos de ajuda, na falta do meu padrasto?

Coitada, minha mãe murchou.

— Não tinha pensado nisso.

Meu braço foi puxado de repente e andei alguns passos sem querer. Minha mãe vinha atrás, tentando me alcançar.

— Filha, podemos nos meter por esses matos, quem sabe encontrar uma terra sem dono e…

Santoro perdeu a paciência.

— Deixe-me levá-la, antes que eu desista mulher! Pelo jeito, seu marido tinha mais juízo que você! Onde vai conseguir casar um alienígena como sua filha nesse fim de mundo?

— O quê!— sacudi em vão o meu braço.

Santoro me segurou com força.

— Vamos logo! Vim apenas para buscá-la, e nunca perco a viagem!

Não tentei resistir, acho que quis aquilo desde que pus os olhos naquele homem horrível, desprezível e tão…sedutor!

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