ANMELDENAlejandro encheu a cara com várias doses de whisky, até que conseguiu dormir. Acordou com dor de cabeça e Paulina lhe fez um chá. Ele estava sentado à mesa. Joaquim já tinha ido preparar os cavalos e Cibele ainda dormia. A criada tomou a liberdade de cochichar com o patrão. — Senhor, cuidado. Vou pegar umas ervas daquele chá poderoso no quintal. Se precisar é só falar. Alejandro suspirou impaciente. — Que poderoso que nada, Paulina! Meu pai me contou uma história absurda. Esse chá não funciona! Paulina assustou-se e pôs a mão no peito. — O que está me dizendo, senhor? — Que algumas dessas loucas que eu trouxe para cá, apareceram grávidas e extorquiram o meu pai, e até abortaram! — Não pode ser!— Paulina pensou logo em mim. Alejandro olhou para o alto da escada e voltou a falar baixinho. — Não quero correr mais riscos! Só trouxe essa aí para fazer um teste! — Teste! — Deixa pra lá, mas não se preocupe, não precisarei mais
Depois do jantar, subi as escadas, cabisbaixa. Meus sogros vieram logo atrás. Quando parei para abrir a porta do meu quarto, Vera se colocou do meu lado. — Você tinha o controle — ela disse. — Do que está falando?— Perguntei aborrecida. — Ele não precisava estar correndo riscos. Você será a culpada se isso acontecer. — Riscos? Você não sabe o que está falando! Não tenho culpa se você perdeu o controle do seu filho — Fiquei indignada, sem entender. Vera inclinou-se na minha direção, alterada, soprando o seu hálito no meu resto. — Você é sonsa, ou o quê? Alejandro é um leviano, irresponsável! Você só está o ajudando a despertar ainda mais esse lado dele. Olhei para Thomaz procurando entender. — A que ela está se referindo? Parece que não falamos a mesma língua! Thomaz ficou impaciente. — Não ligue para ela, Cris. Boa noite!— ele disse puxando o braço da esposa. Vera sacudiu o braço, livrando-se da mão do marido. — Não! Ela tem
As criadas se precipitaram a correr, todas juntas se chocando uma contra a outra para ver o que estava acontecendo. Ficaram estáticas, vendo Felipe acabando de descer as escadas, parando o pai que me puxava pela mão. — Cris, toma o desjejum comigo, por favor!– o menino suplicou. Alejandro soltou o ar pela boca e me olhou resignado. — Faça o que ele está pedindo. Até eu estranhei que Alejandro não tivesse ficado bravo e chamando Anita. — Claro!— falei meio sem jeito. As criadas se olharam aliviadas. Alejandro foi sentar-se no sofá na sala de estar. De lá, ficou me olhando, enquanto eu acompanhava o desjejum do Felipe. O menino não imaginava o que se passava, mas as criadas entenderam muito bem. Finalmente Felipe acabou de comer e foi embora para a escola com Paulo, que acabara de chegar. Alejandro fez sinal para que eu fosse até ele, apenas com um gesto de inclinar a cabeça. Eu fui até ele, quase correndo. — Sente-se — ele diss
Felipe não quis descer para jantar, estava cansado e se recolheu logo. Eu passei no seu quarto, depois do jantar. — Voltou a dormir no seu quarto? — ele perguntou, o que já sabia. Apenas assenti. Ele percebeu que eu estava triste. — Será melhor assim — ele disse, parecendo um homenzinho. Assenti mais uma vez e o abracei. — Eu sei que gosta dele — ele falou calmamente. Sorri emocionada, não tinha energia para negar. Felipe se ajeitou debaixo do seu cobertor, pois estava muito frio! — Se quiser, pode dormir no meu quarto. — Sério? — Achei engraçado. — Se ficar com medo de dormir sozinha pode vir!— ele reforçou o convite. Na verdade, meu medo era de me apaixonar, mas isso já havia acontecido, agora o medo de ser usada e descartada eu já não tinha mais. Depois de um tempo, eu fui para o meu quarto e a tristeza me acometeu. Fiquei na sacada, esperando Alejandro voltar. Passou-se muito tempo e nada dele. Eu fui dormir, sem
Thomaz quase infartou. Arregalou os olhos para o filho, mas não teve coragem de falar nada. — A Cris concordou em fazer parte disso porque ela precisa, mas eu necessito de liberdade. Quero me sentir solteiro dentro de casa, onde não preciso fingir para ninguém! — Mas filho, lembra que quanto mais parecer verdade melhor?— a bruxa era mesmo chata e insistente! Alejandro me surpreendeu com uma revelação. — Esse evento de ontem, foi rápido e por isso não levei minha esposa, mas não se preocupe, vou levá-la em todos, e vou demonstrar o que espera. Todos vão ver um casal feliz e apaixonado. Muitas demonstrações de afeto não irão faltar. Vera sabia porque o filho não havia me levado para o último evento, mas fez questão de me envenenar. Agora Alejandro estava livre para sair e chegar a hora que quisesse, e eu não precisaria mais ser a esposa perfeita, mas sim, a parceira ideal para os negócios. Ela ficou pior do que eu com a novidade. Era como se tirasse a
Alejandro começou a respirar ofegante, estava saindo de si, mas continuei a falar e falar. — Só estou nessa por conveniência, mas nunca olharia para um homem como você, capaz de fazer parte de um jogo sujo, assim como tudo o que representa os Spinelli! Eu surtei, comecei uma DR achando que tinha o direito de cobrar alguma coisa de um relacionamento construído por imposições, medos e pressões. Eu era apenas uma moeda de troca, como o próprio Alejandro disse, mas não seria capaz de transar com ele, apenas por se tratar de um acordo. A verdade era que eu queria mais, procurava uma chance, uma esperança de tocar no coração do homem amado e abrir uma porta que eu pudesse separá-lo da frieza e soberba dos pais. Queria acreditar que Alejandro pudesse ser melhor, que merecesse o meu amor. A lambança estava feita. Alejandro não queria mais ter que ouvir tudo aquilo de mim, e para isso, tomou uma decisão radical. Ele se recolheu para dentro do banheiro, e logo







