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Capítulo 10_Consequências

Autor: Leila
last update Data de publicação: 2026-01-30 02:33:09

O toque foi rápido.

Mas foi o suficiente.

Natália sentiu o corpo reagir antes da mente. Um arrepio subiu pelo braço onde os dedos de Nicolas haviam tocado, leve demais para ser considerado nada… intenso demais para ser esquecido.

Ela se afastou um passo.

— Com licença — disse, mantendo a voz firme, e

passou por ele.

Arthur dormia quando ela voltou ao quarto. Natália sentou-se na beira da cama, respirando fundo, tentando organizar pensamentos que insistiam em se embaralhar.

Você está aqui pelo Arthur, repetiu para si mesma.

Não por ele.

Do outro lado da casa, Nicolas também não conseguiu se concentrar.

Clara falava. Argumentava. Alertava.

Ele não ouvia.

A imagem de Natália, parada no corredor, os olhos firmes apesar da dor silenciosa, não saía de sua mente.

— Você está envolvido demais — Clara insistiu. — Isso não é saudável.

— O que não é saudável — Nicolas respondeu, a voz fria — é você achar que pode decidir quem faz parte da minha casa.

Clara o encarou, surpresa.

— Eu estou tentando proteger a memória dela.

— A memória dela não precisa de proteção — rebateu. — Precisa de respeito. E o Arthur precisa de estabilidade.

— E você acha que essa babá é a resposta?

— Eu tenho certeza — respondeu, sem hesitar.

As palavras ficaram suspensas no ar.

Clara apertou os lábios.

— Então é isso — disse, recolhendo a bolsa. — Você já fez sua escolha.

— Fiz — confirmou.

Quando ela saiu, Nicolas ficou parado por alguns segundos, sentindo o peso do que acabara de assumir.

Escolha.

Mais tarde, na sala, Natália ajudava Arthur a desenhar quando Nicolas se aproximou.

— Podemos conversar? — perguntou.

Ela assentiu.

Arthur foi para o quarto com Helena.

Nicolas ficou em frente a Natália, mantendo uma distância respeitosa. Pela primeira vez, não parecia controlador — parecia cuidadoso.

— Eu defendi você — disse.

— Eu sei — respondeu. — Ouvi parte da conversa.

— Clara não vai mais interferir — continuou. — Nem hoje, nem nunca.

Natália cruzou os braços.

— Não pedi que fizesse isso.

— Eu sei — ele respondeu. — Fiz porque era o certo.

Ela o encarou.

— Então seja honesto comigo agora.

Nicolas respirou fundo.

— Estou tentando — disse. — Mas não sou bom nisso.

— Comece dizendo o que sente — pediu.

O olhar dele se desviou por um instante, depois voltou.

— Sinto medo — confessou. — Medo de errar. Medo de perder o controle. Medo de querer você mais do que deveria.

O coração de Natália bateu mais forte.

— E eu sinto medo de me perder aqui — respondeu. — De esquecer quem eu sou tentando caber no seu mundo.

Eles ficaram em silêncio por alguns segundos.

— Talvez devêssemos dar um tempo — Nicolas sugeriu, apesar de soar como se isso o machucasse.

— Talvez — ela concordou. — Mas isso não apaga o que está acontecendo.

Ele assentiu.

— Não.

Quando Natália se virou para sair, Nicolas falou de novo:

— O toque… — começou.

Ela parou, mas não se virou.

— Não se repete — completou ele. — A menos que você queira.

Natália fechou os olhos por um instante.

— E se eu quiser? — perguntou, sem olhá-lo.

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.

Nicolas não respondeu.

Porque sabia:

qualquer resposta quebraria o último limite que ainda restava.

E talvez…

ele já não quisesse mais salvá-lo.

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