MasukSoltei um rosnado baixo contra a boca dela, aprofundando o contato. Minha língua pediu passagem e ela cedeu instantaneamente, entregando-se ao ritmo quente e faminto que sempre explodia quando nos tocávamos.Esqueci o café. Esqueci a conversa sobre cautela. Esqueci o medo.Segurei firme na cintura dela, levantando-a da posição onde estava e trazendo-a para o meu colo na banqueta. Elena soltou um arfado surpreso contra a minha boca, abrindo as pernas para se acomodar ao redor do meu quadril. Suas mãos desceram pelos meus ombros, cravando as unhas nas minhas costas por cima da camiseta preta. O calor era avassalador, a urgência subindo pela minha espinha como uma descarga elétrica pura.Desci meus beijos para o maxilar dela, traçando uma trilha ardente até o seu pescoço. Elena jogou a cabeça para trás, soltando um gemido baixinho que quase destruiu a última réstia do meu juízo.— Arthur... — ela murmurou, a voz trêmula, entrecortada.— Hum? — resmunguei contra a pele macia da garganta
Soltei um riso seco, balançando a cabeça e encarando o líquido escuro na minha xícara.— Quem me dera fosse a contabilidade. Balanços financeiros são simples. Números não mentem, não têm sentimentos e não surtam se você tomar a decisão errada.— E o que está tirando o sono do poderoso Arthur Volpi esta noite, então?Levantei os olhos para encarar os dela. A brincadeira na minha cara desapareceu por completo. A iluminação indireta da cozinha destacava os traços delicados do rosto dela, os lábios desenhados que eu tinha passado a tarde inteira querendo prensar contra os meus.— O medo de estragar tudo — soltei a verdade, nua e crua, sem o filtro da minha habitual arrogância.Elena piscou, surpresa com a minha franqueza. Ela ajeitou a postura, cruzando os braços sobre o peito.— Estragar o quê?— Isso — gesticulei vagamente com a mão entre nós dois. — Nós. A casa. A rotina das crianças. Eu não sou um homem fácil, Elena. Sou ranzinza, sou viciado em trabalho, tenho um histórico emocional
ArthurEu costumava controlar tudo. Absolute-fucking-mente tudo.Mercados financeiros, flutuações de ações na bolsa de Frankfurt, aquisições bilionárias de empresas concorrentes e até mesmo a exata marca de café espresso que deveria estar sobre a minha mesa às sete e quinze da manhã. No mundo dos negócios, incerteza é sinônimo de prejuízo. Se você não domina as variáveis, o mercado engole você vivo.O problema é que nenhuma das minhas planilhas de gestão de risco me preparou para a variável chamada Elena.Eram três horas da manhã. O silêncio na mansão Volpi era absoluto, quebrado apenas pelo zumbido quase imperceptível da geladeira de aço inoxidável na cozinha. Eu estava sentado em uma das banquetas altas da ilha de granito, vestindo apenas uma calça de moletom cinza e uma camiseta preta desbotada. Sem o terno sob medida de três peças da Savile Row, sem o relógio de meio milhão de reais no pulso, sem a armadura de CEO implacável.Apenas eu. Um homem de trinta e quatro anos encarando u
— Eu não estou beijando ninguém, Léo! — protestei, sentindo minhas bochechas queimarem.— TAVAM SIM! EU VI COM OS MEUS PRÓPRIOS OLHOS DE DINOSSAURO!— Não estavam não, Léo — Arthur interveio com uma calma invejável, passando a mão pelos cabelos do filho.— TAVAM! A LARA VIU TAMBÉM! FALA PRA ELES, LARA!Lara deu um gole no seu suco de caixinha e nem se deu ao trabalho de olhar para o irmão.— Eu não vi nada. Você tá enxergando coisas porque comeu açúcar demais.— VIU SIM, SUA MENTIROSA!— Chega de escândalo, garoto — Arthur pegou o menor no colo de uma vez só, ajeitando o pequeno no quadril. — Vamos comer um pastel e depois a gente vai direto para o carrossel.— EU QUERO ANDAR NO CAVALO! — Léo mudou de assunto instantaneamente, dando socos no ar.— Nós vamos no cavalo.— NO CAVALO BRANCO!— Pode ser no branco.— O CAVALO QUE TEM ASA DE PEGASUS!— Léo, cavalos não têm asas na vida real — Arthur pontuou, paciente.— O MEU TEM SIM! O MEU É MÁGICO!— É, o seu é extremamente especial — Arth
ElenaDepois da aventura quase trágica e hilária do kart, fomos direto para a fila da roda-gigante.O Léo, claro, amarelou no exato segundo em que olhou para o topo da estrutura de ferro. "É ALTO DEMAIS! EU VOU CAIR E OS DINOSSAUROS VÃO ME COMER!", ele berrou, agarrando-se à perna de Arthur como um coala desesperado. No fim das contas, o pequeno preferiu ficar em solo firme com o pai, devorando uma montanha de algodão-doce azul, enquanto a Lara aceitou subir comigo.A nossa cabine era modesta, de madeira pintada de amarelo-canário, com uma janelinha redonda e uma trava de ferro que eu rezei mentalmente para estar em dia. O sol do fim de tarde entrava suavemente, e o vento soprava bagunçando nossos cabelos.Lara sentou-se ao meu lado no banco estreito, abraçando o caderno de couro contra o peito.— A senhora gosta de verdade do meu pai? — ela disparou do nada, sem qualquer preâmbulo, encarando as próprias meias.Pisquei, surpresa com a solicitação direta da minha mini-sócia de t
O sol da tarde brilhava forte no céu azul sem nuvens. As crianças iam na nossa frente, com Lara segurando firmemente a mãozinha do Léo enquanto ele tentava puxá-la para cinco direções diferentes ao mesmo tempo.— HOJE VAI SER O MELHOR DIA DA MINHA VIDA ENTERA! — Léo gritou para o alto, pulando com os dois pés.— Você fala isso exatamente todo final de semana, Léo — Lara pontuou, sem alterar o tom de voz.— PORQUE TODO FINAL DE SEMANA É O MELHOR DIA DA MINHA VIDA!— Você é muito bobo.— E você é muito chata e resmungona!— Vocês dois são incrivelmente parecidos, sabia? — interrompi a discussão, ficando ao lado deles.— ELA É IGUALZINHA AO PAPAI! — Léo apontou o dedo acusador.— MENTIRA, VOCÊ É QUE É IGUAL A ELE! — Lara rebateu na hora.— NA VERDADE, VOCÊS DOIS SÃO A CÓPIA FOTOGRÁFICA DELE! — declarei, olhando para Arthur, que caminhava ao meu lado.Ele me encarou, mantendo as mãos nos bolsos da calça jeans.— Nós vamos conseguir sobreviver a essa tarde sem perder nenhuma criança ou sur







