Os olhos dela estavam arregalados, vidrados, abertos demais — daquele jeito assustador de quem está olhando para o vazio e vendo o próprio pânico. A boca dela se mexia em espasmos, tentando desesperadamente formular uma palavra, um som, qualquer coisa, mas ar nenhum entrava ou saía. E ajoelhado ao lado dela, em absoluto desespero, estava ele. Arthur Volpi. O homem que tinha acabado de me humilhar há menos de dez minutos. O sujeito impecável de camisa engomada agora estava com o colarinho aberto, as mangas amarrotadas, o cabelo perfeitamente penteado todo bagunçado e os olhos vermelhos. Ele parecia um homem prestes a cair de um penhasco. — ONDE DIABOS ESTÁ O REMÉDIO? — ele gritou para a funcionária que tinha chegado logo atrás de mim. A voz dele trincou de vez, rasgando a imponência. — N-não achamos, senhor! — a mulher respondeu, aos prantos. — A Lara escondeu de novo... ela disse que odeia o gosto, ela não quer tomar... Arthur soltou um xingamento baixo, pesado e cru. Eu nunca tin
Última actualización : 2026-04-28 Leer más