FAZER LOGIN♡ Caio Silva Rocha ♡
No final da tarde, nós decidimos fazer um churrasco e estávamos na área de lazer, conversando e planejando nossos próximos movimentos. Eu era o responsável pela churrasqueira. Patrick se reclinava na espreguiçadeira, observando cada movimento meu, enquanto Luan treinava alguns movimentos de luta. Reparei que Patrick estava muito distraído, olhando fixamente para algo além da cerca. Então chamei sua atenção. — Ei, Patrick… Tá olhando o quê? Segui a direção do olhar dele e, por um instante, senti o coração acelerar. — Pra lá… — ele falou baixinho. — A coelhinha apareceu na janela e sorriu para mim. Toda tímida… Isso me deixa… excitado pra caralho. Luan parou com os movimentos e soltou uma risada. — Ela é uma delícia mesmo quando fica corada. Mas lembra do combinado, irmão. Temos que nos controlar perto dela. O objetivo é atrair, não assustar. Patrick, com aquele jeito dele de sempre apimentar as coisas, entrou na conversa. — Falando nisso, quando ela for com a gente para a cabana, quanto tempo a gente fica? Precisamos de um plano sólido. — O tempo que ela quiser — respondi. Luan suspirou, voltando aos exercícios. — Fico pensando como vai ser a nossa convivência com ela. Será que vai dar certo? — Vai ser estressante — falei, seco. Patrick perguntou, intrigado. — Por que acha isso? — Porque ela não vai gostar, pelo menos não de primeira, das coisas que a gente quer fazer com ela. A educação que ela teve… é uma barreira. — Mas com o tempo — ele rebateu, confiante — ela pode se acostumar. Quem sabe até comece a gostar. É uma questão de mostrar um mundo novo para ela. Soltei uma risada baixa, quase sem som. — Uma santinha como ela? Duvido! Foi criada numa redoma. — Exatamente! — Patrick completou. — Ela foi criada assim, mas não conhece o mundo real. Não sabe das sensações, do prazer profundo, dos desejos mais primitivos. Ela não faz ideia do que pode gostar porque nunca experimentou. Nós… vamos mostrar para essa santinha o prazer que ela está perdendo. Luan balançou a cabeça, com um sorriso brincalhão. — Sabe que a gente vai pro inferno por isso, né? — Eu vou para qualquer lugar — declarei, sério — se ela estiver com a gente. Ela é nossa. Ponto final. Foi aí que o portão da casa da frente se abriu. Patrick, Luan e eu nos viramos ao mesmo tempo, como se fosse um instinto único. Era a Bruna, saindo com a cachorrinha Lulu. O cheiro do churrasco chegou até ela, e a Lulu, puxada pelo faro, veio direto para o nosso portão aberto. — Lulu, não! Volta aqui! — a voz dela era um misto de susto e repreensão, mas a cadela já tinha invadido o nosso jardim. Bruna correu atrás, entrando no nosso território. Ela pegou a Lulu no colo e nos encarou. Não era um olhar de agradecimento, mas de acusação. — Eu sei que foram vocês — disse, firme. Tomei a frente, me aproximei com um sorriso que era ao mesmo tempo convite e provocação. — Oi, coelhinha. Em que a gente pode te ajudar? A Lulu parece que curtiu o nosso churrasco. — Por favor, parem! — ela implorou, ignorando a brincadeira. Patrick se aproximou, mais neutro. — Não sabemos do que você está falando, coelhinha. — Por favor, não mintam! — a voz dela falhou. — A caixa. Eu sei que foram vocês. Por que fizeram isso? Meu tio ficou furioso, me encheu de perguntas… Trocamos um olhar significativo. — Melhor a gente entrar e conversar direito. Aqui na rua todo mundo pode ver e ouvir. Luan abriu um sorriso tranquilo. — Tá tudo bem, Bruna. Pode ficar sossegada. A gente não morde. — Meu tio… ele disse que não posso… — ela hesitou. Patrick se inclinou, suave. — Mas ele não está aqui, coelhinha. Nós estamos. Abri a porta de casa. — Entra, coelhinha. Não vai rolar nada. Tá com medo? — provoquei, com um brilho malicioso no olhar. — Achei que você fosse corajosa, e não uma coelhinha medrosa. A frase pegou. — Tá bom! — ela bufou, entrando com a Lulu no colo. Patrick foi o último a entrar e trancou a porta. Bruna parou, deu uma olhada na sala ampla, admirando por uns segundos antes de encarar a gente. Patrick se apoiou na parede, cruzando os braços. — E então, coelhinha, o que te trouxe aqui? — Foram vocês, não foram? Admitam. — Sim, coelhinha — Luan respondeu sem hesitar. — Nós te demos a pulseira com as iniciais. — Por quê? — Coelhinha — me aproximei com calma. — É normal ganhar presentes de admiradores. A gente quis te dar algo bonito, que combinasse com você. É seu aniversário de 18 anos, você merece um pouco de beleza. — Não, eu não posso aceitar. Vou devolver, não posso contrariar meu tio. Patrick deu mais um passo, com a voz baixa e hipnótica. — Mas você não acha que já contrariou ele só de vir até aqui, numa casa com três homens solteiros? Não acha que só de nos observar escondida, da sua janela, de noite, já contrariou? Ela ficou pálida. — Não… não sei do que estão falando. Eu nunca espiei vocês. Patrick chegou perto o bastante para sussurrar no ouvido dela. — Não? Então por que está apertando as coxas assim? E seus lábios… estão secos. Tá nervosa, coelhinha? — É que… está um dia quente — ela desviou o olhar. — Realmente tá calor — concordei, fechando o cerco pelo outro lado. — Mas não é o calor do tempo, é o calor que você tá sentindo agora. Aquele que sobe pela sua pele só de nos ver. Só de estar aqui, sozinha com a gente. Luan tocou de leve nos ombros dela, as mãos grandes acariciando a pele. Ela estremeceu e recuou, tentando se recompor. — Parem com isso! Me deixem em paz, por favor. Eu vou embora. — Olha só — Luan falou com o sorriso sarcástico dele — acho que a nossa coelhinha tá excitada e nem sabe direito o que é isso. Bruna olhou para gente, genuinamente confusa. — O quê? Como assim excitada? Trocamos um olhar entre nós, entre incredulidade e fascínio. Ela podia ser mesmo tão inocente a ponto de não saber o que era estar excitada? Tomei a frente de novo, com a voz mais suave, quase paternal. — Calma, coelhinha. Acho que o que meu irmão quis dizer, de um jeito meio sem noção, é que você tá… ansiosa! Nervosa! É tanta coisa nova de uma vez. Por que não senta um pouco? Relaxa. — Não, eu não posso — ela insistiu, mas com menos convicção. — Acho melhor eu ir. Com licença! Ela se virou para sair, mas Luan e eu nos movemos rápido, bloqueando a passagem com nossa parede de músculos. Ela recuou e esbarrou no Patrick, que estava logo atrás. Ele segurou ela com jeito, mas firme. Dava para sentir o calor dele, o perfume, a força contida. Ele se inclinou e sussurrou, com a voz grave que parecia ecoar nela: — Por que você não admite, nem que seja só para você, que sente algo pela gente, coelhinha? Por que não admite que toda essa confusão só existe porque você gostou de ganhar a pulseira com as nossas iniciais?Bruna MarquesEnquanto mastigava um pedaço do pão com geleia, a voz de Caio ecoava sem parar ao meu lado. Ele andava de um lado para o outro na cozinha, falando sem descansar, tentando arrumar justificativas e pedir desculpas. Não conseguia absorver uma única palavra do que ele dizia. Mantive meus olhos fixos em uma parte qualquer da parede de azulejos claros, em absoluto silêncio. A dor no meu peito ainda era gigante, sufocante. A descoberta de mais cedo simplesmente não saía da minha cabeça: eles realmente planejavam me levar à força para aquela cabana isolada se eu não tivesse aceitado me entregar e viver com os três. A ideia de que o amor que construímos tinha nascido sob a sombra de um sequestro planejado me dava náuseas.O som de passos no corredor anunciou a chegada dos outros dois. Patrick e Luan entraram na cozinha. Luan vestia apenas um calção de dormir, com o peitoral largo e descalço. Já Patrick estava inteiramente arrumado, vestindo calça jeans e uma camisa social escura,
Luan Silva RochaA noite já tinha tomado conta da mansão, e nós três continuávamos ali, enfileirados no corredor como sentinelas derrotados em frente à porta do quarto onde Bruna havia se trancado.Patrick estava sentado no chão, encostado na parede de um lado da porta. Caio ocupava o outro lado, com o terno todo amassado e a gravata frouxa no pescoço. Eu estava ajoelhado bem no centro, com a testa colada na madeira escura da porta, sussurrando apelos baixos para que a nossa mulher nos desse uma chance de explicar.— Coelhinha... Por favor, meu amor. Abre essa porta... — pedi mais uma vez, a voz rouca de tanto insistir. — Deixa a gente conversar com você.Nenhuma resposta. Nem o som de um passo, nem um fungado. O silêncio que vinha de dentro daquele quarto era pior do que qualquer grito ou discussão.Patrick foi o primeiro a perder a paciência com aquela agonia. Ele se levantou devagar, bufando pesado e passando as duas mãos pelos cabelos desgrenhados.— Para mim já chega — declarou,
Caio Silva RochaEram cerca de quatro horas da tarde quando Luan e eu cruzamos a porta principal da mansão. O dia na Empresa tinha sido exaustivo, cheio de reuniões. Tudo o que eu queria era tirar o terno, tomar um banho e encontrar Bruna tranquila para me desligar dos problemas da empresa.Porém, no instante em que pisamos no hall de entrada, o ar da casa pareceu pesado, carregado de uma tensão quase sufocante.Caminhei até a sala de estar e dei de cara com Patrick. Ele estava sozinho, descalço, vestindo apenas a calça de ginástica, andando de um lado para o outro sobre o tapete com as duas mãos cravadas nos cabelos, visivelmente perturbado. Ele arfava pesado, com o olhar fixo no chão, parecendo um bicho enjaulado.— O que aconteceu, Patrick? — perguntei no mesmo segundo, desabotoando o paletó e franzindo o cenho.Luan veio logo atrás de mim, ajeitando o relógio no pulso e parando ao meu lado.— Cadê a Bruna? — questionou, o tom de voz subindo imediatamente em alerta. — Aconteceu alg
Patrick Silva Rocha Enquanto segurava Bruna contra o meu peito no meio daquela rua, senti uma pontada cortante no coração. Ver a minha mulher desmoronar, banhada em lágrimas por ter a sua honra atacada por pessoas medíocres, me destruía por dentro. O único erro dela foi nos amar, aceitar três homens, só por isso o mundo insistia em lhe condenar. Beijei o topo da sua cabeça com carinho, sentindo o perfume doce dos seus cabelos, e murmurei: — Fica calma, minha coelhinha... Por favor, não chore. Eu vou resolver isso, juro que vou. Bruna desfez o abraço devagar. Ela deu dois passos para trás, limpando as bochechas com as costas das mãos tremendo, e olhou para mim com os olhos azuis marejados e cheios de dor. — Resolver como, Patrick? — perguntou, a voz falhando pelo choro. — Como você vai fazer essas pessoas pararem de me olhar como se eu fosse uma vagabunda? Ajustei a postura, buscando uma solução rápida para arrancar aquela angústia do peito dela. — Talvez a gente deva ir embora
Bruna Marques Caminhar ao lado de Patrick sob a brisa suave da manhã parecia a cena perfeita de uma vida tranquila. No entanto, bastou cruzarmos as portas de vidro da academia do condomínio para que o peso do mundo real desabasse sobre as minhas costas novamente. Assim que pisamos no recinto, o burburinho habitual de halteres batendo e esteiras funcionando pareceu perder o volume. Sentia o olhar de várias pessoas cravando-se em nós no mesmo segundo. O falatório baixo e os cochichos disfarçados pelos cantos não eram imaginação minha, a notícia sobre o meu relacionamento com os três irmãos Silva Rocha já tinha se espalhado por todo o condomínio como um rastro de pólvora. — Não liga para eles, coelhinha — murmurou Patrick perto do meu ouvido, apertando minha mão com um pouco mais de força para me transmitir segurança. — Foca no seu treino. Respirei fundo e inclinei a cabeça, tentando ignorar os rostos curiosos e os julgamentos estampados nos olhares das vizinhas e dos frequentadores.
Patrick Silva Rocha Estava sentado no sofá da sala, olhando para a escada, esperando Bruna terminar de se trocar para irmos à academia do condomínio. Um mês havia se passado desde que descobrimos toda aquela sujeira. Um mês em que os dias se misturaram entre reuniões intermináveis, papéis empilhados e telefonemas a qualquer hora. A casa estava silenciosa, Bruna e eu estávamos sozinhos na casa aquela manhã. Caio e Luan já tinham saído cedo para a empresa, desde aquele escândalo de fraude, decidimos que iríamos todos os dias, ficávamos de três a quatro horas lá, acompanhando de perto os relatórios, as auditorias e as movimentações financeiras. Era nosso dever defender o nosso império; não íamos deixar nenhum filho da puta nos passar a perna de novo. Enquanto aguardava no silêncio da sala, o som vibrante do meu celular sobre a mesa de centro cortou meus pensamentos. Estiquei o braço, peguei o aparelho e vi na tela a notificação de uma mensagem vinda de um número desconhecido. Franzi







