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Capítulo 3

last update publish date: 2026-09-12 09:08:52

Sebastian Callahan

Ser o CEO da Callahan Global Investimentos pode parecer um cargo intimidador para alguns. Afinal, carregar a responsabilidade de cuidar do dinheiro de milhares e milhares de investidores não é para qualquer um.

Menos para mim.

Nasci para esse mundo. Essa é a adrenalina que me preenche por inteiro.

Desde moleque, eu vinha com o meu pai para a empresa que meu avô criou do zero e que hoje está sob meu comando.

Fui preparado para isso. Para ser o melhor e levar a nossa empresa ao topo, onde estamos desde que assumi o controle de tudo.

Muitos me chamam de Rei da Bolsa de Valores. Outros, de máquina de fazer dinheiro.

O fato é que todos querem investir na Callahan Global Investimentos, porque sabem que, comigo, o lucro é certo.

Já deixei muitos homens ricos e, claro, elevei o patrimônio da família Callahan à casa dos trilhões.

E não pretendo parar por aí.

Mas todo esse sucesso nos negócios tem o seu preço.

O meu foi ser abandonado pela mulher que eu amava.

Ela terminou o nosso relacionamento às vésperas do casamento que planejamos por meses, alegando que não queria ter um futuro ao lado de um homem ausente, que só vivia para o trabalho e nunca tinha tempo para ela.

Não a julgo por isso.

Ela estava certa.

Sou mesmo viciado em trabalho.

Mas isso não significa que doeu menos.

Mesmo hoje, quatro anos depois, ainda não consegui voltar a me abrir para ninguém.

Primeiro, porque não tenho tempo para relacionamentos. Segundo, porque não quero. E terceiro, porque, depois do que aconteceu, prefiro relações casuais.

É claro que, de vez em quando, ainda tenho uma recaída com Celina.

Não acontece com frequência, mas acontece.

Talvez porque, apesar de tudo, uma parte de mim ainda esteja presa ao que tivemos. Ou talvez seja apenas a familiaridade de alguém que conheço há anos e com quem, por muito tempo, imaginei que passaria o resto da minha vida.

Mas nunca passa disso.

Uma recaída. Uma noite. E cada um segue o seu caminho.

O bom do sexo sem compromisso é justamente isso: no dia seguinte, cada um segue o seu caminho.

Quer dizer...

Às vezes, alguma coisa dá muito errado e a mulher em questão acha que pode ter algo a mais comigo.

É exatamente isso que está acontecendo agora.

A modelo com quem dormi na noite passada não deu o fora assim que acordou.

Mesmo eu dizendo com todas as letras que não ia rolar mais nada e que ela precisava ir embora, pois tenho que trabalhar, ela continua aqui.

A loira está nua, deitada na cama como se não tivesse pressa nenhuma de sair dali, enquanto eu já estou de banho tomado e pronto para dar o fora.

Sebastian — Foi um prazer te conhecer e...

Tento puxar pela memória o nome dela, mas não consigo me lembrar.

Na verdade, acho que nem perguntei. Ou, se perguntei, não prestei atenção à resposta.

— Angelina — ela fala, parecendo nada satisfeita com o fato de eu não saber o seu nome.

Ótimo.

Quem sabe assim ela se toque de que foi só uma trepada e vá embora.

Sebastian — Então, como eu ia dizendo... Foi um prazer te conhecer, Angelina. A noite foi ótima, mas agora eu tenho mesmo que ir.

Angelina — Se foi um prazer, então por que não continuarmos a nos divertir?

Fala toda insinuante, deslizando o lençol que cobria sua intimidade, a única parte que, até então, estava oculta dos meus olhos.

Sebastian — Porque sou um homem muito ocupado. Preciso ir trabalhar. O quarto já está pago e deixei dinheiro para o táxi em cima da mesinha de cabeceira.

Respondo de forma fria e me viro para ir embora.

Angelina — Ei, espera.

Pede, fazendo-me olhar para trás.

Sebastian — O que foi? Precisa de mais dinheiro?

Angelina — Claro que não. Não sou prostituta.

Sua voz soa ofendida, mas não me importo. Já estou sem paciência para lidar com ela.

Angelina — Só ia te passar o meu número para marcarmos de sair novamente.

Arqueio uma sobrancelha, sem acreditar que ela está mesmo pensando que vou transar com ela novamente.

Estou fora desse tipo grudento.

Sebastian — Desculpe, não estou interessado.

Falo e finalmente saio do quarto, sem conseguir segurar o sorriso ao ouvi-la me xingando lá dentro.

Angelina — Idiota arrogante!

No corredor, encontro Brandon, meu melhor amigo e chefe do setor de RH da Callahan Global Investimentos, também saindo de um quarto.

Os olhos dele parecem cansados e seus cabelos estão uma bagunça. Acho que nem sequer tomou um banho antes de sair.

Ele me olha e me lança aquele sorriso cafajeste de quem está acostumado a partir corações por onde passa.

O cara não presta. Vive iludindo um monte de mulher. Se eu sou mulherengo, ele é três vezes pior.

Nem as casadas escapam da lábia dele.

Brandon — Deixa eu adivinhar... Garota grudenta?

Pergunta, e eu assinto.

Sebastian — Ela queria me passar o número dela para marcarmos de sair novamente.

Brandon — É por isso que eu saio antes delas acordarem, para evitar esse tipo de drama.

Sebastian — E é por isso que você é o solteiro mais odiado de Chicago.

Brandon — Elas me odeiam, mas sempre voltam.

Sebastian — Tô fora de repetir transa.

Falo, já começando a caminhar com ele ao meu lado.

Brandon — Se a transa for boa, não vejo por que não repetir a dose.

Sebastian — Porque aí elas vão achar que podem ter algo a mais.

Brandon — Esse é um risco que corremos.

Diz sem parecer se importar.

Já eu me importo.

E muito.

Sebastian — Estou indo para a empresa. Vem comigo?

Brandon — Preciso passar em casa e tomar um banho antes de ir trabalhar.

Fala, apontando para o próprio estado.

Uma coisa sobre mim e Brandon é que nós nunca levamos uma foda para a nossa casa.

Pois é, moramos juntos desde a faculdade.

Muitos podem achar estranho, já que sou trilionário e Brandon é bem-sucedido o suficiente para ter sua própria mansão com o salário que ganha, mas nenhum de nós gosta de estar sozinho.

A mãe dele mora em outro estado com o padrasto, e eu não suportaria morar com a minha família.

Meu pai parece ainda não ter entendido que sou eu quem comando a empresa e quer sempre dar um palpite na forma como administro tudo.

E minha mãe, toda vez que me vê, fala que preciso me casar e produzir um herdeiro.

Na verdade, ela quer mesmo é um netinho para mimar.

Eu os amo, mas realmente não me vejo morando com eles.

Sebastian — Tudo bem. A gente se vê na empresa.

Ele concorda, e nos separamos quando chegamos ao estacionamento.

Conheci Brandon no meu primeiro ano de faculdade.

O idiota é dois anos mais novo que eu, mas possui uma mente superdotada e pulou dois anos na escola, entrando adiantado na melhor faculdade do país.

Fomos colegas de quarto e, depois, alugamos um apartamento.

Quando chegou a formatura, eu já tinha certeza de que tinha ganhado um irmão para toda a vida.

No escritório, entro como todos os dias, sem falar com ninguém.

Nunca tive paciência para essa coisa de socializar, e todos os meus funcionários sabem disso. Tanto é que ninguém tenta se aproximar nem me bajular.

Só vejo Brandon no final do expediente, quando ele vem até a minha sala.

Brandon — Vim ver se topa tomar alguns drinks. Amanhã é sábado, podemos curtir um pouco.

Sebastian — Você disse a mesma coisa ontem. Só mudou o dia.

Brandon — Hoje vai ser só uns drinks, prometo. Nada de mulheres. Tenho aquela reunião amanhã cedo.

Sebastian — Tudo bem. A gente aproveita e já come alguma coisa. Nossa cozinheira ainda está de férias.

Brandon — Bem lembrado.

Saímos da empresa, e cada um vai no próprio carro até o restaurante.

Lá, encontramos alguns amigos, nosso antigo grupo da faculdade. Esse é o nosso ponto de encontro às sextas-feiras.

Posso ser o dono da maior empresa de finanças do mundo e ganhar rios de dinheiro todos os dias, mas curto a simplicidade e abomino a falsidade da alta sociedade da qual faço parte.

Prefiro mil vezes estar em lugares assim do que em jantares de gala.

Como combinado, Brandon e eu não fomos até muito tarde no restaurante e nem garantimos uma transa para a noite.

O senso de responsabilidade falou mais alto, e fomos embora direto para casa.

Na manhã seguinte, estou tomando café quando Brandon desce apressado.

Brandon — A droga do meu despertador não tocou. Estou muito atrasado.

Sebastian — Eu estou de boa. Só tenho que estar na empresa às dez.

Brandon — Nada como os benefícios de ser o chefe, hein?

Comenta de brincadeira e se serve de uma xícara de café sem nem se sentar.

O celular dele escolhe justo esse momento para tocar, e Brandon o pega meio que no automático.

Quando olha para a tela do aparelho, seu rosto se franze.

Brandon — Droga, como eu não vi isso ontem? Há milhares de ligações e mensagens da Agnes.

Fala, parecendo preocupado, e se afasta para atender à ligação.

Quando volta, reconheço pelo seu olhar que ele está puto e, ao mesmo tempo, preocupado com alguma coisa que deve ser muito séria.

Brandon — Preciso de um favor seu.

Sebastian — Do que precisa?

Brandon — Que vá agora mesmo à rodoviária buscar a minha irmã...

Franzo a testa.

Não faço ideia do que está acontecendo, mas, pelo estado de Brandon, sei que aquela manhã está prestes a ficar muito mais complicada.

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