로그인Luna Smith
Caleb — Repete para mim o que acabou de dizer. Meu pai pede, e posso sentir a fúria emanando de seu corpo. O pastor Caleb nunca gostou de ser contrariado. Aprendi isso desde muito nova. Apanhei o suficiente dele para saber que não devia desobedecê-lo. Mas, dessa vez, as coisas seriam diferentes. Não haveria surra que me fizesse ceder. Eu não aceitaria ser vendida por ele. Levanto-me e olho no fundo dos seus olhos. Luna — Eu disse que não vou me... O tapa em meu rosto vem tão forte que caio de volta no sofá. Sinto minha bochecha queimar e o sangue escorrer pelo lábio inferior, por causa do corte que se abriu ali. Tia Agnes dá um grito e tenta vir ao meu socorro, mas meu pai a empurra para longe e me segura pelo pescoço, apertando com força. Caleb — Você não escolhe aqui, sua inútil. Vai se casar com o reverendo Marverick porque estou mandando! Fala com raiva, deixando a saliva escapar da boca. Mas eu não abaixo a cabeça. Mesmo apavorada e sabendo o que vem a seguir, movo a cabeça em negação. Dessa vez, não é uma bofetada que recebo. Ele fecha o punho e dá dois socos em meu rosto. Minha visão embaça e, por um momento, penso que vou desmaiar, mas o impacto do meu corpo sendo jogado contra o piso recém-polido me faz recuperar os sentidos. Caleb — Você-vai-me-obedecer! Fala pausadamente enquanto me chuta no chão. Agnes — Pelo amor de Deus, pastor Caleb, pare com isso! Vai acabar matando a minha menina. Tia Agnes se j**a na minha frente, desesperada. Caleb — Era isso mesmo que eu devia fazer com essa ingrata. Eu cuidei dela, dei a ela uma vida cercada de luxo e privilégios, e é assim que ela me paga? Se negando a casar com o noivo que eu escolhi para ela? Me desobedecendo? Quero abrir a boca para jogar na cara dele que todo o luxo em que fui criada era fruto do desvio de dinheiro. Que ele roubava os seus fiéis. Quero perguntar que privilégio havia em ter crescido enclausurada, sendo privada de ter uma vida normal e de conviver com pessoas da minha idade. Mas estou tão machucada que não consigo dizer nada. Só gemo de dor. Agnes — Ela vai obedecer, senhor. Minha menina só está assim porque foi pega de surpresa! Caleb — Ah, mas ela vai obedecer mesmo. Isso não está em discussão. A Luna devia estar feliz, pois vai se casar com o melhor partido da nossa comunidade. Todos os pastores de todas as congregações estão nos invejando neste momento. Ela não vai nos envergonhar. Tudo já foi acertado. Agnes — Sim, pastor. Será tudo como o senhor quer. Sei que tia Agnes só está falando aquilo da boca para fora. Ela está apenas tentando impedir que meu pai continue me espancando. Mas eu não me importo. Prefiro morrer espancada por ele a me casar com um velho depravado que tem idade para ser o meu avô. Caleb — Leve a Luna para o quarto e cuide desses ferimentos. Não quero que fique nenhuma cicatriz. Ela precisa estar perfeita para o casamento daqui a uma semana. Tia Agnes assente e me ajuda a levantar, enquanto meu pai se afasta, indo em direção ao seu escritório, como se não tivesse acabado de bater na própria filha até ela quase perder os sentidos. Agnes — Maldito covarde. A mulher que foi uma mãe para mim durante toda a minha vida sussurra enquanto me ajuda a subir as escadas para o meu quarto. Luna — Tia, eu não posso me casar com o reverendo Marverick. Ele é um velho pervertido que tem mais que o dobro da minha idade! Falo desesperada enquanto ela cuida dos machucados em meu rosto. As lágrimas que segurei durante toda a noite finalmente caem livremente. Agnes — Eu sei, minha menina. Eu sei. Responde, me olhando com pesar. Luna — O que eu faço? Pergunto, me sentindo em um beco sem saída. Agnes — Você foge! Ela fala com tanta convicção que até mesmo levanto o olhar para encará-la, sem acreditar no que tinha acabado de ouvir. Agnes — O quê? Não me olhe assim. Já passou da hora de você se libertar do domínio do seu pai. Você já tem dezoito anos. Ele não pode te obrigar a fazer nada contra a sua vontade. Luna — Fugir? Mas para onde eu iria? Minha mãe tinha morrido no meu parto e, até onde eu sei, não tinha família. Meu pai a conheceu no orfanato da cidade, em uma de suas visitas benevolentes. E com meus avós paternos eu não podia contar. Eles apoiavam tudo o que meu pai fazia. Agnes — Para Chicago, para viver com seu irmão mais velho. Antes de conhecer a minha mãe, meu pai já tinha sido casado e teve um filho com a primeira esposa, mas ela não aguentou os maus-tratos dele e fugiu de Richmond, levando o bebê com ela e sendo acolhida pela família dela. Brandon é o nome do meu meio-irmão. Ele deve ter uns vinte e seis anos agora. Durante a minha infância, lembro-me de ele nos visitar algumas vezes, mas nunca se deu bem com o nosso pai. Os dois sempre discutiam quando ele estava aqui. Mas comigo Brandon sempre foi gentil e carinhoso. O problema é que já faz uns oito anos que não o vejo e nem sei se ele quer algum contato comigo. Luna — Tia Agnes... O Brandon já deve ter se esquecido de mim. Ele nunca mais voltou a essa casa, e mesmo que se lembre, quem te garante que ele vai querer me ajudar? Agnes — Ele não voltou porque seu pai o proibiu de vir aqui e de ter qualquer contato com você depois que ele se negou a se tornar um pastor, seguindo a tradição da família. Mas o Brandon sempre me liga para ter notícias suas. Ele se preocupa com você. Luna — Isso... Isso... É mesmo verdade? Pergunto emocionada. Agnes — Sim, minha menina. Você não está sozinha no mundo. Seu irmão te ama. Luna — Mas como vou encontrá-lo? Chicago é uma cidade enorme. Seria impossível. Agnes — Não se preocupe. Eu já tenho tudo planejado. Vou te dar algum dinheiro. Você pega um ônibus e desce na rodoviária de Chicago. Vou ligar para o Brandon, contar tudo o que aconteceu e pedir para ele te pegar na rodoviária. Luna — Mas e se eu chegar lá e ele não tiver ido me buscar? Tia Agnes segura minhas mãos e as aperta sem me machucar, apenas o suficiente para demonstrar que estará ao meu lado sempre. Agnes — Aí você me liga que eu dou um jeito. O importante agora é te tirar dessa casa ainda esta noite. Seu pai não é bobo. A partir de amanhã, ele vai passar a te vigiar o tempo todo, e aí será quase impossível fugir. Ela tem razão. Tem que ser esta noite. É isso ou serei obrigada a me casar com o reverendo Marverick. Luna — Tudo bem. Vamos fazer isso... Naquela noite, eu precisava conseguir fugir de casa sem que meu pai desconfiasse. Se ele descobrisse antes que eu conseguisse escapar, em uma semana eu estaria diante do altar, sendo obrigada a me casar com o homem que mais me causava repulsa. E eu preferia morrer tentando fugir a passar o resto da minha vida ao lado dele.Sebastian CallahanLuna — Estou com medo.Fala, olhando para a bicicleta como se ela fosse um monstro ou algo do tipo.Sebastian — Sabe o que é legal em sentir medo?Pergunto.Luna — Não. O que pode ser legal no medo?Sebastian — Enfrentá-lo. Provar para si mesma que, mesmo com medo, você consegue seguir em frente e fazer.Luna — Mas...Sebastian — Não quer aprender a andar de bicicleta?Luna — É claro que quero.Sebastian — Então não vai deixar o medo te impedir, não mesmo?Vejo-a olhar para a bicicleta mais uma vez, respirar fundo e voltar a me encarar.Luna — Não, não vou.Finalmente, responde com uma determinação que não estava ali antes.Sorrio e assinto com a cabeça.Sebastian — Confia em mim?Luna — Confio.Sebastian — Então saiba que vou estar ao seu lado o tempo todo.Luna — Promete?Sebastian — Prometo.O sol da tarde cai sobre nós, e uma brisa leve, dando sinais de que o inverno está próximo, sopra sobre nossos rostos, tornando a atmosfera perfeita para aquele momento.Segu
Luna SmithAinda não acredito que amanhã vou começar a estudar artes.Vou aprender mais sobre o que amo fazer: desenhar.Quero poder pintar quadros, adquirir técnica e me tornar uma artista. Já começo até a sonhar que, um dia, poderei expor minhas obras.Por que não?Agora eu posso sonhar.Posso fazer planos e seguir o caminho que meu coração escolheu.Tudo isso é novo para mim, e ainda estou me acostumando com essa nova realidade. Mesmo que, às vezes, eu ainda sinta que estou presa ao meu pai e às correntes invisíveis que ele colocou sobre mim.Sei que não vou me libertar totalmente de um dia para o outro, mas, um passo de cada vez, chegarei lá.Só o fato de poder estudar já é uma das maiores vitórias que eu poderia ter.Estou tão feliz que, mesmo sabendo que, esta noite, Brandon e Sebastian voltarão mais tarde para casa, não me abalo.Vi os dois combinando de sair com os amigos depois do expediente, e Brandon acabou confirmando ao se despedir de mim.Apesar de detestar ficar sozinha
Sebastian CallahanDroga, o que eu acabei de fazer?Eu flertei com a irmãzinha do Brandon?Devo estar ficando maluco. Só pode ser isso.E por que as bochechas dela estão tão vermelhas? Será que ela percebeu o que fiz?Minha nossa, ela fica ainda mais linda assim, envergonhada.Caralho, preciso sair.É isso.Hoje à noite vou sair, transar com alguma desconhecida e liberar toda essa tensão acumulada dos últimos dias. É disso que preciso urgentemente.Desvio o olhar do rosto dela e termino de fritar os ovos e o bacon.A cozinha fica em um silêncio estranho que não estava ali antes, e me lembro do motivo pelo qual estava evitando Luna nos últimos dias: para evitar essa coisa estranha que ela me faz sentir e mostrar a Brandon que não estou interessado nela.Mas, porra, não posso fazer isso para sempre.Tenho que ajudá-la com a lista.Vou apenas cumprir minha promessa e depois me afastarei dela.É o melhor a fazer.Quando termino os ovos e o bacon, despejo tudo em uma travessa e a coloco so
Luna SmithComo acontece todos os dias, estou acordada pontualmente às cinco da manhã.Nunca imaginei que dormir até mais tarde fosse se tornar um item tão difícil de cumprir. Faz três semanas que estou tentando, mas nada. O sono simplesmente não vem, não importa o quanto eu tente ou insista em ficar deitada.Não consigo dormir novamente.Sempre acabo ficando entediada e me levantando antes de Brandon e Sebastian.Com isso, minha lista está parada, ainda com apenas dois itens riscados.Estava pensando em falar com Sebastian para me ensinar a andar de bicicleta. Esse é um dos itens que estou mais ansiosa para cumprir. Assim, poderei andar pelo condomínio todas as manhãs.Mas ele tem andado tão ocupado que, às vezes, penso até que está me evitando.Só não entendo o porquê.E Brandon está muito estranho há alguns dias. Sei lá, é como se estivesse escondendo alguma coisa de mim.Com um suspiro resignado, levanto-me e vou ao banheiro tomar um banho rápido.Meu corpo está suado.Tenho tido
Sebastian CallahanTalvez vir direto para a empresa depois de duas horas e meia de voo de Dallas até Chicago não tenha sido uma boa ideia, não depois de ter dormido tão pouco na noite passada.Aqueles malditos empresários bajuladores me seguraram até tarde naquele coquetel chato para caralho.Ao menos consegui cumprir minha missão: comprar a empresa na qual estava de olho há algum tempo e conquistar mais quatro clientes dispostos a deixar seu dinheiro nas minhas mãos para multiplicarem suas fortunas.De qualquer maneira, eu precisava vir para a empresa.Tinha duas reuniões agendadas para hoje e muito trabalho pendente.Mas saber disso não impedia o cansaço de me atingir com força. Minha cabeça doía e meu humor estava péssimo.Bufei irritado e levei as mãos à testa, massageando as têmporas na tentativa de aliviar a dor.É claro que não funcionou.Nesse momento, ouvi uma batida na porta e, logo em seguida, ela se abriu.Já sabia que era Brandon. Só ele tinha liberdade para entrar sem se
Luna SmithLista de coisas que sempre quis fazer:— Comer mais daqueles donuts de chocolate.— Assistir a um filme de terror. ✅️— Dormir até mais tarde.— Ter um celular.— Ouvir músicas que não são da igreja.— Escolher o que vou comer.— Tomar sorvete. ✅️— Ler um romance hot.— Tomar banho de chuva.— Sair sozinha pela primeira vez.— Aprender a andar de bicicleta.— Fazer uma amiga.— Cortar o cabelo.— Escolher minhas roupas.— Fazer um curso de pintura e arte.— Ir ao cinema.— Decorar o meu quarto.— Conhecer o mar.— Ir a uma festa.Brandon — Espera aí, já tem dois itens riscados dessa lista. Quando foi que você fez essas coisas?Meu irmão perguntou ao ler a lista pela primeira vez.Ele ainda não tinha visto.No domingo, tinha ido se arrumar para sair quando mostrei a lista para Sebastian. Na segunda, saiu atrasado para o trabalho e, na terça-feira, saiu antes das sete, pois tinha um café da manhã com alguns investidores.Só hoje, na quarta-feira, teve tempo para ficar comigo







