ログインA viagem até o Norte havia começado antes do amanhecer. Kael cavalgava à frente do pequeno grupo, acompanhado por Eliz e pelos guerreiros de Vorden que haviam se oferecido para ajudar. Atrás deles seguiam carroças carregadas de alimentos, remédios, tecidos, ferramentas e tudo aquilo que conseguiram reunir antes da partida. Theo havia ficado em Vorden. Junto com Briana, ele cuidaria dos feridos, da reconstrução e da segurança da alcateia enquanto Kael estivesse fora. Não era uma decisão fácil deixar Vorden naquele momento, mas Kael sabia que não poderia levar todos. E também sabia que precisava confiar naqueles que permaneciam. A guerra havia terminado. Agora começava algo que talvez fosse ainda mais difícil: reconstruir. Eliz cavalgava ao lado de Kael em silêncio. Desde que haviam deixado Vorden, ela observava a paisagem mudar lentamente. As árvores se tornavam mais densas, o vento mais frio e a estrada cada vez mais estreita. O Norte se aproximava. Ela nunca havia estado na
Mais tarde, Lycan e Darian seguiram para uma das antigas passagens secretas do castelo. A entrada ficava escondida atrás de uma parede de pedra próxima à biblioteca. Darian passou a mão pelas pedras. — Esta passagem foi usada durante o ataque? — A sobrevivente disse que estava escondida aqui. Lycan aproximou-se. — Então precisamos verificar. Darian encontrou o mecanismo escondido e pressionou uma das pedras. A parede se moveu lentamente, revelando um corredor estreito. O ar frio veio de dentro. Lycan acendeu uma tocha. Os dois entraram. Durante alguns metros, não havia nada além de poeira e pedras antigas. Então Darian parou. — Lycan. Ele apontou para o chão. Havia marcas recentes. Não eram pegadas claramente definidas, mas havia pequenas alterações na poeira acumulada sobre as pedras. Lycan se abaixou. Passou os dedos pelo chão. A poeira havia sido deslocada recentemente. — Alguém passou por aqui. Darian caminhou alguns metros adiante. — Mais de uma pessoa. Ly
Lycan passou o restante do dia tentando compreender o que aquela última testemunha havia contado. Um lobo havia acompanhado Serena. Não apenas entrado no castelo, mas guiado-a pelas passagens que poucos conheciam. Sabia onde ficavam os corredores internos, conhecia os caminhos escondidos e, principalmente, sabia que Lucy ainda estava no castelo. Quanto mais Lycan pensava nisso, mais difícil se tornava acreditar que Serena havia planejado tudo sozinha. O problema era que ele não sabia em quem confiar. Naquele momento, as únicas pessoas em quem realmente depositava confiança eram os guerreiros que haviam estado com ele em Vorden. Eles haviam lutado ao seu lado. Haviam visto o que acontecera durante a guerra. E, acima de tudo, não estavam no Norte quando Serena atacou. Todos os outros poderiam ter tido alguma participação. Talvez não fossem culpados. Talvez fossem apenas suspeitos. Mas Lycan não podia ignorar aquela possibilidade. No início da noite, ele se re
O Norte havia perdido o som da vida. Desde que Lycan retornara, o território parecia envolto por um silêncio pesado demais para ser natural. As crianças já não corriam pelos corredores, os guerreiros não treinavam no pátio e as conversas que antes preenchiam as casas haviam sido substituídas pelo murmúrio daqueles que tentavam reconstruir o que restara. Lycan caminhava entre as ruínas acompanhado por Darian, observando cada detalhe enquanto tentava reconstruir mentalmente os acontecimentos do ataque. Quanto mais procurava respostas, porém, mais perguntas surgiam. Serena conhecia o Norte. Sabia onde ficavam as famílias, conhecia os horários das patrulhas e sabia exatamente quando Lycan estava longe. Acima de tudo, havia encontrado Lucy. Aquilo não podia ser apenas coincidência. — Precisamos descobrir como ela entrou — disse Lycan. Darian observou os portões destruídos. — Os portões estavam abertos quando chegamos. — Exatamente. Lycan parou diante da entrada principal do cast
O Norte nunca havia parecido tão silencioso. Lycan caminhava pelo território destruído observando cada detalhe ao redor. As casas queimadas. As paredes quebradas. As portas arrancadas das dobradiças. Os lugares onde, poucos dias antes, havia crianças correndo, famílias conversando e guerreiros cumprindo seus turnos. Agora restavam apenas ruínas. O cheiro de fumaça ainda permanecia no ar. E, em algum lugar daquele silêncio, estava a ausência de Lucy. Lycan apertou os dentes. Não podia permitir que a dor o impedisse de pensar. Precisava descobrir o que havia acontecido. Precisava entender Serena. E precisava saber por que ela havia escolhido aquele momento para atacar. — Quero falar com todos os sobreviventes — ordenou. Darian, que estava ao seu lado, assentiu. — Já reuni alguns na antiga sala de armazenamento. É uma das poucas construções que permaneceram intactas. Lycan seguiu até lá. Quando entrou, encontrou homens e mulheres sentados ou deitados. Alguns estavam fer
Serena Durante muito tempo, Serena acreditou que a dor diminuiria. No início, pensou que o tempo faria seu trabalho. Meses se transformariam em anos. As lembranças perderiam a força. O rosto da irmã deixaria de aparecer em seus sonhos. O vazio deixaria de parecer uma ferida aberta. Mas nada disso aconteceu. A dor apenas aprendeu a ficar em silêncio. Serena ainda se lembrava do dia em que sua irmã morreu. Ela se lembrava do vestido. Do cheiro das flores. Do choro da família. E, acima de tudo, lembrava-se de Lycan. O homem que deveria ter protegido sua irmã. O homem que havia sido seu companheiro. O Alfa que, para Serena, não tinha apenas perdido uma esposa. Ele havia destruído uma família inteira. — Você deveria ter salvado ela... — Serena murmurou diante do espelho. Anos haviam passado. Mas aquelas palavras continuavam vivas dentro dela. Serena era a irmã mais velha da sexta esposa de Lycan. E, desde a morte dela, havia carregado uma certeza dentro do peito: Lyc







