INICIAR SESIÓNContinuação.
E então, do nada, ele segurou minha mão com força e me puxou. Saímos apressados, atravessando o salão, entrando no elevador antes que eu pudesse entender o que estava acontecendo. — O que foi? — tentei perguntar, mas ele não respondeu. O elevador abriu e saímos quase correndo por um corredor longo, repleto de portas idênticas. Meus passos tropeçavam nos dele. Meu coração batia rápido demais, como se algo estivesse errado muito antes de eu conseguir entender o quê. De repente, ele me puxou para um canto. Nossos corpos ficaram colados, o ar preso entre nós. Ele virou o rosto, atento, observando o outro lado do corredor. Tentei acompanhar seu olhar. Foi quando vi. Três silhuetas avançavam na penumbra. Homens. Armados. O desespero me atravessou inteira. Ele levou um dedo aos meus lábios antes que qualquer som escapasse. O toque foi firme, uma ordem muda. Minha respiração falhou na hora — e não foi só pelo medo. Meu corpo reagiu de um jeito estranho, sensível demais àquele simples contato. Seu corpo se colocou levemente à frente do meu, como um escudo. Eu sentia o calor dele, o peito subindo e descendo controlado demais para alguém naquela situação. Ele não estava nervoso. Estava alerta. Preparado. Os passos se aproximavam. Lentos. Calculados. O leve roçar de metal denunciava as armas. Meu estômago se contraiu. As paredes pareciam se fechar. Ele tentou a porta atrás de nós. Trancada. Praguejou baixo, numa língua que eu não reconhecia. Os homens pararam a poucos metros. Uma voz grave murmurou algo. Meu corpo começou a tremer sem que eu conseguisse controlar. Ele percebeu. Sem me olhar, segurou minha cintura e me puxou ainda mais para perto, pressionando minhas costas contra a parede. Seu rosto se inclinou até meu ouvido. — Não faz barulho — sussurrou. A voz baixa, firme… perigosa. Meu coração batia tão alto que eu tinha certeza de que eles podiam ouvir. E então tudo explodiu. O primeiro disparo foi quase silencioso. Um sopro seco. Um corpo caiu. O segundo mal teve tempo de reagir. O terceiro atirou às cegas, o barulho ecoando pelo corredor. Ele me jogou atrás de uma coluna. — Fica abaixada. O cheiro de pólvora, o gosto metálico no ar, minhas mãos tremendo. Mais um disparo abafado. Depois… silêncio. Pesado. Aterrador. Um homem surgiu do nada e o agarrou por trás. Sem pensar, tirei o salto e bati com força na cabeça dele. O corpo caiu, sangrando. — Meu Deus… — sussurrei, horrorizada. Ele riu baixo. Me empurrou para dentro de um quarto. — Muito bem. Colocou a arma sobre a mesa, serviu whisky, virou o copo de uma vez. Afrouxou a gravata como se tivesse acabado de sair de uma reunião comum. — Como você consegue estar calmo? — perguntei, sentindo o choque finalmente me alcançar. — Isso vai ser resolvido — respondeu. — Quando sairmos, não haverá nada lá fora. Me estendeu o copo. — Beba comigo, Rosa Negra. Sentei. Minhas mãos estavam frias, mas meu corpo… quente demais. O álcool desceu queimando, e quase imediatamente algo mudou. Não era só tontura. Era um calor lento, profundo, se espalhando por dentro, deixando minha pele sensível, minha respiração errada. Como se meu corpo estivesse sendo acordado à força. Ele também suava. Passava a mão pelo rosto. O olhar preso em mim tempo demais. Não era permitido perguntar sobre clientes. Regra de Estela. Mas havia algo muito errado. Levantei rápido. — Eu não estou me sentindo bem… preciso ir ao toalete. No espelho, quase não me reconheci. Pupilas dilatadas. Respiração irregular. A pele quente, a cabeça leve demais. Não era só álcool. Abri a porta. Ele estava ali. Fui puxada contra a parede. O beijo veio forte — urgente — e ainda assim carregado de tensão, como se ele estivesse lutando contra si mesmo. Meu corpo respondeu imediatamente, traindo tudo o que eu tentava ser. Era meu primeiro beijo. E meu corpo reagia como se soubesse exatamente o que fazer. Ele se afastou um pouco, ofegante. — Isso não é normal — disse. — Aquela bebida… — Eu sei — respondi, tentando recuperar o ar. — A gente… a gente devia parar. O zíper do meu vestido desceu até a metade… e parou. Ele parou. De verdade. Deu um passo atrás, respirando fundo. — É melhor parar agora — disse. — Antes que… — Eu nunca… — comecei, a voz falhando. O silêncio entre nós era insuportável. Meu corpo ardia. Minha mente gritava. Ele assentiu. — Então não. Virou o rosto, como se estivesse se obrigando a ir embora. Foi aí que eu perdi o controle. Antes que pudesse pensar, agarrei a camisa dele e o puxei para mim. O beijo veio desesperado, faminto, como se algo dentro de mim tivesse finalmente se rompido. — Não… — murmurei contra a boca dele, sem soltá-lo. — Eu não consigo… Ele resistiu por um segundo. Só um. Depois, as mãos dele me seguraram com força, como se também tivesse chegado ao limite. — Isso não é você falando — disse, a voz rouca. — É a droga naquela bebida. — Eu sei — respondi, o corpo inteiro em chamas. — Mas eu não aguento mais lutar. Quando fomos para a cama, não foi delicado. Foi urgente. Necessário. Como se o mundo estivesse prestes a acabar. A luz se apagou. As máscaras caíram. Eu não vi seu rosto — e talvez fosse melhor assim. — Eu nunca… — tentei dizer outra vez. Ele parou, a testa encostada na minha. — Diz pra eu parar. Eu não disse. Meu corpo falou por mim. E quando finalmente cedi, não foi porque quis. Foi porque já não havia mais controle possível. A bebida queimava em minhas veias. O desejo tomava tudo. A razão tinha sido deixada para trás. E naquela noite, eu não escolhi. Eu me entreguei.Lis Narrando. A volta para a mansão dos Lucchese foi carregada de emoção. Ele estava de volta, e eu sentia, finalmente, que nossa vida seria feliz e sem guerras. Os pais de Saulo o abraçaram com fervor enquanto ele retomava seu posto como líder da família. — Eu sempre soube que você era a pessoa certa — Saulo disse, enquanto eu colocava o bebê para dormir. — Você colocou nossa casa em ordem e ainda me deu dois herdeiros. — Eu sabia que você voltaria! Todas as noites eu me deitava confiando que, um dia, você cruzaria aquela porta. — Eu sei... — Ele me abraçou por trás. — Estou de volta. Três meses se passaram voando. Eu deixara o posto de braço direito dos Mendonça, e Diego assumira meu lugar. Eu sabia que ele era capaz; agora, ele estava à frente dos negócios enquanto Maria e Paulo viajavam em lua de mel. Eu me sentia, enfim, preparada para ver minha mãe. Nervosa, cheguei à mansão dos Mendonça carregando meu bebê no colo e com Matias agarrado à minha saia. Assim que entrei no ja
Continuação. Outro menino, Saulo — Maria disse, com um sorriso fraco em meio ao cansaço. — Outro homenzinho forte como você. Matias agora tem um irmão. Eu olhei para o pequeno Lucchese nos braços da minha irmã. Ele era pequeno, mas o choro era vigoroso. A sensação de ver Maria ali, cuidando da minha esposa e do meu filho enquanto eu estava "morto", me deu um nó na garganta. — Obrigado, minha irmã — murmurei, tocando a mão dela por um segundo antes de olhar para Lis. — Se não fosse por você... — Não me agradeça agora — Maria me cortou, recuperando a postura firme que herdamos do nosso pai. — Lis está apenas exausta. O parto foi brutal, Saulo. Ela lutou como uma leoa. O desmaio é o corpo dela pedindo trégua, nada mais. Ela vai acordar e vai querer ver você. Eu beijei a testa de Lis, que dormia um sono pesado, e depois encostei meu dedo na mãozinha do meu novo filho. Lis Narrando. Eu estava sonhando. Pelo menos foi o que pensei quando abri os olhos lentamente. Tudo parecia
Uma semana se passou. Cada passo que eu dava era acompanhado por uma dor latente e uma claudicação persistente. Minha perna nunca mais seria a mesma; aquela era a marca eterna da minha guerra com Magnus, um lembrete físico de que o inferno tinha deixado cicatrizes. — Silas, não tem nenhum celular por aqui? Alguma forma de comunicação? — perguntei, observando o velho organizar algumas ferramentas. — Aqui no vale não pega nada, meu jovem. Só na cidade, lá no alto, onde o sinal alcança. Eu vou para lá agora buscar alguns suprimentos, se quiser, pode vir comigo. No momento da partida, vi Magnus parado perto do cercado, acenando para nós com aquele olhar vazio e pacífico. O ódio subiu pela minha garganta. Era humilhante vê-lo ali, "esquecido" de suas atrocidades, vivendo uma vida simples enquanto eu carregava o peso de tudo o que ele destruiu. Mas eu tinha uma promessa a cumprir com Elara. Virei o rosto e subi na carroça. Assim que chegamos à pequena cidade, a primeira coisa que fi
O ranger das tábuas da varanda me tirou dos meus devaneios sobre Lis. Eu não estava sozinho. Elara estava ali, envolta em um xale pesado, com os olhos refletindo a luz pálida da lua. Ela não parecia surpresa em me ver de pé, nem com o meu olhar de ódio voltado para o canto onde Magnus dormia. — Você se lembrou, não foi? — a voz dela era um sussurro quebrantado. Eu não respondi de imediato. Apenas apertei o cajado com mais força. — Meu pai... ele é um homem de muita fé, Saulo. Ele acredita na vida acima de tudo — ela continuou, aproximando-se do parapeito. — Mas eu não sou cega. Quando os tiramos do rio, vocês não tinham apenas ossos quebrados. Vocês dois tinham ferimentos de bala. Um no ombro dele, outro perto da sua costela. Parecia que tinham tentado se matar antes mesmo da queda. Ela parou ao meu lado, e vi o brilho das lágrimas escorrendo pelo seu rosto. — Eu sei que vocês eram inimigos. Sei que o que quer que tenha acontecido naquele rio foi o fim de uma guerra sangrent
O cansaço físico finalmente venceu minha guarda alta, e eu apaguei. Mas o sono não trouxe descanso, trouxe fantasmas. No sonho, o cheiro de mofo da cabana deu lugar ao perfume de jasmim que ela sempre usava. Lis estava lá, com aquele sorriso que iluminava até os meus dias mais sombrios. Ela tocava meu rosto, e o calor da sua mão parecia tão real que meu coração disparou. — Saulo... — ela sussurrou, a voz suave como a brisa de um fim de tarde. — Você precisa voltar. Eu tentava alcançá-la, mas minhas pernas pesavam como chumbo. Ela começou a se afastar, envolta em uma névoa fria, e o desespero tomou conta de mim. A saudade apertou meu peito de uma forma tão violenta que eu acordei num sobressalto, com o nome dela preso na garganta. A cabana estava silenciosa, apenas o som da respiração pesada de Magnus no canto oposto e o estalar baixo das brasas na lareira. Olhei para o teto, sentindo uma lágrima solitária escorrer. Onde ela estaria agora? Será que ela pensava que eu estava mor
Saulo.. Meus olhos estavam pesados, mas fui recobrando a consciência aos poucos. O cheiro de mofo misturava-se a um bafo de ar quente próximo a mim. Tentar abrir as pálpebras parecia um sacrifício cruel; minha cabeça latejava e a garganta estava tão seca que acabei tossindo. Quando finalmente venci a resistência e abri os olhos, senti mãos tocarem as minhas e uma voz exclamar: — Ele acordou! A primeira visão foi a de um teto simples, de madeira. Olhei ao redor e vi um senhor e uma jovem. — Quem são vocês? — perguntei, tentando me levantar no impulso. — Calma, você não pode se mexer assim. Passou muito tempo dormindo — a moça me ajudou com cuidado e logo gritou: — Pai! Ele está bem! Olhei para a porta e, para minha surpresa, Magnus apareceu atrás do velho. Fiquei alerta instantaneamente. — Pensei que você não voltaria. Passou nove meses em coma — explicou o senhor. — Além da perna quebrada, você teve uma fratura no crânio. Esse aqui também estava com você quando os achamos







