LOGIN— O quê? — Damian perguntou, com uma hostilidade impossível de esconder.Caetano não pareceu se importar com a hostilidade na voz do neto. Pelo contrário, continuou sentado com a mesma tranquilidade, como se já esperasse aquela reação e tivesse preparado suas respostas antes mesmo de chegar à mansão.— A nossa relação com os Castellano é delicada. E, depois dos últimos acontecimentos, será importante esclarecer que tudo não passou de um mal-entendido. Portanto, vocês dois estarão presentes nesse jantar.— Nós não iremos a esse jantar — Damian declarou, encarando o avô.Caetano voltou a encarar o neto, sem se deixar abalar, como se já esperava aquela reação, e continuou.— A relação com os Castellano foi construída com muito esforço, e você sabe disso. Não podemos permitir que mal-entendidos destruam uma parceria de tantos anos.Damian fechou os punhos sobre os braços da cadeira.Mal-entendido? Aquele médico havia ajudado Serafina a fugir. E claramente desejava sua mulher. Não havia m
— Vou providenciar pessoalmente sua saída do país. Assim, você não precisará correr riscos nem será rastreada. E... Poderá viver longe de tudo isso.Serafina permaneceu imóvel, tentando assimilar aquelas palavras. Ele realmente pretendia deixá-la ir embora?Assim, de repente?Damian continuou a encarando, buscando sua ração, depois de dizer aquelas palavras que tanto lhe custaram a pronunciar. Havia passado os últimos dias pensando no que deveria fazer, dividido entre o desejo de mantê-la ao seu lado e a consciência de que não podia continuar prendendo-a a um casamento que ela já não queria. Por isso, finalmente decidiu oferecer-lhe a liberdade que ela tanto almejava, mesmo sem saber se seria capaz de suportar as consequências daquela escolha.Agora, esperava pela resposta dela, embora temesse ouvir qualquer coisa que confirmasse que Serafina estava apenas esperando por aquela oportunidade para desaparecer de sua vida. Não queria admitir, nem mesmo para si próprio, o quanto o assus
Dorian estava parado diante da grande janela de seu quarto na mansão dos Castellano, com o braço imobilizado em uma tipoia. Desde que recebera alta do hospital, havia sido praticamente obrigado a permanecer naquela propriedade por insistência de Domenico, que estabeleceu aquela condição como a única maneira de permitir que ele saísse do hospital mais cedo. Segundo o homem, Dorian precisava de cuidados constantes e não poderia se recuperar adequadamente se voltasse a viver sozinho.Embora não tivesse gostado da imposição, Dorian acabou cedendo, principalmente porque ainda sentia dores e não estava com vontade de iniciar uma briga. No entanto, isso não significava que estivesse disposto a se acomodar naquela casa.Durante aqueles dias, quase não saía do quarto. Fazia suas refeições ali, evitando qualquer contato desnecessário com os membros daquela família e, sobretudo, qualquer envolvimento que pudesse tornar sua situação ainda mais complicada. Nas poucas ocasiões em que decidia sair
Pela manhã, Serafina abriu os olhos lentamente e, mais uma vez, foi recebida por aquele aroma familiar que a aconchegava todas as manhãs.O cheiro de Damian.Era o mesmo aroma que se tornara seu favorito durante a gravidez, aquele que a acalmava, aliviava seus enjoos e amenizava o mal-estar que sentia. Naquela época, bastava tê-lo por perto para que se sentisse melhor, como se a presença dele fosse tudo de que precisava. Ela, e o bebê....Serafina virou o rosto para o outro lado da cama e encontrou o espaço vazio.Novamente.Ela permaneceu olhando para o lugar onde Damian deveria estar, tentando convencer a si mesma de que aquela distância era o melhor que podia acontecer.Já não havia motivos para os dois manterem a proximidade de antes. Tudo havia mudado, e ela não podia continuar permitindo que a presença dele despertasse sentimentos que só tornavam sua situação mais difícil.Serafina se sentou na cama, decidida a sair daquele quarto.Já estava ali havia dias, e suas tentativas de
Damian viu a empregada que fora deixar o jantar no quarto de Serafina, voltar com a bandeja do almoço ainda intacta.Ele encarou a comida por alguns instantes e suspirou.Nem café da manhã, nem almoço, e provavelmente nem o jantar.Ela não havia comido absolutamente nada desde que chegara. Estava tentando morrer de fome ou fazendo uma greve?Sem perder mais tempo, Damian seguiu para o elevador.Assim que chegou ao andar dos quartos, moveu a cadeira de rodas pelo corredor até parar diante da porta de Serafina. Bateu uma vez.Nenhuma resposta.Voltou a bater, dessa vez com um pouco mais de força.— Vou entrar — anunciou, aguardando alguns segundos antes de girar a maçaneta e abrir a porta.Ele já esperava aquele comportamento. Por isso, havia mandado desativar a trava da porta, garantindo que pudesse entrar caso ela se recusasse a abrir.Damian adentrou o quarto e encontrou Serafina sentada na cama, abraçada aos joelhos, com o olhar perdido na paisagem do lado de fora da janela.Ele mo
A expressão de Damian se fechou lentamente.— Mal se recuperou e já está preocupada com ele?— Me responda! Ele... Ele está vivo?Damian continuou a encará-la, sentindo um nó se formar em sua garganta.Ela havia fugido, o abandonado, e a primeira coisa que fazia ao acordar era demonstrar preocupação por aquele homem bem na sua frente?— Damian! — insistiu Serafina, e seu medo aumentava a cada segundo do silêncio dele. — Por favor, me diga que você não o matou.Damian jogou o guardanapo sobre a mesa.— E se eu tiver o matado?Serafina sentiu o peito apertar e o chão desaparecer sob seus pés.— Você vai chorar por ele na minha frente?Uma lágrima escorreu pelo rosto dela.— Não... Isso... Isso não pode ser.— É isso que acontece quando alguém se mete com a mulher de outro homem neste mundo. Eu o avisei mais de uma vez, mas ele ignorou todos os meus avisos. Ele é o único culpado pelo que aconteceu.— Não, não! — Serafina apoiou as mãos na mesa, sentindo as pernas falharem.Damian se move







