MasukDorian estava parado diante da grande janela de seu quarto na mansão dos Castellano, com o braço imobilizado em uma tipoia. Desde que recebera alta do hospital, havia sido praticamente obrigado a permanecer naquela propriedade por insistência de Domenico, que estabeleceu aquela condição como a única maneira de permitir que ele saísse do hospital mais cedo. Segundo o homem, Dorian precisava de cuidados constantes e não poderia se recuperar adequadamente se voltasse a viver sozinho.Embora não tivesse gostado da imposição, Dorian acabou cedendo, principalmente porque ainda sentia dores e não estava com vontade de iniciar uma briga. No entanto, isso não significava que estivesse disposto a se acomodar naquela casa.Durante aqueles dias, quase não saía do quarto. Fazia suas refeições ali, evitando qualquer contato desnecessário com os membros daquela família e, sobretudo, qualquer envolvimento que pudesse tornar sua situação ainda mais complicada. Nas poucas ocasiões em que decidia sair
Pela manhã, Serafina abriu os olhos lentamente e, mais uma vez, foi recebida por aquele aroma familiar que a aconchegava todas as manhãs.O cheiro de Damian.Era o mesmo aroma que se tornara seu favorito durante a gravidez, aquele que a acalmava, aliviava seus enjoos e amenizava o mal-estar que sentia. Naquela época, bastava tê-lo por perto para que se sentisse melhor, como se a presença dele fosse tudo de que precisava. Ela, e o bebê....Serafina virou o rosto para o outro lado da cama e encontrou o espaço vazio.Novamente.Ela permaneceu olhando para o lugar onde Damian deveria estar, tentando convencer a si mesma de que aquela distância era o melhor que podia acontecer.Já não havia motivos para os dois manterem a proximidade de antes. Tudo havia mudado, e ela não podia continuar permitindo que a presença dele despertasse sentimentos que só tornavam sua situação mais difícil.Serafina se sentou na cama, decidida a sair daquele quarto.Já estava ali havia dias, e suas tentativas de
Damian viu a empregada que fora deixar o jantar no quarto de Serafina, voltar com a bandeja do almoço ainda intacta.Ele encarou a comida por alguns instantes e suspirou.Nem café da manhã, nem almoço, e provavelmente nem o jantar.Ela não havia comido absolutamente nada desde que chegara. Estava tentando morrer de fome ou fazendo uma greve?Sem perder mais tempo, Damian seguiu para o elevador.Assim que chegou ao andar dos quartos, moveu a cadeira de rodas pelo corredor até parar diante da porta de Serafina. Bateu uma vez.Nenhuma resposta.Voltou a bater, dessa vez com um pouco mais de força.— Vou entrar — anunciou, aguardando alguns segundos antes de girar a maçaneta e abrir a porta.Ele já esperava aquele comportamento. Por isso, havia mandado desativar a trava da porta, garantindo que pudesse entrar caso ela se recusasse a abrir.Damian adentrou o quarto e encontrou Serafina sentada na cama, abraçada aos joelhos, com o olhar perdido na paisagem do lado de fora da janela.Ele mo
A expressão de Damian se fechou lentamente.— Mal se recuperou e já está preocupada com ele?— Me responda! Ele... Ele está vivo?Damian continuou a encará-la, sentindo um nó se formar em sua garganta.Ela havia fugido, o abandonado, e a primeira coisa que fazia ao acordar era demonstrar preocupação por aquele homem bem na sua frente?— Damian! — insistiu Serafina, e seu medo aumentava a cada segundo do silêncio dele. — Por favor, me diga que você não o matou.Damian jogou o guardanapo sobre a mesa.— E se eu tiver o matado?Serafina sentiu o peito apertar e o chão desaparecer sob seus pés.— Você vai chorar por ele na minha frente?Uma lágrima escorreu pelo rosto dela.— Não... Isso... Isso não pode ser.— É isso que acontece quando alguém se mete com a mulher de outro homem neste mundo. Eu o avisei mais de uma vez, mas ele ignorou todos os meus avisos. Ele é o único culpado pelo que aconteceu.— Não, não! — Serafina apoiou as mãos na mesa, sentindo as pernas falharem.Damian se move
O médico terminou de examinar Serafina e virou-se para Damian, que aguardava a alguns passos da cama, com o olhar fixo na mulher inconsciente.— A senhora está bem. Apenas teve uma queda súbita de pressão. Seu corpo ainda está muito fraco, por isso, precisa repousar e evitar emoções fortes.Damian assentiu.O médico logo saiu, mas Damian continuou ali, observando Serafina enquanto organizava os próprios pensamentos.Seu celular tocou. Ele olhou para a tela, depois voltou a olhar para Serafina e saiu do quarto para atender à ligação.— Damian — a voz de Caetano soou assim que ele atendeu. — Onde você está?Damian olhou pela grande vidraça do segundo andar da mansão, de onde podia contemplar o extenso jardim da propriedade.— Voltei para minha casa.Um breve silêncio se fez do outro lado da linha.— Esse não foi o combinado.— Avô...— Eu disse que vocês só poderiam sair quando tivessem um filho.— E nós tivemos.— Mas ele se foi. Então, agora vocês dois devem...— Avô... — Damian torno
Damian moveu sua cadeira entre os homens, e parou diante do carro na frente.Seu olhar atravessou até o banco traseiro, fixando-se nela.Os olhos azul cravaram-se nos olhos castanhos da mulher dentro do carro, que o encarava de volta.Seus olhares se intensificaram, esquecendo-se de tudo ao seu redor.Os dois ficaram se encarando por longos segundos, até Serafina desviar o olhar primeiro.Damian então olhou para Dorian, que permanecia dentro do carro, encarando o loiro com um olhar que gelaria a espinha de qualquer um, e depois olhou para o chefe dos soldados.— Curioso. Acabei de conversar com o Don Castellano, e ele me garantiu que não tinha envolvimento no desaparecimento da minha mulher. E agora vejo os homens dele apontando armas para mim e escoltando o carro do homem que sequestrou a minha esposa.O homem imediatamente percebeu a implicação e sentiu suas palmas suarem, sabendo que um comando em falso seu provocaria uma guerra, e sua cabeça seria a primeira a rolar.Ele fez um g







