INICIAR SESIÓNSenti um frio na barriga e que em segundos estava espalhado pelo meu corpo inteiro. Olhar aquelas fotos de pessoas bem vestidas, elegantes e com postura de ricos me fez temer. Como eu vou conseguir viver no meio dessa gente? Agir como eles? Esse não é o meu mundo.
— Tudo bem, eu vou tentar gravar todos os nomes — respondi, virando-me para a janela. A cada minuto que passava, eu sentia mais raiva. — Tentar não, você vai gravar! — Maryeva exigiu, irritada — Você acha que isso aqui é uma brincadeira!? Essa mulher é muito arrogante, eles são os que precisam de mim e ela agia como se fosse a superior. — Calma, meu amor, ela irá gravar aos poucos, afinal, ela não terá muito tempo, ou para falar a verdade, ela não tem tempo nenhum. No início nós temos que ajudá-la — Josias, que parecia mais consciente, defendeu minha situação. — Eu sei que não temos muito tempo, mas o mínimo que ela deve fazer é ter boa vontade. — Eu, tenho que ter boa vontade? É pra rir mesmo. Eu não estou aqui por vontade própria, vocês me obrigaram! Eu não tenho memória fotográfica para gravar as coisas em tempo recorde. Eu sou uma pessoa com um QI baixo, ou você já se esqueceu que eu fui cega metade da minha vida? — Encarei a mulher, apreciando ver sua expressão de desagrado. — Eu não poderia esperar muito de você mesmo — torceu o rosto, mostrando nojo e eu ri, deixando claro que suas opiniões não me importavam — Mas esses dois aqui você terá que se lembrar, essa é Serena Montenegro, será sua sogra. — a mulher na fotografia era perfeita, esbanjava elegância e riqueza — é avô do seu noivo, Alex Montenegro — explicou, colocando a próxima foto na pasta apoiada em minhas coxas. Eu fiquei impressionada com a beleza do homem, ele era perfeito, lindo mesmo. Maryeva voltou sua atenção para o meu rosto e logo avisou. — Lembre-se, esse é o noivo da Isadora, você só está ocupando o lugar dela. Um homem como o Alex não é para alguém como você. Eu não queria sentir, mas esse comentário me incomodou. Ela realmente sabia como me diminuir a nada. Mas eu não deixei ela perceber que me atingiu, ergui o meu rosto, elevando a ponta do meu nariz para cima e sorri. — Eu não conheço esse homem e lhe garanto que não tenho nenhuma ilusão com o seu mundo. São pessoas fúteis, vazias e sem o mínimo de sentimentos. Quanto a ele ser ou não para mim, lembre-se que você já foi como eu, não se ache tão acima de tudo, você não passa de uma caça fortunas que se vendeu bem — ela ergueu o braço e se preparava para me acertar uma bofetada, mas Josias a impediu. — Olha como você fala comigo, sua... — sua voz tremia como se ela estivesse a ponto de sofrer um ataque. — Maryeva, controle-se! — Ele ordenou, olhando com raiva para a mulher, que estava vermelha de tão furiosa — a garota está aqui para nos ajudar, o mínimo que você pode fazer é respeitá-la. — completou. Talvez esse homem não seja tão horrível quanto a mulher. — Você está do lado dela? — ela continuava, essa bruxa podre, ao que parecia, não estava mesmo no melhor dos sentidos. Que mulher descontrolada. — Eu estou do nosso lado, de todos nós. Presta atenção, se isso aqui for descoberto todos iremos sofrer as consequências, então é melhor trabalharmos juntos — Ele olhou para mim. Eu estava até gostando do sermão — Olha, Isabela, eu não conheço você e sei que o que nós fizemos é errado, mas foi uma necessidade. Quando tudo isso acabar, nós iremos recompensar muito bem você. — Eu apenas balancei minha cabeça, concordando. É. A minha impressão sobre esse homem estava melhorando, era notório que ele era diferente. Enquanto Maryeva era fria e sem o mínimo de sentimentos, ele mostrava alguma humanidade. Após algumas horas, aterrissamos em São Paulo. Eu não consegui disfarçar a minha empolgação com tudo o que via. Nunca saí do Maranhão, o lugar mais longe que fui foi a capital e mesmo assim não vi nada, pois era na época da cirurgia para recuperar a visão. — É a primeira vez que você vem a São Paulo? — perguntou Josias. Fiquei um pouco envergonhada, eu devia estar igual uma jeca. — É sim, na verdade essa é a segunda vez que eu saio de Aurizona — respondi, sem esconder meu entusiasmo e ele sorriu. Mas não parecia insatisfeito com o meu jeitinho simples e humilde.ALEX MONTENEGRO Eu saí da delegacia e segui direto para a clínica, eu precisava ver com meus próprios olhos o estado da Isadora. Assim que atravessei a porta do quarto revestido de branco, o cheiro de desinfetante e medicamentos me fez ter vontade de ir atrás daquela impostora desgraçada e enganá-la. O som dos aparelhos apitando era estranho, nada naquele cenário tinha a ver com a mulher imóvel naquela maca. Ela era altiva, barulhenta, não conseguia ficar sossegada por muito tempo e dizia detestar precisar de ajuda. Agora estava ali, sendo cuidada e sem noção nenhuma do caos à sua volta. Enquanto acariciava o rosto impassível, neutro a ponto de incomodar quem o encarasse por alguns segundos a mais. A pele estava um pouco fria, o toque estranho me fez querer desligar o ar-condicionado, Isadora não era assim, sua pele sempre foi agradável, quente, bem ao seu estilo fogoso… afastei os dedos e desisti de tocá-la. Um médico entrou e explicou detalhadamente seu quadro clínico. Fique
ISABELA SILVA Quando voltei para casa, encontrei Maryeva, esperando por mim. É, realmente parecia que meus dias tranquilos tinham chegado ao fim, primeiro a visita à empresa e enfrentar aquele homem assustador e agora tenho que lidar com essa mulher, que conseguia ser igual ou pior que ele. — O que você quer aqui? — indaguei, encarando-a com a mesma “simpatia” que percebi nos olhos gelados. — Quem permitiu que você fosse à empresa — proferiu, sua raiva era tamanha que sua voz tremia. — O Alex me chamou e eu fui. — O que você pretende com isso, conquistar espaço e roubar o lugar da sua irmã? Você não deve se misturar mais que o necessário, entendeu! — caminhou até mim e segurou meu braço. Sacudi meu pulso com força, fazendo-a cambalear para trás. — Você está louca! Preste atenção, garota! — bradou, ainda com os dedos firmes em volta do meu pulso. — Pode ficar tranquila, eu não tenho interesse em roubar nada de ninguém. Muito menos conviver com ela ou com vocês — dei um solavan
ALEX MONTENEGRO — Sinto muito, eu só achei os desenhos bonitos, por favor, me perdoe! — respondeu, recolhendo os papéis do chão. De onde eu estava, pude notar suas mãos trêmulas, tremiam tanto que uma tarefa tão fácil levou alguns minutos para ser concluída. — Deixa! — eu exigi com a voz fria, pelo olhar, ela surpreendeu-se demasiado com minha reação — Você pode ir pra casa, o motorista vem te buscar! — Avisei, enquanto ela me encarava como se estivesse me estudando.— Tudo bem, eu sinto muito por isso! — Levantou-se e deixou os papéis na mesa, depois seguiu em direção à porta. Como podia ser tão cínica? A cabeça baixa, os ombros tensos, a respiração acelerada, tudo nela era ensaiado para parecer frágil e sua mentira passar despercebida. Maldita mentirosa. Quando eu lhe avisei sobre a empresa, ela logo ligou para o Josias. Pelas câmeras, eu os vi conversando, e ele ajudou a interagir com todos no escritório. A desgraçada conseguiu se portar bem — muito bem. Mas agora está agindo
O homem não tinha mesmo boa intenção vindo até mim — ou até Isadora — seja lá o que ele queria, sua atitude ao agarrar meu braço, deixava claro que não era nada bom. — O que você pensa que está fazendo? — bradei, tentando sair do seu agarre. — Você não vai me deixar esperando, não é mesmo, Isadora? Anda, vamos ao meu escritório, será uma conversa rápida.Eu pretendia negar, sair de perto dele, mas, ele tinha capacidade de fazer um escândalo caso eu recusasse. Seja lá que tipo de amizade minha irmã tinha com esse cara, não parecia ser nada simples, ele agia com arrogância demais para um simples colega de trabalho. — Ponto, estamos aqui, o que você tem pra me falar? — indaguei, erguendo o queixo, assim que ele fechou a porta atrás de nós. Afastei-me o máximo possível dele, esse homem não era nada agradável e até seu perfume, com cheiro tão forte que chegava a ardido, irritava meu olfato. — Tem certeza que você não sabe, Isadora? — perguntou, aproximando-se e tocando meu rosto. Eu
“Chegamos.” — Enviei a mensagem, enquanto Alex estava distraído com a secretária, eu segui para o banheiro. “Tudo bem, só me diz onde você está que vou até vocês.”“Eu estou no escritório dele, no banheiro.””Neste caso, diga que vai até seu escritório e eu te encontro na recepção.” Depois de ouvir as instruções de Josias, eu desliguei o telefone e saí do banheiro. Alex já estava sozinho, sentado atrás da mesa, com os braços cruzados e olhando para mim. — Você está bem? — indagou, eu senti uma pitada de ironia, mas optei por acreditar que estava vendo coisas demais. — Sim, estou muito bem! Eu não imaginei que estava sentindo tanta falta desse lugar, foi só chegar aqui e a saudade bateu forte — forcei um sorriso. — Eu vou visitar meus amigos, tudo bem pra você? — perguntei, aproximando-me dele. Seu sorriso se alargou com minha aproximação e o olhar intenso parecia querer me atravessar. Eu senti um frio na barriga, enquanto continuava a encenação. Quando atravessei a porta e me vi
Eu fiquei nervosa, muito nervosa, ele queria me levar à empresa com qual objetivo? Esforcei-me para sorrir, enquanto tentava achar uma desculpa para não ir. Mas, se eu não fosse, iria levantar suspeitas. Eu precisava ir. Tinha que avisar ao Josias também, ele iria me ajudar a não cometer gafes enquanto estivesse lá. — Seus amigos estão com saudades — suas resposta veio acompanhada de um sorriso. Alex não parecia insatisfeito, até deixou um beijo nos meus lábios antes de sair do quarto. Estava tão nervosa que quase me esqueci de colocar as lentes, felizmente esbarrei na cômoda por não enxergar direito sem meus óculos e então lembrei das lentes. Quando aproximei-me da sala de jantar, ouvi parte da conversa entre a Senhora Serena e o Alex, parei. — O que aconteceu, meu querido? Você está quieto desde que voltou de viagem — indagou ela, enquanto servia sua xícara com o café. Ela também tinha notado a mudança dele. — Nada, Vovó, é que a viagem foi muito cansativa, só isso — res







