LOGIN— No hospital. Você precisa consultar um médico! — Avisei, puxando-a para fora. — Eu disse que não é necessário, eu tenho remédios em casa, é só uma enxaqueca! — ela reclamou, tentando soltar-se do meu aperto para voltar para o carro. — Eu disse que vamos ao médico! — eu continuei guiando-a em direção ao elevador. Enquanto eu passava as informações do plano de saúde na recepção, seu rosto ficou mais pálido do que já estava com a dor de cabeça. Suas mãos também tremiam mais agora, tanto que ela nem conseguia controlar para que ninguém percebesse seu medo. O neurologista nos chamou poucos minutos depois. Adentramos o consultório e ela mal conseguiu responder à interação do médico. Seus olhos procuravam a porta o tempo todo e isso era um sinal claro de que ela queria fugir. Mas isso não iria acontecer. Eu segurei seu pulso e a guiei até a maca que ficava no canto direito e a fiz sentar-se.Após trocar algumas formalidades comigo, o médico aproximou-se dela e começou a consulta.— Voc
— Boa noite, Alex, olá, minha querida! — Josias desceu as escadas e caminhou até nós. Dessa vez, Isabela forçou um sorriso e respondeu. — Olá, papai! — Ela abraçou Josias e ele fez um carinho em sua cabeça. Isso também não escapou aos meus olhos, Josias parecia ter algum carinho por ela. A discrepância entre os tratamentos de Josias e Maryeva com a farsante me deixava cada vez mais curioso. Maryeva, sendo a mãe biológica, deveria ser a que mostrava amor pela filha, mas ela sequer a olhou. Respondi ao cumprimento e apertei a mão do homem que, olhando atentamente, não parecia tão confortável como deveria. Enquanto eu ainda tentava juntar as peças e entender o papel que cabe a cada um desses desgraçados, Maryeva segurou o meu braço e praticamente me arrastou para acompanhá-la. — Alex, têm alguns amigos que estavam ansiosos para lhe conhecer — sua voz soou animada.Eu tive vontade de rir quando as pessoas amontoavam-se à minha frente, quase formando uma fila para trocar algumas pala
Sentei-me à mesa para o jantar e alguns minutos depois minha avó também se acomodou em seu lugar. Ela olhou as outras cadeiras e seguiu com a avaliação até a escada. — Onde está a Isadora? — indagou, seu olhar era atento e ao mesmo tempo confuso. — Boa noite para a senhora também, vovó. A senhora se esqueceu que não nos vemos hoje? — provoquei, enquanto servia um bife em seu prato. — Boa noite, por que você está assim? Você e a Isadora brigaram e por isso ela não veio jantar? — Não, ela só não desceu porque estava dormindo e eu não quis acordá-la.— Deveria tê-la chamado, ela vai dormir com fome e isso não faz bem à saúde — repreendeu, deixando-me com mais raiva. — Ela já está dormindo, vovó. Quando acordar, ela vai à cozinha e come. Vamos jantar em paz!?Ela não insistiu, apenas bufou, expressando seu desgosto com a minha atitude. Eu achei que ela não fosse descer, mas assim que servi meu próprio prato, vi minha avó esboçar um sorriso em direção à escada, nem precisava olhar pa
ALEX MONTENEGRO Eu saí da delegacia e segui direto para a clínica, eu precisava ver com meus próprios olhos o estado da Isadora. Assim que atravessei a porta do quarto revestido de branco, o cheiro de desinfetante e medicamentos me fez ter vontade de ir atrás daquela impostora desgraçada e enganá-la. O som dos aparelhos apitando era estranho, nada naquele cenário tinha a ver com a mulher imóvel naquela maca. Ela era altiva, barulhenta, não conseguia ficar sossegada por muito tempo e dizia detestar precisar de ajuda. Agora estava ali, sendo cuidada e sem noção nenhuma do caos à sua volta. Enquanto acariciava o rosto impassível, neutro a ponto de incomodar quem o encarasse por alguns segundos a mais. A pele estava um pouco fria, o toque estranho me fez querer desligar o ar-condicionado, Isadora não era assim, sua pele sempre foi agradável, quente, bem ao seu estilo fogoso… afastei os dedos e desisti de tocá-la. Um médico entrou e explicou detalhadamente seu quadro clínico. Fique
ISABELA SILVA Quando voltei para casa, encontrei Maryeva, esperando por mim. É, realmente parecia que meus dias tranquilos tinham chegado ao fim, primeiro a visita à empresa e enfrentar aquele homem assustador e agora tenho que lidar com essa mulher, que conseguia ser igual ou pior que ele. — O que você quer aqui? — indaguei, encarando-a com a mesma “simpatia” que percebi nos olhos gelados. — Quem permitiu que você fosse à empresa — proferiu, sua raiva era tamanha que sua voz tremia. — O Alex me chamou e eu fui. — O que você pretende com isso, conquistar espaço e roubar o lugar da sua irmã? Você não deve se misturar mais que o necessário, entendeu! — caminhou até mim e segurou meu braço. Sacudi meu pulso com força, fazendo-a cambalear para trás. — Você está louca! Preste atenção, garota! — bradou, ainda com os dedos firmes em volta do meu pulso. — Pode ficar tranquila, eu não tenho interesse em roubar nada de ninguém. Muito menos conviver com ela ou com vocês — dei um solavan
ALEX MONTENEGRO — Sinto muito, eu só achei os desenhos bonitos, por favor, me perdoe! — respondeu, recolhendo os papéis do chão. De onde eu estava, pude notar suas mãos trêmulas, tremiam tanto que uma tarefa tão fácil levou alguns minutos para ser concluída. — Deixa! — eu exigi com a voz fria, pelo olhar, ela surpreendeu-se demasiado com minha reação — Você pode ir pra casa, o motorista vem te buscar! — Avisei, enquanto ela me encarava como se estivesse me estudando.— Tudo bem, eu sinto muito por isso! — Levantou-se e deixou os papéis na mesa, depois seguiu em direção à porta. Como podia ser tão cínica? A cabeça baixa, os ombros tensos, a respiração acelerada, tudo nela era ensaiado para parecer frágil e sua mentira passar despercebida. Maldita mentirosa. Quando eu lhe avisei sobre a empresa, ela logo ligou para o Josias. Pelas câmeras, eu os vi conversando, e ele ajudou a interagir com todos no escritório. A desgraçada conseguiu se portar bem — muito bem. Mas agora está agindo







