LOGINALEX MONTENEGRO
Eu marquei uma viagem romântica, onde eu pedi a Isadora em casamento e ela aceitou, eu escolhi Paris para ser o cenário do meu pedido. Foi uma viagem muito agradável e, tanto para mim quanto para Isadora, foi um teste para nosso convívio diário e passamos, até marcamos o casamento. Nós voltamos ao Brasil com data decidida e isso é um bom começo. A semana começou e os negócios estão cada dia mais lucrativos, para a minha surpresa e a de todos os diretores, foi descoberto uma possível mina de diamantes na área da mineradora que fica no Aurizona, no Estado do Maranhão. — Isso aqui é sério? — perguntei ao diretor de extração, ainda incrédulo com a descoberta. — Sim senhor, Alex, na mina foi encontrada uma pequena pedra e foi confirmado que é um diamante em estado bruto. Foi uma surpresa para todos, está um alvoroço por lá, é melhor que o senhor vá pessoalmente falar com o encarregado — O homem falou, ele estava visivelmente nervoso, pois se a notícia se espalhasse poderia haver um caos na cidade, vão brotar caçadores de pedras preciosas de todas as partes. — Ok, eu vou marcar minha viagem para amanhã às sete horas. Você pode esperar para ir comigo no meu avião — falei e o homem saiu. Após ligar para o piloto preparar o avião, voltei para casa, precisava preparar minha mala. Antes de sair do escritório, passei no setor jurídico para avisar Isadora. — Sério, meu amor? Isso é incrível! Se realmente tiver diamantes, será muito lucrativo para a empresa — sorri ao ver o quanto Isadora ficou empolgada. Não nego que eu também fiquei feliz, isso será um grande adendo para os cofres da empresa. — É, será bem legal se for verdade — respondi naturalmente. *** O sol brilhava e queimava minha pele quando desci do avião. Como eu mal tomei café da manhã, fui direto para o hotel. Antes de seguir com o compromisso, eu precisava guardar minha mala e respirar um pouco. Nada como um banho e uma boa hora de descanso para preparar o corpo para um dia cheio de trabalho. Eu resolvi visitar a mina hoje mesmo e amanhã fazer uma reunião com os técnicos. Depois de duas horas de carro, chegamos ao local onde fica a mina de extração de minério. Assim que coloquei meus pés para fora do carro, a atenção dos trabalhadores voltou totalmente para minha presença. Eu cumprimentei a todos que se aproximaram com um aperto de mão, como meus avôs e meus pais sempre ensinaram: devemos ser simpáticos e gratos a todos que nos apoiam com seu trabalho duro. Somos todos uma grande equipe. Acabei rindo das expressões engraçadas que fizeram ao me assistir apertando suas mãos sujas e bebendo água das garrafas do congelador do galpão. Acho que posso considerar isso como um sinal de que conquistei a admiração dos meus funcionários. Após as devidas apresentações, começamos a falar de negócios. — Então, onde foi encontrada a pedra? — perguntei ao encarregado das escavações. — Lá no fundo, senhor Alex, na área à direita da segunda bacia. Mas é muito sujo lá, o senhor vai sair completamente preto de pó de minério — o homem avisou, parecia preocupado. — Tudo bem, nada que um bom banho não resolva, certo?— respondi, ele me entregou os equipamentos de proteção individual (EPI) e eu o segui. Quando passamos pela segunda elevação, os homens já estavam com uma grande quantidade de pedras e detritos que eram separados para levar para avaliação dos técnicos especializados em pedras preciosas. Eu nunca tinha entrado em uma área de escavações tão grande e com as pequenas explosões, rapidamente o lugar ficou tomado por uma nuvem de poeira preta, o que me deixou completamente sem rumo e abafado. — Tudo bem, senhor? — os homens perguntaram, quando comecei a tossir na primeira explosão. Para mim, isso estava sendo um grande desafio. Apesar de ter o corpo resistente, pois já servi o exército e mantinha uma rotina de academia, eu não estava acostumado com locais fechados e sem nenhuma ventilação. — Tudo bem sim, pode continuar. Eu só estou um pouco desconfortável com essa máscara — falei e dei um tapinha em suas costas para tranquilizá-lo. Depois de inspecionar o local e conversar com os trabalhadores, entrei no carro para voltar para a empresa, eu e o encarregado, Sérgio Alves, entramos no carro e seguimos para a cidade, o assunto que preenchia o ambiente junto ao barulho suave do motor era os próximos passos da escavação. O homem se mostrava muito eficiente a cada resposta que dava e eu ficava cada vez mais satisfeito com seu desempenho. Quando passamos pela ponte que dava acesso à área da empresa, um micro-ônibus desgovernado bateu contra nós causando um acidente. Felizmente, nosso carro era um Land Rover último modelo, com tecnologia avançada e um sistema de segurança eficiente, sofremos apenas algumas escoriações e hematomas leves causados pelos airbags. — Tudo bem com o senhor, senhor Alex? — perguntou Sérgio, sua expressão era de pura dor, causada pelo impacto do airbag. — Estou sim. E você, está muito machucado? — respondi, tentando abrir a porta. A minha visão estava um pouco prejudicada, um corte na minha cabeça, sangrava e sujou meu rosto, escorrendo sobre meus olhos — Venha, vamos sair daqui — puxei o braço de Sérgio, após conseguir abrir a porta. Fora do carro, tive a dimensão dos estragos, os ocupantes do micro-ônibus estavam em mau estado, pois o veículo tombou na pista após a batida. Após ligar para a emergência, fomos até o veículo pars tentar ajudar aqueles que não estavam gravemente feridos. Vinte minutos depois,o barulho de sirenes soaram, uma ambulância da UBS do município de Aurizona chegava para prestar os primeiros-socorros às vítimas. — Oi, como vocês estão se sentindo? — perguntou uma mulher, vestida de enfermeira, enquanto aproximava-se de nós com uma caixa de primeiros-socorros nas mãos. — Oi, Bella, nós estamos apenas com alguns arranhões, o senhor Alex está com um corte na cabeça — respondeu Sérgio, chamando a mulher pelo nome, ele mostrou seus braços feridos e o sangramento no nariz, provocado pelo airbag.ALEX MONTENEGRO Eu saí da delegacia e segui direto para a clínica, eu precisava ver com meus próprios olhos o estado da Isadora. Assim que atravessei a porta do quarto revestido de branco, o cheiro de desinfetante e medicamentos me fez ter vontade de ir atrás daquela impostora desgraçada e enganá-la. O som dos aparelhos apitando era estranho, nada naquele cenário tinha a ver com a mulher imóvel naquela maca. Ela era altiva, barulhenta, não conseguia ficar sossegada por muito tempo e dizia detestar precisar de ajuda. Agora estava ali, sendo cuidada e sem noção nenhuma do caos à sua volta. Enquanto acariciava o rosto impassível, neutro a ponto de incomodar quem o encarasse por alguns segundos a mais. A pele estava um pouco fria, o toque estranho me fez querer desligar o ar-condicionado, Isadora não era assim, sua pele sempre foi agradável, quente, bem ao seu estilo fogoso… afastei os dedos e desisti de tocá-la. Um médico entrou e explicou detalhadamente seu quadro clínico. Fique
ISABELA SILVA Quando voltei para casa, encontrei Maryeva, esperando por mim. É, realmente parecia que meus dias tranquilos tinham chegado ao fim, primeiro a visita à empresa e enfrentar aquele homem assustador e agora tenho que lidar com essa mulher, que conseguia ser igual ou pior que ele. — O que você quer aqui? — indaguei, encarando-a com a mesma “simpatia” que percebi nos olhos gelados. — Quem permitiu que você fosse à empresa — proferiu, sua raiva era tamanha que sua voz tremia. — O Alex me chamou e eu fui. — O que você pretende com isso, conquistar espaço e roubar o lugar da sua irmã? Você não deve se misturar mais que o necessário, entendeu! — caminhou até mim e segurou meu braço. Sacudi meu pulso com força, fazendo-a cambalear para trás. — Você está louca! Preste atenção, garota! — bradou, ainda com os dedos firmes em volta do meu pulso. — Pode ficar tranquila, eu não tenho interesse em roubar nada de ninguém. Muito menos conviver com ela ou com vocês — dei um solavan
ALEX MONTENEGRO — Sinto muito, eu só achei os desenhos bonitos, por favor, me perdoe! — respondeu, recolhendo os papéis do chão. De onde eu estava, pude notar suas mãos trêmulas, tremiam tanto que uma tarefa tão fácil levou alguns minutos para ser concluída. — Deixa! — eu exigi com a voz fria, pelo olhar, ela surpreendeu-se demasiado com minha reação — Você pode ir pra casa, o motorista vem te buscar! — Avisei, enquanto ela me encarava como se estivesse me estudando.— Tudo bem, eu sinto muito por isso! — Levantou-se e deixou os papéis na mesa, depois seguiu em direção à porta. Como podia ser tão cínica? A cabeça baixa, os ombros tensos, a respiração acelerada, tudo nela era ensaiado para parecer frágil e sua mentira passar despercebida. Maldita mentirosa. Quando eu lhe avisei sobre a empresa, ela logo ligou para o Josias. Pelas câmeras, eu os vi conversando, e ele ajudou a interagir com todos no escritório. A desgraçada conseguiu se portar bem — muito bem. Mas agora está agindo
O homem não tinha mesmo boa intenção vindo até mim — ou até Isadora — seja lá o que ele queria, sua atitude ao agarrar meu braço, deixava claro que não era nada bom. — O que você pensa que está fazendo? — bradei, tentando sair do seu agarre. — Você não vai me deixar esperando, não é mesmo, Isadora? Anda, vamos ao meu escritório, será uma conversa rápida.Eu pretendia negar, sair de perto dele, mas, ele tinha capacidade de fazer um escândalo caso eu recusasse. Seja lá que tipo de amizade minha irmã tinha com esse cara, não parecia ser nada simples, ele agia com arrogância demais para um simples colega de trabalho. — Ponto, estamos aqui, o que você tem pra me falar? — indaguei, erguendo o queixo, assim que ele fechou a porta atrás de nós. Afastei-me o máximo possível dele, esse homem não era nada agradável e até seu perfume, com cheiro tão forte que chegava a ardido, irritava meu olfato. — Tem certeza que você não sabe, Isadora? — perguntou, aproximando-se e tocando meu rosto. Eu
“Chegamos.” — Enviei a mensagem, enquanto Alex estava distraído com a secretária, eu segui para o banheiro. “Tudo bem, só me diz onde você está que vou até vocês.”“Eu estou no escritório dele, no banheiro.””Neste caso, diga que vai até seu escritório e eu te encontro na recepção.” Depois de ouvir as instruções de Josias, eu desliguei o telefone e saí do banheiro. Alex já estava sozinho, sentado atrás da mesa, com os braços cruzados e olhando para mim. — Você está bem? — indagou, eu senti uma pitada de ironia, mas optei por acreditar que estava vendo coisas demais. — Sim, estou muito bem! Eu não imaginei que estava sentindo tanta falta desse lugar, foi só chegar aqui e a saudade bateu forte — forcei um sorriso. — Eu vou visitar meus amigos, tudo bem pra você? — perguntei, aproximando-me dele. Seu sorriso se alargou com minha aproximação e o olhar intenso parecia querer me atravessar. Eu senti um frio na barriga, enquanto continuava a encenação. Quando atravessei a porta e me vi
Eu fiquei nervosa, muito nervosa, ele queria me levar à empresa com qual objetivo? Esforcei-me para sorrir, enquanto tentava achar uma desculpa para não ir. Mas, se eu não fosse, iria levantar suspeitas. Eu precisava ir. Tinha que avisar ao Josias também, ele iria me ajudar a não cometer gafes enquanto estivesse lá. — Seus amigos estão com saudades — suas resposta veio acompanhada de um sorriso. Alex não parecia insatisfeito, até deixou um beijo nos meus lábios antes de sair do quarto. Estava tão nervosa que quase me esqueci de colocar as lentes, felizmente esbarrei na cômoda por não enxergar direito sem meus óculos e então lembrei das lentes. Quando aproximei-me da sala de jantar, ouvi parte da conversa entre a Senhora Serena e o Alex, parei. — O que aconteceu, meu querido? Você está quieto desde que voltou de viagem — indagou ela, enquanto servia sua xícara com o café. Ela também tinha notado a mudança dele. — Nada, Vovó, é que a viagem foi muito cansativa, só isso — res







