LOGINALEX MONTENEGRO
São Paulo, Jardins, finalmente em casa. Eu nasci em Nova Iorque, meus pais optaram por me ter nos Estados Unidos, mas fora os anos em que cursei a Universidade de Stanford, eu morei sempre aqui, nesta casa, uma residência localizada numa área estratégica do bairro Jardins, o condomínio com o metro quadrado mais caro de São Paulo. A nossa residência ocupava a maior área construída do bairro, meus avós e meus pais sempre gostaram de conforto e espaço, então aqui temos uma casa grande, com espaços amplos e os melhores móveis do mercado. Tinha uma piscina que não perdia em nada para uma piscina olímpica, uma pequena área gramada que era um ótimo campo de golfe. Meu avô era um campeão de golfe e quando comprou esse espaço o primeiro projeto foi a área externa e o seu campo de golfe particular. Eu até tentei compartilhar da mesma paixão, jogo às vezes, mas eu uso o espaço mais como campo de futebol para manter os exercícios físicos em dia. Que o meu avô e meu pai não se revirem no túmulo ao me ver fazendo isso. Voltamos do cruzeiro há duas semanas e desde então, eu estava em contato com Isadora Molina, ela não só fazia parte da equipe de advogados da empresa, como também era a filha de um dos diretores do Grupo Montenegro, o Josias Molina. Isadora também era uma excelente profissional da área de direito criminalista, em seu escritório particular ela conquistou grandes feitos. Confesso que conhecer sua vida e carreira de sucesso me instigou ainda mais, meu interesse que já era grande, cresceu mais. Isadora se mostrou uma mulher com todas as qualidades que eu admirava em uma mulher, ela tinha personalidade, não se curvava às vontades de terceiros, como as outras. E o que mais me cativou: ela não se mostrava fascinada com meu dinheiro ou posição. Hoje, na saída do trabalho, eu a peguei na porta do escritório e a trouxe para minha casa. Estamos nos vendo praticamente todos os dias e trazê-la comigo já estava virando rotina. Depois de deixar a Isadora em casa, voltei direto para casa, no caminho fiquei pensando nas reclamações dela. Se ela estava tão preocupada com os julgamentos é porque vinha ouvindo críticas e a única maneira de parar isso era tornar a nossa relação pública. Mas, antes de tomar a decisão que mudaria minha vida, eu precisava ouvir a opinião da minha avó, era importante mantê-la sempre por dentro de tudo. — Vovó, o que a senhora acha da Isadora? — perguntei, assim que entrei em casa e a encontrei na sala. — Eu gosto dela, parece ser muito simpática, também é muito inteligente já que é advogada, ela trabalha para nós, certo? Seu sorriso genuíno era a prova das suas palavras e isso me deu mais certeza da minha decisão. — Sim, Vovó, ela é membro da equipe de advogados da empresa e também tem seu próprio escritório no prédio ao lado do edifício da empresa. Eu estou realmente gostando dela, ela é linda, decidida e muito empenhada. Eu realmente me interessei por ela — um sorriso surgiu em meu rosto ao pensar nela. — Eu estou vendo, você nunca ficou assim por ninguém — ela concordou, feliz. A minha avó era a pessoa que mais me entendia e sua maior felicidade era me ver feliz.ALEX MONTENEGRO Eu saí da delegacia e segui direto para a clínica, eu precisava ver com meus próprios olhos o estado da Isadora. Assim que atravessei a porta do quarto revestido de branco, o cheiro de desinfetante e medicamentos me fez ter vontade de ir atrás daquela impostora desgraçada e enganá-la. O som dos aparelhos apitando era estranho, nada naquele cenário tinha a ver com a mulher imóvel naquela maca. Ela era altiva, barulhenta, não conseguia ficar sossegada por muito tempo e dizia detestar precisar de ajuda. Agora estava ali, sendo cuidada e sem noção nenhuma do caos à sua volta. Enquanto acariciava o rosto impassível, neutro a ponto de incomodar quem o encarasse por alguns segundos a mais. A pele estava um pouco fria, o toque estranho me fez querer desligar o ar-condicionado, Isadora não era assim, sua pele sempre foi agradável, quente, bem ao seu estilo fogoso… afastei os dedos e desisti de tocá-la. Um médico entrou e explicou detalhadamente seu quadro clínico. Fique
ISABELA SILVA Quando voltei para casa, encontrei Maryeva, esperando por mim. É, realmente parecia que meus dias tranquilos tinham chegado ao fim, primeiro a visita à empresa e enfrentar aquele homem assustador e agora tenho que lidar com essa mulher, que conseguia ser igual ou pior que ele. — O que você quer aqui? — indaguei, encarando-a com a mesma “simpatia” que percebi nos olhos gelados. — Quem permitiu que você fosse à empresa — proferiu, sua raiva era tamanha que sua voz tremia. — O Alex me chamou e eu fui. — O que você pretende com isso, conquistar espaço e roubar o lugar da sua irmã? Você não deve se misturar mais que o necessário, entendeu! — caminhou até mim e segurou meu braço. Sacudi meu pulso com força, fazendo-a cambalear para trás. — Você está louca! Preste atenção, garota! — bradou, ainda com os dedos firmes em volta do meu pulso. — Pode ficar tranquila, eu não tenho interesse em roubar nada de ninguém. Muito menos conviver com ela ou com vocês — dei um solavan
ALEX MONTENEGRO — Sinto muito, eu só achei os desenhos bonitos, por favor, me perdoe! — respondeu, recolhendo os papéis do chão. De onde eu estava, pude notar suas mãos trêmulas, tremiam tanto que uma tarefa tão fácil levou alguns minutos para ser concluída. — Deixa! — eu exigi com a voz fria, pelo olhar, ela surpreendeu-se demasiado com minha reação — Você pode ir pra casa, o motorista vem te buscar! — Avisei, enquanto ela me encarava como se estivesse me estudando.— Tudo bem, eu sinto muito por isso! — Levantou-se e deixou os papéis na mesa, depois seguiu em direção à porta. Como podia ser tão cínica? A cabeça baixa, os ombros tensos, a respiração acelerada, tudo nela era ensaiado para parecer frágil e sua mentira passar despercebida. Maldita mentirosa. Quando eu lhe avisei sobre a empresa, ela logo ligou para o Josias. Pelas câmeras, eu os vi conversando, e ele ajudou a interagir com todos no escritório. A desgraçada conseguiu se portar bem — muito bem. Mas agora está agindo
O homem não tinha mesmo boa intenção vindo até mim — ou até Isadora — seja lá o que ele queria, sua atitude ao agarrar meu braço, deixava claro que não era nada bom. — O que você pensa que está fazendo? — bradei, tentando sair do seu agarre. — Você não vai me deixar esperando, não é mesmo, Isadora? Anda, vamos ao meu escritório, será uma conversa rápida.Eu pretendia negar, sair de perto dele, mas, ele tinha capacidade de fazer um escândalo caso eu recusasse. Seja lá que tipo de amizade minha irmã tinha com esse cara, não parecia ser nada simples, ele agia com arrogância demais para um simples colega de trabalho. — Ponto, estamos aqui, o que você tem pra me falar? — indaguei, erguendo o queixo, assim que ele fechou a porta atrás de nós. Afastei-me o máximo possível dele, esse homem não era nada agradável e até seu perfume, com cheiro tão forte que chegava a ardido, irritava meu olfato. — Tem certeza que você não sabe, Isadora? — perguntou, aproximando-se e tocando meu rosto. Eu
“Chegamos.” — Enviei a mensagem, enquanto Alex estava distraído com a secretária, eu segui para o banheiro. “Tudo bem, só me diz onde você está que vou até vocês.”“Eu estou no escritório dele, no banheiro.””Neste caso, diga que vai até seu escritório e eu te encontro na recepção.” Depois de ouvir as instruções de Josias, eu desliguei o telefone e saí do banheiro. Alex já estava sozinho, sentado atrás da mesa, com os braços cruzados e olhando para mim. — Você está bem? — indagou, eu senti uma pitada de ironia, mas optei por acreditar que estava vendo coisas demais. — Sim, estou muito bem! Eu não imaginei que estava sentindo tanta falta desse lugar, foi só chegar aqui e a saudade bateu forte — forcei um sorriso. — Eu vou visitar meus amigos, tudo bem pra você? — perguntei, aproximando-me dele. Seu sorriso se alargou com minha aproximação e o olhar intenso parecia querer me atravessar. Eu senti um frio na barriga, enquanto continuava a encenação. Quando atravessei a porta e me vi
Eu fiquei nervosa, muito nervosa, ele queria me levar à empresa com qual objetivo? Esforcei-me para sorrir, enquanto tentava achar uma desculpa para não ir. Mas, se eu não fosse, iria levantar suspeitas. Eu precisava ir. Tinha que avisar ao Josias também, ele iria me ajudar a não cometer gafes enquanto estivesse lá. — Seus amigos estão com saudades — suas resposta veio acompanhada de um sorriso. Alex não parecia insatisfeito, até deixou um beijo nos meus lábios antes de sair do quarto. Estava tão nervosa que quase me esqueci de colocar as lentes, felizmente esbarrei na cômoda por não enxergar direito sem meus óculos e então lembrei das lentes. Quando aproximei-me da sala de jantar, ouvi parte da conversa entre a Senhora Serena e o Alex, parei. — O que aconteceu, meu querido? Você está quieto desde que voltou de viagem — indagou ela, enquanto servia sua xícara com o café. Ela também tinha notado a mudança dele. — Nada, Vovó, é que a viagem foi muito cansativa, só isso — res







