LOGIN— Você está brincando comigo, certo? Você desaparece por anos e de repente volta, mas não para me pedir desculpas ou se explicar pelo abandono, mas veio pedir que eu faça algo por uma irmã que eu nunca vi?! O que você quer, que eu doe um rim ou algo do tipo? — Minha risada sarcástica reverberou entre as paredes. — Você é ridícula!
A mulher também riu, uma risada irônica, mas não parecia nem um pouco abalada com a minha reação. — Bom, eu esperava que as coisas fossem mais fáceis, mas isso não será agradável. Se você você não quiser colaborar por bem, eu serei obrigada a tomar atitudes que eu não queria. Isso só podia mesmo ser uma piada. Essa mulher estava louca, essa era a única explicação para tal atitude. — Deixa eu ver se entendi, você, uma chocadeira sem o mínimo de afeto materno, vai me obrigar a doar partes do meu corpo para sua filha contra minha vontade? Quais métodos você vai usar? Você não tem limites, Maryeva. Eu não vou fazer o que você quer, não importa o que seja e essa é minha palavra final — virei-me e entrei atrás do balcão. — Se você não vai comprar nada, pode pegar seu caminho de volta. Eu não acredito que algumas vezes no meu passado, eu senti falta dessa mulher. Respirei fundo e engoli o bolo áspero que se formava na minha garganta, recusava-me a derramar uma lágrima sequer por causa dela. Ao invés de ir embora, a mulher fixou seus olhos em mim novamente e voltou a falar: — Sua irmã sofreu um grave acidente, ela está muito mal, está em coma — disse, pela primeira vez aparentava desesperada. A minha irmã era realmente a única que importava e ela não sentir nada ao deixar isso explícito me irritava profundamente. — E o que eu tenho com isso? Eu nem conheço essa mulher, e nem mesmo conheço você — respondi, erguendo os ombros, também deixando claro que nada delas me importava. Ela não gostou da minha resposta, seus olhos furiosos mostraram isso, mas ela continuou falando normalmente. — Você é igual a sua irmã, só os olhos que não, claro! Seus olhos são azuis… — E daí? No que isso importa? — a interrompi. — Como eu disse, eu não tenho nada com isso. — Como eu disse, sua irmã sofreu um acidente e por essa razão não pode fazer as coisas que ela planejou, eu estou aqui para lhe fazer uma proposta… — ela não desistiu — Você viaja comigo para São Paulo e ocupa o lugar da sua irmã até ela melhorar — completou sua fala, deixando-me mais perplexa do que antes. Ela verbalizou o absurdo com muita calma, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Não aguentei, eu tive que rir. — Você está louca?! Certo? Olha, se você me disser o número de telefone do seu marido ou alguém da sua confiança, eu vou ligar e eles vão vir buscar você — falei, ainda rindo do seu devaneio. — Eu estou falando sério, Isabela! — ela exclamou, aumentando o tom de voz. — Isso não está acontecendo! Você acha mesmo que eu vou topar fazer isso? — encarei a mulher e ela mantinha-se inabalável — É inacreditável essa proposta. — Não! Não tem nada de inacreditável, como eu disse vocês duas são idênticas, só muda a cor dos olhos, você pode se passar por ela facilmente se treinar. Além do mais, as pessoas lá em São Paulo não sabem que a Isadora tem uma irmã gêmea. — Eu não vou fazer isso! — Recusei novamente. — Eu disse que será apenas por um período de tempo, você vai receber uma quantia generosa de dinheiro quando tudo isso acabar —falou. Querendo me convencer com dinheiro, é sério? Essa mulher não tem limites mesmo. — E você acha que eu preciso do seu dinheiro? Não, eu não preciso! Assumir a identidade de outra pessoa é crime, você não sabia disso?! Mais uma vez, ela bufou, agora parecia realmente furiosa. — Então eu vou ter que tomar medidas extremas. Isabela, eu não queria ter que vir aqui, muito menos obrigar você a vir comigo, mas eu não posso aceitar o seu não. Se você não quiser ir por bem, eu farei você ir contra sua vontade — ameaçou, essa mulher realmente não tinha coração. Tudo isso para ela era só um negócio. — O que você vai fazer, me prender, me sequestrar e me levar à força? — Não, eu vou colocar o Antônio na cadeia. Isabela, eu sou capaz de muitas coisas e não vou medir esforços para fazer você aceitar isso. Olhei a mulher, sem acreditar que eu realmente tinha o sangue dela correndo nas minhas veias. O meu sentimento por ela estava confuso, era uma mistura de nojo, medo e muita incredulidade. Eu nunca imaginei que a mulher que se dizia minha mãe fosse tão cruel. — Você faria mesmo algo tão cruel? — perguntei, chorando. Não dava mais para segurar as lágrimas. — Sim, eu faço isso! Se você não acredita pode tentar recusar, mas eu já adianto que isso só causará dor ao seu pai. E pelo que eu soube, ele não está tão saudável ultimamente, então o resultado pode ser catastrófico — falou, sem nenhum sentimento. Eu não lembro como consegui trabalhar o restante das horas, aquele encontro acabou comigo. A mulher que me colocou no mundo estava me ameaçando para que eu assumisse a identidade da minha irmã, uma irmã que eu nem ao menos conhecia. Quando cheguei em casa, fiquei olhando meu pai sentado à mesa, vendo vídeos no W******p, ele sorria como uma criança. Ele era tudo o que eu tinha, minha única família, vê-lo sofrendo por minha causa é a última coisa que eu queria. Subi para o meu quarto e tirei o cartão de visitas que a Maryeva me deu. Ela ameaçou armar para mandar meu pai para a cadeia, caso eu não aceitasse, eu não posso correr esse risco. Depois de pensar por mais meia hora, eu finalmente tomei a decisão. — Alô! Sou eu, a Isabela. Eu topo! — falei assim que Maryeva entendeu a ligação. — Tudo bem, viajaremos amanhã, às quatorze horas.ALEX MONTENEGRO Eu saí da delegacia e segui direto para a clínica, eu precisava ver com meus próprios olhos o estado da Isadora. Assim que atravessei a porta do quarto revestido de branco, o cheiro de desinfetante e medicamentos me fez ter vontade de ir atrás daquela impostora desgraçada e enganá-la. O som dos aparelhos apitando era estranho, nada naquele cenário tinha a ver com a mulher imóvel naquela maca. Ela era altiva, barulhenta, não conseguia ficar sossegada por muito tempo e dizia detestar precisar de ajuda. Agora estava ali, sendo cuidada e sem noção nenhuma do caos à sua volta. Enquanto acariciava o rosto impassível, neutro a ponto de incomodar quem o encarasse por alguns segundos a mais. A pele estava um pouco fria, o toque estranho me fez querer desligar o ar-condicionado, Isadora não era assim, sua pele sempre foi agradável, quente, bem ao seu estilo fogoso… afastei os dedos e desisti de tocá-la. Um médico entrou e explicou detalhadamente seu quadro clínico. Fique
ISABELA SILVA Quando voltei para casa, encontrei Maryeva, esperando por mim. É, realmente parecia que meus dias tranquilos tinham chegado ao fim, primeiro a visita à empresa e enfrentar aquele homem assustador e agora tenho que lidar com essa mulher, que conseguia ser igual ou pior que ele. — O que você quer aqui? — indaguei, encarando-a com a mesma “simpatia” que percebi nos olhos gelados. — Quem permitiu que você fosse à empresa — proferiu, sua raiva era tamanha que sua voz tremia. — O Alex me chamou e eu fui. — O que você pretende com isso, conquistar espaço e roubar o lugar da sua irmã? Você não deve se misturar mais que o necessário, entendeu! — caminhou até mim e segurou meu braço. Sacudi meu pulso com força, fazendo-a cambalear para trás. — Você está louca! Preste atenção, garota! — bradou, ainda com os dedos firmes em volta do meu pulso. — Pode ficar tranquila, eu não tenho interesse em roubar nada de ninguém. Muito menos conviver com ela ou com vocês — dei um solavan
ALEX MONTENEGRO — Sinto muito, eu só achei os desenhos bonitos, por favor, me perdoe! — respondeu, recolhendo os papéis do chão. De onde eu estava, pude notar suas mãos trêmulas, tremiam tanto que uma tarefa tão fácil levou alguns minutos para ser concluída. — Deixa! — eu exigi com a voz fria, pelo olhar, ela surpreendeu-se demasiado com minha reação — Você pode ir pra casa, o motorista vem te buscar! — Avisei, enquanto ela me encarava como se estivesse me estudando.— Tudo bem, eu sinto muito por isso! — Levantou-se e deixou os papéis na mesa, depois seguiu em direção à porta. Como podia ser tão cínica? A cabeça baixa, os ombros tensos, a respiração acelerada, tudo nela era ensaiado para parecer frágil e sua mentira passar despercebida. Maldita mentirosa. Quando eu lhe avisei sobre a empresa, ela logo ligou para o Josias. Pelas câmeras, eu os vi conversando, e ele ajudou a interagir com todos no escritório. A desgraçada conseguiu se portar bem — muito bem. Mas agora está agindo
O homem não tinha mesmo boa intenção vindo até mim — ou até Isadora — seja lá o que ele queria, sua atitude ao agarrar meu braço, deixava claro que não era nada bom. — O que você pensa que está fazendo? — bradei, tentando sair do seu agarre. — Você não vai me deixar esperando, não é mesmo, Isadora? Anda, vamos ao meu escritório, será uma conversa rápida.Eu pretendia negar, sair de perto dele, mas, ele tinha capacidade de fazer um escândalo caso eu recusasse. Seja lá que tipo de amizade minha irmã tinha com esse cara, não parecia ser nada simples, ele agia com arrogância demais para um simples colega de trabalho. — Ponto, estamos aqui, o que você tem pra me falar? — indaguei, erguendo o queixo, assim que ele fechou a porta atrás de nós. Afastei-me o máximo possível dele, esse homem não era nada agradável e até seu perfume, com cheiro tão forte que chegava a ardido, irritava meu olfato. — Tem certeza que você não sabe, Isadora? — perguntou, aproximando-se e tocando meu rosto. Eu
“Chegamos.” — Enviei a mensagem, enquanto Alex estava distraído com a secretária, eu segui para o banheiro. “Tudo bem, só me diz onde você está que vou até vocês.”“Eu estou no escritório dele, no banheiro.””Neste caso, diga que vai até seu escritório e eu te encontro na recepção.” Depois de ouvir as instruções de Josias, eu desliguei o telefone e saí do banheiro. Alex já estava sozinho, sentado atrás da mesa, com os braços cruzados e olhando para mim. — Você está bem? — indagou, eu senti uma pitada de ironia, mas optei por acreditar que estava vendo coisas demais. — Sim, estou muito bem! Eu não imaginei que estava sentindo tanta falta desse lugar, foi só chegar aqui e a saudade bateu forte — forcei um sorriso. — Eu vou visitar meus amigos, tudo bem pra você? — perguntei, aproximando-me dele. Seu sorriso se alargou com minha aproximação e o olhar intenso parecia querer me atravessar. Eu senti um frio na barriga, enquanto continuava a encenação. Quando atravessei a porta e me vi
Eu fiquei nervosa, muito nervosa, ele queria me levar à empresa com qual objetivo? Esforcei-me para sorrir, enquanto tentava achar uma desculpa para não ir. Mas, se eu não fosse, iria levantar suspeitas. Eu precisava ir. Tinha que avisar ao Josias também, ele iria me ajudar a não cometer gafes enquanto estivesse lá. — Seus amigos estão com saudades — suas resposta veio acompanhada de um sorriso. Alex não parecia insatisfeito, até deixou um beijo nos meus lábios antes de sair do quarto. Estava tão nervosa que quase me esqueci de colocar as lentes, felizmente esbarrei na cômoda por não enxergar direito sem meus óculos e então lembrei das lentes. Quando aproximei-me da sala de jantar, ouvi parte da conversa entre a Senhora Serena e o Alex, parei. — O que aconteceu, meu querido? Você está quieto desde que voltou de viagem — indagou ela, enquanto servia sua xícara com o café. Ela também tinha notado a mudança dele. — Nada, Vovó, é que a viagem foi muito cansativa, só isso — res







