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Author: LuadMel
last update publish date: 2023-10-15 12:36:42

O mais incrível ainda, era ainda está pensando nela. — Impossível. Eu não sou assim — Sorriu ele e tornou a batucar o lápis na mesa de madeira preta da melhor qualidade. Ele sorriu de canto, seus olhos brilhosos e cativantes insistiam em ser olhados mais uma vez, de ser adorados e venerados por mais uma delicada e amada vez.

Ele iria voltar a aquele lugar.

— NICOLAS, MEU AMIGO. — Rafael arreganhou a porta assustando o moreno, tirando-os de seus devaneios cheios de desejo e malícia. — PORQUE VOCÊ JOGOU ESSA REUNIÃO PARA CIMA DE MIM? EU ODEIO DISCUTIR COM MEUS PAIS SOBRE NEGÓCIOS, EU TENHO MEDO DELES, EU VOU CEDER.

— Se fizer isso eu vou te demitir. Aí você vai trabalhar para eles — Disse simplesmente, ainda brincando com o lápis na mão.

— Nicolas... — Rafael massageou as têmporas e olhou o amigo. — Como eu odeio você.

— Esse é o castigo por você ter me levado àquele lugar asqueroso.

— Você que é abusado. Eu peguei o número que duas gatinhas se quiser um é só dizer. Vamos sair hoje à noite. Eu a convidei...

— Você não vai a lugar algum. — Nicolas disse levantando-se de sua cadeira e virou as costas olhando além dos prédios e pessoas trafegando pelas ruas de Seant. — Tenho planos hoje à noite.

— É mesmo? Com quem? — Cruzou os braços, curioso.

— Com você.

— Hã?

— Vamos voltar à boate hoje à noite.

— O QUÊ? — respirou fundo sem acreditar

— Isso tem alguma coisa haver com aquela garota de ontem? — Nicolas ergueu o olhar — Ah sim, Emelly era seu nome.

Nicolas não soube o que sentiu naquele momento, mas uma tristeza invadiu seu coração de uma hora para outra. Um sentimento de angústia, uma escuridão tão intensa e uma dor aguda devastadora apossaram de seu peito, que chegou a doer. Bufou com aquilo, ele se aproximou rapidamente da mesa para buscar um lápis e tacar em Rafael, que desviou facilmente.

Rafael olhou o amigo e depois encarou seus olhos, logo percebeu um brilho diferente, era do jeito que ele via seu pai olhar sua mãe, quando se olhavam discretamente, era como seus tios se olhavam, o mesmo brilho estava nos olhos de Nicolas. Era como se seu amigo mais velho tivesse completamente... Apaixonado?

— Não... — Ele começou. — Não é possível. Você ficou a fim de alguém?

— Vai para sua sala Rafael — Ordenou.

— Não acredito Nicolas — Rafael levantou-se animado, porém dessa vez foi acertado pelo segundo lápis lançado em sua cara.

— Eu vou voltar lá, e sim eu vou encontrar aquela mulher e vou trazer ela para seus braços. Entenda, você tem que namorar, tem que se divertir, já vai fazer trinta anos e nada de ter uma namorada, uma esposa, alguém para dizer “ei, estou ficando com aquela garota”. Como alguém consegue viver assim?

— Vai logo para sua sala e para de falar asneiras. — gritou duramente e Rafael assentiu dando um sorriso malicioso para o amigo que bufou virando o rosto.

Rafael caminhou com um sorriso safado nos lábios até a porta e quando abriu ele respirou fundo. Voltou-se para Nicolas que se acomodava em sua cadeira que lhe dava tanto poder.

— Você gostou da garota e tem que admitir. Você pega ela, ou quem vai pegar sou eu. — Inflamou Rafael e correu batendo a porta.

— Mas é um idiota mesmo — Murmurou emburrado. Mas não poderia negar que seu amigo estava certo, ele havia gostado mesmo da garota delicada e frágil que tinha visto na noite anterior.

Podia até negar o interesse repentino que sentiu por ela assim, como se ela apenas tivesse aparecido e seu coração acelerado e pedido por um abraço, um olhar, ao menos uma conversa mais duradoura? Riu de novo revirando os olhos. Demorou tanto tempo para encontrar uma pessoa interessante e agora não tira ela da cabeça? É para se sentir assim mesmo?

Tá tudo bem?

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Depois de um dia cansativo as atividades da escola e uma visita obrigatória na casa da sua mãe, finalmente, ela estava de volta em seu quarto. Tirou sua camisa longa e sua calça apertada, terminou de se despir completamente no banheiro e, como de costume, parou em frente ao espelho comprido, que ia do chão ao teto em seu banheiro. Novamente, observou seu corpo deslumbrante em frente a ele.

Ela sorriu, assistindo sua pele maravilhosa brilhar com a luz do cômodo, Emelly amava seu corpo de todas as formas. Por um impulso escrupuloso, pensou outra vez naqueles olhos negros e penetrantes, fitando-a com malícia e tocando em seu corpo da cabeça aos pés, venerando-a. Emelly entreabriu os lábios e gemeu com aquele pensamento. Por que desde que o viu não parava de pensar nele? Desejava poder um dia olhá-lo novamente, admirar sua beleza, tocar em seu cabelo longo e negro e descer as mãos pelo seu rosto lindo, esculpido e adorado pelos anjos. Seria ótimo poder tocá-lo e sentir seu toque.

Porém, tudo aquilo não passava de uma ilusão. O que aconteceu naquela noite foi sorte, nunca mais o veria e não encontraria alguém parecido com ele, com toda aquela beleza e que a fez sentir-se tão intimidada por ele ser tão lindo e transferir um desequilíbrio mental. Ela tratou de esquecer aqueles olhos, tentou esquecer a boca vistosa chamando seu nome. Como ela quis beijar aquela boca.

Vamos parar Emelly, isso é impossível.

Ela respirou novamente e deu de ombros entrando no chuveiro, deixando a água lavar as lembranças de ter encontrado com aqueles olhos intensos e profundos na outra noite. Depois do banho, Emelly saiu do banheiro com uma toalha na cabeça e com outra enrolada em seu corpo. Ao chegar ao quarto, ela olhou em volta e seus olhos pararam sobre a caixa que sua mãe havia lhe dado de presente. Ela sorriu meio boba, adorava os presentes de sua mãe, mesmo achando eles tão... Idiotas. Ela parou ao pé da cama, começou a rasgar o plástico que envolvia a caixa e ao abrir Emelly deu um de seus sorrisos mais glamorosos. Era uma grande foto dela mesma. Não era muito antiga e sim de dois ou três meses atrás, quando saiu em uma viagem com sua mãe e amigas. Estava na praia, sentada no chão com um sorriso gigantesco em seus lábios. A rosada sorriu e tratou de acomodar o quadro em algum lugar daquele quarto médio, porém bem decorado por ela e suas amigas.

Às 22h em ponto, as três saíram de casa com um sorriso no rosto.

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— Você odiou tanto esse lugar e está aqui novamente além da garota? — Rafael brincou andando pelo meio daquele povo, sendo seguido pelo amigo logo atrás. — Então, o motivo é muito importante, você nunca faz um sacrifício.

— Isso não é um sacrifício — Respondeu ele, dando uma olhada geral pelo estabelecimento em busca de sua garota.

— Não minta para mim eu conheço você — Rafael olhou para trás encarando o amigo. — Enfim, eu vou procurar por aquela garota nem que eu incomode uma por uma.

Nicolas parou olhando o amigo cruzar os braços à sua frente e parecer uma criança falando e falando sobre aquele fato. Sim, ele havia odiado o lugar e ainda odiava, mas para poder ver novamente aqueles olhos brilhando e aquele sorriso irresistível, ele abriria mão de seu orgulho para deixar entrar a humildade. Mas além da menina, ele poderia estar ali para… Beber?

Ah, isso não. — Cala a boca Rafael — Respondeu somente isso, voltando a caminhar, e dessa vez foi em direção ao bar.

Quando chegaram ao bar da boate, o garçom da noite anterior abriu um sorriso irônico, o que não passou despercebido pelo Santinelli que virou o rosto. Sabia que ele havia cuspido para cima.

— O que vão querer essa noite? — O garçom perguntou diretamente para Nicolas que franziu a sobrancelha e resmungou um “mesmo de ontem” e virou-se para a multidão.

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