FAZER LOGIN— O que vão querer essa noite? — O garçom perguntou diretamente para Nicolas que franziu a sobrancelha e resmungou um “mesmo de ontem” e virou-se para a multidão.
Seu grande desejo era encontrar a mesma garota da noite anterior, queria poder vê-la, conversar com ela se possível e, não somente trocar algumas frases como fizera. Queria poder tocar em seu rosto, ou pelo menos receber um sorriso, sorriso aquele que não deixou Nicolas dormir. Ele queria vê-la novamente.
— Droga... — Nicolas resmungou. Seu uísque chegou e ele o pegou tomando logo um gole enquanto se virava de novo para ver se conseguia enxergá-la. E em meio a tanta gente ele pode ver alguns fios cor-de-rosa voarem por aquele lugar.
No primeiro momento ele pensou ser apenas uma alucinação. Talvez estivesse pensando tanto nela que já estava vendo-a por aí. Mas então, ele pode vê-la por completo e o sorriso brotou de seus lábios grossos, seu peito parecia pegar fogo com cada olhada para aquela mulher. Ela tinha algo que ele queria muito descobrir, só a viu uma única vez, mas ela despertava algo dentro dele que nem ele mesmo sabia o que era. Um desejo avassalador o consumia, sentimentos devassos passavam por sua cabeça. Uma sensação latejante em seu coração confundiu-o com a própria realidade.
Com todo esse latejo por seu corpo, foi muito difícil ele mudar seus pensamentos. Foi quando ele viu que ela não estava sozinha. Estava com alguém dançando logo atrás, sorrindo alegremente enquanto ele sussurrava algo em seu ouvido e virando-se em seguida para dar-lhe atenção e começar a rir para abraçá-lo, chegando até a beijar o seu pescoço. Nicolas se empertigou naquele momento, uma ira tomou seu coração repentinamente. Vários pensamentos maldosos passaram por sua cabeça, como se ele já fantasiasse a morte mais horripilante e desumana daquele cara que a tocava. Daquele que tocava o corpo tão inocente quanto seu sorriso.
Ele respirou fundo tentando conter o ódio que irradiava seu corpo contra aquele homem, seja lá ele quem for. Nicolas perdeu o brilho no olhar. Queria tanto vê-la, que acabou se equivocando. De repente, em sua mente veio às palavras do garçom da noite passada. Emelly não ficava com ninguém, dispensava todos que tentavam dar em cima dela. Sim, aquele poderia ser o motivo, por ela não se deixar atrair por alguém. Ela tinha namorado.
Como eu não pensei nisso antes?
Nicolas se perguntou intrigado, ele já devia ter pensando nessa possibilidade. Emelly era bela demais, era uma mulher maravilhosa, perfeita, atraente, deslumbrante e elegante demais para ser solteira. Novamente, aquela frustração invadiu seu coração. Um rancor cresceu, uma sanha atacou seu ser, seu corpo todo, a sua esperança de vê-la sorrir para ele foi arrancada. Ele tomou todo o líquido do seu copo e se virou para pedir mais um. Sua raiva era notável, até Rafael pensou em perguntar o que houve, mas vendo o estado do amigo deixou de lado.
Nicolas se virou novamente para admirar a bela mulher, que já tinha namorado. Quando olhou em sua direção, ela lhe olhou de volta. Seus olhares se cruzaram, como na outra noite. Emelly entreabriu os lábios, espantada com aquilo. A sensação, o desejo alcançou seu corpo mesmo estando tão longe dele. A eletricidade que percorreu por seu torso na outra noite alcançou-a, deixando-a tonta.
Emelly parou no meio daquela música alta assustando seu companheiro, que apenas sorriu e voltou a dançar, enquanto Emelly ficara pálida de repente. Ele estava lindo, não usava aquele terno que a deixou incomodada, porém, um suéter da cor… de seus olhos. Verde claro, definido lividamente seus ombros largos e seu rosto gélido. Emelly ofegou com tanto deleite para sua vista, como ele era maravilhoso.
— Emelly, está tudo bem? — Raissa chegou perto da amiga e tocou em sua mão, Emelly nem a olhou. — Emelly?
— Sim... — disse em um sussurro inaudível. Raissa estreitou os olhos, encarou a amiga que entreabriu seus lábios ofegantes, quase babando, e olhando para um ponto talvez que ela ainda não tinha visto. Raissa ficou ao seu lado e seguiu sua visão. Foi quando ela pôde enxergar o moreno da outra noite, fuzilando Emelly com olhares intensos e bem profundos. Raissa levou suas mãos à boca sorrindo e depois olhou a amiga, que o encarava surpresa. — Aquele homem de ontem está aqui outra vez.
— Hm… Será que ele veio atrás de você, não para de encarar.
— Cala essa boca — Emelly resmungou saindo da visão de Nicolas e distanciando-se de Raissa que arregalou os olhos quando, de repente, perdeu-a de vista.
— Emelly? — chamou tarde demais.
Emelly caminhou entrando e saindo de grupinhos de dança, e empurrando quem tivesse pela frente para poder chegar ao seu destino: o banheiro. Ao empurrar o último grupo e chegar à porta do banheiro feminino, ela entrou fechando a porta atrás de si. A música abafou lá dentro e Emelly pôde respirar, ela encostou-se na porta e suspirou profundamente.
Seu peito subia e descia, como se ela tivesse acabado de correr uma maratona, tudo isso porque o viu novamente. Emelly pôs a mão no peito para controlar suas emoções, ela não podia. Ela desvencilhou-se da porta e foi até as pias, se olhou no espelho extenso ali grudado na parede e respirou profundamente.
O que aquele olhar fez a ela? A garota estava pálida e sem conseguir respirar, ofegava, tremia, e se sentia... Livre e feliz, tudo ao mesmo tempo. Ela tocou em seu rosto e percebeu que estava suando frio e tudo era por causa do olhar intenso daquele homem. A porta do banheiro abriu de repente, revelando uma Raissa bem preocupada, ela fechou logo em seguida e foi até à amiga. Raissa analisou Emelly da cabeça aos pés, e foi para sua frente.
— Você está bem Emelly? — perguntou preocupada e tirou um pequeno lenço de sua bolsa e passou sobre a testa de Emelly. — Emelly, fala comigo.
— Eu estou bem. Só... — Ela ergueu seu olhar para o espelho, e pôde enxergar algo diferente em seus próprios olhos. Ela sorriu de canto e abaixou a cabeça. — O que deu em mim? — Raissa tentou segurar a risada e arrumou os cabelos dela. — Eu nunca senti isso. Parece que tem alguma coisa no meu coração, está batendo tão forte e latejando como se eu... — Ela se interrompeu e olhou a amiga sorrir, e depois mordeu os lábios.
— Você quer ir embora? — Ela perguntou meio tristonha. Afinal, tinham acabado de chegar.
— Não, eu não quero ir embora eu quero beber. — disse determinada e virou as costas para sair do banheiro, deixando Raissa assustada com sua atitude repentina.
— Hã? — Raissa abriu a boca chocada. — Ei espera. Ai senhor porque sou eu que tenho que cuidar dela?
Nicolas estava por ali novamente, sua ira ainda estava grudada em seu peito e parecia ter crescido mais quando ela sumiu de sua vista. Ele saiu do bar em busca daquela garota, ele queria poder ver seus olhos novamente de perto, vê-la sorrir, era só isso que ele queria admirar de novo. Seus lábios formaram uma curva, transformando-os em um sorriso encantador e formoso.
Emelly chegou ao bar com Raissa no seu pé, ela não dizia nada, apenas vigiava Emelly, porque sabia dos seus problemas, e provavelmente Emelly iria ficar muito mal depois.
— Emelly, a diva dos olhos verdes mais lindos da noite... O que deseja? — perguntou o garçom animado.
— Eu quero uma cerveja, pode ser? — Ela perguntou com um de seus sorrisos sedutores e o garçom deu um passo para trás franzindo os olhos.
— Vai beber? — Ele a olhou bem nos olhos. — Você nunca bebe. E eu não sei se você tem idade o suficiente para beber, Emelly.
— Me dá logo — Ela piscou olhos e sorriu, deixando o garçom hipnotizado pela beleza exótica e exuberante daquele ser humano frágil. — Por favor. — Sua voz saiu mais sensual do que ela queria e o garçom logo a atendeu. — Obrigada. — disse ela recebendo sua cerveja gelada, e depois de uma piscadela para o garçom, que se derreteu todo, ela voltou para a pista mais animada do que quando saiu.
Quando as modelos estavam totalmente prontas, Emelly pediu para que todas sorriram, e que quando chegassem em Austrália, uma grande surpresa as esperavam, uma boa e outra ruim, deixou todas ansiosas, vibradas, e apaixonadas ainda mais. Emelly pegou o noivo e a filha saindo dos bastidores e foram sentar em seus lugares, porque a noite era das joias do império Parsos, os tecidos formosos dos Santinelli, a textura das cores da maquiagem de Renato, e claro, os modelos desenhados e usados de Guilder.Quando a música começou a soar no interior, Eva apareceu com um sorriso no rosto, o vestido solto por todo corpo com alcinhas finas, a maquiagem leve e o cabelo amarrado no topo como uma tranca congelada, o sorriso de orelha a orelha. Luara levantou da cadeira batendo palmas sem parar, Eva havia feito à menina prometer que bateria palmas quando entrassem, e assim como apostado, ela estava, e todas que entrava ela fazia o mesmo, animada, feliz com tudo aquilo.As cores, as pessoas, e todas as mo
Emelly entrou no apartamento olhando ao redor, Luara ainda estava em seu colo, olhou para a cozinha ouvindo socos serem desferidos, tinha que ajudar Nicolas, mas primeiro esconderia Luara... Luara não podia ficar sozinha, Emelly olhou para a porta aberta, ambos lutavam no chão, olhou de volta para o apartamento correndo para perto das janelas e encarou as portas do quarto de Nicolas, correu até ali entrando, olhou ao redor procurando algum esconderijo e ouviu o barulho de garrafas quebrando, eles estavam dentro do apartamento.— Mas que droga! — Emelly correu até a cama e colocou Luara em pé — Querida, eu quero que fique aqui, escondida, entendeu? — Luara não expressou nada, seus olhos estavam cheios de lágrimas, segurou os ombros de Emelly e fez um bico enorme — Querida não chore, eu preciso ajudar o papai. — Emelly tentou ir, mas Luara ainda a segurava — nada vai acontecer com você, fique aqui, não saia daqui.Luara a soltou por dois segundos e Emelly se afastou, saiu do quarto fecha
Na volta para o apartamento de Nicolas, Emelly passou pela academia de Maria, visitou-a com um sorriso enorme, prometeu voltar é claro, e disse que o tempo era curto para tudo que queria contar. Trocaram e-mails e celulares, e com um aceno, Emelly voltou para o carro e seguiu para o apartamento do Santinelli. Uma mensagem tinha chegado ao celular, afirmando que a família já estava quase reunida, faltava apenas a mãe naquela casa. Emelly se apressou e chegou logo. Deu as chaves para o manobrista e subiu correndo para o apartamento. Ao sair do elevador, sentiu-se nostálgica, lembrou-se da chave de Nicolas na bolsa e abaixou a cabeça para busca-la, parou em frente à mesma e girou a chave para abrir, porém... Uma voz familiar a deixou paralisada, e mesmo sem olhar na direção, ela sussurrou a pessoa que rezou para que nunca mais encontrasse...— Fernando?— Emelly...— A voz ele podia lhe causar arrepios por todo corpo, não entendia como, ou o porquê daquele homem ir parar justamente em um
— Eu não preciso da ajuda de vocês há muito tempo. Desde quando me mudei para aquele apartamento com Nicolly e Raissa que se tornou a minha família. — Vanessa abaixou a cabeça — Não tente me colocar como a mulher mais monstruosa de todo o universo, porque não sou, e nunca serei.— Eu entendo, agora, o que foi tudo isso. O porquê de nunca ter nos dito sobre Luara, ou qualquer coisa da sua vida — Mario falou ainda sentado em sua cadeira, de cabeça baixa e, pensativo. — Isso tudo foi um castigo, um castigo que tínhamos que passar pelo mal que fizemos.— Eu não quero esse castigo. — Vanessa voltou a falar, Mario a olhou, calando-a na mesma hora.— Não se trata do que nós querermos ou não, ele foi dado pela nossa filha, uma filha que não demos tanto valor, ou atenção como ela merecia. — Emelly sorriu. Pelo menos um deles já havia entendido. — Mas Emelly, com essa distância ou não, com o castigo ou não, eu quero lembra-la que ainda é a nossa única filha, e que um dia, irá herdar tudo isso. T
— Me desculpem por ter saído dessa forma, na verdade, somente eu precisava ir, mas arrastei Nicolas porque também não poderia ir sozinha — Mario olhava de Nicolas e Emelly para a pequena entre eles, Luara só sabia rir olhando rosto por rosto, corando a cada pessoa. — houve um problema na minha agência em Austrália. Emanuel foi esfaqueado por um psicopata. E Nicolly e Luara ficaram sozinhas.— Quem é Luara? Ela? — Guilherme sorriu malicioso — Ah meu Deus, vocês tem uma filha. — riu novamente dando a volta na mesa, ansioso para chegar perto da pequena, no entanto, Nicolas deu um passo à frente, o impedindo — oh, que foi maluco?— Não ensine a mesma coisa que você ensina para o diabo loiro.— Nicolas! — Rafael ficou de pé, emburrado. — Qual é? É meu filho.— Deixa comigo — Guilherme empurrou o irmão para o lado e abaixou perto de Luara — eu sou o Tio Guilherme, o irmão mais velho e mais bonito do seu pai. — Luara olhou para Emelly e correu até o homem o abraçando forte. Guilherme não ente
Ao entrarem, Luara deu as mãos para os pais e ficou entre eles, pulando quando queria, sorrindo para todos que assistiam a pequena família adentrarem o lugar. Não havia como se confundir ou tempo para perguntar a alguém quem era a pequena entre Nicolas Santinelli e Emelly Parsos, a filha do grande império e herdeira de tudo aquilo que tinha em seu sobrenome forte, cheio de poder e dinheiro, ao olharem para os olhos verdes como os de Emelly, os cabelos negros como os de Nicolas, e a pele tão clara como a de ambos, os sorrisos iam aparecendo, assim como a confusão por todo lugar.O elevador abriu no andar da reunião e assim que a secretaria ficou de pé, se assustou com a pequena e seu sorriso gentil. No entanto, a imagem da garota foi coberta pela de Emy, que cruzou os braços olhando de um para o outro e então ficou a pequena sorridente.— E vocês ainda tentaram esconder de mim? Nicolas, eu achei que fosse sua melhor amiga, sabia? — Emelly quem sorriu e se aproximou de Emy trazendo sua f







