LOGINO céu de Oxford naquela manhã estava velado por uma bruma fina, quase melancólica, que envolvia as torres góticas e os corredores seculares com uma reverência silenciosa. O ar tinha um aroma de terra molhada e livros antigos, uma mistura que parecia ter sido feita sob medida para os corredores do conhecimento. As folhas das árvores dançavam em silêncio, e os passos dos alunos se espalhavam como
Sophia chegou em casa vinte minutos depois, com o cabelo encharcado pela garoa. O apartamento pequeno ainda estava aquecido do café da manhã e cheirava a maçã e canela, graças à vela aromática sobre a bancada.Trocou de roupa rapidamente, vestiu uma calça larga e um suéter confortável, prendeu o cabelo em um coque bagunçado e colocou a chaleira no fogo. Quando Anne Marie chegou, com uma caixa de rosquinhas e um sorriso cúmplice, Sophia já estava sentada no sofá com uma manta sobre as pernas.— Bom, ruiva... — disse a amiga, jogando a bolsa no chão e largando os sapatos perto da porta. — Conta tudo, desde o começo.Sophia soltou o ar com força e escondeu o rosto entre
Sophia caminhou pelos corredores de pedra da faculdade com as mãos fechadas em punhos ao redor da ficha de leitura. O coração ainda acelerado, o peito quente como se tivesse saído de uma corrida.Ele estava ali.Não um vulto de lembrança, não uma ilusão provocada por saudade ou arrependimento, mas ali. De carne, osso, intelecto afiado e olhos intensos como naquela noite em Londres. O professor, o homem. O desconhecido que havia feito com que ela se despisse não apenas das roupas, mas de qualquer máscara, qualquer armadura que sempre a protegiam.Cada passo que ela dava pelo campus parecia ecoar em sua mente como um tambor. As vozes de outros alunos se tornavam ruídos indistintos, o som das folhas sendo arrastadas pelo vento so
Sophia mantinha os olhos no caderno, mas suas anotações eram desconexas. Palavras soltas, setas sem direção. A caneta tremia levemente entre os dedos. Aquilo não podia estar acontecendo. Tinha se preparado para tudo, menos para encontrá-lo ali. O homem cuja boca conhecia cada curva de seu corpo. O homem cujo nome ela não sabia até aquela manhã.Pietro Vincenzo Ferrara.O renomado professor de Oxford. O homem com quem ela havia perdido o controle. O homem que, naquela noite, a fez esquecer quem era e o que fazia ali.Sophia sentia o coração bater no fundo do estômago. A cada palavra dele, algo dentro dela estremecia. E ao mesmo tempo, se odiava por aquilo. Ela havia sido cuidadosa. Anônima. Rápida em desapare
O céu de Oxford naquela manhã estava velado por uma bruma fina, quase melancólica, que envolvia as torres góticas e os corredores seculares com uma reverência silenciosa. O ar tinha um aroma de terra molhada e livros antigos, uma mistura que parecia ter sido feita sob medida para os corredores do conhecimento. As folhas das árvores dançavam em silêncio, e os passos dos alunos se espalhavam como ecos contidos pelo pátio de pedras gastas.Pietro Vincenzo Ferrara cruzou os portões do Departamento de Direito Penal com a compostura de um homem que conhece bem o território em que pisa. O terno escuro moldava-se perfeitamente ao seu corpo alto e forte. Os cabelos loiros, levemente ondulados, estavam penteados para trás, ainda úmidos do banho matinal, revelando a cicatriz fina sobre a sobrancelha direita, um tra&
O sol da tarde invadia o apartamento de Paulo Sipriano como um intruso descarado, atravessando as janelas amplas da sala de estar com uma luz dourada que destacava cada detalhe do ambiente sofisticado, desde as prateleiras repletas de livros de arquitetura e filosofia, até o bar discreto ao lado da lareira. Na varanda, algumas plantas sobreviviam milagrosamente à negligência, e o som leve do jazz que tocava ao fundo completava a atmosfera que beirava o cenário de um filme europeu.Pietro entrou sem bater, como era de costume, com uma garrafa de uísque na mão e uma expressão de quem ainda não havia digerido totalmente a noite anterior.Paulo estava recostado no sofá, descalço, com uma taça de vinho tinto na mão e a camisa branca desabotoada até o peito. Levantou os olhos e
O sol já começava a subir no céu, tingindo as janelas com tons dourados quando Sophia destrancou a porta de seu apartamento. Entrou em silêncio, os saltos altos nas mãos e o vestido vermelho levemente amarrotado colado ao corpo como uma segunda pele testemunha de pecados noturnos.Fechou a porta devagar, como se quisesse prolongar aquele último instante entre dois mundos. De um lado, a madrugada incandescente no motel com um homem que ela nem sabia o nome. Do outro, sua rotina de sempre, com paredes que já a conheciam bem demais. Sophia encostou-se à madeira da porta e soltou um longo suspiro, meio riso, meio desespero.— Você é maluca, Sophia... — murmurou para si mesma, com os olhos brilhando, os lábios ainda marcados de beijos que pareciam arder em cada centímetro da pele.Sem acender as luzes, ela atravessou a sala iluminada apenas pela luz tênue do dia e foi tirando o vestido pelo caminho. O tecido escorregou pelas curvas de seu corpo, revelando a pele pálida e sensível, marcada







