MasukPietro não era do tipo que frequentava festas barulhentas, muito menos em uma sexta-feira à noite. Seu mundo girava entre livros de Direito Penal, aulas rigorosamente preparadas, e a expectativa silenciosa de um sonho antigo: lecionar em Harvard.
Aos trinta e oito anos, sua vida era pautada pela disciplina, sem espaço para distrações, especialmente aquelas que vinham em forma de saias curtas, risadas fáceis e noites imprevisíveis.
Foi por insistência de Alessandro, seu melhor amigo e também professor, que se viu ali: encostado no balcão de um bar elegante, com luzes âmbar refletindo nos copos de uísque e música vibrando no chão de madeira.
— Você precisa viver um pouco, Pietro. Nem tudo é crime, culpa e pena. — disse Alessandro, brindando consigo mesmo.
Pietro fingiu um sorriso.
A música era alta demais, o cheiro de perfume alheio misturava-se ao álcool no ar, e ele já pensava na desculpa que daria para ir embora… até que a viu.
Ela atravessou o salão como se tudo ao redor estivesse em câmera lenta. Jovem, talvez nos vinte e poucos. Pele clara, cabelos ruivos como labaredas vivas e olhos tão verdes que pareciam desafiar qualquer coerência. Mas foi o vestido que tirou o ar de Pietro.
Era curto, preto, justo nas curvas, com um decote indecente. Quando ela virou ele quase teve um sangramento nasal ao ver as costas nuas da menina expostas. O tecido leve se moldava ao corpo como se tivesse sido costurado sobre sua pele. Uma alça caía propositalmente de um dos ombros, como quem diz: Sei o que estou fazendo.
Ela não parecia procurar ninguém. Dançava para si mesma, com os olhos fechados, os braços elevados, como uma dança hipnótica e envolvente. Ele sentiu todo corpo arrepiar e desviou os olhos, desconcertado. Ela era jovem demais. Bonita demais. Erótica demais. Não era para ele.
Paulo já não estava mais ao seu lado, estava conversando com uma loira perto de onde eles estavam. Pietro resmungou e deu um gole na sua bebida.
— Filho da puta me deixou sozinho! — resmungou.
Como se o destino estivesse prestes a lhe pregar uma peça, Sophia se aproximou de Pietro sentando no bar próximo a ele, cruzou as pernas com sensualidade deliberada e pediu uma bebida.
Ele desviou o olhar. Bebeu e respirou. Mas o perfume dela, uma mistura de baunilha com pecado, já o havia alcançado.
Minutos depois, ela se aproximou. Passou por ele como uma brisa quente, e parou bem ao seu lado no balcão.
— Essa música é boa — disse, com a voz doce, mas firme.
— É — respondeu Pietro, sem encará-la. A tensão o fazia parecer mais velho, mais sério do que realmente era.
Ela virou de lado, apoiou o cotovelo no balcão e o encarou de frente.
— Você parece desconfortável… Está esperando alguém?
— Não. Vim com um amigo — respondeu, tentando manter a compostura.
Ela riu, brincando com o canudo do drink.
— Então que tal dançar comigo?
Pietro a olhou pela primeira vez com atenção. Aqueles olhos. Aquela boca. Aquela pele. Tudo nela parecia uma provocação aos seus anos de controle. Ele hesitou. Ela era jovem, vibrante, e o estava escolhendo, justo ele, onde tinha vários jovens ali.
— Não sou bom nisso — tentou recuar.
— Não precisa ser — sussurrou, já puxando sua mão. — Eu guio você.
E ele foi.
A pista de dança estava cheia, mas parecia vazia ao redor deles. A música era um pop sensual, com batida grave e arrastada. Ela se virou de costas para ele, encaixando-se em seu corpo sem pedir permissão. Rebolava com ritmo, lentamente, como se estivesse marcando cada passo com a intenção de fazê-lo perder o juízo.
Pietro mantinha as mãos próximas ao próprio corpo, mas logo ela pegou uma e a pousou em sua cintura.
— Relaxa… é só uma dança.
Mas não era.
Ela se esfregava nele como se fossem velhos amantes. Seus cabelos ruivos roçavam no queixo dele, e o perfume doce invadia seus sentidos. Quando girou de frente e o envolveu pelo pescoço, Pietro não conseguiu mais fingir.
Seus corpos estavam colados. O vestido curto, permitia que sua coxa se insinuasse entre as pernas dele. Os quadris dela se moviam num vai-e-vem lento e deliberado. Ela mordia o lábio inferior e o olhava com a ousadia de quem sabia exatamente o que causava.
Pietro já não pensava em moral. Não pensava em Harvard. Pensava no calor do corpo dela, no modo como seus seios roçavam contra seu peito, no arrepio que sentia toda vez que ela deslizava os dedos por sua nuca.
Ele se aproximou do ouvido dela e sussurrou com a voz rouca:
— Está se divertindo? — sua voz grave invade os ouvidos de Sophia, como uma carícia pecaminosa.
— Estava. — sorri, deslizando a mão pelo ombro dele.
— O que houve? — Sua voz falha ao sentir o toque.
— Um homem muito interessante me puxou para dançar.
— Interessante pode ser bom… ou perigoso. — Ele engole seco. A mão dele escorrega da cintura para o meio das costas, sentindo o calor da pele.
— Depende do que ele quer. — Sophia ergue o queixo e suas orbes brilham.
Pietro sorri e aproxima o rosto do dela e sussurra:
— Quero uma noite. — As palavras saem antes que ele planeje — Sem nomes, sem promessas, sem consequências.
O coração dela dispara e sua resposta é um murmúrio:
— Vamos para outro lugar?
— Achei que nunca fosse perguntar.
Sem dizer mais nada, ela pegou a bolsa, entrelaçou os dedos nos dele e o puxou para fora da pista. O salto de seus sapatos batia firme contra o chão, e Pietro sentia o coração disparado como se estivesse cometendo um crime.
Talvez estivesse. Mas era o tipo de crime… que ele não queria se defender.
Sophia chegou em casa vinte minutos depois, com o cabelo encharcado pela garoa. O apartamento pequeno ainda estava aquecido do café da manhã e cheirava a maçã e canela, graças à vela aromática sobre a bancada.Trocou de roupa rapidamente, vestiu uma calça larga e um suéter confortável, prendeu o cabelo em um coque bagunçado e colocou a chaleira no fogo. Quando Anne Marie chegou, com uma caixa de rosquinhas e um sorriso cúmplice, Sophia já estava sentada no sofá com uma manta sobre as pernas.— Bom, ruiva... — disse a amiga, jogando a bolsa no chão e largando os sapatos perto da porta. — Conta tudo, desde o começo.Sophia soltou o ar com força e escondeu o rosto entre
Sophia caminhou pelos corredores de pedra da faculdade com as mãos fechadas em punhos ao redor da ficha de leitura. O coração ainda acelerado, o peito quente como se tivesse saído de uma corrida.Ele estava ali.Não um vulto de lembrança, não uma ilusão provocada por saudade ou arrependimento, mas ali. De carne, osso, intelecto afiado e olhos intensos como naquela noite em Londres. O professor, o homem. O desconhecido que havia feito com que ela se despisse não apenas das roupas, mas de qualquer máscara, qualquer armadura que sempre a protegiam.Cada passo que ela dava pelo campus parecia ecoar em sua mente como um tambor. As vozes de outros alunos se tornavam ruídos indistintos, o som das folhas sendo arrastadas pelo vento so
Sophia mantinha os olhos no caderno, mas suas anotações eram desconexas. Palavras soltas, setas sem direção. A caneta tremia levemente entre os dedos. Aquilo não podia estar acontecendo. Tinha se preparado para tudo, menos para encontrá-lo ali. O homem cuja boca conhecia cada curva de seu corpo. O homem cujo nome ela não sabia até aquela manhã.Pietro Vincenzo Ferrara.O renomado professor de Oxford. O homem com quem ela havia perdido o controle. O homem que, naquela noite, a fez esquecer quem era e o que fazia ali.Sophia sentia o coração bater no fundo do estômago. A cada palavra dele, algo dentro dela estremecia. E ao mesmo tempo, se odiava por aquilo. Ela havia sido cuidadosa. Anônima. Rápida em desapare
O céu de Oxford naquela manhã estava velado por uma bruma fina, quase melancólica, que envolvia as torres góticas e os corredores seculares com uma reverência silenciosa. O ar tinha um aroma de terra molhada e livros antigos, uma mistura que parecia ter sido feita sob medida para os corredores do conhecimento. As folhas das árvores dançavam em silêncio, e os passos dos alunos se espalhavam como ecos contidos pelo pátio de pedras gastas.Pietro Vincenzo Ferrara cruzou os portões do Departamento de Direito Penal com a compostura de um homem que conhece bem o território em que pisa. O terno escuro moldava-se perfeitamente ao seu corpo alto e forte. Os cabelos loiros, levemente ondulados, estavam penteados para trás, ainda úmidos do banho matinal, revelando a cicatriz fina sobre a sobrancelha direita, um tra&
O sol da tarde invadia o apartamento de Paulo Sipriano como um intruso descarado, atravessando as janelas amplas da sala de estar com uma luz dourada que destacava cada detalhe do ambiente sofisticado, desde as prateleiras repletas de livros de arquitetura e filosofia, até o bar discreto ao lado da lareira. Na varanda, algumas plantas sobreviviam milagrosamente à negligência, e o som leve do jazz que tocava ao fundo completava a atmosfera que beirava o cenário de um filme europeu.Pietro entrou sem bater, como era de costume, com uma garrafa de uísque na mão e uma expressão de quem ainda não havia digerido totalmente a noite anterior.Paulo estava recostado no sofá, descalço, com uma taça de vinho tinto na mão e a camisa branca desabotoada até o peito. Levantou os olhos e
O sol já começava a subir no céu, tingindo as janelas com tons dourados quando Sophia destrancou a porta de seu apartamento. Entrou em silêncio, os saltos altos nas mãos e o vestido vermelho levemente amarrotado colado ao corpo como uma segunda pele testemunha de pecados noturnos.Fechou a porta devagar, como se quisesse prolongar aquele último instante entre dois mundos. De um lado, a madrugada incandescente no motel com um homem que ela nem sabia o nome. Do outro, sua rotina de sempre, com paredes que já a conheciam bem demais. Sophia encostou-se à madeira da porta e soltou um longo suspiro, meio riso, meio desespero.— Você é maluca, Sophia... — murmurou para si mesma, com os olhos brilhando, os lábios ainda marcados de beijos que pareciam arder em cada centímetro da pele.Sem acender as luzes, ela atravessou a sala iluminada apenas pela luz tênue do dia e foi tirando o vestido pelo caminho. O tecido escorregou pelas curvas de seu corpo, revelando a pele pálida e sensível, marcada







