INICIAR SESIÓNNATÁLIA
Acordei antes mesmo do despertador. Por alguns segundos, fiquei olhando para o teto, tentando entender por que meu coração estava tão acelerado. Então me lembrei. Meu primeiro dia. Um sorriso apareceu involuntariamente em meus lábios. Eu ainda não conseguia acreditar. No dia anterior, eu havia entrado naquela empresa como uma candidata, sem saber se teria alguma chance. Algumas horas depois, eu havia sido contratada. E agora, estava prestes a voltar para lá como funcionária. Levantei-me rapidamente e fui me arrumar. Escolhi uma roupa simples para sair de casa e prendi os cabelos. Enquanto tomava um café rápido, minha mente continuava repetindo a mesma frase. Eu consegui. Peguei minha bolsa e saí. O caminho até a empresa pareceu mais curto do que no dia anterior. Quando o enorme edifício apareceu diante dos meus olhos, respirei fundo. — Primeiro dia, Natália. Entrei. O saguão estava movimentado, exatamente como eu lembrava. Fui até a recepção e expliquei que havia sido contratada no dia anterior. A recepcionista conferiu algumas informações e me orientou a seguir para o décimo quarto andar. Peguei o elevador. Quando as portas se abriram, Sandra já estava me esperando. — Natália! Bom dia. — Bom dia. Ela sorriu e me entregou uma pequena sacola. — Aqui está seu uniforme. Depois colocou um crachá sobre o balcão. — E este é seu acesso à empresa. Peguei o crachá com cuidado. Ver meu nome ali, acompanhado do nome do Grupo Almeida, causou uma sensação estranha. Era oficial. Eu realmente trabalhava ali. — Obrigada. — O banheiro fica no final do corredor. Pode se trocar e depois subir diretamente para o andar da presidência. Assenti. — Certo. Alguns minutos depois, já com o uniforme, parei diante do espelho. A saia preta era justa marcando minhas curvas, mas adequada ao ambiente profissional. A blusa tinha um decote discreto e o blazer completava o uniforme. Ajeitei o crachá e respirei fundo. Eu precisava me acostumar com aquilo. Saí do banheiro e fui diretamente para o elevador. Quando cheguei ao andar da presidência, caminhei até a sala do Lucas. Bati. — Entre. Abri a porta. Lucas estava atrás da mesa, analisando alguns documentos. — Bom dia, senhor Almeida. Ele levantou os olhos. Por alguns segundos, pareceu me observar. — Bom dia. Sente-se. Aproximei-me. Ele pegou uma pasta e colocou sobre a mesa. — Esses documentos precisam ser organizados por prioridade. Os contratos mais urgentes ficam separados dos demais. — Certo. — Também preciso que você me passe minha agenda de hoje. Abri meu bloco. — Às dez, reunião com o setor financeiro. Ao meio-dia, uma reunião rápida com Gabriel. Às duas, reunião sobre o novo empreendimento e, às quatro, uma videoconferência com os investidores. Lucas assentiu. — Alguma alteração? — Não. — Ótimo. Ele apontou para a porta. — Sua mesa fica ali fora. Se precisar de alguma coisa, me avise. — Certo. Saí e me sentei na minha estação de trabalho. Abri a primeira pasta. E comecei. Não demorou muito para eu esquecer o nervosismo. Os documentos exigiam atenção, então me concentrei completamente. Foi pouco antes das onze que ouvi uma voz conhecida. — Natália! Levantei a cabeça. Marina vinha caminhando pelo corredor com um sorriso enorme. Levantei-me imediatamente. — Marina! Ela me abraçou. — Eu estou tão feliz! Começamos a rir. — Finalmente estamos trabalhando juntas. — Eu ainda não acredito que aconteceu tão rápido. Marina colocou as mãos na cintura. — Agora somos as secretárias dos poderosos. — Dos poderosos? — Claro. Você cuida do Lucas e eu do Gabriel. Não podia ficar melhor. Ri. Ela ficou alguns minutos conversando comigo antes de voltar para sua mesa. Eu retomei o trabalho. Quando percebi, já passava do horário do almoço. Continuei digitando. Marina apareceu novamente. — Você ainda está trabalhando? — Só preciso terminar isso. — Natália. — É rapidinho. Ela cruzou os braços. — Não. Você vai almoçar. — Mas... — Sem mas. Antes que eu pudesse protestar, Marina pegou meu braço e me arrastou pelo corredor. — Você precisa aprender a se alimentar nessa empresa. Acabei rindo. Depois do almoço, voltei para minha mesa. Lucas estava saindo da sala acompanhado de Pedro. — Natália. — Sim? Ele colocou algumas pastas sobre minha mesa. — Preciso que organize isso até o fim do dia. Olhei para a pilha. — Certo. — Estou indo para uma reunião. Ele já estava se afastando quando voltou o rosto. — E não esqueça de atualizar minha agenda. — Pode deixar. Quando ele desapareceu pelo corredor, respirei fundo. Peguei uma garrafa de água e, depois, fui até a pequena copa buscar um café. Voltei para minha mesa com a xícara nas mãos. Passei as horas seguintes trabalhando. Contratos. Relatórios. Agenda. E-mails. Quando finalmente terminei, já era quase o final do expediente. Recostei-me na cadeira. Eu havia conseguido concluir tudo. Olhei para a enorme janela no final do corredor. O andar estava silencioso. Levantei-me e caminhei até ela. A cidade se estendia diante dos meus olhos. Por alguns segundos, esqueci completamente onde estava. Aquela vista me fez lembrar de minha mãe. Lembrei das vezes em que ela dizia que eu precisava acreditar mais em mim. Engoli em seco. — Você gostaria disso, mãe. Sorri tristemente. Fiquei alguns segundos ali, perdida nas lembranças. Até que me virei e bati em alguém. A xícara que estava sobre a mesa ao lado caiu. Eu também quase perdi o equilíbrio. — Cuidado! Levantei os olhos. Lucas. E, ao lado dele, Pedro. Meu rosto ficou vermelho. — Desculpa! Pedro começou a rir. — Não acredito! Lucas olhou para mim, depois para a própria roupa. Pedro ria cada vez mais. Olhei para Lucas. — Eu posso limpar. Aproximei-me. — Não precisa. — Mas eu... Lucas segurou meu pulso. O gesto me fez parar. Seu olhar encontrou o meu. — Eu disse que não precisa. Assenti imediatamente. Ele soltou meu pulso. Pedro continuava segurando o riso. Lucas respirou fundo. — Vamos para minha sala. Pedro o acompanhou. Eu fiquei parada por alguns segundos. Meu coração estava disparado. Será que ele vai me demitir? Pouco depois, Pedro saiu da sala. Ele parou diante de mim e estendeu uma camisa. — Leve isso para a lavanderia. Peguei a peça. — Claro. Saí rapidamente. Quando voltei, algum tempo depois, caminhei até a sala de Lucas. Bati. Não ouvi resposta. Abri a porta devagar. E parei. Lucas estava de costas para mim, diante da enorme janela. Sem camisa. Fiquei imóvel por alguns segundos. Não consegui evitar reparar na postura dele, nos braços fortes e nas costas definidas. Ele parecia completamente distraído, olhando para a cidade. Apertei a camisa entre os dedos. Foi então que ele se virou. Nossos olhos se encontraram. Meu coração disparou. Lucas olhou para a camisa em minhas mãos e depois para o meu rosto. Uma sobrancelha se levantou. — Vai ficar só olhando? Meu rosto queimou. — Eu... Ele estendeu a mão. — Ou vai me entregar a camisa? — Desculpa. Aproximei-me rapidamente e entreguei a peça. Lucas pegou a camisa e começou a vesti-la. Eu virei o rosto imediatamente. — Já posso ir? — Natália. — Sim? Ele continuou fechando os botões da camisa. — Antes disso, preciso que faça outra coisa. Meu coração afundou. Claro. Mais trabalho. — O que precisa? — Existem algumas pastas no depósito do segundo andar. Ele terminou de fechar o último botão. — Quero que você pegue as pastas referentes aos contratos do primeiro trimestre. Elas estão separadas por mês. Peguei uma caneta para anotar. — Certo. — Janeiro, fevereiro e março. — Entendi. — Depois organize por ordem alfabética e coloque sobre a minha mesa. Assenti. — Tudo bem. Lucas me encarou por alguns segundos. Saí da sala. Quando olhei para o relógio, quase não acreditei. Já estava tarde. Mas eu não queria ir embora deixando qualquer coisa incompleta. Então continuei. Fui até o depósito. Peguei as pastas. Organizei uma por uma. Conferi os documentos. Voltei para minha mesa e continuei trabalhando. Quando finalmente terminei, o andar estava praticamente vazio. Olhei para a sala de Lucas. A porta estava fechada. Soltei um suspiro cansado. Peguei minha bolsa. Eu poderia estar cansada, irritada e até mesmo com vontade de jogar todas aquelas pastas pela janela. Mas uma coisa era certa. Eu não permitiria que Lucas Almeida me fizesse desistir. Amanhã eu estaria ali novamente. E, se ele quisesse me encher de trabalho, teria que descobrir que havia escolhido a pessoa errada para tentar derrubar.POV NATÁLIAA manhã estava tranquila no andar da presidência. Eu estava sentada à minha mesa revisando alguns documentos e respondendo aos e-mails que haviam chegado logo cedo. Ao meu lado, Pedro e Gabriel conversavam sobre um projeto enquanto esperavam por uma reunião.Eu tentava me concentrar no trabalho, mas os dois não pareciam dispostos a manter o silêncio.— Se você continuar alterando esses números, o orçamento nunca vai fechar — Alex comentou, olhando para a planilha.— O problema não são os números. O problema é que você está cortando justamente onde não deveria — Gabriel respondeu.Pedro soltou uma risada.— Vocês dois estão discutindo por causa disso desde cedo?— Porque ele não entende que algumas mudanças são necessárias — Gabriel rebateu.— E você não entende que precisamos respeitar o orçamento — Alex respondeu.Pedro balançou a cabeça, divertido.Revirei os olhos, mas não consegui evitar um pequeno sorriso.— Vocês dois deveriam discutir isso em outro lugar — falei, se
POV LUCASA noite estava agradável e, pela primeira vez naquela semana, eu não precisava pensar em contratos, reuniões ou problemas da empresa.Estava sentado em uma mesa no canto do bar com Gabriel, Pedro e Alex. Os três discutiam sobre alguma partida de futebol enquanto eu apenas observava, tomando minha bebida.— Eu ainda não entendo como vocês conseguem discutir tanto por causa de futebol — Alex comentou.— Porque você não entende nada de futebol — Pedro respondeu.— E você entende?— Muito mais que você.Gabriel soltou uma risada.— Vocês dois são ridículos.— Ridículo é você torcer para aquele time — Pedro rebateu.— Vamos mudar de assunto — falei, já cansado daquela discussão.Pedro apontou para mim.— Está vendo? É por isso que ele é o único sensato dessa mesa.— Não. Ele só quer que vocês parem de falar — Alex corrigiu.— Também. — Ri baixo.Era exatamente por isso que gostava de estar com eles. Apesar das provocações, eram os poucos momentos em que eu conseguia esquecer um p
NATÁLIASábado à noite.Depois de uma semana intensa de trabalho, eu só queria esquecer um pouco da rotina. Precisava rir, conversar e passar algumas horas longe de planilhas, reuniões e, principalmente, dos pensamentos que vinham me acompanhando nos últimos dias.Pensamentos sobre Lucas. Balancei a cabeça diante do espelho.— Para com isso, Natália — murmurei para mim mesma.Peguei minha bolsa e saí de casa. Quando cheguei ao apartamento de Marina, toquei a campainha. Poucos segundos depois, a porta se abriu.— Finalmente! — Marina falou, abrindo um sorriso. — Achei que você tinha desistido de vir.— Claro que não. Eu só demorei um pouco para me arrumar — respondi, entrando.— Um pouco? — Luísa apareceu atrás dela. — Você demorou quase uma hora.— Vocês estavam contando?— É claro — Camila respondeu, sentada no sofá com uma taça de vinho nas mãos. — Não temos nada melhor para fazer.Ri e deixei minha bolsa sobre uma cadeira.— Vocês são impossíveis.Marina fechou a porta e me entrego
Acordei lentamente, o corpo ainda preso numa espécie de névoa quente e confusa. Por alguns segundos, o cérebro teimou em acreditar que eu estava no meu próprio quarto, na cama larga e fria que compartilhava com Helena. Mas o cheiro era diferente. O colchão, não. Era o sofá. O tecido macio contra a minha pele, o apoio um pouco baixo demais para as costas, a posição torta em que eu tinha desmaiado horas antes.O apartamento estava silencioso. Silencioso demais.Abri os olhos de verdade. A luz da manhã filtrava pelas cortinas finas, pintando o chão de um dourado pálido. Levantei o tronco, sentindo cada músculo reclamar. Passei a mão pelo rosto, pelo cabelo bagunçado, e olhei ao redor como se o ambiente pudesse me dar alguma resposta.— Natália?A voz saiu mais baixa do que eu pretendia. Rouca. Estranha até para mim.Nenhuma resposta.O silêncio me incomodou de imediato. Ontem ela parecia forte, firme, resolvida a não se deixar abalar. Mas eu tinha visto o tremor nas mãos dela quando falo
NatáliaA segunda-feira parecia não ter fim. Desde que cheguei ao Grupo Almeida naquela manhã, minha mesa não ficou vazia nem por cinco minutos. Eram contratos para conferir, reuniões para remarcar, ligações de clientes importantes e uma sequência interminável de e-mails que pareciam se multiplicar sempre que eu respondia um.Quando olhei para o relógio do computador, já passava das dezoito horas.Finalmente.Alonguei discretamente os ombros e comecei a organizar minha mesa. Gostava de deixar tudo impecável antes de ir embora. Era uma mania antiga, daquelas que minha mãe dizia que eu herdara dela.O último andar já estava praticamente vazio. Marina apareceu ao lado da minha mesa segurando a bolsa.— Até amanhã, Nat.Sorri.— Até amanhã. Vai descansar.— Você também. Não fica trabalhando até tarde.Ela lançou um olhar divertido para a porta da presidência antes de entrar no elevador.— E tenta convencer o chefe a fazer o mesmo.Balancei a cabeça, rindo.— Boa noite.Assim que ela foi e
LUCASO ronco do motor ecoou pelo autódromo no instante em que pisei mais fundo no acelerador. O carro respondeu imediatamente. A curva surgiu à minha frente e reduzi apenas o suficiente para manter o controle. Alguns metros atrás, Gabriel tentava diminuir a distância, enquanto Pedro e Alex disputavam posição logo depois.Sorri de lado. Fazia semanas que não dirigia daquele jeito. Ali, dentro do carro, eu não era presidente do Grupo Almeida. Não existiam contratos, reuniões, investidores ou funcionários esperando respostas. Muito menos um casamento fracassado me esperando em casa. Ali, existia apenas velocidade. Cruzei a linha de chegada alguns segundos antes dos outros.Diminuí a velocidade e conduzi o carro até os boxes. Assim que desliguei o motor, Gabriel estacionou ao meu lado.— Você continua insuportável.Abri a porta e saí do carro. — Perdeu de novo. — Porque você roubou.Ri.— Essa desculpa já tem uns dez anos.Pedro estacionou logo atrás.— Eu falei que ele ia levar isso c







