登入Acordei com dor de cabeça, a sensação de que iria cair era real, olhei para frente e metade do bolo estava comido, eu sorri e olhei para o lado tentando procurar pela Anna, mas só via silencio, eu aproveitei aquele momento e fui ate o banheiro lavar meu rosto, eu me sentia muito melhor! Nós passamos a noite toda conversando e relembrando da nossa infância, parei e me olhei no espelho.
Eu não conseguia me reconhecer e nem como eu tinha chegado naquele momento, eu tinha engordado um pouco, minha sobrancelhas por fazer, pequenas olheiras apareciam no meu rosto e meu cabelo com alguns fios brancos que insistiam em aparecer.
- Obvio que ele nunca iria se interessar por alguém como eu! – Sai dali e fui pra sala, mandei uma mensagem e marquei um horário no salão, os fios brancos me incomodavam porque era algo que a Milena constantemente fazia questão de apontar toda vez que me via, eu não tinha o que fazer, desde os 18 anos eu tinha aquela mexa de cabelo branco e por mais que eu pintasse, eles sempre voltavam e eu odiava aquilo.
- Lenaaaaaa – ouvi uma porta batendo e quando olhei pra trás a Anna estava com duas malas gigantes , olhei surpresa
- Vai se mudar? Ou o que? – Perguntei desconfiada
- Vamos viajar... ela disse colocando as malas no canto
- Vamos?? – eu olhei pra ela assustada
- Vamos sim - ela sorriu e se jogou do meu lado... – Vamos para Viena minha amiga
- Viena? – Olhei pra ela – Você sabe que eu não tenho dinheiro né?
- Você não, mas eu tenho e nós vamos!!! Esse é o meu presente de aniversário e você vai aceitar, inclusive esta na hora de você tirar férias
- Mas meus pais....
- Lena, chega!!! Eles não vão morrer, inclusive eles ligaram pra saber como você estava?? – eu desviei o olhar! – Pois é! Quando fui na sua casa pegar as suas roupas, eles não falaram nada... Amiga, eu sei que eles são seus pais, mas assim ta na hora de você construir a sua vida.
- Eu sei, mas é que....
- É o que? Eles nunca te ajudaram com nada! Tudo sempre foi pro George e para a Milena, você precisou parar a faculdade quantas vezes para ajudar eles? Até a faculdade daquela nojenta você teve que ajudar? E tudo pra que? O Que eles fizeram com o dinheiro que seu avô deixou? Você não pode mais viver assim.... Eu sei que ela tem os problemas dela, mas assim ela não é responsabilidade sua!
- Eu sei Anna, mas é que eu tenho medo de algo dar errado e eu ser a culpada! – Admiti
- Culpada de que? De querer viver sua vida? Quantas vezes você deixou de fazer as coisas por conta deles? Não era pra você estar passando isso e nem eles... Se els agissem como pais e parecem de fazer os caprichos dela, nada disso teria acontecido.
- Eu sei...
Pior de tudo é que ela estava certa, nossa família sempre foi bem de vida, mas de uns anos pra cá por contas de investimentos ruins acabamos perdendo muito dinheiro, arrumei um emprego enquanto George tentava recuperar o escritório do papai, todos tivemos que abrir mão de alguma coisa, menos a Milena, eu entendia que por conta do “problema” que ela tinha meus pais acabavam cedendo mais do que deveria, há alguns anos ela foi diagnosticada com um problema no coração, no qual ela não podia passar por muitos estresses.
- Combinado, mas antes preciso arrumar esse cabelo...
Ela pegou meu cabelo e sorriu
- Precisa mesmo, vamos eu te levo!
Eu peguei minha mala e escolhi uma peça de roupa confortável, quando me olhei no espelho
- Pareço uma velha que quer ser adolescente...
Anna me olhou sorrindo
- Eu acho você muito mais nova do que é...
Eu sorri e só aceitei, amarrei meu cabelo em um coque desajeitado e descemos conversando, não queria me lembrar de ontem.
Ao chegarmos no salão eu olhei e parei por um instante, eu senti que meu corpo perdeu o equilíbrio e eu quase cai, senti alguém me segurando, tentei me recompor da melhor forma que eu consegui,
- Maninhaaaaa, você está bem? – ela me olhava com um sorriso malicioso, eu engoli a seco e respondi que sim com a cabeça e fui até a recepção, ignorando todo o resto, ao meu lado Anna segurava no meu braço.
- Lena, você ta bem?
Eu respondi que sim com a cabeça, eu reconheceria aquela voz até de olhos fechados, eu não sentia meu rosto queimar, já até imaginava o que estava por vir.
Eu só respirei fundo e fui pra cadeira onde minha cabelereira me aguardava, tentei parecer normal e calma, mas podia sentir que estavam me olhando, eu conseguia escutar a Milena conversando e rindo com o Ethan, a raiva me consumia, eu sei que não deveria me sentir assim, mas eu não conseguia, simplesmente estava no meu limite, se fosse em qualquer outra situação eu ficaria de bem, mas hoje eu não conseguia, não depois de tudo.
Respirei fundo e só aceitei que ele não era para mim, tentei com todas as forças aceitar que nós dois nunca aconteceria, depois de algumas horas consegui me sentir melhor e quando me olhei no espelho, eu finalmente gostei do que vi, meu cabelo estava mais curto e repicado, eu sorri.
Quando fomos pagar, eu acabei me encontrando com os dois de novo, eu sabia que ela estava fazendo aquilo pra me irritar, eu só ignorei.
- Nossa acho que esse corte não ficou muito bom em você, devia deixar o cabelo crescer, não acha Ethan? – Ela disse rindo e segurando no braço dele.
Olhei para os dois e ele só me olhava sério.
- Não me lembro de ter pedido sua opinião... – Olhei pra ela com desprezo e voltei a conversar com a recepcionista. Eu podia sentir os olhos deles sobre mim, mas já não me importava mais, estava cansada.
Me virei e quando estava para sair, senti um puxão no meu braço e quando me virei pra minha surpresa era o Ethan que me segurava, tentei puxar meu braço, mas ele continuava segurando meu braço, suspirei e fiquei encarei ele.
Eu ainda tentava entender como ele continuava tão bonito e como ainda tinha esse poder sobre mim, tentei puxar meu braço de novo e nada, olhei em volta tentando procurar por Anna, mas ela estava ainda dentro do salão conversando com a recepcionista, ela estava tão entretida que nem viu que eu já tinha saído, suspirei aceitando minha derrota.
Alex começou a fazer parte dos meus dias de um jeito que eu não esperava.Não era constante.Não era sufocante.Era simplesmente natural.Às vezes ele mandava uma mensagem.Em outras ocasiões, passávamos dias sem conversar.E, estranhamente, eu gostava disso.Não havia cobrança.Não havia aquela sensação de que eu precisava responder imediatamente para não perder alguma coisa.E eu às vezes me perguntava se ele lembrava de mim.Uma tarde, ele me ligou.- Você está ocupada?- Sempre.- Isso é um sim?- Depende.- Tenho uma proposta.- Isso parece perigoso.Ele riu.- Preciso de uma opinião.- Sobre trabalho?- Mais ou menos.Quando cheguei à Aureon, percebi que ele queria mostrar uma parte da empresa.Eu nunca tinha entrado ali antes.Era diferente de tudo que eu imaginava.Tecnologia por todos os lados, pessoas andando de um lado para outro, telas com gráficos, projetos espalhados pelas mesas.- Você gosta disso? - perguntei.- Gosto.- Mesmo?- Mesmo.- Então você tem sorte.Ele olho
Para minha felicidade ou nem tanto Ethan começou a aparecer mais.Não de uma maneira óbvia.Era sempre alguma coisa pequena.Ele parecia saber quando estava fazendo alguma coisa na empresa do George, sei que os dois tinham negóocios, mas começou a ficar algo insustentável.Uma mensagem perguntando se eu tinha chegado bem.Um café deixado na minha mesa.Uma piada no corredor.Uma lembrança qualquer da infância.No começo, eu achei que estava imaginando.Depois percebi que não.Ele estava tentando se aproximar, ele sempre ia ate minha "sala" e ficava perguntando as coisas, era como se tivesse marcando território.O problema era que eu já não sabia se queria que ele conseguisse.Depois que eu sai da meu trabalho, George me perguntou se poderia ajuda-lo no sábado, tinha muito trabalho acumulado e ele iria para la no final de semana, pra colocar tudo em ordem e como eu precisava de um dinheiro extra eu não neguei.Eu estava muito cansada, mas com a mudança e como estava comprando os móveis
Eu comecei a pesquisar possibilidades.Não contei para ninguém.Nem para George.Nem para Anna.Muito menos para meus pais.Eu tinha medo de falar em voz alta e descobrir que aquilo era apenas mais uma fantasia.Então fiz o que sempre fazia.Pesquisei.Cursos.Estágios.Museus.Projetos.Vagas.Tudo.Até encontrei algumas oportunidades que pareciam possíveis, não imediatamente.Mas um dia.Segui minha vida, mas não conseguia deixar de pensar nessa possibilidade.Na sexta-feira, eu estava saindo da faculdade quando encontrei Ethan.Ele estava encostado no carro.- O que você está fazendo aqui?- Esperando você.- Por quê?- Precisamos conversar.Suspirei.- Você já falou isso.- Eu sei.Ele parecia diferente.Mais sério.- Eu estou tentando entender algumas coisas.- E conseguiu?- Não.Quase ri.- Pelo menos é honesto.Ele olhou para mim.- Eu sei que te machuquei.Fiquei quieta.- E eu sei que talvez você nunca consiga me perdoar.- Eu não sei.- Mas eu não queria que você pensasse q
Naquela noite, eu sentei no chão da sala cercada por livros.A faculdade estava começando a ocupar cada espaço do apartamento e, pela primeira vez, eu não me importava.Abri um livro sobre história da arte e comecei a fazer anotações.Era engraçado.Quando eu estudava aquilo, o tempo passava diferente.Eu esquecia do trabalho.Esquecia da minha família.Esquecia de Ethan.Até de Alex.Talvez fosse por isso que eu gostasse tanto.Meu celular vibrou.Anna."Você está livre amanhã?""Depende.""Tenho uma reunião com aquele cliente impossível.""Parabéns.""Ele pediu alguém que entendesse de arte."Parei."Anna...""Eu sei.""Você não pode me jogar nessa.""Posso.""Não.""Você pode pelo menos olhar o material?"Suspirei."Me manda."Ela mandou.Passei quase uma hora analisando as imagens, eu já havia mandando algumas coisas para Anna, mas o pessoal dela não conseguia fazer uma conexão que deixasse o cliente satisfeito.Havia algo estranho na campanha.Não era simplesmente uma questão de
Eu ignorei a mensagem de Ethan.Não porque não me importasse.Justamente pelo contrário.Eu sabia que, se respondesse, voltaria para o mesmo lugar.Aquele lugar onde cada palavra dele parecia ter importância demais.Na segunda-feira, encontrei Ethan na empresa.Ele estava esperando por mim.- Você não respondeu.- Eu estava ocupada.- Lena...- Ethan, eu realmente não quero conversar agora.Ele caminhou ao meu lado.- É sobre a Milena.Parei.- O que aconteceu?- Ela está chateada.Quase ri.- Claro.- Ela acha que você está tentando afastar ela de mim.Olhei para ele sem acreditar.- Eu?- Eu sei que não é isso.- Então por que você está aqui?Ele ficou em silêncio.- Porque eu estou confuso.Aquela frase me atingiu.Eu respirei fundo.- Ethan, eu não quero mais ser responsável pela sua confusão.- Eu não estou pedindo isso.- Está sim.- Não.- Então o que você quer?Ele me encarou.Por um segundo, pareceu que ia responder.Não respondeu.- Eu não sei.Sorri tristemente.- Então des
Os dias seguintes foram estranhamente tranquilos.Talvez tranquilos demais.Eu continuava trabalhando, estudando e tentando organizar meu apartamento. Ainda tinha caixas espalhadas pela sala, mas já conseguia encontrar minhas coisas sem precisar abrir todas.Comecei a cozinhar mais.Descobri que gostava de escolher uma receita, colocar música e passar horas na cozinha.Era uma das poucas coisas que não exigiam que eu fosse perfeita.Um sábado, fiz massa para Anna.Ela chegou carregando uma garrafa de vinho.- Eu trouxe reforços.- Para quê?- Para o caso de a comida estar ruim.- Você é uma ótima amiga.- Eu sei.Ela entrou e olhou ao redor.- Você está diferente.- Todo mundo está dizendo isso.- Porque é verdade.Coloquei os pratos sobre a mesa.- Diferente como?- Mais você.Fiquei quieta.Não sabia explicar aquela sensação.Talvez eu realmente estivesse começando a descobrir quem era quando ninguém estava me dizendo quem eu deveria ser.Depois do jantar, Anna começou a falar sobre







