LOGINÀs vezes, o maior recomeço da nossa vida começa depois que perdemos tudo o que jurávamos não conseguir viver sem. Ela perdeu o homem que amava. Perdeu os planos. Perdeu a casa. Perdeu a versão de si mesma que acreditava conhecer. Determinada a reconstruir sua vida, Helena Collins promete nunca mais entregar o coração a ninguém. Mas o destino parece ter outros planos. Enquanto o passado retorna com perguntas sem resposta, um homem misterioso cruza seu caminho justamente quando ela decide que amar não faz mais parte dos seus planos. Entre reencontros, segredos e escolhas impossíveis, Helena descobrirá que algumas pessoas entram em nossa vida para nos ensinar a amar... E outras, para nos ensinar quem realmente somos.
View More- Droga – passei a mão no rosto enquanto tentava tirar o excesso de água, me escondi embaixo de um pequeno telhado tentando me proteger da chuva que caia torrencialmente, eu olhava em volta e via a quantidade de água que insistia em cair. Eu suspirei um pouco e por mais que gostasse da chuva, ela cair naquele momento me causava uma certa angustia.
Dei uma risada amarga ao lembrar dos últimos acontecimentos, eu estava tentando segurar para não chorar, eu não conseguia entender o que eu precisava fazer para que as coisas começassem a dar certo, eu sempre tentei muito e parecia que as coisas só não aconteciam.
Eu olhei em volta e só desisti, sentei no chão e olhei em volta suspirando, senti uma pequena vibração e quando olhei vi que tinham algumas ligações e eu dei um pequeno sorriso e só guardei de volta no meu bolso.
Naquele momento eu me sentia a pessoa mais fracassada do mundo e não só porque eu tinha um trabalho que eu odiava, mas eu me sentia assim porque mais uma vez eu me sentia humilhada, parecia que o universo conspirava para me fazer parecer uma idiota na frente de todos.
- Helena, mais um ano e mais uma desilusão pra conta... – eu sorri de novo pensando no gosto amargo que tudo aquilo tinha.
Tudo começou a dar errado quando me apaixonei pelo Ethan, ele era um amigo do meu irmão de infância, eu não sei em que momento isso aconteceu, ele era dois anos mais velho e era tudo o que toda mulher iria querer, alto, forte, e tinha uma lábia que encantava qualquer uma, só que além de mim tinham mais umas 50 mulheres e pra ser sincera isso nunca foi um problema, até hoje.
Eu nunca tive esperança com ele, sou o oposto, enquanto ele tem facilidade em falar, eu sou tímida, enquanto ele tem milhões de amigos, eu tenho apenas uma, enquanto ele sai e viaja pelo mundo, eu nunca nem tinha saído do meu estado, então era estatisticamente impossível e eu tinha aceitado aquilo, então eu tentava tocar minha vida, torcendo pra conhecer alguém e sei lá tocar minha vida, isso aconteceu alguma vez? Não... mas eu tentava....
Mas para minha sorte, minha irmã achou um antigo diário de quando eu era pequena e achou que seria legal mostrar para todos, hoje... logo hoje no dia do meu aniversário de 33 anos, como se todos já não me achassem uma fracassada ainda descobriram que eu era apaixonada por ele desde criança!
Eu lembro dos rostos me encarando e segurando a risada enquanto ela lia cada página na frente dos nossos amigos e da família, eu não sabia onde me esconder, o pior era o olhar dele, ele me olhava como se estivesse com pena enquanto a Milena gargalhava com os amigos.
Balancei a cabeça tentando esquecer tudo aquilo, eu não entendia como tudo aquilo podia ter acontecido e acho que minha reação também não ajudou, eu só sai, não briguei e nem fiz show, só larguei todos lá na minha festa de aniversário, não que eu soubesse que tinham feito, mas assim foi constrangedor.
Eu não sabia o que iria fazer, não sabia como poderia voltar para casa, peguei meu celular tremendo
- Anna... falei com a voz falhando
- Pode vir pra cá, já estou te esperando
Eu desliguei e me preparei pra enfrentar a chuva de novo, eu corri e fui em direção a casa da Anna, a chuva batia no meu rosto, eu enfiava meus pés quase em todas as poças de água, mas me sentia mais aliviada com tudo aquilo.
Apertei a campainha e escutei um clique, eu entrei e vi que estava molhando todo a entrada da casa, suspirei por não ter o que fazer. Eu chamei o elevador e entrei tremia um pouco de frio, quando cheguei no andar vi que ela me aguardava na porta com os braços abertos, eu corri e só deixei acontecer, eu chorei muito, acho que nunca chorei tanto quanto naquele momento, eu não conseguia falar, eu sentia um aperto no meu peito e com a minha garganta seca.
- Não sei como ela pode fazer, aquilo na frente de todos. – Ela passava as mãos pelo meu cabelo e me puxava para dentro, eu vi que estava molhando toda a casa dela e me contive na porta, ela sorriu e me olhou:
- Você não ouse, vem logo isso depois eu limpo,
- Anna... Eu .... – comecei a chorar de novo
Ela me olhou e limpou minhas lagrimas
- Olha vai lá tomar um banho... – ela acariciou meus braços – não quero que você fique doente!
Eu sorri e fui ate o banheiro, tirei aquela roupa molhada e quando liguei i chuveiro e senti a agua quente me enfiei ali e só abaixei a cabeça e deixei a água correr, eu só não queria pensar em nada daquilo agora.
Quando saí, coloquei um roupão e coloquei uma toalha na cabeça, quando sair ela estava segurando uma taça de vinho e eu só peguei e me joguei no sofá.
- A Milena passou da conta dessa vez, ela não tem noção nenhuma a vontade que eu tive quando ela começou foi ter socado a cara dela.
- Anna eu nem sei o que pensar, tipo como meus pais deixaram isso acontecer?
- Lena, você sabe que seus pais não iriam falar nada! Eles só aceitam todas as merdas que ela faz... – Ela estava tremendo, eu olhei pra ela por um momento e sorri, a gente tinha se conhecido na escola, e desde então a gente era amiga, sempre cuidamos uma da outra.
- Anna, eu sei la só achei que ia ser diferente?
- Realmente foi! Ela acabou com a festa que demorei semanas para organizar.... Eu não entendo.... Ai que vontade de...
Segurei a mão dela e sorri, ela sorriu também
- Tá tudo bem, amiga eu agradeço demais por tudo! – Me encostei no sofá e agradeci por ter pra onde ir, não queria voltar para casa – Sabe? Acho que ela meio que ta certa em alguns pontos, eu me sinto meio fracassada...
- Se tá de brincadeira comigo né? Fracassada onde? – ela me olhava serio – Aquele discursinho que ela fez, aquilo não existe....
- Anna, eu voltei pra faculdade agora, trabalho com uma coisa que eu odeio, moro com os meus pais, não tenho namorado e filhos... nem um cachorro eu tenho!
- Lena, você esta louca!!! Pode parar com isso agora! Você se esforçou muito pra conquistar tudo isso e sem ajuda.... Você não pode realmente acreditar nisso!
- Eu me sinto assim... não sei...
Olhei pra ela com vontade de chorar, ela pegou minha mão e sorriu, se levantou do sofá e correu para a cozinha, quando voltou estava com o bolo da festa na mão e com as velas acessas, eu comecei a sorrir enquanto ela cantava pra mim.
- Não acredito que você pegou o bolo de lá... – ela colocou na minha frente e colocou o chapeuzinho por cima da tolha mesmo.
- Peguei, você achou mesmo que eu deixaria o seu bolo de aniversário para eles? – Ela sorriu – Agora vamos comer tudo... Mas antes faz um pedido!
- Anna... – Olhei pra ela com cara de deboche
- Lena, é seu aniversário... quem sabe o que pode acontecer??!! Ela sorriu
Eu balancei a cabeça e fechei os olhos sorrindo, assoprei as velas e pedi: que tudo seja diferente dessa vez...
Alex começou a fazer parte dos meus dias de um jeito que eu não esperava.Não era constante.Não era sufocante.Era simplesmente natural.Às vezes ele mandava uma mensagem.Em outras ocasiões, passávamos dias sem conversar.E, estranhamente, eu gostava disso.Não havia cobrança.Não havia aquela sensação de que eu precisava responder imediatamente para não perder alguma coisa.E eu às vezes me perguntava se ele lembrava de mim.Uma tarde, ele me ligou.- Você está ocupada?- Sempre.- Isso é um sim?- Depende.- Tenho uma proposta.- Isso parece perigoso.Ele riu.- Preciso de uma opinião.- Sobre trabalho?- Mais ou menos.Quando cheguei à Aureon, percebi que ele queria mostrar uma parte da empresa.Eu nunca tinha entrado ali antes.Era diferente de tudo que eu imaginava.Tecnologia por todos os lados, pessoas andando de um lado para outro, telas com gráficos, projetos espalhados pelas mesas.- Você gosta disso? - perguntei.- Gosto.- Mesmo?- Mesmo.- Então você tem sorte.Ele olho
Para minha felicidade ou nem tanto Ethan começou a aparecer mais.Não de uma maneira óbvia.Era sempre alguma coisa pequena.Ele parecia saber quando estava fazendo alguma coisa na empresa do George, sei que os dois tinham negóocios, mas começou a ficar algo insustentável.Uma mensagem perguntando se eu tinha chegado bem.Um café deixado na minha mesa.Uma piada no corredor.Uma lembrança qualquer da infância.No começo, eu achei que estava imaginando.Depois percebi que não.Ele estava tentando se aproximar, ele sempre ia ate minha "sala" e ficava perguntando as coisas, era como se tivesse marcando território.O problema era que eu já não sabia se queria que ele conseguisse.Depois que eu sai da meu trabalho, George me perguntou se poderia ajuda-lo no sábado, tinha muito trabalho acumulado e ele iria para la no final de semana, pra colocar tudo em ordem e como eu precisava de um dinheiro extra eu não neguei.Eu estava muito cansada, mas com a mudança e como estava comprando os móveis
Eu comecei a pesquisar possibilidades.Não contei para ninguém.Nem para George.Nem para Anna.Muito menos para meus pais.Eu tinha medo de falar em voz alta e descobrir que aquilo era apenas mais uma fantasia.Então fiz o que sempre fazia.Pesquisei.Cursos.Estágios.Museus.Projetos.Vagas.Tudo.Até encontrei algumas oportunidades que pareciam possíveis, não imediatamente.Mas um dia.Segui minha vida, mas não conseguia deixar de pensar nessa possibilidade.Na sexta-feira, eu estava saindo da faculdade quando encontrei Ethan.Ele estava encostado no carro.- O que você está fazendo aqui?- Esperando você.- Por quê?- Precisamos conversar.Suspirei.- Você já falou isso.- Eu sei.Ele parecia diferente.Mais sério.- Eu estou tentando entender algumas coisas.- E conseguiu?- Não.Quase ri.- Pelo menos é honesto.Ele olhou para mim.- Eu sei que te machuquei.Fiquei quieta.- E eu sei que talvez você nunca consiga me perdoar.- Eu não sei.- Mas eu não queria que você pensasse q
Naquela noite, eu sentei no chão da sala cercada por livros.A faculdade estava começando a ocupar cada espaço do apartamento e, pela primeira vez, eu não me importava.Abri um livro sobre história da arte e comecei a fazer anotações.Era engraçado.Quando eu estudava aquilo, o tempo passava diferente.Eu esquecia do trabalho.Esquecia da minha família.Esquecia de Ethan.Até de Alex.Talvez fosse por isso que eu gostasse tanto.Meu celular vibrou.Anna."Você está livre amanhã?""Depende.""Tenho uma reunião com aquele cliente impossível.""Parabéns.""Ele pediu alguém que entendesse de arte."Parei."Anna...""Eu sei.""Você não pode me jogar nessa.""Posso.""Não.""Você pode pelo menos olhar o material?"Suspirei."Me manda."Ela mandou.Passei quase uma hora analisando as imagens, eu já havia mandando algumas coisas para Anna, mas o pessoal dela não conseguia fazer uma conexão que deixasse o cliente satisfeito.Havia algo estranho na campanha.Não era simplesmente uma questão de












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