LOGINElena Sokolova
O quarto do hotel é lindo e luxuoso, nunca entrei em um lugar como esse.
Pego meu celular e vejo uma mensagem de Patrick:
“Não acredito que aceitou a oferta desse estranho.”
“Amiga, estou preocupado com você. Quero que me mande sempre uma foto e sua localização, por favor.”
Sorrio ao ver as mensagens dele. Meu coração se aquece ao saber que meu amigo se preocupa comigo. Respondo dizendo que estou bem. Mando a foto e a localização, como ele havia pedido.
Volto a observar o cômodo, e quando estou distraída, observando cada detalhe, ele abre a porta do banheiro, saindo apenas com uma calça preta.
O corpo dele parece que foi esculpido, cada movimento ressalta seus músculos e eu desvio o olhar. Não quero ficar encarando-o nem admirando-o para que não acredite que terá algo mais comigo. Apesar que para esse homem eu poderia abrir uma exceção.
— Preciso que você me conte a sua história para que eu possa ajudá-lo — falo, quando ele pega o telefone do quarto para pedir comida.
Estou sentada na cama, usando um vestido leve na cor creme que vai até os joelhos. Ele desliga o telefone e se senta na poltrona próximo a porta de vidro que dá para a varanda.
— O que quer saber? — pergunta, sua voz grave e imponente mesmo com uma pergunta tão simples.
Ele apoia o tornozelo direito sobre o joelho esquerdo e recosta, apoiando uma das mãos sobre a coxa. Seus olhos verdes me fuzilam e por um segundo esqueço o que ia perguntar. Um sorriso safado cruza o rosto dele e eu sei bem o que passa por sua mente.
Procuro me concentrar em outra coisa que não seja o seu peito nu.
— Sobre a mulher que você quer fazer ciúmes, sobre a festa, as pessoas que vão estar lá e o que você espera que eu faça.
Ele mantém a pose despojada ao me responder.
— Ela é minha ex-mulher. — Começa. — Seu nome é Anya Lebedeva. Tivemos um relacionamento de cinco anos, dele nasceu minha filha de três anos, Zara Voronov.
Aceno em concordância.
— E vocês não estão juntos há quanto tempo? — faço a pergunta, remexendo-me, pois o olhar dele me aquece. Não sei se é proposital, mas Mikhail me olha nos olhos enquanto fala.
— Poucos meses. — O homem se coloca de pé e anda na minha direção. — A reunião é hoje à noite, acho que devemos combinar algumas coisas.
O tom de voz dele é firme e não dá espaço para que eu negue, e na verdade, nem posso fazer isso. Estou aqui para ser a sua falsa namorada, e eu creio que teremos mesmo que treinar a nossa aproximação.
— O que precisamos praticar? — pergunto, também me levantando.
Ele passa a mão pela minha cintura e me puxa para que eu cole meu corpo no dele.
— Quando eu fizer isso, você não pode fazer essa cara de assustada. — Um pequeno sorriso brinca na face dele.
— E como eu devo agir então? — Forço minha voz a sair e mesmo assim ela sai vergonhosamente rouca.
Ele pega uma das minhas mãos e a coloca sobre seu peito e se aproxima mais de mim. Prendo a respiração.
— Você vai sorrir — diz simplesmente. — E depois me beijar.
Os lábios dele se aproximam dos meus e eu fico paralisada. Ele vai me beijar e eu não sei como agir. Posso sentir o calor da respiração dele se misturar a minha, uma de suas mãos descem da cintura, indo para meu quadril e minha coxa.
Sei que é apenas uma cena, um ensaio, mas meu corpo parece não entender e se aquece, as pernas estremecem e me sinto molhada. Droga. Vou sair machucada dessa brincadeira.
Quando sua boca estava a milímetros da minha, batem na porta e ele me solta. Caio sentada no carpete fofo.
Ele simplesmente vira as costas e vai até a porta, abre e um funcionário do hotel entra com um carrinho de comida. Com as bochechas coradas de vergonha, me coloco de pé. Fingindo que eu só estava sentada no chão.
Discretamente, esfrego a bunda. O tapete pode ser fofo, mas não é anti-impacto.
Mikhail empurra o carrinho para perto da cama. Nem mesmo olha para mim. Fico o observando incrédula, enquanto enche um prato com guloseimas. E eu achando que ele voltaria para continuar o que começamos.
“Nem mesmo vai pedir desculpas pela indelicadeza?”
— Não vai vir comer? — questiona de boca cheia, sem olhar na minha direção.
Me aproximo dele e me sento ao seu lado, pegando um prato também.
— Não te educaram na infância? — questiono e Mikhail me olha de esguelha, parando de mastigar. — Não falar de boca cheia; oferecer a comida; pedir desculpas quando for indelicado com uma pessoa, principalmente quando essa pessoa cai de bunda no chão. — Alfineto.
Ele volta a mastigar e agora ele tem um olhar divertido.
— Eu fui educado, sim. Não achei que você fosse de vidro. — Ele volta a sua atenção para o prato.
Encaro-o por um tempo. Homem arrogante. Mas lembro-me que neste momento ele é como meu chefe, então fecho a boca e começo a me servir.
A refeição segue em silêncio. O funcionário do hotel vem buscar o carrinho de comida e Mikhail deita-se na cama.
— É melhor descansar — fala ele de olhos fechados.
— Posso saber onde? — inquiro de braços cruzados, pois está parecendo uma estrela do mar no centro do colchão. — A cama é grande, mas você também é.
Ele ri de forma contida, o som retumbando em seu peito. Mikhail se vira de lado, os olhos ainda fechados e o sorriso debochado brincando em seu rosto.
— Descanse — repete, como se estivesse dando uma ordem. — Antes de sairmos para a reunião vamos treinar mais um pouco.
Determina e eu não tenho o que responder. Agora, estou em seu território, à sua mercê... e com um contrato para cumprir. Então, só me resta descansar e me preparar para o que virá.
(Cena depois do epílogo)Viktor PetrovA areia ainda está presa aos meus pés quando entro no hotel. O banho resolveu parte do problema, mas a sensação de cansaço, não.Depois de passar horas na praia com todo o grupo, eu deveria estar pronto para dormir.Mas Yue e Mei decidiram que ninguém poderia terminar o dia sem jantar. E, como sempre, ninguém conseguiu convencê-las do contrário.O restaurante do hotel está movimentado.As mesas estão ocupadas, mas conseguimos reservar uma grande para todos. Mikhail e Elena estão sentados lado a lado.Alexei e Sofia discutem sobre alguma coisa que provavelmente começou como uma brincadeira, e Chernov está distraído com as netinhas.Mei começa a contar uma história que pega a curiosidade de todos. Estou sentado ao lado da Yue, meu joelho encosta no seu debaixo da mesa.Ela não se afasta. Olho para a minha namorada secreta.— Cansada?— Um pouco. — Coloco a mão sobre o joelho dela, apertando ali discretamente.Olho ao redor. O grupo está barulhento
(Cena antes do Epílogo)Zhao YueEu deveria estar fazendo uma mala para passar alguns dias na praia. Essa era a ideia. Roupas leves, biquínis, sandálias, protetor solar, talvez algum livro.Era isso que uma pessoa normal colocaria dentro de uma mala quando estivesse prestes a sair de férias.Eu, aparentemente, não era uma pessoa normal.Abro o compartimento falso da mala e guardo duas pistolas carregadas e dois carregadores. Olho para elas por alguns segundos.— Você não vai levar isso.A voz de Viktor vem atrás de mim.Nem preciso me virar para saber que ele está encostado no batente da porta.— Vou levar. — Fecho o compartimento, e coloco as roupas em cima.— Yue, estamos de férias. — Ouço o som da bengala que ele usa se aproximar de mim. Viro-me e o encaro.Ele avançou muito no último ano, e agora está quase independente, precisando apenas de uma bengala para ajudar no equilíbrio.— Nessas horas que o inimigo gosta de atacar — rebato e ele sabe que estou certa. — Um monte de mulher
(Cena depois do capítulo 164)Viktor PetrovAlgo apertava meu coração enquanto Yue estava lá dentro. Eu sei que ela pode se defender, mas algo me incomoda em tê-la lá dentro sem a minha presença.Me sinto um fraco por não poder ajudar, por ter que ficar preso em uma van, cercado de tecnologia porque não posso andar, muito menos correr.Assisto a invasão do local abandonado pelas câmeras portáteis que estão no corpo de alguns soldados. Yue tem uma em seu corpo, consigo ver seu percurso, suas lutas. E eu não sei o quanto que isso me deixa tranquilo ou aflito.Quando a vejo deixar o local com Sofia e Elena, me sinto aliviado, mas ainda não acabou, ela está trazendo Anastasia consigo.Respiro fundo. Anastasia, não, Corina. Anastasia foi uma mentira, era uma personagem criada para me enganar e não só a mim, mas a todos. Ela tentou matar uma criança amada por todos. Zara é pura inocência e ela tentou tirar a vida da criança.Do sentimento que eu havia criado por ela, só restou um desprezo p
(Cena que acontece depois do capítulo 147)Zhao YueEu estava na Rússia havia menos de vinte e quatro horas e já queria voltar para a China. Não porque estivesse com saudade de casa.Também não porque tivesse algum problema com a Rússia. O problema era minha irmã. Amo Mei do fundo do meu coração, mas havia me esquecido de como ela pode ser irritante.— Você não pode continuar assim.Olho para Mei por cima do meu celular.— Assim como?Ela cruza os braços e me encara com uma expressão que conheço muito bem. A expressão de quem está prestes a me dar trabalho.— Com essas roupas.Olho para a minha própria roupa. Não vejo problema algum.— Elas estão limpas. Qual o problema? — indago.— Não estou falando disso. — Ela coloca as mãos na cintura.— Então não vejo qual é o problema.Mei solta um suspiro exagerado.— Você só tem roupas pretas e brancas.— E? — Você precisa de roupas novas. De cores, de vestidos, de roupas leves... você só tem calças de couro e camisa.— Não preciso de nada di
Alexei MorozovUm ano depoisA vida não podia estar mais perfeita. Nossas gêmeas acabaram de completar um ano de vida, o filho do meu amigo também completou um aninho um mês antes e a sensação é que todas as coisas finalmente estão em seu lugar.Para comemorar, resolvemos tirar férias em família.É verão na Rússia, com dias longos, noites agradáveis e uma temperatura que faz os mais acostumados ao frio procurarem alguma sombra.Por alguns dias, ninguém falaria sobre negócios. Essa havia sido a regra de Mikhail. Uma regra que, considerando quem fazia parte daquele grupo, provavelmente não duraria até o fim da tarde, mas tentaríamos mantê-la.— Eu ainda acho que isso foi uma péssima ideia — resmungo, observando Mikhail lutar com as barras de ferro e o tecido colorido.— Você diz isso porque não sabe montar uma barraca — provoca Sofia, sentada sobre uma toalha, com Alina no colo.— Eu sei montar uma barraca.— Então por que não está ajudando?Olho para a estrutura.— Tem razão, eu não se
Sofia MorozovaMinhas filhas ficaram na incubadora por uma semana e então foram liberadas. Elas estavam com bom peso e saudáveis, mamando bem e respondendo a estímulos. Fiquei muito feliz com a notícia e chorei de alegria com as duas em meus braços.No fim, aquele mês internada valeu a pena.Agora tinha uma semana que elas estavam em casa e eu resolvi tomar um pouco do sol da manhã com as minha meninas, aproveitando o verão.Alexei contratou duas babás para me ajudar e eu pedi que elas estendessem um lençol sobre a grama embaixo de uma árvore e assim elas fizeram.A casa de Alexei, que se tornou nosso lar, é como uma casa de interior e eu estou amando isso, a distância de tudo e o silêncio.Alina está dormindo com sua chupeta rosa na boca. Os bracinhos rosados de fora e bochechinha corada. Ela tem os traços fortes do pai, os cabelos mais escuros.Ksenia se parece mais comigo com os cabelos loiros e os olhos azuis. Ela não está dormindo, pelo contrário, ela parece perceber todas as cor







