A CONTADORA PLUS SIZE DO CHEFE DA MÁFIA

A CONTADORA PLUS SIZE DO CHEFE DA MÁFIA

last updateÚltima atualização : 2026-10-16
Por:  Tônia Fernandes Atualizado agora
Idioma: Portuguese
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A CONTADORA PLUS SIZE DO CHEFE DA MÁFIA Chelsea nunca conheceu sua família. Abandonada recém-nascida à porta de um orfanato, cresceu entre freiras e teve seus estudos custeados por uma pessoa poderosa . Após se formar com excelência em Contabilidade, Penconquistou seu primeiro e único emprego: tornou-se a contadora e o braço direito de Domênico. Apaixonada por ele em segredo, Chelsea acredita estar longe do padrão das mulheres que cercam o chefe da máfia. Domênico, viúvo, pai de um menino de seis anos e noivo por conveniência, sempre enxergou nela sua funcionária mais leal e indispensável. Mas o que acontecerá quando Domênico deixar de enxergar apenas sua contadora e descobrir a mulher por trás dos números? E quando um segredo enterrado desde o nascimento de Chelsea revela que sua ligação a Domênico é muito maior do que qualquer um poderia imaginar.

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Capítulo 1

####CAPÍTULO 01

CHELSEA

Passo o dia inteiro distribuindo currículos, entrando em escritórios, empresas e estabelecimentos onde encontro alguma possibilidade de trabalho.

— Caminho por calçadas movimentadas, enfrento recepções frias e cruzo portas de vidro com o coração na mão.

— Eu entrego cada currículo tentando demonstrar segurança, mantendo a postura ereta e o olhar firme, mas já conheço a reação antes mesmo de ouvir a resposta.

— As pessoas analisam meus documentos, parecem interessadas na minha formação, observam minhas qualificações, e, quando levantam os olhos e observam meu corpo, alguma coisa muda.

— O brilho profissional no olhar do recrutador desaparece instantaneamente, substituído por uma distância desconfortável.

— O sorriso continua educado, porém a resposta é sempre praticamente a mesma.

— Nós vamos analisar seu currículo e entraremos em contato com você.

Eu agradeço, sorrio e vou embora, embora saiba que ninguém vai me ligar.

— Caminho até a calçada tentando engolir o nó que se forma na minha garganta, preciso trabalhar com urgência, porque meu aluguel está atrasado e minhas contas continuam chegando, independentemente de eu ter dinheiro ou não.

— Os avisos de cobrança estão acumulados sobre a mesa do meu apartamento e o proprietário já deixou claro que não vai esperar muito mais tempo.

— Tenho formação, tenho competência e sei trabalhar, mas parece que nada disso importa quando algumas pessoas decidem me julgar primeiro pelo tamanho do meu corpo.

Quando olho as horas, percebo que já são sete da noite, luz do dia já se foi completamente, dando lugar às luzes artificiais da cidade.

— Não tenho mais currículos para distribuir e estou exausta depois de passar o dia andando de um lado para o outro.

— Meus pés doem dentro dos sapatos desconfortáveis, minhas pernas estão cansadas e eu não tenho sequer dinheiro para pegar um ônibus e voltar para casa.

— A ideia de caminhar dezenas de blocos até o meu prédio me parece insuportável naquele momento.

— Sem saber o que fazer, caminho até uma praça e me sento em um dos bancos de concreto para descansar um pouco antes de enfrentar o caminho de volta.

Sei o que muitas pessoas pensam quando olham para mim, percebi o julgamento velado nos olhares que recebo na rua e no transporte público.

— Elas me veem gorda e imaginam que eu sou assim porque como demais, mas quem me dera ter tido comida em abundância durante toda a minha vida.

— A realidade da minha infância e juventude foi marcada pela escassez constante e pela incerteza sobre a próxima refeição.

Já passei tanta fome que, fizesse todo mundo emagrecer, eu já seria uma caveira, meu corpo simplesmente é assim, e eu não deveria precisar explicar isso para conseguir um emprego.

Me apoiou no banco da praça do central Parke, olho para o céu, observando as estrelas enquanto tento organizar meus pensamentos.

— O ar frio da noite começa a cortar a pele, mas a anestesia do cansaço é maior.

— Preciso encontrar uma solução para o aluguel, preciso conseguir trabalho e, acima de tudo, preciso parar de pensar que amanhã será apenas uma repetição deste dia.

— O desespero tenta me sufocar, mas faço um esforço consciente para manter a calma.

— Estou distraída olhando para o céu quando escuto o som de carros em alta velocidade e imediatamente volto minha atenção para a rua.

O ronco dos motores ecoa entre os prédios altos e o cantar dos pneus no asfalto quebra o silêncio da praça.

— Os veículos avançam depressa, atravessando o sinal, e logo escuto disparos.

— O som seco dos tiros corta o ar e faz meu sangue gelar, vejo um dos carros perder o controle, e rodopiar violentamente na pista e vir na direção da praça.

— Entrei em pânico, ao ponto de ficar paralisada por uma fração de segundo.

— Mas o medo que tomou conta de mim, fez eu despertar e correr para me esconder atrás do banco de concreto.

— Encolho meu corpo o máximo que posso contra a estrutura fria.

O carro continua rodopiando até bater diretamente contra o banco, e o impacto é tão forte que sinto a vibração atravessar o concreto e atingir meu corpo.

A poeira e os pedaços de vidro voam pelo ar, permaneci abaixada por alguns segundos, assustada com o barulho, com o cheiro forte de pneu queimado e combustível, mas então escuto alguém batendo na parte traseira do carro. — O som abafado de socos contra a lataria indica que ainda há vida ali dentro.

— Quando levanto a cabeça para olhar, percebo que o veículo começa a pegar fogo.

— Pequenas chamas surgem sob o capô amassado e começam a se alastrar rapidamente, vejo o motorista e entendo imediatamente que ele está morto, porque um tiro atravessou sua cabeça.

— O sangue escorre pelo painel e ele está completamente imóvel. Entretanto, alguém continua batendo lá dentro, e eu sei que existe outra pessoa naquele carro.

O instinto de preservação me manda fugir, mas a urgência de ver alguém preso às chamas fala mais alto, corro até o veículo, mesmo com o fogo começando a se espalhar, e tento abrir a porta traseira, a lataria blindada está deformada e a maçaneta não cede de primeira, vidro está quebrado e estalado, então retiro os pedaços que ainda atrapalham meu acesso e consigo alcançar a parte interna.

— O calor que emana do painel já é intenso e a fumaça começa a arder nos meus olhos, destravo a porta por dentro e, quando finalmente consigo abri-la, encontro um homem ferido, ele está consciente, mas claramente não consegue sair sozinho.

— Fica calmo, vou tirar o senhor daqui, não se preocupe, ele me encara com os olhos semicerrados pelo sofrimento e pela dor.

Vou puxar o senhor, seguro o homem e começo a puxá-lo para fora do carro, ele é grande e pesado, e não sei de onde consigo tirar forças para arrastá-lo, mas continuo sem parar, porque o fogo está aumentando e sei que temos pouco tempo.

— A fumaça preta começa a tomar conta do ar e o calor fica insuportável na minha pele.

— Eu puxo o homem para longe do veículo, avançando o máximo que consigo, usando todo o peso do meu corpo para arrastá-lo pelo gramado da praça, até chegarmos a aproximadamente vinte metros do local da batida.

Nós mal alcançamos essa distância quando o carro explode.

— A onda de choque nos atinge com força e o clarão ilumina a escuridão da noite, o estrondo é tão forte que eu me abaixo instintivamente, ainda segurando o homem, cubro ele com meu corpo, para que o fogo não o atinja, o fogo toma conta do veículo e, por alguns segundos, eu apenas olho para aquela cena, pensando que nós poderíamos estar dentro dele.

— A estrutura do carro se transforma em uma bola de fogo ardente em questão de segundos, os carros que estavam perseguindo o veículo passam direto, acelerando sem olhar para trás, enquanto as sirenes se aproximam e a polícia segue atrás deles.

— O som estridente das viaturas preenche a avenida. Alguns policiais permanecem nas proximidades para controlar o incêndio, e é nesse momento que o homem segura meu braço.

Os dedos dele se cravam no meu pulso com uma força surpreendente para alguém naquele estado.— Me esconda em algum lugar, eles não podem me ver aqui,

mesmo ferido o homem ainda tem forças para me pedir que o esconda.

— Olho para ele sem entender, respiração dele é fraca e há sangue sujando suas roupas e sua pele, está pálida, não posso ver onde está o ferimento, mas sigo seu pedido.

— O senhor está muito ferido, vou precisar chamar o socorro, está perdendo muito sangue.

— Me esconda, agora! Se eles me acharem, eu e você estamos mortos.

A voz dele é firme, um comando direto que não aceita recusa, não sei quem é aquele homem nem por que ele não pode ser encontrado, mas acabei de vê-lo quase morrer durante uma perseguição.

—Sei que deixá-lo ali na luz do fogo é perigoso se ele está fugindo de algo ou alguém.

— Passei os braço dele sobre meus ombros e o ajudo a caminhar para uma área mais fechada entre as árvores, mas para dentro do Central Park.

— O peso dele sobre mim é enorme, mas continuo avançando passo a passo, estamos no Central Park e, àquela hora da noite, a escuridão e a vegetação nos oferecem um lugar onde dificilmente alguém conseguirá nos enxergar na rua.

A fumaça do incêndio ainda pode ser vista ao longe, mas aqui entre as árvores a sombra nos cobre completamente.

— O homem se apoia enquanto tenta controlar a respiração e, mesmo ferido, parece saber exatamente o que precisa fazer.

— Ele mantém o autocontrole apesar do choque do acidente.

— Pegue meu celular no bolso do meu blazer e me dê, preciso pedir ajuda.

Eu o obedeço e retiro o aparelho do bolso dele, sem entender como ainda consegue permanecer consciente depois de tudo o que aconteceu.

— As mãos dele tremem levemente, mas os dedos digitam na tela com rapidez. Ele pega o celular e faz uma ligação.

— Venham me buscar, estou no Central Par bem dentro da mata,. John está morto, uma mulher me tirou do carro antes de explodir.

A voz dele é fria e calculada, sem demonstrar qualquer emoção sobre a morte do motorista.

— Ele encerra a chamada, eu olho novamente para a direção do acidente.

— A polícia está controlando o incêndio, outros veículos continuam passando e ninguém parece perceber que nós estamos escondidos entre as árvores.

— As luzes vermelhas e azuis das viaturas refletem nas folhas das árvores acima de nós.

— O senhor está bem? O acidente foi frio, eu estava sentada descansando, quando vi o seu carro desgovernado vim na minha direção, só deu tempo de correr para trás do banco.

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