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A violinista de St. Petersburg
A violinista de St. Petersburg
Author: Rafael Zimichut

Prólogo

last update publish date: 2021-08-13 19:59:24

AMANDA ABRAMOVICH respira fundo e se alegra consigo mesma, pois está à frente de toda a plateia e sorri satisfeita por ter finalmente conseguido alcançar a glória tão cedo, olha para a galeria à sua esquerda e vê seu pai que acena confiantemente com a cabeça e com o olhar fixo para ela demonstrando confiança que ela precisava naquele momento.

Ela sabia o quanto era importante a presença dele ali, seu trabalho impediu que participasse de muita coisa, mas ele se programou para que pelo menos no primeiro dia estivesse e participasse da noite mais especial e inesquecível de sua vida, tudo estava planejado desde o começo para aquela apresentação que seria a primeira de toda a sua vida.

Amanda admirou por um instante a beleza do teatro, muitas pessoas talentosas haviam passado por ali e ela seria mais uma que tinha gravado seu nome na história da música clássica russa, mas aquilo de certa forma a deixou triste porque não queria ser mais uma, ela sempre se sentiu única e era assim que iria encarar a sua carreira na música clássica, não seria uma nova Paganini ou um novo André Rieu, seria a mais espetacular violinista russa que aquele mundo já viu e sua longa jornada começava naquela noite.

O TEATRO DE DRAMA da Academia Estatal Russa Pushkin foi construído para a trupe imperial de Petersburgo (a trupe imperial foi fundada em 1756), foi aberto em 12 de setembro de 1832.

Desde 1832, o teatro tem ocupado um edifício de estilo Império que foi projetado por Karl Rossi. Foi construído entre 1828 e 1832 na Praça Alexandrinsky, agora Praça Ostrovsky, que está situado na Nevsky Prospekt, entre a Biblioteca Nacional da Rússia e o Palácio Anitchkov.

O teatro e a praça foram nomeados em homenagem à Imperatriz consorte Alexandra Feodorovna. O edifício faz parte do Patrimônio Mundial da UNESCO Centro Histórico de São Petersburgo e Conjuntos Monumentais Relacionados.

Era um dos muitos teatros da trupe imperial. Dramas, óperas, e balés estavam no palco. Somente nos anos 1880, o teatro se tornou de temática dramática e trágica.

As estreias de numerosas peças russas foram realizadas no palco do Alexandrinsky, incluindo peças de Alexandr Griboiedov, Alexander Ostrovsky e Anton Tchekhov. Os diretores famosos que encenaram o trabalho no teatro incluem Vsevolod Meyerhold, Grigori Kozintsev, Georgy Tovstonogov, e Nikolay Akimov.

ALGUÉM CHEGA POR TRÁS de Ivan Abramovich, pai de Amanda, e diz algo em seu ouvido, e rejeita gentilmente qualquer intervenção naquele momento, para ele, a estreia de sua única filha em um dos teatros mais respeitas do mundo era mais importante do que qualquer coisa que existisse no mundo.

Hoje o trabalho pode esperar...

O emissário diz que irá retransmitir a mensagem e sai sem fazer nenhum barulho.

Ivan havia dedicado a sua vida ao Exército Vermelho, o KGB e agora como chefe da SVR, mesmo a sua mentora, África de las Heras, já havia-o orientado que de vez em quando precisava se desligar do serviço, pois uma mente tranquila enxergava coisas que durante um furacão eram essenciais enxergar.

Naquele momento a coisa mais importante no mundo era a apresentação de sua filha, ele havia dedicado a sua vida ao país e estava prestes a se aposentar e começar sua carreira na política, mesmo ele sendo um legítimo representando da velha guarda soviética, ainda era visto com bons olhos pela sociedade.

AMANDA AJUSTA SUAVEMENTE o violino entre seu ombro e seu queixo, desanuvia sua mente de qualquer distração que tire a sua concentração e o silêncio absoluto da plateia que estava ali para vê-la ajudava, ela estava completamente compenetrada em sua música, eram um só naquele momento.

Seu pai sempre a ensinara que seu potencial máximo em qualquer coisa na vida era a concentração, se estivesse focada, com a respiração certa enxergaria coisas que nenhuma outra pessoa enxergaria na mesma situação.

Amanda faz o sinal para o maestro que bateu a batuta, os músicos se posicionaram e ele dá o sinal contando até três e começa a regência no mesmo instante que ela começa a tocar.

O tempo estava perfeito e o clima foi favorável para tudo o que aconteceria naquele instante.

NO GABINETE DE IVAN começa uma pequena e quase imperceptível luta entre os seguranças e um indivíduo mata os dois com uma pistola com um silenciador e logo em seguida mata Ivan que, por mais que fosse o agente de campo do KGB mais experiente que tinham, ninguém poderia sonhar que algo daquele tipo pudesse acontecer, algo bem parecido com o que aconteceu com o décimo sexto presidente americano Abraham Lincoln.

O ASSASSINO OLHA para seu assistente que confirma a morte dos seguranças do gabinete.

— Alguém notou alguma coisa?

— Está limpo, todos estão prestando atenção na apresentação na garota.

O assistente sorri satisfeito.

— Então vamos embora antes que alguém perceba.

AMANDA TERMINA a música ainda extasiada de emoção, era a sua primeira vez e ardentemente queria fazer aquilo pelo resto de sua vida, seu coração pulava de alegria e emoção em seu peito, tudo estava perfeito, principalmente sabendo que seu pai estava vendo.

Ela olha para o gabinete onde seu pai estava sentado e não o vê e não queria imaginar nada antecipadamente, ele havia prometido que não teria nada relacionado ao seu trabalho, ela o perdoou durante toda a vida e continuaria perdoando pelo resto que vivessem, mas aquele dia era exclusivamente dela e ele não poderia estragar aquele momento só porque o país estava em perigo.

Ela agradece à plateia da forma tradicional conforme o protocolo exigia, abaixando levemente o tronco e ficou longos cinco segundos sentindo e experimentando a energia que os aplausos fervorosos transmitiam a ela.

Se há sensação melhor do que esta eu desconheço...

Quando ela percebe que há algo de errado no lugar em que seu pai está, sai correndo em sua direção, ajoelhou-se ao seu lado e chora como nunca chorou em toda a sua vida, ela já havia perdido a mãe, seus dois irmãos e agora o pai...

E não tinha mais ninguém na vida em quem pudesse confiar.

O ASSASSINO AJEITA a gravata borboleta, olha para trás e vê a movimentação em torno de Ivan e sorri satisfeito por ter finalmente acabado com seu grande inimigo e sai tranquilamente do teatro como se a vida estivesse começando a partir daquele momento.

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