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Eu Aceito Saber

Author: Batistad
last update publish date: 2026-09-19 09:05:51

Darius

Entre no círculo dela. Divida a dor. Tome para si parte do que a rejeição deixou. Meu lobo avançou contra minhas costelas. Sim. O homem parou. Não porque não quisesse. Porque sabia que dor podia ser mais um teatro masculino, outra forma de colocar o próprio sofrimento no centro da ferida dela. Selene me odiaria por isso. E talvez tivesse razão. Perguntei se, caso eu aceitasse, aquilo a obrigaria a alguma coisa. As vozes se moveram em sussurros, risos, canto distante. Disseram que não. Ch
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  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar   Perdão Não Concedido

    DariusAquilo me destruiu, porque dentro daquela memória eu senti os joelhos de Selene querendo dobrar, sua boca querendo perguntar por quê, sua loba querendo uivar, seu coração querendo correr até o homem que deveria ser abrigo e bater no peito dele até encontrar o menino escondido atrás do Alfa. Mas Selene ficou de pé. Ficou porque cair daria prazer a eles. Eu, dentro daquela dor, quis vomitar. A memória avançou. Mirella sorrindo. Kaian observando nas sombras. Morvan com olhos satisfeitos. A ordem alterada. A expulsão. A floresta. Frio. O frio entrou em mim como verdade. Eu estava descalço. Não eu. Ela. Pedras cortavam os pés. A noite mordia os tornozelos, a panturrilha, a pele sob o vestido rasgado.Cada passo doía. Atrás, as barreiras da alcateia se fechavam. À frente, escuro. Selene não chorava ainda. Havia um tipo de orgulho que impedia até lágrimas, porque lágrimas congeladas pareciam rendição. Senti fome. Sede. Medo de lobos. Medo de homens. Medo de sobreviver tempo suficiente

  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar   Eu Aceito Saber

    DariusEntre no círculo dela. Divida a dor. Tome para si parte do que a rejeição deixou. Meu lobo avançou contra minhas costelas. Sim. O homem parou. Não porque não quisesse. Porque sabia que dor podia ser mais um teatro masculino, outra forma de colocar o próprio sofrimento no centro da ferida dela. Selene me odiaria por isso. E talvez tivesse razão. Perguntei se, caso eu aceitasse, aquilo a obrigaria a alguma coisa. As vozes se moveram em sussurros, risos, canto distante. Disseram que não. Chamei-as de mentirosas. A prova respondeu que registrava sofrimento, não concedia perdão. Soltei uma risada sem humor. Finalmente uma lei honesta.A pedra acima mostrou Selene. Morvan retirara a mão do queixo dela, mas a Voz não voltara. A marca no peito dela tremia como chama em tempestade. Senti o terror dela pela ligação, mesmo coberto de raiva. Senti a ausência da voz como se uma parte do mundo tivesse sido apagada. Ela não precisava de mim para salvá-la. Mas talvez precisasse que eu parasse

  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar   A Dor Tem Cheiro

    DariusA dor de Selene tinha cheiro. Descobri isso preso sob a terra, com correntes vermelhas atravessando meus pulsos e a garganta cheia de um rugido que não encontrava céu. Cheirava a neve suja, a sangue pisado, a pele ferida pelo frio, a orgulho quebrado com as próprias mãos para não virar súplica. O julgamento subterrâneo não era uma sala. Era uma memória construída com pedra azul. As paredes respiravam vozes de mulheres. O chão tremia com cada batida da marca de Selene lá em cima. O ar era tão denso que parecia feito de juramentos apodrecidos, e no centro de tudo havia um círculo idêntico ao que Morvan abrira no altar, mas invertido, como se a fortaleza tivesse raízes e essas raízes fossem feitas de condenação.Eu estava ajoelhado nele. Não porque escolhera. Porque a prova me puxara. As correntes em meus pulsos não prendiam apenas carne. Prendiam lobo. Prendiam autoridade. Prendiam o instinto antigo de destruir tudo o que tocasse Selene. Cada vez que tentava me levantar, as corre

  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar   Responda Como Herdeira

    SeleneAs lágrimas saíram sem permissão, e Morvan viu. Sussurrou, quase terno, que enfim a filha do erro sentia saudade de uma mulher que nem sabia se ainda merecia esse nome. A prata nos meus olhos mudou. Morvan deveria ter recuado. Não recuou. Na projeção, Maera Vale levantou a cabeça e disse o nome de Liora em aviso. Minha mãe sorriu para ela e respondeu que, se não falasse, elas morreriam em silêncio. Morvan da lembrança aproximou o anel do peito de Liora e deu a última chance: onde escondera a criança? Liora olhou para ele. Onde homens como você nunca procuram. Onde?, ele exigiu. No futuro, ela respondeu.O anel tocou sua pele. O grito dela veio. Não alto. Infinito. Eu senti. Não ouvi apenas. Senti a dor de minha mãe entrando pelos meus ossos, atravessando a marca, abrindo minhas veias. Era o tipo de dor que não terminava quando o corpo desmaiava. Dor construída para separar uma mulher da própria Voz, para tirar dela não a vida, mas a capacidade de dizer não. Quase perdi o contro

  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar   Onde Homens Nunca Procuram

    SeleneMinha mãe era uma mulher de carne projetada pela pedra, com os cabelos negros grudados à testa pelo suor, o vestido rasgado, a boca cortada e a coluna ereta de um modo que tornava todos os homens ao redor menores. Mesmo acorrentada, parecia mais livre que os que a julgavam. Os olhos de Liora na lembrança brilhavam em prata, a mesma prata que vivia em mim, e meu coração tropeçou com tanta violência que por um instante esqueci a mão de Morvan ainda segurando meu queixo. Eu não conseguia falar. Mas conseguia ver. E isso doía mais. Na lembrança, Morvan caminhava diante de Liora e Maera. Mais jovem, mas com o mesmo veneno calmo. Ordenou que minha mãe dissesse o nome da criança.Liora cuspiu sangue aos pés dele e respondeu que ele fosse pedir à própria mãe que parisse obediência, porque a filha dela não nascera para ele. Nara soltou um riso quebrado e cheio de lágrimas, dizendo que gostava dela. Eu não respirava. Morvan, no presente, apertou meu queixo apenas um pouco e comentou que

  • A Ômega Rejeitada Que Fez O Alfa Implorar   A Garganta Trancada

    SeleneA mão de Morvan sob meu queixo era seca, fria e cheia de passado. Dois dedos apenas. Nada que parecesse força para quem assistisse de longe. Mas senti a prisão inteira naquele toque. O anel negro brilhava perto do meu rosto, bebendo a luz prateada da marca em meu peito, e a ausência da minha própria voz era um buraco aberto dentro de mim. Tentei rosnar. Tentei cuspir. Tentei dizer o nome dele como sentença. Nada saiu. Nem ar. Nem ódio. O silêncio imposto tinha gosto de prata velha. Morvan inclinou-se, os olhos claros cintilando com uma satisfação antiga demais para ser humana, e murmurou que todas começavam acreditando ter nascido para comandar, até descobrirem que uma garganta era apenas uma porta, e portas podiam ser trancadas.Cravei as unhas na pedra. Sangue se acumulou sob meus dedos. Sob o chão, Darius rugiu. O som subiu pelas rachaduras como trovão enterrado, sacudindo o círculo vermelho, fazendo as tochas azuis se curvarem. O vínculo entre nós se retorceu, feroz, desesp

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