เข้าสู่ระบบDariusO salão reagiu como se eu tivesse jogado fogo sobre palha seca, e talvez tivesse. Alguns guerreiros se moveram para trás. Outros, para frente. A dúvida nos corpos deles era quase um campo de batalha antes do primeiro golpe. Tarek deu um passo e perguntou o que eu oferecia aos guerreiros, se não certeza. Culpa? Havia dor na pergunta dele, e uma acusação honesta. Homens treinados para sobreviver em fronteiras não podiam se dar ao luxo de filosofia no meio de ataque. Eu sabia disso. Sabia também que muitas atrocidades haviam sido vendidas aos soldados como necessidade, porque ninguém lhes explicara quem lucrava com a obediência cega.Caminhei até ele, não com agressividade, mas com peso.— Ofereço a verdade de que obedeci leis criadas para transformar mulheres em ferramentas. Ofereço a correção disso, mesmo que me custe o trono. Ofereço ordem em guerra, mas não obediência cega a documentos escritos por homens que venderam Dominantes para a mina azul.Tarek engoliu.— E se Selene
DariusO vínculo entre nós pulsou, pequeno e doloroso, como uma ferida lembrando que ainda era pele. Senti a memória da noite da rejeição tentar abrir minha garganta pelo lado de dentro. O salão antigo. As flores brancas escolhidas por mãos que já sabiam da fraude. Mirella com a coroa falsa, bela como uma mentira cuidadosamente iluminada. Selene de pé, pálida, magra de desprezo e digna demais para implorar. Minha própria voz fria transformando medo em lei. A palavra rejeito saindo da minha boca com o peso de sentença e o vazio de um homem que não tinha coragem de perceber que estava matando a única verdade que seu lobo jamais havia escolhido.Obriguei-me a não desviar.— Fui manipulado — eu disse. — Por meu pai. Por Morvan. Por documentos que me ensinaram a temer uma mulher marcada pela Voz antes mesmo de eu saber o que era desejo. Fui criado ouvindo que Dominantes Lunares roubavam autoridade, quebravam Alfas, transformavam vínculo em coleira. Acreditei porque era mais fácil obedecer
DariusA coroa de um Alfa podia pesar menos que uma confissão, mas eu só descobri isso quando já era tarde demais para fingir que o peso em minha cabeça ainda vinha do ouro, da pedra negra ou da antiga autoridade dos Varek. Descobri diante da alcateia inteira, com a mão sangrando sobre a inscrição do registro, a água morta aos meus pés e o terceiro selo dos arquivos de Liora Aster partido atrás de mim como uma costela arrancada da história. O salão dos registros parecia maior agora, não por espaço, mas por testemunhas. As pedras antigas respiravam nomes de mulheres apagadas. Guerreiros lotavam os arcos laterais, alguns com as mãos presas às armas, outros com os lobos quase à flor da pele. Conselheiros cochichavam com medo de serem ouvidos pelas próprias mentiras. No fundo, atrás do trono vazio, a segunda coroa dourada terminava de nascer como uma ferida aberta no poder.Kaian sorria. Não muito. Kaian raramente desperdiçava expressão quando uma lâmina já estava dentro da carne. Sorria
MirellaDesapareci atrás da tapeçaria lateral com o coração batendo rápido e a vergonha, agora, cheirando a medo. O corredor estreito levava a uma galeria de observação. Eu o conhecia porque, quando ainda era futura Luna, aprendera todos os caminhos pelos quais mulheres importantes podiam desaparecer sem parecer que fugiam. Entrei sem ruído, puxando a seda do vestido para não rasgar. Não sabia exatamente o que buscava. Sabia apenas que Kaian escondia algo perigoso para mim, e homens nunca escondiam perigo de uma mulher por bondade. Escondiam para que ela entrasse nele sorrindo.A galeria terminava em uma saleta circular, usada por anciãos durante julgamentos antigos. Havia uma mesa de pedra, três velas apagadas e um espelho pequeno coberto por tecido negro. Sobre a mesa, outro pergaminho com o selo da Coroa Partida. Parei. Minha mão tremia quando toquei o selo. Não seja covarde agora, sussurrei para mim mesma. Rasguei. Li. As primeiras linhas não fizeram sentido. Depois fizeram sentid
MirellaOs olhos de Kaian desceram para minha boca. Foi rápido. Não rápido o bastante. O calor entre nós acendeu, indecente diante de tantos homens e leis mortas. Odiei minha própria pele por lembrar do quarto dele, do peso do corpo dele, das mãos que não pediam ternura, da forma como ele me fazia sentir menos descartada exatamente enquanto me usava. Kaian tinha esse talento cruel: tocava minhas feridas como se fossem joias. Disse que eu poderia sair dali com uma coroa. A dele? Nossa, respondeu. Ri baixinho. Não mentisse com palavras bonitas. Não combinava com ele.Algo passou pelo rosto dele. Dor, talvez. Ou vaidade ferida. Ele perguntou, baixo demais para que outros ouvissem, se eu preferia Darius. Senti vontade de feri-lo por me fazer gostar da pergunta. Ciúme em Kaian era feio, sujo, vivo. Com Darius, eu implorara migalhas de reação. Com Kaian, bastava um nome para o homem diante de mim revelar as garras. Disse que preferia ser escolhida sem precisar provar utilidade. Kaian aprox
MirellaDescobri que vergonha também tinha cheiro. Não era como medo, ácido e fácil. Não era como desejo, quente e impossível de esconder. Vergonha cheirava a perfume caro estragando sobre pele fria. A seda vinho do meu vestido ainda estava impecável, o cabelo preso com precisão, a boca pintada de um vermelho que prometia controle. Mas por baixo de tudo, sob a joia no pescoço e a postura treinada diante de espelhos, eu sabia. Todos sabiam. Eu fora escolhida em fraude. Falsa Luna. Falsa promessa. Falsa vitória. E agora, no salão dos juramentos, ao lado de Kaian Varek, sentia cada olhar como se alguém arrancasse uma camada da minha pele com delicadeza pública.Kaian estava a três passos de mim, falando com guerreiros, anciãos e lobos inquietos como se já tivesse nascido com a mão em torno de uma coroa. A marca da Coroa Partida brilhava sob a camisa escura, cicatriz dourada e cruel, viva demais para ser apenas símbolo. Ele parecia belo naquela luz baixa. Perigoso. Feito de sombra, ambiçã







