ANMELDEN“Ei, você não vem?” Apenas balanço a cabeça e digo: “Vá primeiro, desço logo em seguida.” Ele me lança um olhar preocupado, mas vai assim mesmo. Assim que fico sozinha, corro ao meu banheiro e vomito tudo que parecia estar entalado. Antes, eu não teria me segurado, teria desabado na frente de Beto, teria aceitado ajuda, mas essa era a antiga Mel. Nessa vida, eu nunca mais ia ser fraca na frente de ninguém! Mal tenho tempo de me recompor quando ouço a voz da minha mãe me chamando lá embaixo. Respiro fundo e me encaro no espelho, deixando um sorriso sarcástico surgir nos meus lábios enquanto murmuro: “Que o show comece.” ****************************************************************** Na primeira vida, Mel abriu mão de tudo para agradar à família. Em troca, foi traída, abandonada e condenada por um crime que não cometeu. Agora, ela está de volta ao dia em que seus pais trouxeram Valeska para casa. A mesma irmã adotiva. As mesmas lágrimas inocentes. Mas Mel já conhece o rosto por trás daquela máscara — e não pretende cair nas mesmas armadilhas. Decidida a proteger seu futuro, ela se afasta de todos que um dia amou. Só não esperava que sua indiferença os fizesse lutar para recuperá-la, nem que um misterioso novato insistisse em se aproximar. Mel sabe como sua história terminou uma vez. Dessa vez, ninguém vai escolher por ela.
Mehr anzeigenPOV. Mel
Meu corpo dói tanto que cada passo parece uma tortura. Minhas roupas estão sujas de sangue seco e cheiro como lixo apodrecido, quando finalmente a cela se abre, deixando uma fresta de luz entrar dentro daquele lugar escuro e sombrio.
A maldita esperança toma conta de mim. Talvez eles finalmente tivessem acreditado em mim, talvez tivessem vindo me buscar depois de quase dez dias naquele inferno.
Safira, minha loba, ri enfraquecida e amarga dentro de mim, dizendo:
“Não seja idiota, Mel, eles não nos querem mais.”
As palavras dela fazem meu corpo estremecer, e uma crise violenta sacode meu corpo. É quando ouço a maldita risada de Valeska.
“Ora, ora, se não é a princesinha da matilha Sangue Azul aqui deitada, esperando a morte.”
A encaro, levantando a cabeça com dificuldade, e digo:
“Não fui eu que envenenei a vovó, por favor, diga para eles.”
Mas ela ri ainda mais alto e diz:
“Claro que não fui eu que fiz isso. Aquela velha maldita, mesmo depois de eu ter feito tudo para conquistá-la, ainda ia fazer de você a única herdeira dela. Não tive escolha, tive que colocar mata-lobo na comida dela.”
Eu a encaro com horror. Ainda me lembrava do dia em que ela chegou à nossa casa. Ela era apenas um ano mais nova que eu, que, na época, tinha 16 anos. O pai dela era o beta do meu pai, o alfa da matilha Sangue Azul. Ele e a esposa morreram salvando a vida do meu pai em um ataque de lobos rebeldes, e o último pedido deles foi para que meu pai e minha mãe cuidassem de Valeska.
E foi quando o meu inferno começou. A encaro e digo:
“Você não precisava de nada da vovó, você já tinha tudo, o amor dos meus pais, o título de filha do alfa e até o amor de Beto.”
Falar do meu irmão gêmeo ainda doía. Ele sempre tinha sido o que mais me amava, o que mais me protegia, e, mesmo assim, não acreditou em mim, nem mesmo tentou me ajudar quando meu pai, tomado pela raiva, me mandou para cá. Mamãe também me abandonou, apenas abaixando o rosto depois de me encarar com decepção.
Valeska ri mais alto e diz:
“Sim, eu não precisava, mas queria, e tudo que eu quero eu consigo: sua mãe, seu pai, seu irmão...” Ela faz uma pausa venenosa antes de falar: “E agora Colyn.”
Meus olhos se arregalam instintivamente. Então vejo o enorme anel de diamante no dedo anelar dela. Conhecia aquele anel. Colyn já tinha me mostrado várias vezes. Era uma herança de família, e ele dizia:
“Quando você finalmente fizer 18 anos, eu te pedirei em casamento, e você vai usá-lo.”
Mas, quando fiz 18, meus pais disseram que eu devia esperar, pois, naquele ano, Valeska estava depressiva. Nós esperamos. Depois, quando fiz 20 e Valeska tentou suicídio dias antes do noivado, Beto me convenceu a esperar mais três anos. Agora, com 26, ainda não tínhamos noivado, mas Colyn parecia tão irritado com isso como eu.
Sim, Colyn não era meu companheiro predestinado. Era difícil alguém encontrar sua alma gêmea nos tempos atuais. Por isso, assim como os humanos, nos adaptamos para formar alianças à base de amor e confiança, e Colyn tinha sido escolhido por meu pai, desde que nasci, para ser meu companheiro. Imagens dele tentando impedir que eu fosse lançada ali surgiram em minha mente. Colyn era o único, além da minha vó, que não tinha se rendido aos encantos da doce e frágil Valeska. Ele costumava dizer:
“Não importa que agora sua família pareça preferir Valeska, Mel, você sempre será a minha escolha, eu sempre vou te amar mais.”
Meu corpo estremece mais uma vez com uma crise violenta de tosse, enquanto Valeska, fazendo uma careta, diz:
“Por que você simplesmente não morre? Por que fica se agarrando à vida com essa insistência chata? Você já não tem nada, já tirei tudo de você.”
Safira rosna em minha mente, mas eu encaro aquela que eu chamei de irmã, aquela por quem eu fui abrindo mão de tudo, aquela que parecia me consolar quando meu mundo desmoronava, e pergunto com a voz rouca:
“Por quê?”
Ela me encara com tanta raiva que sua expressão, sempre frágil e delicada, fica totalmente desfigurada, e diz:
“Porque eu te odeio. Na escola, sempre a mais popular; na matilha, todos queriam agradar você. Seus pais eram ricos e te mimavam. E eu, filha de beta, nasci uma ômega. Todos me desprezavam, meus pais não tinham dinheiro para dar para mim as coisas que você tinha. E então eles morreram, e eu fui para sua casa e decidi que queria a sua vida, não apenas ser sua irmã. Eu queria que você sumisse.”
Não aguento mais e dou uma risada desesperada, pensando em todas as vezes que, de bom coração, cedi minhas coisas para ela, em como acreditei que ela era realmente minha irmã, enquanto ela estava lentamente destruindo minha vida.
Valeska me dá um tapa violento no rosto. Para ela, qualquer traço de felicidade ou humor em mim era uma afronta. Ela se aproxima, pronta para me bater, mas escutamos passos no corredor e as vozes de Beto e Colyn se aproximando. Então ela se estapeia, arranhando seu rosto perfeito com as próprias unhas. Em seguida, se j**a no chão, gritando por socorro.
Fico parada, assistindo à cena, e a única coisa que consigo pensar com clareza é que ela é uma péssima atriz. Mas, assim que a porta se abrir, vou descobrir, do jeito mais difícil, que talvez seja só eu sendo crítica demais.
Pov. MelColyn se aproxima rápido. Está prestes a me tocar quando eu me retraio. A cara dele fecha imediatamente, e ele pergunta:“Mel, o que aconteceu?”Eu finalmente falo:“Nada, só não preciso que venha mais me buscar todas as manhãs. A partir de agora, eu irei sozinha para a escola.”Colyn parece que levou um soco no estômago. Nesse momento, Beto e Valeska estão descendo a escada, e Valeska corre para Colyn, dizendo:“Colyn, você já sabe? Sou a mais nova filha do alfa.”Colyn a encara com um pouco de irritação. Se eu não soubesse que, na vida passada, ele me traiu, acreditaria que ele realmente se importa comigo.Não perco mais tempo, apenas passo por Colyn e vou direto para a saída. Colyn faz menção de me segurar, mas Beto chacoalha a cabeça. Eu sorrio e penso:“Bando de hipócritas, não escolheram Valeska? Agora fiquem com ela.”Caminho o mais rápido que posso. Sem Safira comigo, eu me canso mais rápido, mas isso não vai, de forma alguma, me impedir.Quando chego à escola, vou di
Pov. Mel Acordo cedo e me visto para a escola. É tão estranho estar no meu corpo de 16 anos, mas ter minha mente de 26.Sorrio para o espelho. Se Safira tinha me dado uma segunda chance, eu ia fazer bom uso dela.Quando chego, todos já estão sentados à mesa. Valeska está sentada no meu lugar, ao lado de Beto. Minha mãe me encara preocupada e diz:“Dormiu bem, querida? Está melhor?”“Estou ótima”, respondo, e meu pai diz:“Então sente-se, vamos tomar o café juntos.”Reviro os olhos. Na vida passada, fiz um escândalo, mas, nessa, eu apenas digo:“Querem que eu me sente no chão e coma com as mãos?”Só então minha mãe se dá conta de que a mesa está preparada como sempre, com quatro lugares. Ela rapidamente pede para uma ômega trazer mais uma cadeira, pratos e talheres.Beto, sem graça, diz:“Sente-se aqui do meu outro lado, vou ficar no meio das minhas duas irmãs lindas.”Mas, quando a ômega vai colocar a cadeira ali, eu a impeço, colocando a cadeira o mais longe possível da família feli
Pov. MelDesço as escadas. É estranho como meu coração não está acelerado, minhas mãos não estão suando frio como acontecia nas últimas vezes que vi meus pais. A necessidade de ser escolhida e amada por eles me sufocava, mas agora a única coisa que eu sinto é irritação.Assim que chego à sala, vejo a cena: meus pais e Beto já estão rodeando Valeska. Na vida passada, eu estava ali também, tentando acalmá-la e me desculpando, mesmo sem culpa. Agora eu sabia: Valeska começou a me atacar no exato momento em que botou os pés na minha casa, mas, dessa vez, eu queria que ela se fode-se.Ela está parada, os olhos vermelhos de tanto chorar, os cabelos loiros meio desarrumados, e seu corpo treme visivelmente.1, 2… Conto mentalmente. Antes de chegar ao três, ela começa seu teatro:“Me perdoe, Mel, eu não quero roubar sua família nem seu lugar. Sei que não gosta de mim.”Todos me encaram, esperando eu negar. Foi exatamente isso que fiz na vida passada, mas, quanto mais eu me desculpava, mais el
Pov. MelQuando abro os olhos de novo, estou diante de Safira, minha loba branca gigantesca. A dor parece ter sumido totalmente. Olho para os lados e não enxergo nada além de um enorme espaço branco.“Onde estamos?”, pergunto para Safira, minha voz saindo clara e límpida. Ela caminha em minha direção e encosta o focinho no topo da minha cabeça de forma carinhosa antes de dizer:“Na sua mente, eu acho.”Passo meus braços em volta dela com força e digo:“Desculpa, Safira, não fui capaz de te proteger. Se tivesse te ouvido quando você quis ir embora...” Minha voz morre, mas Safira diz:“Então faça diferente.”Me afasto, encaro os olhos azuis dela e pergunto:“Como assim?”Safira suspira e diz:“Posso nos levar de volta, afinal, sou uma loba branca, mas não posso controlar quando no tempo voltaremos, nem mesmo como voltaremos, e isso vai nos custar um sentimento bom. E eu também devo hibernar por um tempo, mas volto para você assim que me recuperar.”A encaro perplexa por um longo momento












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