Partager

Capítulo 2

Auteur: Clara Jardim
Depois de pagar o sinal pelas portas e janelas, Alice foi direto à maior loja de equipamentos para atividades ao ar livre da cidade.

A concorrência no setor estava tão acirrada que a loja decidira encerrar as atividades e promovia uma grande queima de estoque. Alguns produtos estavam sendo vendidos com 80% de desconto. Era a oportunidade perfeita para fazer compras.

Ela levou duas lanchas infláveis motorizadas, quatro botes infláveis, kits de primeiros socorros para terremotos e incêndios, barracas, machados de resgate, cordas de escalada, binóculos, rádios, lanternas à prova d'água, carregadores solares de grande capacidade e muito mais.

Quando o assunto era sobreviver, não havia espaço para economizar na qualidade.

Ao perceber que havia chegado uma cliente disposta a gastar, o vendedor passou a recomendar roupas impermeáveis, sacos de dormir e outros equipamentos.

— Estamos em promoção hoje. A loja inteira está com desconto. Pode confiar na qualidade.

— Tem algo que aguente temperaturas de sessenta ou setenta graus abaixo de zero? — Alice fez uma careta.

— Mas o clima daqui é tropical. No inverno dá até para usar camiseta. — O vendedor levou um susto.

— Vou fazer uma pesquisa científica no Ártico. — Alice respondeu.

Vendo que ela falava sério, o homem imediatamente entrou em contato com um colega.

— Temos roupas especiais para expedições polares e sacos de dormir do tipo múmia. Usando os dois juntos, você aguenta tranquilamente esse frio. Só que são caros e estão em outro estado.

O colega possuía uma loja virtual. As avaliações eram excelentes e ele poderia enviar tudo por entrega expressa, garantindo a chegada na tarde seguinte.

Alice comprou dois conjuntos de cada.

Na própria loja de equipamentos gastou mais ainda, transportando um caminhão cheio de mercadoria, que foram armazenadas secretamente em seu depósito quando ninguém estava olhando.

As lanchas precisavam de diesel, mas esse combustível não era vendido diretamente para pessoas físicas. Ela foi a uma oficina mecânica, comprou uma bomba manual para sifonar combustível e vários galões.

Depois passou por diferentes postos de gasolina, abastecendo completamente o caminhão em cada um deles. Em seguida, dirigia-se até algum lugar isolado, sem câmeras de vigilância, e transferia a gasolina para os galões. Depois de repetir o processo diversas vezes, conseguiu juntar quinhentos litros de gasolina.

O mundo pós-apocalíptico era caótico, violência e mortes haviam se tornado rotina.

Por isso, sua próxima parada foi uma loja de equipamentos de segurança.

— Moço, estou indo para Merídia.

Ao ouvir isso, o dono abriu um armário e tirou seus produtos mais valiosos.

— Lá a paisagem é maravilhosa, mas não economize na proteção.

Alice comprou três conjuntos de roupas resistentes a cortes e perfurações, além de dois coletes à prova de balas.

Sem sequer parar para descansar, dirigiu até o maior centro atacadista de roupas nos arredores da cidade.

Comprou casacos de plumas, sobretudos militares, suéteres de caxemira, roupas térmicas, cachecóis, luvas, meias, botas antiderrapantes para neve, tênis leves, botas forradas e pantufas. Tudo o que conseguiu imaginar que poderia usar.

Não fazia questão de marcas, queria apenas qualidade.

Após gastar no atacado de roupas, atravessou a rua para o centro atacadista de utilidades domésticas. Comprou edredons leves para meia-estação, edredons de plumas e, principalmente, cobertores grossos de algodão. Levou treze e pediu que todos fossem embalados em sacos a vácuo.

Também comprou shampoo, sabonete líquido, sabão em pó, absorventes, papel higiênico, creme dental e escovas de dentes, garrafas térmicas, isqueiros, bolsas de água quente de borracha...

Só de adesivos térmicos descartáveis, aqueles que aquecem ao serem expostos ao ar, ela comprou vinte mil unidades. Durante o frio extremo, aquilo podia salvar vidas.

Em uma das lojas, encontrou alguns produtos pouco comuns, como lampiões de querosene com vidro e lampiões resistentes à água e ao vento, relíquias que pareciam saídas da década de sessenta. Comprou cinco de cada.

— Vocês também vendem querosene? — Perguntou.

Vendiam, mas, como quase ninguém comprava, havia apenas cem litros em estoque.

Ela levou tudo. Também pediu que incluíssem vários pavios de reserva. Comparados às velas, aqueles lampiões duravam muito mais.

Comprou fogareiros a álcool, blocos de combustível sólido, fogões portáteis a gás e, lembrando que seu espaço possuía eletricidade, levou também alguns fogões de indução.

Inseticidas, desinfetantes, pastilhas para purificar água potável, água de colônia repelente. Tudo o que conseguiu imaginar acabou indo para o carrinho.

Ao lado ficava o mercado atacadista de frutas.

Maçãs, peras, melancias, kiwis, bananas, melões, carambolas, uvas, uvas-verdes... Levou cerca de vinte variedades diferentes de frutas.

Quando deixou o mercado, a noite já havia caído.

Seu celular mostrava várias ligações perdidas. Todas eram de Tiago. Havia também uma mensagem dizendo que os medicamentos estavam prontos.

Sendo assim, ela dirigiu até a empresa dele.

No térreo a esperavam mais de vinte caixas de papelão enormes.

Antibióticos, anti-inflamatórios, iodo, álcool, gazes, até vacinas contra tétano.

Eram medicamentos que poderiam salvar vidas durante os desastres.

Embora tivesse gasto muito dinheiro, Alice finalmente sentiu um pouco da ansiedade diminuir.

Tiago ainda lhe transferiu dois mil de troco.

— Essa lista era tão variada que muita coisa eu não tinha. Precisei buscar com outros fornecedores.

— Vou entregar tudo agora. Daqui a alguns dias, te pago um jantar caprichado. Mas preste atenção: o furacão está chegando. Abasteça o carro e compre comida. — Disse Alice, já sentada ao volante.

Tiago não deu muita importância. Só naquele ano, já haviam sido emitidos mais de dez alertas de tempestade, todos causando muito alarde e poucos danos.

Depois de guardar todos os medicamentos no espaço dimensional, Alice dirigiu até a rua gastronômica próxima ao setor universitário. Pediu espetinhos.

O lugar estava lotado. Estudantes e casais caminhavam por toda parte. Rostos jovens, cheios de vida e esperança. Ninguém fazia ideia de que o apocalipse estava prestes a começar.

Enquanto esperava os espetinhos, Alice ficou observando as brasas vermelhas da churrasqueira.

Foi então que levou um susto. Na correria, quase tinha esquecido um dos itens mais importantes.

Ela imediatamente pediu ao dono da barraca os contatos dos fornecedores de carvão vegetal e botijões de gás.

Ligou para cada um deles, tentando marcar entregas para o dia seguinte, mas o azar bateu à sua porta. As três lojas ficavam em regiões baixas da cidade e, por causa do alerta do furacão, as autoridades haviam ordenado que todos retirassem imediatamente seus estoques dali. Ninguém teria tempo para fazer entregas.

Como as três lojas ficavam praticamente lado a lado, Alice nem esperou a comida ficar pronta. Entrou no caminhão e dirigiu até lá.

O carvão vegetal era barato, mas ocupava muito espaço. Depois de calcular a capacidade do espaço dimensional, comprou apenas 250 kg de carvão de alta temperatura e sem fumaça. O vendedor ainda lhe deu de brinde um fogareiro para carvão e acendedores.

Cada botijão de gás podia durar cerca de dois meses. Temendo que a eletricidade do espaço dimensional pudesse falhar algum dia, ela comprou dez botijões.

Os briquetes queimavam lentamente e eram excelentes para aquecimento.

Naquele ano, porém, o país enfrentava uma grave crise energética. Além disso, as sanções comerciais haviam feito o preço do carvão disparar. Mesmo doendo no bolso, Alice comprou dois mil briquetes.

Quando voltou ao apartamento, já eram quase nove da noite.

Depois de respirar um pouco, entrou no espaço dimensional para organizar toda a bagunça.

A fim de economizar o máximo possível de espaço, empilhou os botijões, os briquetes e o carvão dentro da cozinha. Retirou todas as embalagens desnecessárias. Tudo o que era volumoso foi colocado em sacos a vácuo.

Depois empilhou caixa sobre caixa até quase alcançar o teto.

Dinheiro realmente desaparecia rápido. Só naquele dia ela havia gasto mais do que alguma vez tinha imaginado. Em troca, conseguiu encher completamente o quarto menor e a cozinha.

Assim que terminou de organizar tudo, sentiu um chute violento e foi arremessada para fora do espaço dimensional.

Atordoada com o golpe, Alice ficou sem palavras. Tentou voltar, mas uma barreira invisível bloqueava seu caminho.

Droga...

O espaço dimensional tinha engolido todos os seus suprimentos!

Continuez à lire ce livre gratuitement
Scanner le code pour télécharger l'application

Dernier chapitre

  • A Última Chance: A Arte de Sobreviver   Capítulo 30

    Eles continuavam avançando em massa. Alguns queriam roubar os suprimentos, outros queriam roubar o bote inflável.Por mais forte que Sabrina fosse, dois punhos ainda eram incapazes de enfrentar quatro mãos.Parte dos suprimentos foi tomada, sua mão também acabou cortada. E o pior, alguns chegaram a perfurar o bote inflável.— Se o nosso bote não fosse resistente a perfurações, provavelmente nem teríamos conseguido voltar.O mundo havia se tornado estranho demais. Sabrina começou a duvidar da humanidade das pessoas. Exausta, ela se apoiou em Lucas.Alice não sabia como consolá-la. O fim do mundo mal tinha começado.Antes que os dois sequer conseguissem recuperar o fôlego, a porta do andar de baixo começou a ser batida.Que situação.Uma multidão enorme estava ali. À primeira vista, havia pelo menos dezenas de pessoas. Tantas que nem o corredor do 17º andar conseguia comportar todos.Alice franziu a testa.Aquelas pessoas queriam tomar as coisas à força?Lucas e Sabrina haviam conquistad

  • A Última Chance: A Arte de Sobreviver   Capítulo 29

    A natureza humana era assim. As pessoas não suportavam ver os outros em uma situação melhor do que a delas. Todos estavam enfrentando o desastre. Então, por que alguns ainda conseguiam parecer bem enquanto outros estavam condenados a morrer de fome?Em vez de ajudar, alguns até esperavam que os dois se aproximassem para atacar e roubar!Alice carregava duas facas. Na mão esquerda, uma faca de açougueiro. Na direita, uma faca de desossar. Com uma expressão fria, abriu caminho entre a multidão e ficou parada diante da janela, bloqueando a passagem.As duas lâminas afiadas ainda tinham manchas de sangue seco. Ao vê-las, todos recuaram dois passos assustados.Algumas pessoas ficaram insatisfeitas e estavam prestes a começar um discurso moralista. Mas então, Artur também se aproximou e ficou ao lado dela. Os dois pareciam verdadeiros deuses da morte. Um de cada lado, parados simetricamente.Alice observou todos ao redor. Cada expressão, cada olhar, nada escapou aos seus olhos.— Não venham

  • A Última Chance: A Arte de Sobreviver   Capítulo 28

    No entanto, no bote do homem pareciam haver muitos suprimentos.Naquele momento, quem tinha mais recursos era justamente quem corria mais perigo.Aproveitando que a visão ainda estava prejudicada pela chuva, Alice colocou a mão atrás do corpo, tirou duas mochilas de seu espaço e começou a remar em direção a ele.Com aquela altura e aquela postura, não havia mais ninguém além de Artur. Mesmo usando capa de chuva e máscara, era impossível não reconhecê-lo de imediato.Então era por isso que Mimi era tão bem cuidada e sempre parecia tão saudável, ele saía todos os dias para "fazer compras".Não há nada para se envergonhar quando se está no mesmo barco.Artur também reconheceu Alice usando máscara. Debaixo daquela chuva torrencial, apenas acenou com a cabeça para cumprimentá-la.Depois de guardar o bote, estendeu a mão para ajudá-la.Alice também não fez cerimônia. Entregou as duas mochilas impermeáveis para ele, segurou sua mão para que ele a ajudasse a subir e, em seguida, guardou cuidad

  • A Última Chance: A Arte de Sobreviver   Capítulo 27

    Não havia ninguém na cobertura, enquanto o segundo andar já estava mais da metade submerso.Antes de partir, Alice lançou um último olhar para o Hummer que tanto desejava no estacionamento. Era do mesmo modelo do carro de Artur.Além de ter o chassi elevado e um motor potente, sua aparência era extremamente imponente. Era capaz até mesmo de jogar um SUV comum para longe com uma colisão.No fim do mundo, era nada menos que um verdadeiro veículo de combate.Infelizmente, o espaço dela simplesmente não comportava aquele carro. Comparando os dois, ela ainda escolhia o trailer. Era mais confortável e possuía mais funções.Alice passou a mão sobre o capô. Seu coração doeu como se estivesse deixando escapar um pedaço de si.Em pouco tempo, todos aqueles carros seriam completamente submersos e arrastados pela correnteza.Que desperdício.O nível da água subia rapidamente e a corrente ficava cada vez mais forte. O bote inflável poderia ser levado pela força da água com facilidade.Sem outra opç

  • A Última Chance: A Arte de Sobreviver   Capítulo 26

    Se o volume do espaço pudesse aumentar, Alice teria varrido a cidade inteira sem perder um segundo. Em vez de apenas assistir impotente enquanto os suprimentos de sobrevivência afundavam na água, enquanto a humanidade iniciava uma disputa ainda mais cruel pela sobrevivência, chegando ao ponto de lutar com facas por um pedaço de pão mofado.A realidade era cruel. Alice só podia cuidar de si mesma.Ela afastou esses pensamentos e continuou sua corrida contra a enchente.Shampoo, sabonetes líquidos, sabonetes em barra, absorventes, desinfetantes. Leite, iogurte, leite em pó, leite de soja, aveia, sopas instantâneas. Açúcar refinado, açúcar cristal, açúcar mascavo e outros.A água já havia chegado às suas coxas. Ela não tinha tempo para olhar marcas, muito menos para escolher. Suas mãos passavam rapidamente pelas prateleiras. Não importava se gostava ou não daqueles produtos. Era melhor levá-los do que deixá-los ser engolidos pela enchente.Vários tipos de alimentos enlatados, frutas secas

  • A Última Chance: A Arte de Sobreviver   Capítulo 25

    Depois de algum esforço, Alice conseguiu encalhar o bote inflável e deixá-lo parado na pista de acesso. Guardou o bote em seu espaço e seguiu pela garagem até o estacionamento da cobertura.O estacionamento era enorme, havia carros estacionados por todos os lados. Pelos emblemas, a maioria eram carros de luxo: Mercedes-Benz, BMW, Ferrari, Lamborghini...Havia muitos ricos em Nova Fênix. Provavelmente, antes da chegada do furacão, as pessoas ricas da região haviam levado seus carros de luxo até o estacionamento da cobertura para evitar que fossem destruídos pela enchente.Com a lanterna na mão, Alice iluminou uma fileira após a outra. Então seu olhar foi atraído por um enorme trailer.Bastava olhar o símbolo da marca para saber que era um dos modelos mais luxuosos, avaliado em milhões. A carroceria e os vidros eram à prova de balas. Os pneus eram resistentes a explosões e ao desgaste. E, o mais importante, era um modelo híbrido, que funcionava tanto com combustível quanto com eletricida

Plus de chapitres
Découvrez et lisez de bons romans gratuitement
Accédez gratuitement à un grand nombre de bons romans sur GoodNovel. Téléchargez les livres que vous aimez et lisez où et quand vous voulez.
Lisez des livres gratuitement sur l'APP
Scanner le code pour lire sur l'application
DMCA.com Protection Status