INICIAR SESIÓNCarmen González
Meu Deus! O que foi isso que acabou de acontecer? Estou paralisada diante da dinâmica do acabei de ouvir no meu consultório.
— É melhor você sair daqui, Pablo. Esse é o meu lugar de trabalho. Não tem o direito de vir até aqui e fazer esse escândalo todo. — Consegui falar contendo a vontade de chorar de tanta vergonha.
— Que história é essa de noivo? Você até ontem nem tinha namorado — Pablo diz em tom de deboche e eu sinto vontade de dar na cara desse ididiota.
— Desde quando eu te devo satisfação, Pablo. Você nunca me deu isso nem quando estávamos juntos, por que me cobrar isso agora? — retruco.
Meu ex parece não se conformar que posso me dar bem em algum momento e isso me acende um alerta. Minha família de diverte e se satisfaz em me ver infeliz ou mal?
— Não ouviu o que a Carmen falou? — o meu paciente, que acabou de me colocar em uma roubada insiste com o Pablo.
— Eu vou embora. Mas você não vai ficar sem dar uma explicação sobre essa história de noivo.
Primeiro ele chega aqui me acusando de maltratar a sua amada. Agora que eu me explique por que “estou com alguém”. Parece ter esquecido de uma hora pra outra o motivo de ter vindo aqui.
Ele sai do consultório e volto a respirar melhor. A tensão que se formou aqui nessa sala pareceu me sufocar.
— Senhor Giordano, me desculpa por tudo isso. Por favor, nem precisa pagar pela consulta, está bem.
Começo a andar pela sala, nitidamente nervosa. Muito envergonhada pelo que foi obrigada a passar.
— Você não precisa se desculpar, Carmen. Esse cara é um abusado e estupido. Por que deixou que te tratasse assim?
Eu paro de andar, ainda com o corpo formigando de tanta angústia e olho para esse homem diante de mim. Por dias fiquei me lembrando daquele olhar de desespero que ele me deu no aeroporto,
O mesmo olhar que me deparei quando abri a porta do consultório e o vi entrar. Não esperava encontrá-lo nunca mais. Quais chances existiriam de eu encontrar duas vezes a pessoas que por alguns instantes, fez eu me sentir importante e essencial?
Olhar pra ele assim, bem-vestido e limpo. Sem aquele sangue todo pelo rosto e pelo corpo. Ele é a imagem de Apolo. Que homem perfeito. O jeito sério, calmo. Porém, de presença marcante.
Nem posso sequer cogitar que um homem desse se interessaria por mim. É muita areia para o meu caminhão. E agora? Como vou sair dessa? Ele mentiu se dizendo meu namorado. Como vou explicar isso pra minha mãe. Todos irão rir da minha cara.
— O Pablo é um problema antigo que tem se tornado um pesadelo. O senhor me perdoe por isso. Eu vou ajudá-lo a se vestir para que possa sair e esquecer esse circo.
— Pode me ajudar a me vestir, mas eu não vou embora. Eu vim aqui te fazer uma proposta e acabei de ver que tenho a solução para dois problemas.
— Do que você está falando? Você mentiu para o meu ex, que agora é o noivo da minha prima e todos da família estão me pressionando a engolir a traição ele e conviver como se nada tivesse acontecido com eles.
Começo a abotoar a camisa dele. Dedos nervosos e mão tremulas. Mal consigo colocar os botões da casa correta. O cheiro dele é embriagante, a pela quente e o olhar me penetra a alma
— Como eu vou desmentir essa história de que tenho um noivo?
— Não desminta — ele me encara e vejo que está falando sério. — Preciso de uma equipe médica que me acompanhe em casa ou onde quer que eu precise ir. Quero que seja a médica responsável por essa equipe e fique comigo por 24 horas, durante o tempo da minha recuperação definitiva.
— Não posso aceitar uma proposta de exclusividade. Tenho compromissos com o San Gerônimo. Não posso deixar esse emprego.
— Não se preocupe com isso. O que vou te pagar será o suficiente pra você se estabelecer e talvez até montar seu consultório particular.
Eu vou até minha poltrona e me sento tentando controlar o tremor do meu corpo. Em menos de uma minha vida tomou um rumo inesperado.
— Por que você está fazendo isso? Por que eu? Já entendi que pode ter o que quiser, a equipe que quiser.
— Você tem razão. Eu posso ter o que eu quiser e eu quero você em minha equipe. E não aceito um não como resposta. Em troca de você aceitar cuidar de mim e eu aceito ser seu noivo de mentira diante da sua família.
Eu me levantei novamente. Que situação maluca. De onde saiu esse homem lindo, cheiroso e praticamente perfeito, querendo fingir ser meu namorado? E além de tudo é rico.
Agora me sinto entre a cruz e espada. Tenho vivido um inferno estral desde o término com o Pablo. Agora todos vão querer saber quem é esse noivo que surgiu de uma hora pra outra. como irei fazer isso?
— Eu vim aqui pra te agradecer o que fez por mim e te oferecer esse emprego — ele se levanta da maca com dificuldade, mas continua com uma postura dominante. O homem nem precisa abrir a boca pra dizer que chegou.
— Esse posto de noivo de aparência é o bônus que te ofereço para aceitar a minha proposta. Esse é o meu cartão. Me ligue para dizer quando poderei mandar meu motorista de pegar. Você vai ficar morando na minha casa durante todo o contrato.
— Espera. Eu nem sei quem é você.
— Não se preocupe. Você vai ter a oportunidade de me conhece, assim como eu a você. Será bem recompensada. Tenha certeza disso.
— Não estou preocupada com dinheiro. O que está me propondo é uma... loucura. Quem faz uma proposta dessa ama estranha?
Ele se aproxima mais de mim. Invadindo o meu espaço. O perfume dele, amadeirado com um toque cítrico causou um frisson em minha mente e em meu corpo que me deixou sem ar.
— Eu preciso de uma médica, você precisa de um noivo. Podemos unir o útil ao agradável. Não importa os meus motivos. O que me interessa é que você aceite.
Esse “útil ao agradável” deixou uma algo mais no ar. Calma, Carmen! Você é uma mulher adula e não vai dar uma de princesa carente esperando o príncipe no cavalo branco.
Seja qual for a razão dele me fazer essa proposta, ela pode mudar a minha vida e acho que posso me dar ao luxo de aceitá-la.
Matteo Giordano O sol da manhã invadia a sala de reuniões da Albatroz, onde o cheiro de café forte se misturava ao aroma do couro dos sofás de luxo. Sobre a mesa de mogno, papéis e contratos reestruturados marcavam o início de uma nova era, sem os fantasmas da corrupção e a dor de ver o meu pai ser injustiçado. Vittório Giordano finalmente teve a justiça que merecia e o seu nome foi limpo diante de todo o mercado internacional. — Tudo pronto na promotoria, Matteo — declarou Leandro, ajustando a abotoadura do paletó enquanto repassava as últimas pastas com o olhar satisfeito. — Miguel, Giuseppe, Mário, Rosa e Martina estão trancafiados. Nenhum deles sai da cadeia nem no próximo século — concluiu meu braço direito, com seu tom frio e implacável. — A Rizzo Empreendimentos também está com os ativos cem por cento integrados à Albatroz — Marco complementou, exibindo um sorriso aliviado. — O vovô assinou a transferência definitiva hoje cedo. O império é nosso, irmão. — Ótimo — afirmei
Matteo Giordano Uma semana depois... O meu jato particular cruzou os céus da Europa rumo a Madri, trazendo a bordo a garantia de que o passado de dor e ruína havia ficado para trás. Ao meu lado, Marco descansava na poltrona reclinável, enquanto o meu avô, Stefano Rizzo, acompanhado por uma equipe médica particular, recuperava suas forças com um semblante finalmente pacificado. Assim que pousamos na capital espanhola, os carros blindados nos conduziram diretamente para a minha propriedade principal, uma fortaleza inexpugnável preparada para abrigar a todos com absoluto luxo e segurança. A recepção na mansão foi marcada por um misto de comoção e alívio de quem sobreviveu a uma guerra sanguinária. Dona Dolores, finalmente livre das amarras traumáticas e da sombra abjeta de Mário e Rosa, abraçou a filha e a sobrinha com lágrimas de pura libertação. Maísa sorria pela primeira vez em meses, respirando o ar puro de uma vida em que nenhum monstro ousaria tocar em seu corpo ou em sua di
Leandro Rossi O som distante das sirenes ecoando pelas ruas de Madri marcava o início do fim. Após me certificar de que dona Dolores e Maísa estavam em segurança no hospital ao lado de Carmen, encontrei o capitão Molina na recepção da Delegacia Central. — Senhor Rossi, chegamos a tempo — Molina disse, ajeitando o coldre na cintura enquanto caminhávamos em direção às viaturas de intervenção tática. — A equipe de inteligência interceptou uma transferência bancária atípica em nome de Miguel Giordano. Ele estava preparando a fuga para a Suíça. — Aquele miserável não vai dar um único passo fora desta cidade, capitão — respondi, o tom gélido e implacável. — O Matteo me deu ordens explícitas. Miguel precisa responder por cada vida que tirou e por ter financiado o atentado no aeroporto. Entramos no veículo e seguimos em alta velocidade até a mansão onde Miguel Giordano mora. O sol da tarde começava a se pôr quando cercamos a propriedade com quatro viaturas de luzes piscantes. Os agen
Matteo Giordano Cheguei ao hospital para onde Marco foi transferido — o mesmo onde meu avô seguia internado — e procurei imediatamente a equipe de plantão para relatar o envenenamento. — Doutor, o meu irmão foi envenenado! Vocês precisam aplicar o protocolo de desintoxicação agora mesmo! Por favor, não deixem o meu irmão morrer — supliquei em desespero, apavorado com a ideia de sequelas irreversíveis. — Mantenha a calma, senhor Giordano. A equipe de emergência já assumiu o caso e estamos fazendo todo o possível para conter os danos — o médico informou, afastando-se apressadamente para a UTI. No meio desse caos sufocante, percebi que não havia conseguido ligar para saber da minha cigana, tampouco sobre os passos do meu tio. Com a prisão de Moretti hoje cedo, o desgraçado do Miguel poderia entrar em alerta e tentar fugir. Saquei o celular e liguei para Leandro na intenção de me atualizar sobre o meu tio, ter notícias da minha ruiva e entender a quantas andavam as buscas pela cade
Matteo Giordano Acordei com o meu celular vibrando freneticamente sobre a mesinha de cabeceira. Meio atordoado, puxei o aparelho e vi o nome do inspetor Tomaz na tela, imaginando na hora que trazia atualizações decisivas das investigações. — Giordano... — atendi com a voz rouca pelo sono recém-interrompido. — Bom dia, senhor Giordano. Perdoe-me por acordá-lo tão cedo, mas o assunto é urgente — disse o inspetor. — Conseguimos analisar minuciosamente todas as gravações das câmeras da mansão Rizzo fornecidas pelo seu irmão. — Confirmamos que Giuseppe Moretti estava envenenando Stefano Rizzo de forma contínua e a juíza acabou de expedir o mandado de prisão preventiva. Esteja preparado, nossa equipe estará na mansão em cerca de uma hora. — Obrigado pelo aviso, inspetor — respondi, sentindo o peito inflar. — Faço questão de estar presente para presenciar a queda desse desgraçado. — Imagino o significado desse momento para o senhor depois de tudo. Deixe seu irmão a par da operação.
Matteo Giordano O quadro clínico do meu avô continuava sem estabilização, mas, com a descoberta da origem de sua debilitação, a equipe médica iniciou um protocolo de desintoxicação para tentar reverter o dano. Marco mantinha-se profundamente abalado, corroído pela culpa por ter hesitado em retornar à Itália quando o avô o chamou. Ele acreditava que poderia ter evitado essa piora, ignorando que a substância vinha sendo administrada há meses. — Marco, você não pode carregar o peso dessa culpa — afirmei, com o tom firme. — Como você imaginaria que o seu próprio pai estava orquestrando algo assim? — A sua prioridade agora é passar por exames toxicológicos para confirmar se ele também não estava te dosando aos poucos — aconselhei, encarando-o com gravidade. — É uma carga pesada demais para absorver, Matteo — desabafou meu irmão, a voz trêmula de frustração. — Descobrir que o meu próprio pai envenenava o vovô e que foi o responsável direto pela morte da minha mãe... — Você não tin







