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Michelle
Michelle acordou extremamente agitada, chorava demais por tudo que estava acontecendo em sua vida. O homem dos seus sonhos a tinha traído, ela tinha dormido novamente com o homem que a estava destruindo, sua mãe era mais inimiga do que amiga, sua irmã estava longe demais para ajudá–la com tudo, seu pai morto, e seu irmão – somente ela sabia que ele existia – era novo demais para ajudá–la.
Era incrível como o mundo era pequeno demais para ela.
Michelle foi trabalhar com a cabeça na lua aquele dia, seus problemas não paravam de martelar seus pensamentos. Ela olhava para o celular e as chamadas não atendidas revezavam entre as de Ari e Rodrigo, um querendo levá–la ao paraíso, o outro para o inferno.
Michelle sabia que para se chegar ao paraíso com Ari, teria que enfrentar o inferno com sua mãe – ainda mais sabendo da verdade –, e o caminho até o inferno, teria que resistir ao paraíso das alucinações e as transas com Rodrigo – a parte da transa não era tão boa assim, já que nem sentia quase nada.
Seu mundo estava dividido e só cabia a ela escolher o caminho a percorrer.
Michelle nem percebeu que não tinha tomado café da manhã e muito menos almoçado. Quando deu por si – enquanto atendida uma senhora de idade – desmaiou e foi acordar cinco minutos depois.
Phill achou estranho, perguntou se ela estava grávida, ela negou, disse apenas que não tinha comido nada o dia todo, ele decidiu dar a ela duas horas para se recuperar e comer algo.
Assim que Michelle passou pela porta principal do hospital, viu Ari chorando esperando por ela.
–– Ari? – disse ela – o que você está fazendo aqui?
Ele se levantou, enxugou as lágrimas.
–– Eu... – gaguejou ele – precisava conversar com você, será que teria um minuto? Prometo que se você quiser, nunca mais apareço na sua frente, mas eu quero que saiba da verdade.
Michelle ficou atônita, ela não esperava vê–lo tão cedo, mas consentiu com o pedido dele.
Ela não percebeu que do outro lado da rua estava Rodrigo escorado em seu conversível. Ele abaixou os óculos olhando fixamente para Ari e fez um sinal que o mataria se não se lembrasse da conversa que tiveram anteriormente.
Uma hora antes de Michelle sair do hospital, Rodrigo chegou perto de Ari e falou baixinho em seu ouvido:
–– Não se esqueça moleque, você está na minha mira, vou adorar provar seu sangue na minha faca... a Michelle é minha, e nada e nem ninguém vai tirá–la de mim, está me entendendo? Eu te mato antes disso...
Ari não respondeu.
Rodrigo saiu andando de costas dando aquele sorriso malévolo que fazia percorrer um frio medonho na espinha de Ari.
Rodrigo foi interrompido em seu momento de glória por um esbarrão em uma senhora, ele mudou radicalmente sua face, pedindo mil perdões para aquela senhora e voltou para seu carro enquanto Ari tentava recompor––se.
Seus pensamentos se misturaram entre o medo e a esperança de voltar a namorar Michelle, odiava aquela situação, mas ele percebeu que amar Michelle valia a pena o risco, e que, se existia realmente um Deus que ele acreditava, nada iria acontecer com ele.
Eles se sentaram em uma mesa, e depois de terem pedido a comida, Ari começou a conversa.
–– Olha Mi...
Ela o interrompeu.
–– Sei da verdade Ari, minha mãe pagou aquela prostituta para te beijar, sei que ela era sua namorada, e que te traiu com o seu patrão.
Ari ficou sem palavras, seus pensamentos voltaram a perturbá–lo.
–– Mas... como...
Ela o interrompeu novamente.
–– Minha mãe tem um defeito que nem mesmo ela sabe – ela olhou para os dois lados e falou baixinho – minha mãe fala enquanto dorme – Michelle riu – toda vez que eu tenho um problema, eu converso com ela dormindo, dessa maneira ela não é vulgar e nem mentirosa, sempre me deu excelentes conselhos enquanto falava dormindo.
Ari não sabia se ria ou se ficava assustado por saber que Antônia tinha tramado aquilo contra ele.
–– Ela falou tudo que tinha descoberto sobre você Ari, foi então que percebi o quanto você é especial, normalmente quando a gente vasculha a vida de alguém, é muito mais fácil encontrar defeitos que qualidades, mas você não... você tem a inocência de uma criança, ajuda pessoas, tem me ajudado bastante – ela olhou para o chão envergonhada –, fui egoísta demais por acreditar naquele teatro todo, deveria imaginar que você jamais faria isso comigo...
Ari deu um sorriso, pegou a mão de Michelle carinhosamente e a beijou.
Rodrigo estava observando tudo da última mesa do restaurante.
–– Se você não fosse tão santinho – disse ele consigo mesmo – adoraria trabalhar com você Ari, você não tem medo da morte, mesmo sabendo que ela está tão perto de você.
EpílogoMichelle estava no restaurante ansiosa, ela sabia que aquela noite seria o dia do pedido de casamento, Ari não conseguia se conter nas últimas semanas, ela também não, afinal, agora já era uma doutora, Ari um advogado que estava já ganhando um bom nome no meio jurídico, mas muitas coisas tinham acontecido além deles. Ari chegou e lhe deu um beijo. –– Aconteceu alguma coisa? Michelle não sabia muito o que dizer. –– Sinto que nossos caminhos estão saindo do que planejamos. –– Pensei que era o único que tinha reparado. –– Você sabe que te amo, não é mesmo? –– N&a
49AntôniaO casamento entre Antônia e Cícero não poderia ter sido mais lindo, o sítio dele estava repleto de convidados ilustres, artistas famosos, grandes empresários e tudo o mais. Antônia estava deslumbrante em seu vestido branco de cetim, entrou abraçada com Phillip, ele a elogiou muito, se Antônia não o conhecesse tão bem, ela diria que ele estava flertando com ela, mas como bons amigos, ela apenas agradeceu. A cerimônia foi presidida pelo pastor Gil – pastor da igreja que Ari e Michelle frequentavam –, e logo depois Antônia e Cícero também passaram a frequentar. O pastor Gil falou sobre I Coríntios 13, onde o apóstolo Paulo fala sobre o amor, não teve quem não se sentisse emocionado com o serm&atil
48AriUm dia antes do julgamento de Rodrigo, Ari foi visitá–lo. –– Não acha que é muita impertinência sua vir até aqui? – disse Rodrigo num tom sarcástico. –– Só gostaria de saber por que disso tudo... Porque eu? Porque a Michelle? Rodrigo deu uma gargalhada, a mesma que tirou o sono inúmeras vezes de Ari. –– Tenho os meus motivos, moleque, mesmo assim, você era apenas a cereja no bolo, minha vingança não tinha nada a ver contigo... você era apenas um bônus para me divertir, eu gostava da sua ousadia, queria ver até onde você iria, mas o que tinha que fazer mesmo, fiz e não me arrependo. Rodrigo foi julgado e condenado h&aacu
46Ari e MichelleAri comprou as alianças de noivado sem falar nada a ninguém, estava tão irradiante que nem prestou atenção que estava sendo seguido por Rodrigo e um de seus capangas. –– É hoje que eu pego esse safado – disse Rodrigo ensaiando aonde atiraria em Ari. –– É isso mesmo chefe, vamos pegar esse cara. Ari guardou a caixinha com as alianças no bolso esquerdo de sua calça Armani – que ganhou de seu chefe – todo feliz da vida quando foi abordado por Rodrigo. Rodrigo o levou até seu carro, pegou as alianças do bolso de Ari e disse: –– Para um pé–rapado, até que ele tem bom gosto – mostrando as alianças para
45AntôniaAntônia e Cícero voltaram a se encontrarem naturalmente, uma visita aqui, outra coincidência ali, parecia que aqueles quase trinta anos jamais tivessem existido, eram muitos encontros, desencontros, despedidas e fugas que Antônia já não estava entendendo mais nada. Marcelino – ela já não o chamava mais de padre – sumiu do mapa, ela até queria contar a verdade para ele, afinal, se ele tinha um filho, deveria saber, mas ninguém mais ouviu falar dele. Cícero contou que era dono de um hospital muito importante – Hospital St. Filipo – que assim que Antônia se casou, ele voltou para a faculdade e se formou entre os melhores, mas cada esforço dele fazer uma carreira bem-sucedida se tornava em vão quando conversava com a Leide, já que Ant&oc
44AntôniaTodos choraram muito no enterro, foi algo muito comovente, apenas uma pessoa em especial não tinha ido ao enterro – o padre Marcelino – mas como a Leide não era católica nem nada, ninguém deu muita importância para aquilo. Infelizmente aquele enterro estava desenterrando algo na vida de Antônia, alguém que há mais de vinte e cinco anos ela não via... Cícero. Eles mal se falaram, ele parecia que não tinha mudado nada, o que fez Antônia se sentir com dezoito anos novamente.Antônia jamais imaginou que descobriria algo sobre a sua melhor amiga. No testamento ela deixou tudo o que tinha para o seu filho – Rennan – e tinha deixado uma carta em especial para ela. A carta dizia o seguinte:







