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33 Renata

last update publish date: 2021-06-01 05:12:32

33

Renata

A princípio, Renata não queria se envolver com seu patrão – Paulo Bittencourt.

     Ela chegou do Nordeste com uma mão na frente e a outra atrás, tinha apenas alguns trocados para dormir em uma pensão qualquer e comer durante aquela semana, depois disso, ficaria nas mãos de Deus.

     Ela tinha ficado espantada com a cidade grande, para alguém que tinha vindo do meio do deserto do agreste, aquilo era a própria selva, só que em versão de pedra e fumaça.

     Renata estava abismada com os diversos arranha–céus que São Paulo tinha.

     Ela estava olhando para cima admirando os outdoors quando se esbarrou em Paulo – saindo de um restaurante com dois amigos –, ele estava com um copo de café na mão e acabou derramando em sua roupa por causa do esbarrão.

     Paulo pediu mil desculpas enquanto seus amigos davam risada daquela nordestina desajeitada.

     Paulo acabou se apaixonando no mesmo instante por ela, ninguém percebeu, e nem mesmo depois chegou a comentar com alguém sobre ela.

     Parecia coisa do destino, mas sua empregada atual tinha acabado de brigar com sua esposa e Antônia tinha mandado a coitada embora. Antônia era terrível – implacável – com as empregadas.

     Com Renata não foi diferente.

     Antônia fez o inferno em sua vida, cansou de tentar mandá–la embora, mas Paulo sempre intervinha a favor da empregada – isso deixava Antônia ainda mais louca da vida.

     Paulo foi conquistando Renata aos poucos, ele não foi um cafajeste que logo foi dando em cima dela, não, mas um dia, quando a mãe de Frost faleceu, eles acabaram se relacionando, e dois meses depois, ela descobriu que estava grávida.

     Renata decidiu ir embora sem falar nada para Paulo e durante os oito meses de gravidez ele não teve notícia alguma, mas quando ela estava quase para ganhar o filho, um amigo de profissão ligou às 04:00h da madrugada dizendo que uma mulher nordestina grávida estava gritando desesperadamente o seu nome em frente ao hospital.

     Paulo se levantou e foi correndo, somente depois que ele fez o parto, foi que ela disse que aquele garoto era seu filho.

     Paulo levantou as mãos para os céus e agradeceu.

     Ele alugou um pequeno apartamento para os dois, e três vezes por semana os visitava, não somente para fazer amor com ela, mas trazia suprimentos tanto para ela, quanto para seu filho.

Antônia jamais soube sobre o desaparecimento de Renata, e nem se importou muito. Paulo achava muito estranho sua mulher ser tão fria com as pessoas assim, ela só pensava em dinheiro, em amigos – com dinheiro – e família – aqueles que tinham dinheiro.

     O que mais chamava atenção de Paulo em Renata era a sua simplicidade. Ele adorava aquele jeitinho simples de mulher do campo, que sempre o acolhia com uma bela refeição feita por ela mesma, boas conversas, nada sobre tendências da moda, carro do ano, viagens mirabolantes... nada disso, Renata sempre falava como tinha sido o seu dia, ouvia Paulo contar as coisas que tinha sentido, era muito bom.

     Para ele, Renata era a sua verdadeira mulher. Era com ela que ele fazia amor de verdade e se entregava completamente, Antônia era apenas a mulher no papel, principalmente no papeldinheiro, ela torrava quase tudo com coisas supérfluas.

Renata descobriu que tinha câncer há cinco anos.

     No dia ela iria conversar com Paulo sobre isso, ele chegou tão bravo com Antônia que ela nem quis estressá–lo com seus problemas, já que o doutor a tinha desenganado mesmo, o melhor era proporcionar aos dois homens de sua vida momentos bons e inesquecíveis.

     Paulo nunca entendeu porque ficar com Renata era cada vez melhor e ficar com Antônia era cada vez mais estressante.

Renata morreu no caminho de volta para sua casa – quando tinha ido se despedir de Paulo no cemitério.

     Seu filho, Carlos, ficou sabendo e tomou todas as providências sozinho, mesmo tendo apenas dezoito anos de idade.

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