LOGINRicardo soltou um suspiro pesado e colocou a pasta sobre a mesa, abrindo-a para revelar relatórios e impressões de portais de notícias.— As especulações sobre a fusão das nossas empresas ganharam força no mercado financeiro esta manhã. Alguns acionistas estão questionando se essa parceria é sólida ou apenas uma manobra temporária. A imprensa começou a farejar furos e a única forma de encerrar qualquer dúvida e garantir a estabilidade das ações é mostrar compromisso absoluto.Arthur franziu a testa, sentindo uma pontada de desconfiança.— E o que isso significa na prática? Nós já anunciamos o noivado.— Significa que o cronograma mudou — interveio Marcelo, pai de Arthur, dando passos lentos em direção à mesa. Sua voz era grave, limpa e carregada de uma autoridade natural que fez o ambiente parecer ainda menor. — O prazo inicial não vai funcionar mais.O jovem herdeiro encarou seu pai diretamente, tentando decifrar o que se passava por trás daquela fachada imperturbável.— Do que o sen
Arthur sorriu de lado com a pergunta de sua ”noiva”. Ele havia bebido, era verdade, mas o álcool só estava mostrando o que ele não teria coragem de falar se ele estivesse totalmente sóbrio."Não é a bebida, Rebeca. É só a certeza de que você não consegue parar de pensar em mim."A resposta dele não demorou mais do que cinco segundos para aparecer na tela. Rebeca encarou a mensagem, sentindo a respiração dar uma leve falhada. Ele tinha uma facilidade irritante para ir direto ao ponto, desmontando qualquer postura defensiva que ela tentava erguer.Mordeu o lábio inferior, o polegar deslizando hesitante sobre o teclado. Escreveu e apagou duas vezes antes de finalmente enviar:"Sua autoconfiança devia vir com um aviso de perigo."No apartamento do outro lado da cidade, Arthur deu uma risada baixa ao ler. O gelo estalou no copo de uísque enquanto ele se encostava no parapeito da sacada, olhando a névoa cobrir os prédios mais altos."O aviso já estava implícito no contrato, minha querida" —
Rebeca respirou fundo, apoiando a testa contra a palma da mão enquanto Isaac esperava pela resposta. A respiração dele, do outro lado da linha, parecia mais próxima do que realmente estava. Podia até imaginá-lo: a camisa social desabotoada nos primeiros botões, a gravata jogada em algum canto, a taça de vinho repousando na mesinha de centro. Ele sempre tinha aquele ar de homem que dominava seus espaços, elegante até no silêncio.E, ainda assim, algo lhe escapava agora.— Eu sei... — ela murmurou, em voz quase inaudível. — Mas hoje…“Tudo bem, meu amor.” — Isaac respondeu, tentando mascarar a decepção. — “Só não demora muito pra voltar pros meus braços, porque você sabe que é lá o seu lugar.”Rebeca sorriu, mas o gesto mais uma vez morreu nos lábios.— Eu sei. — respondeu, como se quisesse convencer a si mesma de que estava fazendo o correto.“Estou morrendo de saudades…” — Ele fala, brincando com os sentimentos da jovem.— Eu também estou... — mentiu, sentindo o peso de cada sílaba pe
Arthur entrou novamente em seu carro e deu a partida. Colocou uma música enquanto dirigia nas ruas movimentadas de São Paulo. Ele mantinha os olhos fixos na estrada enquanto seus pensamentos eram um turbilhão. Quando chegou em sua residência com um meio sorriso ainda pendurado nos lábios. Tirou o blazer, largou-o sobre o sofá e serviu-se de outro uísque, agora em silêncio. A cabeça estava cheia. Não por causa da bebida, mas por causa de pensamentos errados que insistiam em permanecer.Pegou o celular, abriu em suas redes sociais e logo de cara viu a última foto tirada pelos paparazzi: ele com o braço ao redor da cintura de Rebeca, os dois sorrindo como se fossem felizes. Quase parecia real.Quase.Mas havia algo naquela imagem que não saía da cabeça dele. Um detalhe.O jeito como ela se inclinava levemente na direção dele, como se, por um segundo, o corpo tivesse esquecido que era tudo encenação.— A gente vai acabar se dando mal com isso… — ele murmurou, tomando um gole do uísque.M
Arthur sorriu, mas não rebateu. Apenas esperou que ela entrasse no carro e fechou a porta com delicadeza incomum. Caminhou em volta do veículo, ainda sentindo os flashes reverberando no corpo, como uma lembrança incômoda da encenação recém-finalizada. Entrou no carro, ajustou o cinto e ligou o motor. O silêncio entre eles parecia diferente agora. Não era desconfortável. Era carregado. Quase íntimo.— Vai querer ir direto pra casa? — ele perguntou, com os olhos na rua.— Acho melhor sim. — ela respondeu, olhando pela janela.Mas a verdade era que ela não queria ir pra casa. Não queria voltar pro vazio meticulosamente decorado da residência em que vivia. Não queria encarar as paredes que ouviam seus silêncios, as almofadas que já estavam moldadas à sua solidão. Queria — ainda que por pouco tempo — continuar fingindo que aquilo tudo era real.Arthur, por sua vez, alternava o olhar entre a avenida movimentada e o perfil dela refletido no vidro. Havia algo na postura de Rebeca naquele mome
Arthur sorriu de lado, percebendo o tom frio de sua noiva de mentira.— Essa é a sua versão mais interessante — Ele falou, segurando o olhar nela.Ela ergueu os olhos, devagar.— Mais interessante? — Rebeca perguntou, intrigada.Arthur suspirou, se inclinando para frente.— Sim. Essa mulher aí, agora. A que não mede palavras, a que olha como se estivesse desafiando tudo ao redor. — Ele apoiou os cotovelos na mesa e entrelaçou os dedos. — Você se parece mais com Ricardo do que imagina.Ela arqueou uma sobrancelha, surpresa com o tom de voz dele, mais baixo, mais íntimo. Talvez estivesse apenas atuando para os ouvidos eletrônicos escondidos. Talvez não. O jeito como ele inclinava o corpo na direção dela não parecia ensaiado.— Está flertando comigo agora? — ela perguntou, tentando manter o tom neutro, mas não conseguindo esconder o leve rubor que subia pelas bochechas.— Estou elogiando. Flertar pressupõe intenção… — Arthur a observou por mais um segundo antes de completar com um sorri







