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Capítulo 4

Penulis: Água com Gás
Nos três dias que antecederam o aniversário de Caio, Fabiana esteve ocupada com os preparativos da festa. Enquanto organizava cada detalhe, ela também comprou todos os presentes que ele poderia receber dos seis aos dezoito anos de idade.

Afinal, Caio era seu filho biológico. Mesmo que Fabiana nunca mais o visse no futuro, Fabiana sentia-se na obrigação de cumprir seu papel de mãe até que ele atingisse os dezoito anos.

No dia do aniversário, a festa estava cheia de convidados. Fabiana, segurando a mão de Caio, ficou ao lado de Yuri no centro do salão, sendo cercada por olhares e elogios.

Normalmente, Caio ficava radiante em suas festas de aniversário, mas naquele dia, ele parecia visivelmente desanimado. Sua expressão estava fechada, e ele chutava repetidamente as pedrinhas no chão, enquanto seus olhos se voltavam para a porta a cada poucos segundos. Yuri, por sua vez, olhava para o relógio com frequência, como se estivesse esperando algo ou alguém.

Fabiana começou a se perguntar se havia algo errado com a organização da festa, mas seus pensamentos foram interrompidos por uma voz feminina que ecoou do lado de fora da porta:

— Caio!

Caio levantou a cabeça de imediato. Seus olhos se iluminaram, e ele soltou a mão de Fabiana com tanta força que a empurrou para o lado. Sem olhar para trás, ele correu em direção à porta:

— Tia Cecília!

Fabiana deu um passo para trás, tropeçando e quase caindo no chão. Ela conseguiu recuperar o equilíbrio depois de alguns passos instáveis, mas sentiu uma leve dor no tornozelo.

Enquanto isso, Caio, completamente alheio ao que acabara de acontecer, jogou-se nos braços de Cecília como um filhote obediente que finalmente encontra sua dona. Toda a melancolia de antes desapareceu do seu rosto, substituída por um sorriso radiante que ele dificilmente oferecia à própria mãe:

— Você finalmente chegou! Eu estava te esperando o tempo todo.

Cecília sorriu com ternura, apertando suavemente as bochechas do menino:

— Desculpe pelo atraso, querido. O trânsito estava terrível e acabei me atrasando.

Yuri, que até então estava ao lado de Fabiana, começou a caminhar em direção a Cecília. Pela primeira vez em muito tempo, um sorriso suave e sincero surgiu em seu rosto sempre frio.

Fabiana suportou a dor latejante em seu tornozelo enquanto permanecia em pé no meio da multidão. Seus olhos estavam fixos no marido e no filho, que a deixaram para trás e se reuniram ao redor de Cecília.

Uma sensação amarga começou em seu coração e rapidamente se espalhou por todo o corpo.

"Eu deveria ter previsto isso." Pensou Fabiana, olhando para a cena com olhos inexpressivos. "Só Cecília é capaz de fazer os dois se comportarem assim."

Ela finalmente compreendeu que a "pessoa especial" que Caio tanto queria convidar para a festa era Cecília.

O burburinho no salão cessou por alguns segundos. Os convidados começaram a trocar olhares, confusos, antes de cochichar entre si:

— Quem é ela? Parece que Yuri e Caio estavam esperando especialmente por ela.

— Será que ela é a verdadeira Sra. Miranda? Talvez tenhamos confundido antes.

— Não, ouvi dizer que ela foi a primeira namorada de Yuri, o grande amor dele na época da faculdade. Parece que ela acabou de voltar para o país.

— Meu Deus, que situação! Imagine o constrangimento de ser a Sra. Miranda e ver a antiga paixão do seu marido aparecer assim, no aniversário do próprio filho...

— Fale baixo! A Sra. Miranda ainda está aqui.

Fabiana desviou o olhar, fingindo não ouvir os comentários. Ela não sentiu dor no coração desta vez, apenas um vazio agridoce.

Depois de hoje ela nunca seria mais a Sra. Miranda.

Enquanto os convidados cochichavam, Caio já havia puxado Cecília pela mão para mostrá-la ao redor da festa, com uma empolgação que parecia interminável:

— Tia Cecília, olha, esse é meu personagem de desenho favorito! E aqui estão todas as minhas fotos, desde que eu era bebê até agora. Esse aqui é um desenho que eu mesmo fiz…

Cecília o seguia pacientemente, ouvindo suas explicações com um sorriso carinhoso. Yuri caminhava ao lado dos dois, com uma expressão leve e descontraída que Fabiana não via há anos.

Depois de dar uma volta completa no salão, Caio finalmente trouxe Cecília até Fabiana:

— Tia Cecília, essa é minha mãe.

Diferente do tom animado que usara até agora, a voz de Caio soou desanimada, quase relutante, ao apresentar Fabiana.

Cecília, no entanto, manteve um sorriso impecável. Ela acariciou a cabeça de Caio e respondeu com um tom doce:

— Sra. Fabiana, você realmente é muito sortuda por ter um filho tão educado e encantador como o Caio.

Fabiana retribuiu o sorriso:

— Você também terá.

Fabiana não estava falando apenas de Caio. Depois daquela noite, não só o Caio, mas também Yuri seriam "presentes" que ela deixaria para Cecília.

Caio, claramente desconfortável com a troca de palavras, rapidamente puxou Cecília para longe de Fabiana, sem sequer olhar para trás.

Yuri instintivamente quis segui-los, mas, ao desviar o olhar, ele viu Fabiana parada sozinha no mesmo lugar. Ela parecia completamente deslocada em meio ao ambiente animado ao seu redor. Por um momento, ele hesitou e, em um raro gesto de suavidade, falou com uma voz mais baixa:

— Esses dias devem ter sido cansativos para você com os preparativos da festa. Agora que a Cecília está com o Caio, você pode subir e descansar um pouco.

Fabiana baixou os olhos, escondendo o brilho irônico que passava por eles.

"Yuri está mesmo tão ansioso para ficar abertamente ao lado de Cecília?" Pensou. "Ele sequer hesita em pedir que a esposa legítima dele e mãe biológica do Caio se retire da festa."

Mas Fabiana não disse nada. Ela apenas virou-se e subiu as escadas sem olhar para trás. Não havia mais razão para gastar sua energia com situações tão insignificantes.

Quando chegou o momento de fazer o pedido de aniversário, uma das empregadas foi chamá-la para descer.

No salão de festas, Caio estava em frente a um enorme bolo, pronto para fazer seu pedido. Cecília e Yuri estavam ao lado dele, um de cada lado, sorrindo tranquilamente.

Fabiana, ao ver a cena, parou no meio da escada. A harmonia daquela imagem parecia tão perfeita que qualquer outra pessoa que tentasse se juntar a eles seria completamente desnecessária.

Assim que Cecília percebeu a presença de Fabiana, ela sorriu com um ar de desculpas e disse:

— Sra. Fabiana, me desculpe.

Enquanto falava, Cecília começou a dar um passo para o lado, tentando abrir espaço ao lado de Caio. Mas, antes que pudesse se mover, Caio agarrou firmemente a barra de sua blusa com suas pequenas mãos, recusando-se a deixá-la sair.

— Mamãe, eu quero que a tia Cecília fique comigo.

Yuri olhou para o filho e, com um tom de voz calmo, concordou:

— Hoje é o aniversário do Caio. Deixe-o fazer o que quiser. Não se preocupe com isso.

Fabiana permaneceu onde estava, sem demonstrar nenhuma emoção. Ela assentiu levemente com a cabeça, como se estivesse apenas concordando mecanicamente.

Ela já havia decidido abrir mão daqueles dois, pai e filho, que considerava desprezíveis. Por que ela se importaria com algo tão insignificante quanto um lugar para ficar em pé?

Caio, percebendo que ninguém iria contrariá-lo, sorriu visivelmente mais feliz. Ele fechou os olhos, juntou as mãos e começou a fazer seu pedido de aniversário:

— Eu desejo crescer feliz e saudável.

Depois de dizer isso, ele fez uma pausa, abriu um pequeno sorriso e, na sequência, murmurou algo em italiano:

— E também desejo que a tia Cecília seja minha mãe!
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