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Capítulo 5

ผู้เขียน: Água com Gás
A voz infantil de Caio ecoou pelo salão, clara e nítida, alcançando os ouvidos de todos os presentes. Entre os convidados, alguns entendiam italiano. Por isso, em questão de segundos, várias expressões começaram a se transformar.

Yuri ficou imóvel por um instante, os olhos se estreitando levemente. Mas logo sua expressão retornou à indiferença de sempre. Com um tom controlado, ele tentou desfazer o impacto daquelas palavras:

— São apenas coisas de criança. Não levem isso a sério.

Caio, no entanto, franziu o rosto em descontentamento. Seus olhos brilhavam com teimosia, e ele abriu a boca para insistir:

— Mas eu...

Antes que pudesse continuar, Fabiana se aproximou e interrompeu calmamente:

— Caio, este é o meu presente para você. Ele pode realizar o seu desejo.

Ela colocou um envelope nas mãos do menino. Dentro dele, havia uma cópia assinada do acordo de divórcio.

Fabiana sabia que aquele presente provavelmente era o que Caio mais queria receber. Após uma breve pausa, ela acrescentou:

— E aqui dentro também tem uma chave.

Fabiana pretendia explicar que todos os presentes que ela havia comprado para ele, dos seis aos dezoito anos, estavam guardados em um cofre. Tudo o que ele precisava fazer era abrir um presente por ano, na ordem certa, nos próximos aniversários.

Mas, antes que Fabiana pudesse terminar de falar, Caio balançou a cabeça rapidamente, sem prestar muita atenção:

— Obrigado, já entendi.

A atitude de Caio deixava claro que ele não acreditava que aquele “presente” pudesse realizar seu desejo. Para ele, aquilo não passava de mais uma tentativa de um adulto de enganar uma criança com palavras vazias.

Sem nem abrir o envelope, Caio o colocou de lado e voltou-se para Cecília, com os olhos cheios de expectativa:

— Tia Cecília, qual é o presente que você trouxe para mim?

Cecília sorriu carinhosamente, apertando levemente as bochechas do menino antes de pegar o presente que havia preparado. Ela tirou três camisetas combinando de dentro do bolso de sua bolsa. No centro de cada uma, havia uma foto impressa: uma imagem dela, Yuri e Caio juntos, tirada durante um passeio ao parque de diversões.

— Lembra dessa foto? Foi da última vez que fomos ao parque juntos. Achei que seria divertido transformá-la em roupas iguais. O que você achou, Caio? — Perguntou Cecília.

Os olhos de Caio brilharam, e ele soltou um grito animado.

— Uau! — Ele pegou as camisetas, examinando-as com entusiasmo, como se fossem o melhor presente do mundo. — Eu adorei! Vou usar amanhã, depois de amanhã e todos os dias!

Naquele momento, o fotógrafo contratado pela família Miranda chegou ao salão para tirar as fotos oficiais da festa.

Caio, com os olhos ainda brilhando, puxou a manga do terno de Yuri:

— Papai, vamos vestir as camisetas agora e tirar uma foto com a tia Cecília!

Yuri, que sempre usava apenas ternos formais, surpreendentemente não recusou a proposta. Pouco tempo depois, ele, Cecília e Caio estavam usando as camisetas combinando, parecendo exatamente como uma família feliz.

Quando chegou a hora de tirar as fotos, Yuri franziu levemente as sobrancelhas ao perceber que Fabiana ainda estava de pé ao lado, sem se juntar ao grupo.

— Por que você não vem tirar uma foto? — Perguntou Yuri.

Fabiana lançou um olhar rápido para os três que estavam à sua frente. Todos os três usavam as mesmas camisetas, abraçados tão próximos que não havia espaço para mais ninguém entre eles. Ela forçou um sorriso:

— Estou cansada. Vocês podem tirar as fotos sem mim.

Yuri não insistiu. Ele apenas acenou para o fotógrafo, indicando que ele podia começar.

Cecília e Yuri posicionaram-se um de cada lado de Caio. Para melhorar o enquadramento, o fotógrafo pediu que os dois se aproximassem um pouco mais.

Pouco a pouco, eles se moveram até que seus ombros se tocassem. No instante em que isso aconteceu, ambos pararam e se olharam por reflexo.

Houve um breve silêncio. Os olhos de Yuri, geralmente tão frios, suavizaram-se com um toque de ternura. Cecília, por outro lado, sentiu suas bochechas ficarem levemente coradas.

À frente deles, Caio segurava as mãos de ambos e sorria amplamente, como se estivesse vivendo o momento mais feliz de sua vida.

Ao redor, os convidados começaram a sussurrar entre si:

— Primeiro o filho deseja que outra mulher seja sua mãe. Depois, eles vestem camisetas combinando e tiram fotos como uma família. Essa Sra. Miranda tem uma paciência de ferro!

— Vocês não sabem? Dizem que Yuri e a primeira namorada dele tiveram um relacionamento muito intenso no exterior. Ele chegou a pedi-la em casamento cem vezes! Se ela não tivesse recusado, a Fabiana nunca teria ocupado essa posição de Sra. Miranda.

— Então essa mulher é a famosa primeira namorada dele? Se ela voltou agora, vocês acham que...

Enquanto as vozes ao redor continuavam a discutir o passado de Yuri, Fabiana foi lentamente transportada de volta a seis anos atrás, no dia em que Yuri a pediu em casamento. Não houve flores. Não houve um anel. Nem mesmo uma declaração de amor.

A única coisa que ele disse foi:

— Você quer se casar comigo?

Essas poucas palavras foram suficientes para fazer Fabiana mergulhar de cabeça em um casamento que beirava a obsessão.

Mesmo quando Fabiana descobriu, após o casamento, o longo passado de Yuri com Cecília, ela escolheu ignorar. Ela acreditou que, sendo a legítima Sra. Miranda, eventualmente ele aprenderia a amá-la. Por isso, ela havia escolhido continuar mantendo aquele casamento.

Mas levou seis anos para Fabiana compreender que o coração de Yuri, há muito tempo pertencente a outra pessoa, jamais seria dela.

Não importava o quanto Fabiana se esforçasse. Sempre que a pessoa que ocupava o coração dele aparecia, Fabiana sabia que perderia.

Fabiana observou o olhar de Yuri, incapaz de se afastar de Cecília, e riu baixinho.

Felizmente, aquele casamento que nunca deveria ter começado estava prestes a chegar ao fim.

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