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Capítulo 3

작가: Água com Gás
Fabiana ficou internada por uma semana inteira até que os últimos traços da reação alérgica desaparecessem. Durante esses sete dias, ela não recebeu sequer uma visita de Yuri ou Caio. Mas, todos os dias, Fabiana via as fotos deles que Cecília postava nas redes sociais.

O "problema" de Cecília, aquele que Yuri mencionara com tanta seriedade, não passava de uma infestação de baratas em sua casa. E Yuri passou a semana ajudando-a a encontrar um novo apartamento, comprando móveis e, junto com Caio, transformando o espaço vazio em um lar aconchegante.

No dia em que Fabiana recebeu alta, Yuri e Caio finalmente apareceram, como se estivessem cumprindo uma obrigação atrasada. Quando Yuri percebeu que ela já havia resolvido sozinha toda a burocracia do hospital, uma rara expressão de desconforto passou por seu rosto sempre frio e controlado.

— Desculpe por não ter vindo nos últimos dias. — Disse ele, com a voz baixa, como se estivesse tentando soar genuíno. — Estive ocupado ajudando aquela amiga. Ela acabou de voltar ao país, não conhece ninguém, e eu sou a única pessoa que pode dar suporte a ela.

Yuri raramente pedia desculpas. Antes, essa atitude seria suficiente para que Fabiana, sempre compreensiva, se apressasse em dizer que estava tudo bem.

Mas, desta vez, ela simplesmente abriu a porta do carro e entrou sem sequer olhar para ele:

— Entendi. Vamos para casa.

Yuri ficou surpreso com sua resposta fria.

"Será que ela está com raiva?" Ele se perguntou por um momento. Mas logo descartou a ideia.

Durante seis anos de casamento, Fabiana sempre fora a personificação da paciência e da compreensão. Nunca havia levantado a voz para ele, nunca exigira nada. Não fazia sentido que ela estivesse aborrecida agora. Era apenas sua imaginação, com certeza.

No caminho de volta, Fabiana manteve os olhos fechados, como se estivesse descansando. Mas ela sentia, com clareza, um par de olhos a observando com insistência.

Quando finalmente ela abriu os olhos, eles se encontraram com o olhar curioso de Caio. Assim que percebeu que ela estava acordada, Caio perguntou, com cuidado, quase hesitante:

— Mamãe, você já está melhor? Sua alergia passou?

— Já.

Assim que Fabiana respondeu, o carro parou suavemente em frente à casa.

Ela abriu a porta e saiu sem pressa. Mas, ao dar alguns passos, ouviu um murmúrio infantil vindo de trás:

— Que pena que a tia Cecília não pode ser minha mãe...

Fabiana congelou no lugar. Era como se mil agulhas perfurassem seu coração ao mesmo tempo.

Aquele era o filho que ela carregara por nove meses, o menino que ela dedicava cinco anos de sua vida criando. Agora, ele lamentava que Cecília não pudesse substituí-la como mãe.

A criança que quase a matou com um pedaço de bolo não demonstrava um pingo de remorso ou culpa. Pelo contrário, parecia frustrado por não ter conseguido eliminar o "obstáculo" que ela representava.

A ironia era quase cruel demais para suportar.

Fabiana respirou fundo, forçando-se a engolir a dor que queimava em seu peito. Sem dizer uma palavra, ela subiu para o quarto.

"Caio, não se preocupe, porque seu desejo será realizado muito em breve." Pensou ela.

Naquela noite, Fabiana deitou cedo. Ao lado dela, o lugar na cama que deveria ser de Yuri estava frio, como sempre. Ele costumava passar horas no escritório, e os dois já houve muito tempo haviam deixado de conversar antes de dormir. Ela havia se acostumado com o vazio.

Quando estava prestes a adormecer, ela sentiu um par de mãos fortes e quentes puxando-a para um abraço.

O calor de Yuri envolveu seu corpo, e sua respiração quente roçou seu pescoço, fazendo-a estremecer instintivamente.

Fabiana abriu os olhos de repente, sem saber como reagir. Mas, antes que pudesse dizer algo, algo chamou sua atenção: uma longa mecha de cabelo loiro, ondulado, presa na gola da camisa de Yuri.

Fabiana sempre teve cabelos castanhos desde que nasceu.

Uma onda de náusea tomou conta dela. Era como se algo dentro dela tivesse se quebrado de vez.

Ela empurrou Yuri com força, afastando-se de seu abraço.

Yuri, confuso, franziu as sobrancelhas:

— Você ainda não está completamente recuperada?

Fabiana quase riu da pergunta. O coração e a mente dele estavam ocupados por outra mulher, e agora ele ainda fingia se preocupar com ela? Qual era o objetivo disso?

— Yuri, sabe o que eu percebi? Você é ainda menos corajoso do que uma criança.

Pelo menos Caio teve a coragem de admitir que queria que Cecília fosse a mãe dele. Mas Yuri... ele nem sequer foi capaz de reconhecer o que sentia. Ele se escondeu atrás da palavra "amiga", usando-a como um escudo.

Yuri ficou visivelmente confuso:

— Do que você está falando?

Fabiana soltou uma leve risada, sem vontade de encarar aquela expressão falsa de Yuri. Ela virou-se de costas para ele e deitou na cama.

Yuri, por sua vez, também perdeu qualquer desejo de se aproximar dela. Sem dizer nada, ele levantou-se e saiu do quarto.

O som da porta se fechando chegou aos ouvidos de Fabiana, mas ela permaneceu com os olhos firmemente fechados, fingindo estar alheia a tudo.

Na manhã seguinte, o advogado enviou o acordo de divórcio à Fabiana.

[Sra. Fabiana, o acordo de divórcio está pronto.]

[Obrigada.]

Assim que ela terminou de responder a mensagem, Caio desceu as escadas e correu até ela, com os olhos brilhando de animação:

— Mamãe, minha festa de aniversário tem que ser incrível este ano! Eu quero convidar uma pessoa muito especial!

Fabiana piscou, lembrando-se de que o aniversário de Caio estava se aproximando. Ela abaixou os olhos, refletindo, antes de responder com um leve "sim".

Afinal, aquele seria o último aniversário que ela passaria com ele.

Satisfeito, Caio pegou a mochila e saiu correndo para a escola.

Assim que ele saiu, Fabiana pegou o celular e comprou uma passagem de avião. O voo estava marcado para dali a três dias, na noite do aniversário de Caio.

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