INICIAR SESIÓNA pergunta era simples, mas, depois de tanto tempo, era exatamente o tipo de pergunta que eu teria esperado ouvir quando ainda éramos casados.Agora não significava nada.Virei-me lentamente.— Estou ótima.Sorri.— Espero que o senhor também esteja.E saí.Deixei Matthew Montenegro sozinho na sala, cercado por seus diretores e por uma proposta milionária. Pela expressão que vi antes de fechar a porta, tive a impressão de que ele não estava mais pensando no contrato.Estava pensando em mim.Assim que as portas do elevador se fecharam, Kimberlly segurou meu braço.— Amiga, ainda bem que você me deixou ver isso! Você foi perfeita! E o Matthew... Caralho! O Matthew estava sem palavras, te encarando como se tivesse acabado de descobrir que você era outra pessoa.— Ele realmente ficou surpreso.— Surpreso? Aquele homem quase esqueceu como respirar.Verônica soltou uma risada enquanto apertava o botão do térreo.— Preciso admitir que também fiquei curiosa.Olhei para ela.— Com o quê?— Com
Não respondi à pergunta de Matthew imediatamente.Em vez disso, virei-me para todos os presentes na sala. Alguns não me conheciam e me observavam com curiosidade, tentando entender por que o presidente do Grupo Montenegro parecia tão desconcertado diante de uma mulher que acabara de entrar na sala. Outros, porém, sabiam exatamente quem eu era.Reconheci alguns rostos.Pessoas que haviam trabalhado comigo.Pessoas que, cinco anos antes, passavam por mim nos corredores sem sequer imaginar que aquela mulher que carregava documentos, organizava reuniões e corria para resolver os problemas de Matthew era, na verdade, a esposa dele.Alguns haviam me chamado de sombra.Outros simplesmente achavam engraçado o fato de eu estar sempre atrás do presidente.Naquela época, ninguém fazia ideia do que existia por trás daquela aparência.Hoje, eles teriam de prestar atenção em cada palavra que saísse da minha boca.Endireitei os ombros e sorri.— Bom dia a todos. Sou Samyra Aquilla, CEO da Aurea Desi
SAMYRA AQUILLAEstava terminando meu café quando a campainha tocou. Olhei para o relógio e franzi a testa. Verônica havia avisado que chegaria mais tarde, então imaginei que pudesse ser algum funcionário do prédio ou até mesmo uma entrega. Caminhei até a porta e, quando a abri, encontrei Kimberlly parada do outro lado com um sorriso enorme no rosto e uma expressão que, conhecendo minha amiga como conhecia, só podia significar problema.— O que faz aqui tão cedo, Kimberlly?— Vim porque não vou perder a sua entrada triunfal e, principalmente, a cara daquele besta do seu ex-marido quando perceber quem está entrando na sala dele.Ela deu uma risadinha satisfeita e entrou sem esperar convite.Balancei a cabeça negativamente.— Você é ridícula.— E você me ama mesmo assim.— Infelizmente.— Também te amo.Fechei a porta e voltei para a cozinha.— Vem tomar café comigo, porque sei que você não deve ter comido nada.— Eu trouxe minha própria fome.— Isso explica muita coisa.Ela puxou uma ca
MATTHEW MONTENEGROTerminei de me arrumar e saí do quarto conferindo as horas no relógio. Camile me esperava em um restaurante que costumávamos frequentar, e ela odiava atrasos. Não que eu estivesse acostumado a prestar contas dos meus horários, mas conhecia minha amiga o suficiente para saber que cinco minutos de atraso seriam suficientes para receber uma reclamação durante o jantar inteiro.O motorista já aguardava na porta. Entrei no carro e aproveitei o trajeto até o restaurante para responder algumas mensagens relacionadas ao Grupo Montenegro. Desde que Samyra havia desaparecido da minha vida, minha rotina tinha se tornado mais complicada do que deveria. Durante algum tempo, atribuí aquilo à falta de uma boa assistente. Depois contratei outras pessoas, reorganizei minha agenda e coloquei funcionários diferentes para cuidar das tarefas que antes ficavam sob responsabilidade dela.Nada funcionou exatamente como antes.Era irritante.Ainda mais porque não conseguia entender por qu
SAMYRA AQUILLAMinha amiga me encarou por alguns segundos, esperando uma resposta que, para mim, já estava muito clara.— Sim, Kim.— Você não sente mais nada por aquele ordinário, certo?Kim perguntou com uma expressão desconfiada, como se estivesse tentando encontrar alguma mentira escondida atrás das minhas palavras. Apenas neguei com a cabeça e mantive o sorriso tranquilo.— Não sou uma mulher que vive de migalhas, amiga. Aprendi isso da pior maneira possível. Agora vivo por mim, pela minha avó e pelo que construí com as minhas próprias mãos.— E eu? — perguntou, levando a mão ao peito e fingindo que estava fungando. — Vou ser esquecida?Revirei os olhos.— Você também, óbvio.— Assim está melhor.Kim abriu um sorriso satisfeito, como se tivesse acabado de receber a confirmação mais importante da noite.— Agora vamos parar de falar sobre o idiota do seu ex-marido e comemorar. Você voltou para o Rio, sua empresa está indo muito bem, seu apartamento é lindo e amanhã vai fechar mais
Meu sorriso desapareceu. — Que tipo de problema? Ela hesitou. — Não sei como você vai reagir. Cruzei os braços. — Vero, depois de tudo que já enfrentamos com essa empresa, dificilmente alguma coisa vai conseguir me assustar. — Tem certeza? — Não. Ela respirou fundo e virou o tablet na minha direção. — Então olha isso. Aproximei-me. Havia uma lista de empresas com as quais a Aurea Design estava negociando futuras parcerias. Li os primeiros nomes sem prestar muita atenção, até meus olhos pararem em uma determinada linha. Meu corpo inteiro ficou imóvel. Grupo Montenegro. Por alguns segundos, tive a sensação de que o ar havia desaparecido da sala. Não era possível. Passei os olhos pela tela novamente. O nome continuava ali. Grupo Montenegro. Cinco anos. Cinco anos sem ouvir aquele nome. Cinco anos sem vê-lo. Cinco anos tentando construir uma vida em que Matthew Montenegro fosse apenas uma lembrança distante e agora o passado aparecia em uma planilha empresarial. Q







